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Bom dia!

Hoje tem juiz federal americano travando o acordo de US$ 7,25 bilhões que a Bayer tentou usar pra encerrar os processos do Roundup nos EUA, Raízen entrando na semana mais tensa da negociação com credores antes do prazo acabar em junho e dança das cadeiras de CEOs no agro que dobrou nos últimos dois anos. No meio disso, a JBS entra no Russell 3000 e mira Wall Street, a mosca-do-estábulo derruba produção de leite em 30% no MS e um produtor comprou semente pela internet e colheu capim.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 177.649,86 10,07%
IFIX 3.849,95 1,88%
BEEF3 R$3,78 -34,38%
TTEN3 R$4,48 -29,31%
AGRX11 R$8,50 -4,17%
JGPX11 R$62,49 -10,01%
ETF OURO R$23,53 -5,01%
Bitcoin US$75.866,68 -14,13%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

EM PARCERIA COM AGRICULTURA A A Z

UFV faz 100 anos com ciência, agro e história pra contar

Antes de muita gente falar em inovação no agro, a Universidade Federal de Viçosa já tava plantando ciência, formando profissionais e ajudando o Brasil a crescer com ensino, pesquisa e extensão. A história começou em 1926, com a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, a Esav, e virou uma das universidades mais respeitadas do Brasil, referência nas Ciências Agrárias e Florestais e nome conhecido por quem leva ciência a sério.

Pro pessoal do Agricultura A a Z, celebrar os 100 anos da UFV é celebrar também quem fez essa história sair do papel e ganhar o campo, o laboratório, a sala de aula e o mundo. Estudantes, professores, pesquisadores e servidores ajudaram a construir uma universidade que carrega excelência, inovação, compromisso social e aquele orgulho de ser UFV que dispensa legenda, mas merece homenagem.

Ao longo desse século, a universidade cresceu, criou cursos, chegou a novos campi, fortaleceu sua pesquisa e seguiu formando profissionais que impactam o agro, a ciência e a sociedade. É tradição com pé no presente e olho no futuro, misturando jaleco, bota, livro e café passado no intervalo.

O Agricultura A a Z tem orgulho de fazer parte dessa trajetória e de contar, com carinho, a força de uma universidade que há 100 anos transforma conhecimento em impacto real. 

NAS CABEÇAS DO AGRO

Dança das cadeiras entre CEOs do agro dobrou nos últimos anos

Abc Musical Chairs GIF by The Bachelorette

Gif: thebachelorette on Giphy

No agro, a dança das cadeiras chegou ao andar da diretoria e bagunçou o organograma de várias empresas. Um levantamento da Flow Executive Finders mostrou que 25% das maiores empresas do agronegócio brasileiro trocaram de CEO pelo menos uma vez em 2024/2025. No estudo anterior, de 2022/2023, a taxa era de só 12%.

A troca de comando vem num momento em que o setor tá com menos gordura pra queimar e mais conta chegando na porteira. Soja e milho enfrentam margens mais apertadas, a inadimplência disparou, as recuperações judiciais tão se empilhando e, pra completar o cardápio, ainda teve o tarifaço dos EUA e volatilidade batendo na porteira. Nesse cenário, as empresas mudaram o foco e começaram a procurar CEOs com mais capacidade de execução, disciplina financeira e leitura estratégica. Menos discurso bonito, mais caixa fechado sem susto.

As 100 empresas que foram avaliadas somam mais ou menos R$ 2 trilhões em receita líquida. Segundo a Flow, a taxa de 25% não foge tanto assim do que se vê em outros mercados, mas teve firma com mais de uma troca de CEO no período. Aí já não é só reorganização de agenda. Quando a cadeira gira rápido demais, normalmente tem alguma coisa que precisa ser muito mudada, e aí vem ajuste mais profundo na estratégia, no modelo operacional ou na governança.

