
APRESENTADO POR
Bom dia!
Hoje tem Ministério Público do Trabalho pedindo banimento do glifosato no Brasil numa ação contra a Anvisa e o governo federal, MP-SP entrando com ação de R$ 10 milhões contra a Nutratta após morte de centenas de cavalos por ração contaminada e dívida rural empacando de novo no Senado com prazo apertando antes do Plano Safra de julho. No meio disso, Goiás bate recorde na cana e assume o 2º lugar no ranking nacional, o Sispa chega pra digitalizar o registro de defensivos e CRAs da FS valorizam com a entrada da Amaggi.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
Ibovespa sobe com bancos e petróleo em queda
O Ibovespa fechou em alta de 0,91%, aos 177.815 pontos, com ajuda do recuo de quase 7% no petróleo Brent e do bom humor externo. A liquidez foi menor por causa do feriado nos EUA, com giro de R$ 14,54 bilhões. Bancos puxaram o bonde, enquanto Petrobras sentiu o petróleo escorregar no gráfico.
NAS CABEÇAS DO AGRO
MPT quer banir glifosato no Brasil

Foto: Thinkstock
O glifosato voltou pro centro do ringue, e dessa vez quem puxou a cadeira foi o Ministério Público do Trabalho. O MPT entrou com uma ação contra a Anvisa e o governo federal pra pedir o banimento do registro, da produção, da importação, da exportação, da venda e do uso de produtos com glifosato e seus derivados no Brasil. Em outras palavras, os procuradores querem tirar de circulação o herbicida mais vendido do mundo.
A ação cita riscos à vida humana, à saúde ocupacional e ao ambiente de trabalho, principalmente pra quem tá na lida todo dia e faz a aplicação ou mexe com o produto de outras formas. Os procuradores também falaram de estudos sobre os resíduos da substância na água potável e lembram que a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer classificou o glifosato, em 2015, como potencialmente carcinogênico pra humanos.
Se esse pedido avançar, a pancada pode sobrar pra Bayer, dona da Monsanto, que foi quem criou o primeiro herbicida à base de glifosato, o Roundup, e também pra outras empresas que produzem formulações com glifosato desde que a patente da pioneira expirou em 2000. O timing também não ajuda muito a alemã, que já enfrenta nos EUA uma montanha de processos ligados ao Roundup e tenta convencer a Suprema Corte americana a limitar parte dessas ações. A conta jurídica por lá já passou de US$ 11 bilhões.
A Bayer afirma, em documentos públicos, que não tem motivo nenhum pra preocupação de segurança com produtos à base de glifosato. Já o MPT defende que os riscos precisam ser reavaliados quando há alerta de organismos internacionais de saúde. No meio desse cabo de guerra, o glifosato segue como uma peça central no controle de plantas daninhas em culturas como soja, milho, algodão e canola, o que transforma qualquer tentativa de banimento numa briga grande, com impacto no campo, no caixa das empresas e no manejo do produtor.
ASSUNTO DE GABINETE
Sispa chega pra tirar defensivos e bioinsumos da fila regulatória

Gif: hulu on Giphy
Quem já tentou acompanhar a fila de registro de defensivos e bioinsumos no Brasil sabe que o processo às vezes parece mais enrolado e burocrático que cartório em horário de pico. Pra tentar resolver esse BO, o Ministério da Agricultura vai lançar na terça-feira (26) o Sispa, Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica, uma plataforma criada pra centralizar todos os pedidos, os dossiês técnicos, as alterações de registro e o acompanhamento dos processos. Tudo isso pra tentar transformar aquele balcão com senha infinita em um sistema digital com menos carimbo, enrolação e sofrimento.
A ideia é juntar em um só lugar o que antes circulava por uma pancada de caminhos separados, muitas vezes com papelada física e aquele clássico pingue-pongue de documento entre os órgãos responsáveis. O sistema recebeu mais de US$ 6 milhões em investimentos da Abrapa e do IBA, com participação do Itamaraty e do Pnud. A partir de agora, qualquer pedido que for feito fora da plataforma perde validade regulatória.
