
APRESENTADO POR
Bom dia!
Hoje tem juiz federal americano travando o acordo de US$ 7,25 bilhões que a Bayer tentou usar pra encerrar os processos do Roundup nos EUA, Raízen entrando na semana mais tensa da negociação com credores antes do prazo acabar em junho e dança das cadeiras de CEOs no agro que dobrou nos últimos dois anos. No meio disso, a JBS entra no Russell 3000 e mira Wall Street, a mosca-do-estábulo derruba produção de leite em 30% no MS e um produtor comprou semente pela internet e colheu capim.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
BB recomenda JBS e 3tentos e vê cautela no resto do agro
O BB Investimentos manteve recomendação de compra para JBS, com preço-alvo de R$ 105 e potencial de 53,9%, e para 3tentos, com alvo de R$ 20,80 e alta possível de 23,1%. Já Minerva, Marfrig, SLC, Boa Safra e Ambev ficaram com recomendação neutra.
EM PARCERIA COM AGRICULTURA A A Z
UFV faz 100 anos com ciência, agro e história pra contar

Antes de muita gente falar em inovação no agro, a Universidade Federal de Viçosa já tava plantando ciência, formando profissionais e ajudando o Brasil a crescer com ensino, pesquisa e extensão. A história começou em 1926, com a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, a Esav, e virou uma das universidades mais respeitadas do Brasil, referência nas Ciências Agrárias e Florestais e nome conhecido por quem leva ciência a sério.
Pro pessoal do Agricultura A a Z, celebrar os 100 anos da UFV é celebrar também quem fez essa história sair do papel e ganhar o campo, o laboratório, a sala de aula e o mundo. Estudantes, professores, pesquisadores e servidores ajudaram a construir uma universidade que carrega excelência, inovação, compromisso social e aquele orgulho de ser UFV que dispensa legenda, mas merece homenagem.
Ao longo desse século, a universidade cresceu, criou cursos, chegou a novos campi, fortaleceu sua pesquisa e seguiu formando profissionais que impactam o agro, a ciência e a sociedade. É tradição com pé no presente e olho no futuro, misturando jaleco, bota, livro e café passado no intervalo.
O Agricultura A a Z tem orgulho de fazer parte dessa trajetória e de contar, com carinho, a força de uma universidade que há 100 anos transforma conhecimento em impacto real.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Dança das cadeiras entre CEOs do agro dobrou nos últimos anos

Gif: thebachelorette on Giphy
No agro, a dança das cadeiras chegou ao andar da diretoria e bagunçou o organograma de várias empresas. Um levantamento da Flow Executive Finders mostrou que 25% das maiores empresas do agronegócio brasileiro trocaram de CEO pelo menos uma vez em 2024/2025. No estudo anterior, de 2022/2023, a taxa era de só 12%.
A troca de comando vem num momento em que o setor tá com menos gordura pra queimar e mais conta chegando na porteira. Soja e milho enfrentam margens mais apertadas, a inadimplência disparou, as recuperações judiciais tão se empilhando e, pra completar o cardápio, ainda teve o tarifaço dos EUA e volatilidade batendo na porteira. Nesse cenário, as empresas mudaram o foco e começaram a procurar CEOs com mais capacidade de execução, disciplina financeira e leitura estratégica. Menos discurso bonito, mais caixa fechado sem susto.
As 100 empresas que foram avaliadas somam mais ou menos R$ 2 trilhões em receita líquida. Segundo a Flow, a taxa de 25% não foge tanto assim do que se vê em outros mercados, mas teve firma com mais de uma troca de CEO no período. Aí já não é só reorganização de agenda. Quando a cadeira gira rápido demais, normalmente tem alguma coisa que precisa ser muito mudada, e aí vem ajuste mais profundo na estratégia, no modelo operacional ou na governança.