Entre as empresas analisadas que mudaram de comando, 48% são de capital fechado, 24% de capital aberto, 20% subsidiárias de multinacionais e 8% cooperativas. Além disso, 60% têm gestão familiar, o que deixa esse processo ainda mais delicado, porque trocar o CEO também envolve cultura, legado e aquela conversa chata entre os acionistas. O agro saiu de um ciclo mais focado em expansão e entrou numa fase em que crescer ainda importa, mas sobreviver com caixa, governança e previsibilidade é a prioridade máxima.

SAFRA DE CIFRAS

Raízen corre contra prazo e tenta segurar acordo bilionário

Foto: divulgação

A Raízen tá vivendo uma fase complicadíssima em que reunião com credor virou item fixo da agenda. A empresa entra na próxima semana em uma nova rodada tensa de negociação com seus credores, tentando fechar o plano de recuperação extrajudicial antes do prazo acabar, no meio de junho. Na mesa, tá o maior pedido desse tipo no Brasil, com R$ 65 bilhões em dívida e uma fila de credores que não tem fim.

O problema é que os bondholders, que são os donos da dívida externa, ainda não compraram a ideia. Mas a Raízen tá pensando em entregar o plano mesmo assim, aproveitando que já tá com o apoio dos bancos, debenturistas e detentores de CRAs. Pela lei, a empresa precisa do “sim” de pelo menos 50% dos credores, considerando o volume total da dívida negociada. Se bater essa marca, o resto entra junto no pacote, querendo ou não.

A turma lá de fora quer condições melhores pra alongar a parte da dívida que não vai virar ação. A proposta da Raízen teria colocado a taxa dessa dívida remanescente entre 7% e 7,5%, mas os bondholders querem mais tempero nessa receita. Se a companhia não juntar apoio suficiente, o risco é o processo escorregar pra recuperação judicial, o caminho mais pesado da prateleira. Aí a novela deixa de ser capítulo de negociação e vira temporada especial no tribunal.

Na engenharia do acordo, já é dado como consenso que 45% da dívida seja convertida em ações. A Shell deve aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto Rubens Ometto, que antes tinha dito que ia entrar com R$ 500 milhões por meio de sua holding familiar, deve ficar de fora do investimento e aproveitar pra meter o pé da presidência do conselho da Raízen. A pressão por mudança na governança virou uma das exigências mais fortes dos credores, e tá parecendo que vão conseguir o que tanto queriam.

DEU BO

Bayer tenta fechar novela do Roundup, mas juiz trava acordo bilionário

Foto: Daniel Acker

A Bayer tentou colocar um ponto final na novela do Roundup com um acordo de US$ 7,25 bilhões, mas o roteiro jurídico ganhou mais um plot twist. Um juiz federal da Califórnia levantou preocupações sérias sobre o modelo usado pela empresa pra encerrar milhares dos processos nos EUA ligados ao herbicida. A companhia queria resolver parte da confusão no Missouri, mas críticos do acordo querem levar a discussão pra São Francisco, onde o juiz Vince Chhabria já barrou antes uma tentativa parecida.

O pepino maior tá nas ações futuras. O acordo tenta incluir usuários do Roundup que ainda não desenvolveram câncer, mas que poderiam processar a empresa depois. Pro juiz Chhabria, isso é um baita problema, porque a pessoa teria que decidir se entra ou sai do acordo antes mesmo de saber se vai ter uma doença associada ao produto.

A Bayer defende que o caso deve seguir no tribunal estadual do Missouri, onde a maior parte das ações que ainda tão rolando foi apresentada. Os advogados que apoiam o acordo também querem manter a audiência final marcada pra 09/07 em St. Louis. Já os críticos do acordo querem levar o caso pra São Francisco, justamente onde Chhabria já barrou uma tentativa parecida em 2021. Eles ainda dizem que o modelo do acordo foi desenhado pra reduzir a exposição da Monsanto, comprada pela Bayer em 2018 por US$ 63 bilhões, e prometem tentar derrubar o pacote no tribunal federal.