Na prática, o Sispa tenta atacar um gargalo antigo do setor, a demora na liberação de novos produtos. A lei prevê um prazo máximo de 24 meses pra registros inéditos e períodos menores pra genéricos e equivalentes, com possibilidade de registro temporário se o relógio estourar. Pros bioinsumos, a expectativa é que a integração acelere soluções biológicas que, até aqui, muitas vezes ficavam presas no trânsito regulatório.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
Dívida rural empaca de novo e MP ganha força no Senado como plano B

Gif: Giphy
A novela da renegociação das dívidas rurais ganhou mais um episódio em Brasília. O PL 5.122/2023, que tenta resolver todo o pepino do refinanciamento dos débitos do campo, pode ser adiado de novo na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O texto tá na pauta desta terça-feira (26), mas ainda falta um consenso entre o governo, o Congresso e o setor produtivo.
O governo vê o relatório atual como amplo demais e quer critérios mais rígidos pra definir quem poderia entrar no programa. O medo da equipe econômica é abrir a porteira pra praticamente todo tipo de dívida rural, inclusive operações que tão sendo pagas em dia ou as privadas e as que foram feitas fora das linhas de crédito oficiais, e acabar travando o crédito do próximo Plano Safra, que começa em julho. Nas contas da Fazenda, o enquadramento poderia chegar a R$ 1,39 trilhão em dívidas, com custo de R$ 817 bilhões em 13 anos, sendo R$ 150 bilhões só em 2027.
Do outro lado, os parlamentares e as entidades do agro pressionam pela votação ainda nesta semana, porque com a chegada do novo Plano Safra em julho, muita gente precisa renegociar dívida velha pra acessar crédito novo. O Rio Grande do Sul puxa essa fila, com a Farsul estimando R$ 171 bilhões em dívidas estressadas no campo gaúcho, mas esse valor pode dobrar nos próximos 12 meses. A entidade pede juros de até 8,5% ao ano e prazo mínimo de 15 anos, acima dos 10 anos previstos no projeto.
O maior nó segue nas dívidas contratadas com juros livres, fora do crédito rural oficial. A Fazenda resiste em colocar esse pacote na conta, com medo de transformar a renegociação num cobertor curto de orçamento, puxando de um lado e descobrindo o Plano Safra do outro. Também seguem sem martelo batido os juros finais, as fontes de recursos e o desenho do fundo garantidor discutido entre governo, bancos e parlamentares, que é uma tentativa de criar um airbag financeiro sem capotar o caixa público.
Com o impasse, uma medida provisória ganhou força como plano B pra tentar chegar a julho com alguma solução rodando. A MP daria velocidade ao processo, mas ainda depende de uma costura política que, por enquanto, tá bem embolada.
DEU BO
MP-SP entra com ação de R$ 10 mi contra Nutratta por caso de ração contaminada

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O caso das rações contaminadas que teriam provocado a morte de cavalos em vários estados no ano passado virou briga grande na Justiça. O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública contra a Nutratta Nutrição Animal e o dono da empresa após a morte de centenas de cavalos e o adoecimento de outros animais em diferentes estados depois de consumirem os produtos da empresa. Segundo o MP, a fábrica teria usado resíduos de soja contaminados com alcaloides pirrolizidínicos na produção de rações pra equinos, bovinos, suínos e aves.
A acusação é pesada.
Os laudos laboratoriais e as necropsias apontaram substâncias tóxicas em concentrações até 2,6 mil vezes acima do limite considerado seguro pra cavalos.
O MP pede bloqueio de bens da empresa e do dono, recall de todos os produtos contaminados, pagamento de indenização aos consumidores, proibição da retomada das atividades antes do cumprimento de exigências do Mapa e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
Segundo os dados reunidos pelo Mapa, foram confirmadas 238 mortes de equídeos em diferentes estados em decorrência da ingestão da ração contaminada. Em um haras de Indaiatuba (SP), foram 29 mortes e cerca de 120 animais adoecidos. Em Atalaia (AL), foram 79 mortes. Também houve relatos em Guarulhos (SP), Campinas (SP), Itu (SP), Porto Feliz (SP), Volta Redonda (RJ) e Jaboticatubas (MG). Em julho de 2025, um outro levantamento, que foi obtido pelo g1, chegou a contabilizar 645 mortes de animais em pelo menos 6 estados.