Entre as empresas analisadas que mudaram de comando, 48% são de capital fechado, 24% de capital aberto, 20% subsidiárias de multinacionais e 8% cooperativas. Além disso, 60% têm gestão familiar, o que deixa esse processo ainda mais delicado, porque trocar o CEO também envolve cultura, legado e aquela conversa chata entre os acionistas. O agro saiu de um ciclo mais focado em expansão e entrou numa fase em que crescer ainda importa, mas sobreviver com caixa, governança e previsibilidade é a prioridade máxima.
SAFRA DE CIFRAS
Raízen corre contra prazo e tenta segurar acordo bilionário

Foto: divulgação
A Raízen tá vivendo uma fase complicadíssima em que reunião com credor virou item fixo da agenda. A empresa entra na próxima semana em uma nova rodada tensa de negociação com seus credores, tentando fechar o plano de recuperação extrajudicial antes do prazo acabar, no meio de junho. Na mesa, tá o maior pedido desse tipo no Brasil, com R$ 65 bilhões em dívida e uma fila de credores que não tem fim.
O problema é que os bondholders, que são os donos da dívida externa, ainda não compraram a ideia. Mas a Raízen tá pensando em entregar o plano mesmo assim, aproveitando que já tá com o apoio dos bancos, debenturistas e detentores de CRAs. Pela lei, a empresa precisa do “sim” de pelo menos 50% dos credores, considerando o volume total da dívida negociada. Se bater essa marca, o resto entra junto no pacote, querendo ou não.
A turma lá de fora quer condições melhores pra alongar a parte da dívida que não vai virar ação. A proposta da Raízen teria colocado a taxa dessa dívida remanescente entre 7% e 7,5%, mas os bondholders querem mais tempero nessa receita. Se a companhia não juntar apoio suficiente, o risco é o processo escorregar pra recuperação judicial, o caminho mais pesado da prateleira. Aí a novela deixa de ser capítulo de negociação e vira temporada especial no tribunal.
Na engenharia do acordo, já é dado como consenso que 45% da dívida seja convertida em ações. A Shell deve aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto Rubens Ometto, que antes tinha dito que ia entrar com R$ 500 milhões por meio de sua holding familiar, deve ficar de fora do investimento e aproveitar pra meter o pé da presidência do conselho da Raízen. A pressão por mudança na governança virou uma das exigências mais fortes dos credores, e tá parecendo que vão conseguir o que tanto queriam.
DEU BO
Bayer tenta fechar novela do Roundup, mas juiz trava acordo bilionário

Foto: Daniel Acker
A Bayer tentou colocar um ponto final na novela do Roundup com um acordo de US$ 7,25 bilhões, mas o roteiro jurídico ganhou mais um plot twist. Um juiz federal da Califórnia levantou preocupações sérias sobre o modelo usado pela empresa pra encerrar milhares dos processos nos EUA ligados ao herbicida. A companhia queria resolver parte da confusão no Missouri, mas críticos do acordo querem levar a discussão pra São Francisco, onde o juiz Vince Chhabria já barrou antes uma tentativa parecida.
O pepino maior tá nas ações futuras. O acordo tenta incluir usuários do Roundup que ainda não desenvolveram câncer, mas que poderiam processar a empresa depois. Pro juiz Chhabria, isso é um baita problema, porque a pessoa teria que decidir se entra ou sai do acordo antes mesmo de saber se vai ter uma doença associada ao produto.
A Bayer defende que o caso deve seguir no tribunal estadual do Missouri, onde a maior parte das ações que ainda tão rolando foi apresentada. Os advogados que apoiam o acordo também querem manter a audiência final marcada pra 09/07 em St. Louis. Já os críticos do acordo querem levar o caso pra São Francisco, justamente onde Chhabria já barrou uma tentativa parecida em 2021. Eles ainda dizem que o modelo do acordo foi desenhado pra reduzir a exposição da Monsanto, comprada pela Bayer em 2018 por US$ 63 bilhões, e prometem tentar derrubar o pacote no tribunal federal.
