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Hoje tem STF aprovando por 9 votos a 1 o corte de 40% da Flona do Jamanxim pra dar espaço pra Ferrogrão, agricultor do Ceará que furava poço atrás de água e achou petróleo cru a 40 metros de profundidade e Brasil sendo visto lá fora como fornecedor estratégico de comida e energia limpa num mundo cheio de conflito. No meio disso, startups do agro vencem concurso com IA que apaga fogo e salva leitão, pecuária entra na fase do boi 4.0 e o Brasil vai sediar fórum global de agricultura regenerativa em Piracicaba.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

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Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

STF aprova corte de 40% de área de floresta pra colocar Ferrogrão de volta nos trilhos

Foto: Ricardo Botelho/Minfra

Depois de anos patinando entre tribunal, licenciamento e debate ambiental, a Ferrogrão ganhou um empurrão importante no STF. A Corte validou, por 9 votos a 1, a lei que muda a área do Jamanxim, no Pará, cortando 40% da área de floresta da região pra dar espaço ao nascimento da ferrovia EF-170, pensada pra ligar Sinop (MT) a Itaituba (PA).

A disputa girava em torno da Lei 13.452/2017, criada a partir de uma medida provisória do governo Michel Temer. O PSOL questionava o caminho usado pra mexer numa área de conservação, argumentando que esse tipo de mudança deveria passar por projeto de lei, com debate mais amplo, não ser só uma Medida Provisória, como se a redução da área florestal fosse um mero detalhe. Edson Fachin foi o único voto contra e deixou claro que não é contra a ferrovia, mas ao caminho que foi usado. Alexandre de Moraes, relator, validou a norma e ainda abriu espaço pra compensação ambiental por decreto.

A Ferrogrão é uma das obras mais aguardadas pelo agro porque promete atacar um velho vilão da safra brasileira: a logística. O projeto prevê 933 Km de trilhos entre Mato Grosso e os portos fluviais do Tapajós, em Miritituba (PA), tentando poupar uma parte da safra da maratona rodoviária até o Arco Norte. A promessa é reduzir custo logístico, aliviar rodovias e dar uma folga pro frete, que sempre aparece no final das contas encurtando as margens.

A CNA e a Aprosoja comemoraram a decisão. As entidades dizem que a ferrovia pode destravar um gargalo antigo do escoamento de soja e milho, especialmente porque Norte e Centro-Oeste concentram boa parte da produção, mas ainda dependem muito de transporte caro e rodovia cansada. Já o governo federal trata a ferrovia como prioridade da nova fase do PAC e agora espera a análise do TCU antes de publicar o edital de concessão.

Só que o trem ainda passa por território sensível porque o projeto reduz a Flona (Floresta Nacional) do Jamanxim em cerca de 486,4 mil hectares, quase 40% da área, e transforma esse pedaço em APA (Área de Proteção Ambiental), que é uma categoria de proteção mais flexível.

A Flona foi criada em 2006 como uma compensação ambiental pela construção da BR-163, mas, segundo críticos e organizações ambientais, não funcionou como devia. A região acabou virando ringue de luta com conflitos ligados à expansão da área de pecuária, da grilagem, da exploração madeireira e do garimpo ilegal. O novo texto permite a atividade agropecuária com limite de conversão de floresta e ainda abre espaço pra mineração.

Organizações socioambientais, povos indígenas e comunidades tradicionais acompanham o projeto de pertinho e seguem cobrando estudos, escuta e salvaguardas pra evitar que o lucro na logística vire prejuízo ambiental na Amazônia. O Ministério dos Transportes diz que atualizou estudos, incluiu compensações, análise de custo-benefício e estimativas de redução de emissões com mais carga indo por ferrovia. A conta atual fala em R$ 33,3 bilhões de investimento, R$ 103,8 bilhões em despesas operacionais e um contrato de 69 anos.

CAMPO ATUALIZADO

Startups do agro vencem concurso com uma IA que apaga fogo e outra que salva leitão

Foto: Marcos Fantin/Globo Rural

O agro teve sua própria batalha de startups em Piracicaba (SP), mas sem ringue, torcida gritando e música de entrada. No Prêmio Agrimatching, organizado pela Rural durante o Rural Summit, 45 agtechs, escolhidas entre 90 inscritas, tiveram 10 minutos pra convencer avaliadores de hubs como The Yield Lab Latam, Canary, Ventiur, Sebrae for Startups e outras bancas. Pitch curto, pressão alta e PowerPoint trabalhando mais que pivô em época de seca.

Na categoria Série A, a vitória ficou com a umgrauemeio, que usa IA pra detectar focos de incêndio em áreas agrícolas e florestais antes que acabem virando um BO. O sistema, que é chamado de Pantera, usa visão computacional e mais de 15 mil imagens treinadas pra identificar fumaça e calor em tempo real.