O caso também levantou alerta fora das fazendas e haras. O MP afirma que a mesma linha de produção era usada pra fabricar ração bovina, sem mecanismos realmente eficazes de controle contra contaminação cruzada. As auditoras do Ministério da Agricultura apontaram que existe risco de transmissão das toxinas pelo consumo de leite, carne e fígado de animais que foram alimentados com algum dos produtos contaminados.
A substância identificada foi a monocrotalina, uma toxina encontrada em plantas do tipo crotalária, com efeito no fígado e no sistema nervoso. Criadores relataram animais desorientados, com alterações de comportamento, sono e locomoção, além de evolução rápida pra morte. O Mapa já havia determinado o recolhimento dos produtos pra equídeos fabricados a partir de novembro de 2024 e proibido a comercialização.
COLHENDO CAPITAL
CRAs da FS ganham fôlego após entrada da Amaggi

Foto: Montagem/OD
A entrada da Amaggi na FS parece ter agradado o pessoal que carrega os CRAs da produtora de etanol de milho. Desde o anúncio da compra de 40% da companhia, no dia 13, os títulos passaram a negociar com spreads menores e preços mais altos no mercado secundário. Traduzindo do dialeto da Faria Lima, os credores começaram a enxergar menos risco de crédito na FS.
Segundo dados da Vitrify, o maior CRA da empresa indexado ao CDI, uma emissão de R$ 750 milhões com vencimento em 2029, viu a taxa indicativa cair de CDI+5,66% em 13/05 pra CDI+3,28% em 20/05. Foi uma queda de 200 pontos-base. Ainda assim, os papéis seguem pagando mais prêmio do que na época em que foram lançados, entre 2022 e 2023, quando os CRAs saíram em patamares de CDI+2% a CDI+2,90%.
Nos bonds, o clima é mais pé no freio. O JP Morgan manteve avaliação neutra pros títulos internacionais da FS, porque a entrada da Amaggi e a nova política de dividendos ajudam, mas não mudam sozinhas o rumo do negócio. Como a Amaggi vai ter “só” 3 das 8 cadeiras do conselho, a influência financeira ainda fica limitada. No começo da semana, os bonds com vencimento em 2033 e 2036 eram negociados a taxas de 8,8% e 9% ao ano, respectivamente.
SAFRA DE CIFRAS
Goiás vira vice da cana com safra recorde e etanol forte

Foto: Embrapa
Goiás subiu no pódio da cana-de-açúcar e agora ocupa o 2º lugar no ranking da produção nacional, atrás só do chefão paulista. Segundo a Conab, o estado deve colher 80,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, o maior volume da última década e 2% acima do ciclo anterior. O empurrão veio da área plantada, que cresceu 6,3% e passou da barreira de 1 milhão de hectares.
O avanço também tem dedo de tecnologia, manejo melhor e eficiência no campo. Nos últimos 10 anos, enquanto a produção brasileira de cana cresceu 2,4%, Goiás acelerou 18,5%. A produtividade também foi mais parruda que a média nacional, com alta de 10,7%, contra 3,5% no país. E ainda teve expansão de 7,1% na área colhida, enquanto o Brasil encolheu 1% no mesmo período.
O estado também tá bem colocado nos derivados. Goiás chegou a 10,7 milhões de toneladas de ATR, o indicador que mede o potencial pra produção de açúcar e etanol, ficando em 2º no Brasil. No açúcar cristal, produziu 3 milhões de toneladas e ficou em 3º. Já no etanol de cana, aparece novamente em 2º lugar, com 4,5 bilhões de litros, ou 16,7% do total nacional. Pra 2026/27, a previsão é de se manter ali em cima, com 79,7 milhões de toneladas de cana e área ainda acima de 1 milhão de hectares.