A empresa segue dizendo que o Roundup é seguro e que o glifosato, ingrediente ativo do herbicida, não causa câncer. A agência ambiental americana considera o produto improvável de ser carcinogênico pra humanos e não exige alerta de câncer no rótulo. Mesmo assim, a Bayer tirou a versão com glifosato do mercado residencial dos EUA em 2023.
Desde que comprou a Monsanto, a Bayer tenta domar esse passivo jurídico, mas o bicho segue dando coice no balanço. A empresa já desembolsou mais de US$ 11 bilhões em acordos ligados ao Roundup, enfrenta mais de 65 mil processos em andamento e viu suas ações acumularem queda de cerca de 60% desde a compra. Dos 28 casos levados a julgamento desde 2015, os autores venceram 11, alguns com indenizações bilionárias. E não deve parar por aqui, já que ainda tão rolando vários desses processos.
COLHENDO CAPITAL
JBS entra no Russell 3000 e mira vitrine maior em Wall Street

Gif: thewolfofwallstreet on Giphy
A JBS deu mais um passo no seu roteiro de internacionalização e apareceu na lista preliminar do Russell 3000, um índice que reúne uma fatia gigante do mercado acionário dos EUA. A atualização foi feita pelo FTSE Russell na sexta-feira (22), dentro da reconstituição semestral do indicador. Desde o ano passado, a companhia negocia seus ativos no Brasil e na NYSE, e entrar nos índices americanos era parte do plano. A JBS bateu na porta de Wall Street e, por enquanto, o segurança colocou o nome deles na lista.
Segundo o Citi, essa entrada preliminar pode abrir caminho pra empresa também integrar o Russell 1000 e, mais adiante, disputar a possibilidade de entrar no S&P 500, aquela prateleira de luxo onde moram as ações de gigantes como Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon, Alphabet, Meta e Tesla.
A analista do Citi, Renata Cabral, vê esse movimento menos como um rebalanceamento pontual e mais como a primeira prova de que a listagem na NYSE começou a destravar liquidez, atrair fundos passivos e normalizar a avaliação da companhia. A entrada no Russell poderia gerar demanda imediata de US$ 210 milhões a US$ 300 milhões, equivalente a 2 ou 3 dias de volume de negociação.
No horizonte de 12 a 24 meses, o Citi calcula que a JBS pode atrair entre US$ 1 bilhão e US$ 4 bilhões, com reposicionamento de benchmarks, maior entrada em ETFs e avanço da base de investidores institucionais. As mudanças nos índices Russell passam a valer depois do fechamento do mercado americano em 26/06.
RADAR SANITÁRIO
Mosca-do-estábulo tira leite da conta em Mato Grosso do Sul

Foto: Sergio Saturnino/TV Morena
Em Costa Rica (MS), a mosca-do-estábulo virou uma dor de cabeça chata e com muito apetite por prejuízo. Pequenos produtores da região relataram que os bois e as vacas tão passando o dia todo agrupados, se batendo e tentando escapar das picadas, em vez de comer normalmente pelo pasto. Em uma propriedade, a queda na produção de leite chegou a 30%, porque vaca estressada não entra exatamente no clima de produtividade.
A diferença é que essa não é a mosquinha comum que aparece no almoço sem ser convidada. Ela pica, suga sangue e deixa o gado em estado de alerta constante, o que atrapalha alimentação, descanso e desempenho do rebanho. Com isso, comem menos durante o dia e tentam recuperar o prejuízo à noite, quando a tropa alada dá uma trégua.
Os produtores têm um suspeito na mira, o manejo da vinhaça, resíduo da produção de açúcar e etanol usado como biofertilizante nas lavouras de cana. Segundo eles, a mosca ficou bem mais frequente depois da instalação de uma usina na região e dá uma sumida quando a aplicação da vinhaça pausa. A usina, por sua vez, diz que segue todos os protocolos agronômicos, legislação e práticas técnicas, além de manter um monitoramento contínuo e diálogo com produtores e órgãos competentes.