A empresa segue dizendo que o Roundup é seguro e que o glifosato, ingrediente ativo do herbicida, não causa câncer. A agência ambiental americana considera o produto improvável de ser carcinogênico pra humanos e não exige alerta de câncer no rótulo. Mesmo assim, a Bayer tirou a versão com glifosato do mercado residencial dos EUA em 2023.

Desde que comprou a Monsanto, a Bayer tenta domar esse passivo jurídico, mas o bicho segue dando coice no balanço. A empresa já desembolsou mais de US$ 11 bilhões em acordos ligados ao Roundup, enfrenta mais de 65 mil processos em andamento e viu suas ações acumularem queda de cerca de 60% desde a compra. Dos 28 casos levados a julgamento desde 2015, os autores venceram 11, alguns com indenizações bilionárias. E não deve parar por aqui, já que ainda tão rolando vários desses processos.

COLHENDO CAPITAL

JBS entra no Russell 3000 e mira vitrine maior em Wall Street

wolf of wall street GIF

Gif: thewolfofwallstreet on Giphy

A JBS deu mais um passo no seu roteiro de internacionalização e apareceu na lista preliminar do Russell 3000, um índice que reúne uma fatia gigante do mercado acionário dos EUA. A atualização foi feita pelo FTSE Russell na sexta-feira (22), dentro da reconstituição semestral do indicador. Desde o ano passado, a companhia negocia seus ativos no Brasil e na NYSE, e entrar nos índices americanos era parte do plano. A JBS bateu na porta de Wall Street e, por enquanto, o segurança colocou o nome deles na lista.

Segundo o Citi, essa entrada preliminar pode abrir caminho pra empresa também integrar o Russell 1000 e, mais adiante, disputar a possibilidade de entrar no S&P 500, aquela prateleira de luxo onde moram as ações de gigantes como Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon, Alphabet, Meta e Tesla.

A analista do Citi, Renata Cabral, vê esse movimento menos como um rebalanceamento pontual e mais como a primeira prova de que a listagem na NYSE começou a destravar liquidez, atrair fundos passivos e normalizar a avaliação da companhia. A entrada no Russell poderia gerar demanda imediata de US$ 210 milhões a US$ 300 milhões, equivalente a 2 ou 3 dias de volume de negociação.

No horizonte de 12 a 24 meses, o Citi calcula que a JBS pode atrair entre US$ 1 bilhão e US$ 4 bilhões, com reposicionamento de benchmarks, maior entrada em ETFs e avanço da base de investidores institucionais. As mudanças nos índices Russell passam a valer depois do fechamento do mercado americano em 26/06.

RADAR SANITÁRIO

Mosca-do-estábulo tira leite da conta em Mato Grosso do Sul

Foto: Sergio Saturnino/TV Morena

Em Costa Rica (MS), a mosca-do-estábulo virou uma dor de cabeça chata e com muito apetite por prejuízo. Pequenos produtores da região relataram que os bois e as vacas tão passando o dia todo agrupados, se batendo e tentando escapar das picadas, em vez de comer normalmente pelo pasto. Em uma propriedade, a queda na produção de leite chegou a 30%, porque vaca estressada não entra exatamente no clima de produtividade.

A diferença é que essa não é a mosquinha comum que aparece no almoço sem ser convidada. Ela pica, suga sangue e deixa o gado em estado de alerta constante, o que atrapalha alimentação, descanso e desempenho do rebanho. Com isso, comem menos durante o dia e tentam recuperar o prejuízo à noite, quando a tropa alada dá uma trégua.

Os produtores têm um suspeito na mira, o manejo da vinhaça, resíduo da produção de açúcar e etanol usado como biofertilizante nas lavouras de cana. Segundo eles, a mosca ficou bem mais frequente depois da instalação de uma usina na região e dá uma sumida quando a aplicação da vinhaça pausa. A usina, por sua vez, diz que segue todos os protocolos agronômicos, legislação e práticas técnicas, além de manter um monitoramento contínuo e diálogo com produtores e órgãos competentes.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Painço

Pergunta de hoje: Qual especiaria caribenha era tão valorizada pelos colonizadores que servia como moeda de troca no século XVII?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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