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Bom dia!
Começando a semana com chumbo grosso: hoje tem o El Niño voltando com força de gente grande, a China estourando a cota da carne e mexendo no preço do boi, e a Raízen vendendo o pedaço argentino pra desafogar o caixa.
No meio disso, a inflação dando uma trégua na feira, o Lula visitando os testes do etanol e do biodiesel, e a gripe aviária batendo na Ásia e na Oceania.
Pra você começar a segunda um passo à frente.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
E ESSE TEMPO, HEIN?
Ele tá voltando com força

Fonte: giphy
Atenção. O El Niño já chegou, e a NOAA acabou de elevar de 63% pra 81% a chance de ele virar "muito forte" até o fim do ano. Se confirmar, entra pra lista dos maiores desde 1950, na altura dos de 82, 97 e 2015.
No Sul, chuva demais e risco de enxurrada; no Centro-Norte e no Nordeste, chuva de menos e calor, uma combinação ruim pra soja e, principalmente, pro milho safrinha, que pode sofrer de novo em 2027.
E não é só a lavoura que sente: a conta bate em quatro portas, alimento, energia (onda de calor acende bandeira e encarece a luz), seguro e gasto público com desastre. Aí é que mora o perigo: o seguro rural entrou em 2026 com a verba cortada pela metade, em torno de R$ 473 milhões.
Intensidade no Pacífico não é sentença, cada região responde diferente. Só que o aviso já tá no painel, e alerta que vira decisão devagar sai caro.
POR DENTRO DO MERCADO
A cota da China estourou, e o boi sentiu no couro

Fonte: Globo Rural
Ó, presta atenção, essa interessa pra quem vive de boi. O Brasil já queimou 98,5% da cota de carne com tarifa zerada da China, um limite de 1,1 milhão de toneladas que a StoneX aposta que se esgota até agosto. Passou disso, o embarque cai numa tarifa extra de 55% na entrada. Traduzindo: a porta não fecha, mas fica cara demais de atravessar.
Essa régua a China criou lá em dezembro pra proteger o gado dela, e a alfândega de lá, o GACC, decidiu não organizar a fila, então virou corrida pra embarcar antes do teto.
E daí pra você que cria: com o maior comprador saindo de cena no segundo semestre, sobra boi no mercado interno e o preço sente. No fim das contas, é o velho aperto, quando o maior comprador do mundo pisa no freio, quem segura o tranco é o pecuarista.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Pamplona trocou o comando pra crescer

Fonte: Giphy
Essa é pra quem acompanha o mundo das proteínas. A Pamplona Alimentos, uma das maiores de carne suína do país, lá de Rio do Sul (SC), resolveu virar a página depois de 78 anos só com a família fundadora no comando: chamou um CEO de mercado, Ronaldo Kobarg Müller, que já cravou o tom, "a Pamplona vai crescer".
O plano traz R$ 150 milhões em expansão de fábrica, mais aquisições no radar e aposta em inovação. E o vento tá a favor, a demanda por proteína vem forte, empurrada até pelas canetas emagrecedoras, que cortam o apetite por doce e jogam o prato pra carne e ovo.
A questão é que promessa de crescer é fácil no anúncio e difícil no chão de fábrica, ainda mais trocando o comando de uma casa de tão longa data.
MENTES QUE GERMINAM
A caderneta do gado virou app

Fonte: AGFeed
Pra você que cria e vive no sufoco da papelada, a agrônoma Gabriela Ribeiro, que rodava fazenda pesquisando custo pelo Cepea, cansou de ver pecuarista tocando o negócio no caderno de bolso e na planilha espalhada.
Daí nasceu a InLida, agtech de Piracicaba que acabou de lançar a segunda geração da plataforma de gestão de rebanho, e já soma 30 mil propriedades, 300 mil animais e 90 mil inseminações no acompanhamento. Levantou R$ 1 milhão, com a família Ermírio de Moraes na jogada, e mira o pequeno e médio produtor, justo aquele que a tecnologia costuma esquecer.
O detalhe é que app bonito não faz milagre sozinho, o pulo do gato é o produtor abrir o sistema todo dia. No fim, é a velha caderneta do gado, só que agora no celular e fazendo conta por você. Quem será o melhor amigo do criador: o cachorro ou a InLida?
ASSUNTO DE GABINETE
O tanque verde ganha uma visita ilustre