PLANTÃO RURAL
Tecnologia corta desperdício na indústria alimentícia em até 50%
A indústria de alimentos tá usando dados, ERP e automação pra reduzir perdas e controlar melhor estoque, compras e produção. Segundo a Avery Dennison, o desperdício global pode custar US$ 540 bilhões em 2026. No Brasil, o Pacto Contra a Fome estima perda de 55,4 milhões de toneladas por ano. Em algumas empresas, sistemas integrados reduziram perdas em até 50%.
PL aprovado muda regra pra fiscalização ambiental
A Câmara aprovou o PL 2564/2025, que impede sanções ambientais apenas com base em imagens de satélite e obriga notificação prévia ao produtor antes de medidas punitivas. A FPA diz que o texto dá segurança jurídica. Ambientalistas afirmam que ele enfraquece embargos remotos, ferramenta usada contra desmatamento.
Acordo Mercosul-UE pode valorizar Indicações Geográficas brasileiras
O acordo Mercosul-UE pode ampliar a proteção internacional de Indicações Geográficas brasileiras, como Queijo Canastra, Café da Alta Mogiana, Cachaça de Salinas e Vinhos do Vale dos Vinhedos. A ideia é impedir uso indevido de nomes de origem e dar mais valor comercial a produtos com identidade territorial.
Café colhe bons sinais, mas El Niño entra no radar
A colheita de café começou com bons sinais e reforça a expectativa de safra recorde. A Conab projeta 66,7 milhões de sacas, alta de 18%, enquanto consultorias privadas veem números acima de 70 milhões. O risco maior tá no El Niño, que pode trazer chuvas no segundo semestre e atrapalhar a florada da safra 2026/27.
Riza vê desconto de até 50% em terras com aperto no agro
A Riza tá vendo uma janela rara no mercado de terras, com áreas nobres em MT e GO a preços de 7 ou 8 anos atrás e descontos que podem chegar a 50% em operações de sale e leaseback. Segundo Paulo Mesquita, o problema hoje é liquidez, não produção.
Brasil fica sem cota de arroz na União Europeia
O Brasil perdeu espaço na cota de arroz sem tarifa do acordo Mercosul-UE em 2026. As 6.667 toneladas reservadas ao bloco foram consumidas por Argentina e Uruguai, que correram na documentação e deixaram o Brasil olhando a fila andar. Ainda não há clareza se a divisão será por ordem de chegada ou proporcional à capacidade produtiva de cada país.
Milho segunda safra começa com quebra consolidada
A colheita do milho segunda safra começou de forma pontual, mas a quebra já é dada como certa. Goiás concentra o maior problema, com seca em março e abril e perda estimada em 5 milhões de toneladas pela Veeries. A consultoria projeta 114 milhões de toneladas na safrinha, enquanto a Conab vê 108,4 milhões. As exportações devem ficar abaixo de 2025.
Manga brasileira avança 71% nas exportações
As exportações brasileiras de manga cresceram 71% entre 2018 e 2025, chegando ao recorde de 291 mil toneladas. A Europa comprou 78% do volume no ano passado, puxada pelo Vale do São Francisco, que responde por até 95% dos embarques.
Argentina reduz imposto sobre trigo e cevada
A Argentina vai cortar o imposto de exportação sobre trigo e cevada de 7,5% pra 5,5% a partir de junho. A Bolsa de Rosário estima alta de até 2,3% nos preços pagos aos produtores, ajudando a aliviar custos de combustível, fertilizantes e frete. Javier Milei também sinalizou que pode reduzir gradualmente tributos sobre soja a partir de 2027.
Produtor compra sementes online e toma golpe
Um produtor de São Mateus (ES) comprou sementes de tomate negro, tomate gigante e melancia roxa pela internet, mas no lugar das promessas nasceu capim. As embalagens tinham manual e QR Code, mas nada das espécies apareceu. Pela legislação, sementes precisam ter identificação do produtor, CNPJ, nota fiscal e certificado de conformidade.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Painço
Pergunta de hoje: Qual especiaria caribenha era tão valorizada pelos colonizadores que servia como moeda de troca no século XVII?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
