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Bom dia!

A terça já começa com o mundo lá fora mexendo no bolso de quem planta: a confusão perto do Estreito de Ormuz ameaça encarecer o adubo e derrubar 14% da entrega de fertilizante no Brasil neste ano. E a bagunça não para por aí, o trigo disparou depois que Rússia e Ucrânia foram pra cima uma da outra.

Mas calma que tem boa notícia: em Santos, um navio gigante encheu o tanque de etanol pela primeira vez, e pode nascer um mercadão novo pra cana. Ainda tem a Ruiz Coffees dando uma aula (dura) sobre dívida, o Cade batendo o carimbo na compra da Ceratti pela Zanchetta, e o cacau que sobra no galpão mas não vira chocolate.

No plantão, a Europa botou o café solúvel na lei antidesmatamento, a MP das dívidas rurais deve sair até quarta, o feijão-carioca deu uma aliviada no preço e teve troca de cadeira no Ministério da Agricultura.

Pra você realmente começar o dia um passo à frente.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 % sem. 2027 % sem.
Câmbio (R$/US$) 5,20 0,00% 5,28 0,00%
IPCA (%) 5,16 -2,60% 4,20 0,37%
PIB (%) 1,99 0,00% 1,65 -2,10%
Selic (% a.a.) 14,00 0,00% 12,00 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

POR DENTRO DO MERCADO

A conta do adubo vai subir por causa de Ormuz

Fonte: Giphy

Quando o pavio acende perto do Estreito de Ormuz, a fumaça chega rápido no galpão de insumo aqui.

A Yara, uma das maiores de fertilizante do mundo, projeta que as entregas no Brasil caiam cerca de 14% neste ano, 7 milhões de toneladas a menos, empurradas por um choque de preço ligado à tensão na região.

E vem um segundo aperto de longe: a transição energética está secando a oferta de enxofre, matéria-prima de boa parte dos adubos.

Junta os dois e a margem de 2026/27 volta a apertar, com o fosfatado no topo da lista de dor de cabeça.

O recado é seco: quem trava compra e planeja a adubação com antecedência apanha bem menos do que quem deixa pra comprar no susto.

COMO TÁ LÁ FORA?

O trigo disparou porque atacaram os navios

Fonte: Bloomberg Línea

Vem comigo até o Mar Negro, que a confusão de lá termina no pão daqui. Depois que a Ucrânia atacou embarcações russas no Mar de Azov e a Rússia mirou portos ucranianos no Mar Negro, a navegação travou e o preço do trigo no mercado futuro disparou no medo de faltar grão. Pra quem é do Brasil, o timing não podia ser pior: a gente já vinha para uma safra menor e mais importação neste ciclo, com risco climático rondando a lavoura. Colheita fraca aqui dentro e a rota de exportação sob fogo lá fora, tudo empurrando pro mesmo lado. E o trigo segue caro e imprevisível pelos próximos meses.

COLHENDO CAPITAL

O gigante do café que devolveu fazenda de propósito

Fonte: The AgriBiz

Como é que uma das maiores cafeicultoras do país quebra o caixa com o café dando margem de 70%? A resposta não está na lavoura, está no vencimento das dívidas.

A Ruiz Coffees suspendeu pagamentos para renegociar um passivo estimado em mais de R$ 1 bilhão, depois que as parcelas se concentraram e a rolagem de crédito parou de uma hora pra outra.

O diretor financeiro, Ricardo Prado, resumiu sem rodeio que devolver fazendas que o grupo tinha comprado é "disciplina, não fragilidade". A saída em estudo é o sale-leaseback, passar as terras a um fundo dos credores e seguir plantando de arrendado, sem cair na recuperação judicial, com 9 mil hectares de café e mais de 500 empregos no jogo.

No fim das contas, a lição que fica é: margem boa não salva ninguém de uma dívida mal casada, e, às vezes, saber recuar é o que mantém a fazenda de pé.

NAS CABEÇAS DO AGRO

O Cade liberou a Ceratti oficialmente

Fonte: Giphy

Pra quem está acompanhando essa história desde junho, o Cade aprovou sem restrições a compra da Hormel Brasil, dona da Ceratti dos embutidos, pela Zanchetta Alimentos.

Era o passo que faltava para fechar o acordo anunciado anteriormente. Na prática, a marca de mortadela e salame que virou sinônimo de padaria volta a mãos brasileiras, e a Zanchetta crava de vez um pé nos processados e frios. Mais uma peça da consolidação da proteína mudando de dono, agora com o carimbo oficial.

DE OLHO NO PORTO

A primeira vez, a gente nunca esquece

Fonte: CNN Agro

Imagina a cena no cais: um transoceânico de 13 mil contêineres parado, mangueira acoplada, enchendo o tanque com cana em vez de petróleo. Foi o que rolou no Porto de Santos, o primeiro abastecimento de um porta-contêineres com etanol no país, foram 650 mil litros de etanol anidro da Copersucar, em parceria com a CMA CGM e a Bunker One.

Agora volta pra cá, deixa eu te falar uma coisa. O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais e caça combustível limpo no mundo inteiro, e o etanol de cana acabou de mostrar serviço. A jogada de hoje pode ser o mercado de amanhã.

Um abastecimento isolado que vira a largada de uma demanda nova, e gigante, muito além do posto da esquina.

SAFRA DE CIFRAS

O cacau tá sobrando, mas a fábrica…

Fonte: Giphy/MEME

Chegou amêndoa que era uma beleza. A oferta de cacau no Brasil cresceu 63% no primeiro semestre e o recebimento reagiu com força, dando a impressão de que a virada tinha chegado. Só que a fábrica não seguiu o ritmo: a moagem avançou só 3,6%, somando 101.426 toneladas e ainda abaixo do patamar pré-crise. Para completar, a importação da amêndoa despencou 57,1% e a demanda anda de lado, sem puxar o consumo. Ou seja, tem matéria-prima parada esperando quem transforme em chocolate. É “saboor” alívio, porque a lavoura respondeu com mais produção, mas quem manda no bolso é o ritmo da indústria, que tá lento.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Você que entende de gado, será que manja da parentela toda do reino animal? No Metazooa o jogo é descobrir o bicho misterioso do dia em até 20 palpites, e cada chute errado revela o parentesco (reino, filo, classe, ordem…) entre o seu palpite e a resposta. É rápido, vicia e no fim você sai sabendo taxonomia sem perceber. Bom demais pra destravar a cabeça entre um talhão e outro.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: o El Niño, o aquecimento acima do normal das águas do Pacífico que bagunça o clima, mais chuva no Sul e seca no Norte e Nordeste. A NOAA já dá 81% de chance de ele vir "muito forte" entre outubro e dezembro, um dos mais fortes desde 1950.


Pergunta de hoje: no adubo NPK, o P é de fósforo e o K de potássio. O N representa qual nutriente?

A resposta você confere na próxima edição!

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