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Bom dia!

Hoje tem União Europeia rejeitando a proposta brasileira sobre antimicrobianos na carne, dívida rural encontrando caminho no Senado e escala 6x1 chegando no agro com a FPA pedindo freio. No meio disso, fertilizantes podem voltar ao radar de fusões, software brasileiro lança plataforma pra cooperativas e uma leitoa em MS pariu 33 filhotes na primeira gestação.

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Por Enrico Romanelli

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Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Dívidas rurais avançam, mas seguro ainda tá travado em Brasília

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

Depois de dias de empurra e puxa, o PL das dívidas rurais parece ter encontrado um caminho no Senado. Renan Calheiros (MDB-AL), relator da proposta, disse que o texto volta hoje (27) pra Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, já com uma versão costurada entre governo e parlamentares. A ideia é juntar o acordo no próprio projeto e deixar a MP no banco de reservas, pelo menos por enquanto.

O texto deve prever 2 anos de carência e 10 anos pra pagamento, com juros diferentes de acordo com o tamanho do produtor. Como a gente te contou na edição de ontem, o detalhe que ainda dá nó na cerca tá nos critérios de entrada, porque a Fazenda não quer uma renegociação que abrace todo mundo, até quem não precisa. Uma das propostas em análise prioriza produtores que tiveram 2 safras afetadas por eventos climáticos extremos. Quem não entrar nesse grupo também pode renegociar, mas em condições menos camaradas.

Tereza Cristina (PP-MS) disse que a proposta final também deve tirar o Fundo Social da ponta da mesa, pagando a conta, que era justamente um dos pontos que tava irritando a equipe econômica do governo. A ideia agora é deixar o Tesouro usar fontes disponíveis conforme a demanda, mas o tamanho da conta ainda depende dos critérios finais.

Enquanto isso, na Câmara, o seguro rural segue travado no acostamento. Pedro Lupion (Republicanos-PR) tá tentando negociar uma forma de transformar os recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural em despesa obrigatória, blindada de cortes e contingenciamentos.

O governo quer amarrar o seguro rural com as economias geradas no Proagro, mas a FPA não comprou a proposta, porque diz que esse filme já passou antes e o dinheiro nunca chegou ao PSR. Lupion também descartou criar uma CIDE pra bancar o Profert, já que tentar resolver o custo dos fertilizantes criando mais custo pro produtor seria tipo apagar incêndio com etanol. No pacote de pautas, o PLP 114/2026 também avançou, com ajustes sobre recursos do Fundo Social, diferimento de IBS e CBS pro milho e tentativa de proteger a competitividade do etanol de cana frente à gasolina.

DE OLHO NO PORTO

UE barra transição pra antimicrobianos e aperta prazo da carne brasileira

Foto: Thiago de Jesus

A União Europeia fechou a porteira pra proposta brasileira de transição nas regras sobre antimicrobianos na carne bovina. O governo queria um meio-termo, começando com a comprovação de que os animais exportados não receberam esses medicamentos nos 9 meses anteriores ao abate e deixando o controle da vida inteira do boi só lá pra 2029. Bruxelas olhou pra proposta e fechou a cara com um belo “não”.

O problema é que, no dia 12/05, o bloco do velho continente tirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, tipo carne bovina, aves, ovos e mel, por entender que a gente ainda não comprovou o cumprimento das regras europeias. A norma deles proíbe o uso de antimicrobianos pra acelerar o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais, além de barrar medicamentos que são reservados a infecções humanas.

A carne bovina é o pedaço mais difícil dessa picanha regulatória porque o boi brasileiro nem sempre vive uma vida de endereço fixo. Antes do frigorífico, ele pode passar por cria, recria, engorda, confinamento e cada um desses passos em diferentes propriedades. Provar todo esse histórico sanitário é quase montar a árvore genealógica do bovino. O Brasil já proibiu, no fim de abril, a importação, fabricação, venda e uso de aditivos melhoradores de desempenho com antimicrobianos relevantes pra medicina humana ou veterinária, mas a UE quer comprovação no sistema todo.

Mesmo com o revés, o governo diz que tá confiante de que consegue apresentar as informações necessárias até 03/09, quando a restrição passa a valer. A missão agora é convencer os europeus de que o controle sanitário brasileiro dá conta do recado, especialmente num mercado que ficou mais exigente e menos paciente.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Fertilizantes podem voltar ao radar de fusões no agro

Gif: theoffice on Giphy

O mercado de fusões e aquisições no agro deu uma bela esfriada em 2025. Segundo um levantamento da KPMG, os segmentos de fertilizantes e açúcar e etanol tiveram só 6 operações no ano passado, somados, metade do número que foi registrado em 2024. Nos adubos, foram 5 negócios, queda de 44% frente aos 9 do ano anterior. Nas usinas, o placar foi ainda mais magro, com apenas 1 operação.

Nos fertilizantes, o esfriamento veio do combo de custo de capital alto, margens apertadas no campo, risco de crédito e distribuição mais travada na cadeia de insumos. Só que 2026 pode trazer um novo gás pro setor, não exatamente por empolgação, mas por necessidade. O Brasil importou 93% dos adubos que consumiu em 2025, então qualquer confusão geopolítica lá fora vira, rapidinho, boleto mais salgado aqui dentro.