PLANTÃO RURAL
Fiagros voltam a captar após ano de turbulência
Os Fiagros voltaram pro radar dos investidores depois do chacoalhão de 2025. As emissões somaram R$ 3,957 bilhões de janeiro a abril, alta de 128% ante o mesmo período do ano passado. Com bancos mais seletivos no crédito rural, os fundos passaram a usar estruturas com cotas subordinadas pra dar mais proteção ao investidor.
Governo deve decidir aumento do etanol em junho
O governo deve discutir na 1ª quinzena de junho o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% pra 32%. Segundo o ministro Márcio Rosa, a aprovação no CNPE tende a ser formalidade, já que a medida tem apoio interno. O E32 chega como tentativa de aliviar o peso do petróleo, sem mexer no motor do consumidor.
Seguro rural volta pra pauta da Câmara
A modernização do seguro rural voltou pra pauta da Câmara nesta semana. O texto relatado por Pedro Lupion (Republicanos-PR) transforma a subvenção ao prêmio em despesa obrigatória no orçamento da União e permite usar a apólice como garantia em operações de crédito rural. A ideia é dar mais previsibilidade a um seguro que vive no clima do improviso.
São Martinho lucra 64,6% mais com etanol valorizado
A São Martinho fechou o 4º trimestre da safra 2025/26 com lucro líquido de R$ 172,8 milhões, alta de 64,6%. A companhia segurou parte das vendas de etanol pra entressafra e vendeu 39,6% do volume no período, com preços 4% maiores. A receita líquida trimestral chegou a R$ 2,2 bilhões.
Frio mata 83 bovinos no sul de Mato Grosso do Sul
A Iagro confirmou a morte de 83 bovinos por hipotermia em 5 propriedades no sul de MS, entre os dias 22 e 24 de maio. As perdas ocorreram principalmente em Nova Andradina e Angélica, após queda brusca de temperatura, chuva e vento forte.
Seguro rural despenca no Paraná em 4 anos
A contratação de seguro rural no Paraná caiu de 82 mil apólices em 2021 pra 26 mil em 2025, recuo de 68,3%. A área segurada também desabou, de 3,8 milhões pra 1,25 milhão de hectares. O setor culpa cortes na subvenção federal, que deixaram a proteção mais cara justamente quando o clima ficou mais temperamental.
Pequenos produtores são maioria no café brasileiro
Um levantamento do Sebrae mostrou que 54% dos cafeicultores brasileiros são pequenos produtores, com áreas de menos de 20 hectares. Os médios representam 38% e os grandes, 8%. A pesquisa também aponta avanço dos cafés especiais, produzidos por 61% dos entrevistados, e maior interesse por certificações socioambientais.
Expocitros abre programação em Cordeirópolis
A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura começam nesta terça-feira (26), em Cordeirópolis (SP), reunindo produtores, pesquisadores, empresas e autoridades do setor. A programação vai até 29/05 e discute inovação, sustentabilidade, bioinsumos, energia e tecnologia. Depois de receber mais de 12 mil visitantes em 2025, o evento volta como ponto de encontro da laranja brasileira.
Minnesota, nos EUA, registra novos casos de influenza aviária
Minnesota confirmou 2 novos lotes comerciais com influenza aviária altamente patogênica no Condado de Becker, somando 40 mil aves afetadas. Os casos envolveram matrizes comerciais de perus e uma operação de reprodução. Em 2026, o estado já teve perdas em 8 lotes comerciais, enquanto Indiana também registrou casos em maio.
Mato Grosso bate recorde de abate de bovinos jovens
Mato Grosso registrou o maior percentual de abate de bovinos jovens da série histórica do Imea. Entre janeiro e abril, 44% dos animais abatidos tinham até 24 meses, contra só 2% no início da série, em 2006.
Moagem de trigo bate recorde no Brasil
A indústria brasileira moeu 13,275 milhões de toneladas de trigo em 2025, recorde histórico e alta de 0,6% sobre 2024, segundo a Abitrigo. O avanço vem do consumo aquecido e da diversificação de produtos, como pré-misturas, massas, biscoitos, pães congelados e farinhas especiais.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Noz-moscada
Pergunta de hoje: Qual fruta originária da Mata Atlântica já foi símbolo de status entre as famílias portuguesas no século XVIII?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