Fonte: CNN Brasil
Hoje, Lula vai acompanhar, ao lado do ministro de Minas e Energia, os testes de biodiesel no Instituto Mauá, em São Caetano do Sul.
Os ensaios avaliam misturas de B16 até B25, pra embasar o próximo salto da mistura obrigatória de biodiesel, hoje travada em 15%. O setor, via Aprobio e Abiove, diz que já tem estudo de sobra pra liberar o B16.
No radar também tá o E32, subir o etanol na gasolina de 30% para 32%. Só que essa virou novela: a reunião do CNPE foi adiada pela terceira vez e remarcada pra amanhã (14).
Traduzindo: o biodiesel anda nos testes, o etanol segue esperando o martelo do conselho. E promessa de reunião, no agro, às vezes leva bolo. Enquanto não bate, quem planta cana e soja segue no aguardo.
AGRO EM NÚMEROS
O prato ficou mais barato, mas nem tudo desinchou

Fonte: giphy
Em junho, a inflação subiu só 0,16%, a menor desde outubro, e quem segurou o índice foi justamente a comida: o grupo de alimentos recuou 0,24%, com a alimentação em casa caindo 0,39%.
Traduzindo pra feira: o café moído desceu 3,72%, a fruta caiu 1,58% e até a carne recuou 0,64%, alívio depois de meses de aperto. Mas nem tudo desinchou: o feijão-carioca subiu 8,31% e a batata-inglesa avançou 3,57%, prova de que sempre tem um item pra estragar a festa no caixa do mercado.
E pra você que vive do agro: preço de alimento mais baixo é fôlego pro consumidor, só que também aperta a margem de quem produz. No fim, a mesma faca que alivia a mesa corta o lucro da porteira.
PLANTÃO RURAL
O maior contrato de óleo de soja da Bunge: a Acelen Renováveis fechou 1,5 milhão de toneladas com a Bunge (300 mil t/ano a partir de 2029) pra abastecer sua biorrefinaria de SAF e diesel verde na Bahia.
A Raízen vendeu o pedaço argentino: o Cade liberou a venda dos ativos da Raízen na Argentina à Mercuria por US$ 1,42 bilhão, dentro da estratégia de desalavancagem do grupo.
Gripe aviária avança na Ásia e Oceania: Filipinas e Austrália registraram focos do H5, por ora só em aves de quintal e silvestres, um sinal amarelo pro maior exportador de frango do mundo.
Rússia trava canal e mexe com grão: Moscou suspendeu a navegação no canal Don-Azov, que escoa quase um quarto do trigo russo, e apertou o fluxo de grãos por ali, mais um nó na logística global.
Trigo argentino vende devagar: os produtores da Argentina só venderam 2 milhões de toneladas da nova safra, um dos inícios mais fracos da década, segurando a mercadoria à espera de preço melhor.
SE DIVERTE AÍ
Começo de semana pede um desafio rápido pra acordar a mente. O Chronophoto joga uma foto na sua tela e te pergunta uma coisa só: em que ano isso foi clicado? Você arrasta a linha do tempo e crava seu palpite. São cinco fotos por rodada, de graça, direto no navegador do celular, sem baixar nada. É o mesmo instinto de quem crava a idade do boi olhando a arcada, só que treinado na história do mundo.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Etiópia. O café nasceu lá, na região de Kaffa, reza a lenda que um pastor notou as cabras mais elétricas depois de comerem o fruto vermelho.
Pergunta de hoje: que fenômeno climático, ligado ao aquecimento das águas do Pacífico, costuma trazer mais chuva ao Sul e seca ao Norte e Nordeste do Brasil?
A resposta você confere na próxima edição!