A guerra no Irã e as limitações no Estreito de Ormuz colocaram mais pressão sobre as matérias-primas e o frete, repetindo parte do susto que o setor já tinha levado em 2022, com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil importou 4% menos nitrogenados e fosfatados, mas pagou 16% mais, chegando a US$ 4,3 bilhões. Foi uma promoção ao contrário: leve menos e pague mais.

Esse cenário difícil deve dar um empurrãozinho na criação de alianças estratégicas, na verticalização e no investimentos da produção nacional. A Petrobras voltou a olhar pros nitrogenados, enquanto grupos nacionais e internacionais avançam em potássio, fosfatados e infraestrutura, com apoio cada vez maior do BNDES.

No açúcar e etanol, o mercado segue mais frio e calculista, querendo fazer due diligence de tudo. A KPMG vê espaço pra uma recuperação aos pouquinhos, mas só se tiver juros menores, crédito mais normalizado e margens menos puxadas. Bioenergia, descarbonização e eficiência operacional podem liderar esse próximo ciclo, com transações menores, mais estratégicas e focadas em ativos que entreguem valor de verdade, não só um PowerPoint bonito com um monte de nome em inglês.

ASSUNTO DE GABINETE

Fim da escala 6x1 avança e FPA vai contra

Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

A discussão sobre o fim da escala 6x1 entrou em uma nova fase na Câmara e já começou a fazer barulho fora do plenário. O relator Léo Prates (Republicanos-BA) apresentou o relatório da PEC 221/19, que prevê reduzir a jornada de 44 pra 40 horas semanais, com 2 dias de descanso e sem redução salarial. O texto volta pra análise na comissão especial hoje (27) e, se passar, ainda precisa encarar o plenário da Câmara e o Senado. Ou seja, ainda tem muito chão legislativo pela frente.

Pela versão atual, pelo menos 1 dia de descanso semanal remunerado seria preferencialmente aos domingos. A mudança viria em etapas, com a jornada caindo pra 42 horas em até 60 dias após a promulgação e depois pra 40 horas em 1 ano, com limite de 8 horas por dia. Em uma outra rodada da conversa nessa semana, os opositores do projeto chegaram a falar em transição de até 10 anos, mas agora o texto veio com mais pressa.

No agro, a FPA quer pisar um pouco no freio antes que a conta venha no boleto da proteína. Pedro Lupion (Republicanos-PR) diz que o setor precisa de uma transição mais longa e regras específicas pra atividades essenciais, como frigoríficos, usinas e agroindústrias. Segundo ele, o pessoal da cana fala em mais de 400 funcionários extras por usina, enquanto frigoríficos ligados à Abiec e à ABPA relatam mais de 40 mil vagas abertas sem preenchimento nas linhas de bovinos, frango e suínos. Criar turno novo sem gente pra contratar é tipo marcar churrasco e esquecer a carne.

A preocupação da bancada ruralista é que o aumento de custo acabe parando no carrinho do consumidor, principalmente nas carnes. Do outro lado, sindicatos e movimentos sociais defendem que a mudança traria mais descanso, qualidade de vida e menos desgaste pra quem vive na rotina pesada da escala.

CAMPO ATUALIZADO

Software brasileiro mira cooperativas e bota IA na gestão

Gif: Perspectief on Giphy

Cooperativa agropecuária no Brasil não é exatamente um negócio pequeno. O setor movimenta R$ 438,2 bilhões por ano, emprega 268 mil pessoas e responde por 53% da produção nacional de grãos. Mesmo com esse tamanho de trator na pista, muita cooperativa ainda toca gestão com sistema adaptado de outros setores, meio na gambiarra. Foi nesse espaço entre a porteira e o Excel que a Solterra lançou o ST7 COOP, um software feito especificamente pro cooperativismo agro.

A plataforma reúne 27 módulos integrados e vem com inteligência artificial nativa pra automatizar os processos contábeis, fiscais, comerciais e operacionais. A ideia é conectar tudo que acontece dentro da porteira com a operação da cooperativa pra tentar diminuir os erros manuais e o clássico retrabalho — quem faz errado, tem que fazer duas vezes.

O trunfo do sistema é tratar o ato cooperativo como a peça central, não como um jeitinho tecnológico. Esse mecanismo jurídico e contábil é o que ajuda a rastrear a participação de cada cooperado nos resultados da organização, algo que nos sistemas tradicionais muitas vezes entra de qualquer jeito. No ST7 COOP, isso já nasce dentro da arquitetura da plataforma, com áreas como Cooperado, Governança e Gestão, Mercado360° e Aplicações Específicas, rodando em nuvem ou em servidor próprio.

A reforma tributária também aparece na conta, porque a CBS começa a valer em janeiro de 2027 e promete mexer no caixa de muita gente. A Solterra aposta que a integração entre o produtor e a cooperativa pode passar a faca nas perdas fiscais e operacionais, com captura de documentos, parametrização de operações e geração automática de faturamento e impostos. A IA ST7 ainda aceita comandos por voz, gera relatórios, faz cotações e simula crescimento.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Jabuticaba

Pergunta de hoje: Qual grão africano foi levado ao Brasil no período colonial e se tornou ingrediente essencial do acarajé?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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