Na categoria Seed, quem levou foi a Cadoma, uma startup que usa câmeras e IA pra monitorar o comportamento dos peixes nos tanques e alimentar os animais na hora certa, 24 horas por dia. Essa técnica de alimentação fracionada tenta melhorar a eficiência, reduzir o desperdício e aumentar o lucro do produtor. A startup já captou R$ 560 mil com investidor-anjo em 2018 e tá de olho em faturar R$ 1,2 milhão em 2026 e R$ 10 milhões em 2028.

Já na Pré-Seed, a campeã foi a Herdian, com um sistema de monitoramento pra maternidade suína. A startup instala câmeras com visão computacional nas baias pra acompanhar porcas e leitões e enviar alertas quando identifica que tem risco de esmagamento no pós-parto, uma das maiores causas de perda na suinocultura.

As vencedoras ganharam pacotes com participação em eventos, mentorias e, no caso da umgrauemeio, US$ 150 mil em créditos de nuvem da Microsoft.

QUAL A BOA?

Brasil recebe fórum global sobre agricultura regenerativa em junho

Foto: Divulgação

O Brasil vai sentar na mesa global da agricultura regenerativa, e dessa vez não como convidado de canto. No dia 23/06, o Pecege, em Piracicaba (SP), recebe a primeira edição brasileira do Fórum de Agricultura Regenerativa, promovido pelo Global Landscapes Forum, pela Sustainable Agriculture Network, pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal. O tema do evento vai ser “Acelerando a Transição”, porque o clima não tá exatamente esperando todo mundo se decidir.

A escolha de Piracicaba também não veio por acaso. A cidade é um dos polos mais fortes de ciência agrícola do país, conhecido como AgTech Valley, com a Esalq, hubs de inovação e gigantes do agro. O encontro vai reunir produtores, cientistas, investidores, lideranças empresariais, comunidades e formuladores de políticas públicas em torno de soluções pra regeneração dos solos, preservação da biodiversidade, segurança hídrica, produtividade sustentável e resiliência climática.

A conversa ganha peso extra em 2026, com o Super El Niño no radar e risco de impacto em culturas como arroz, açúcar e cacau. A agricultura regenerativa entra nessa conversa pra deixar de ser só um termo bonitinho em apresentação ESG e virar uma ferramenta de sobrevivência no campo, com rotação de culturas, biocontrole, biofertilizantes, agroflorestas e manejo pensado pra terra não virar aquele celular velho que só funciona conectado na tomada. O fórum também vai contar com tradução simultânea em português, inglês, espanhol e francês, pra não excluir os gringos interessados.

A programação inclui painéis sobre financiamento de impacto, tecnologia, bioinsumos, liderança feminina no campo, inclusão social e cadeias sustentáveis. Entre os nomes confirmados estão José Roberto Postali Parra, da Esalq/USP, Geoffrey Hawtin, vencedor do World Food Prize 2024, Ricardo Abramovay, da USP, Elizabeth Adu, ex-Banco Mundial, e lideranças globais ligadas à bioeconomia, sustentabilidade e impacto.

POR DENTRO DO MERCADO

Brasil vira queridinho global com agro e energia limpa no radar

Foto: Marcos Fantin/Globo Rural

O Brasil tá sendo visto com outros olhos lá fora, virando um queridinho e um fornecedor estratégico com o mundo olhando pra cá e pensando: “pera aí, esse país tem comida, energia limpa e ainda tá longe da confusão?”. Segundo Priscila Trigo, economista especialista em agronegócio do Bradesco, o país virou uma espécie de crush global porque junta produção de alimentos, de biocombustíveis, matriz energética limpa e ainda tá bem longe dos grandes conflitos. Em tempos de guerra, petróleo caro e comida pressionada, esse pacote ganhou cara de ativo estratégico.

A economista explicou, durante o Rural Summit, em Piracicaba (SP), que a pandemia foi o primeiro sacode recente na economia mundial. Depois veio a guerra entre Rússia e Ucrânia, mexendo com fertilizantes, milho, trigo e petróleo, quase um efeito dominó com trator. E, mais recentemente, as invasões americanas e israelenses no Irã e as tretas no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, colocaram energia e abastecimento de novo no centro da mesa.

Nesse cenário, o agro brasileiro aparece como fornecedor de comida e energia ao mesmo tempo. A corrida por eletrificação, data centers, inteligência artificial e componentes eletrônicos aumentou a fome mundial por energia, e o Brasil entra bem na foto por ter etanol, biodiesel e matriz energética limpa.

O outro ingrediente da receita é menos simpático, mas atrai dinheiro: juros altos. Segundo Priscila, mesmo que a Selic recue nos próximos anos, o Brasil ainda deve seguir com taxas mais altas na comparação com outras economias. Cair de 14,5% pra 12%, por exemplo, continua sendo um juro restritivo e atraente pro capital estrangeiro investir em solo tupiniquim.

CONEXÃO RURAL

Pecuária fica mais tech pra entregar carne do jeito que a China quer

Gif: MeinMontafon on Giphy

A pecuária brasileira entrou na fase boi 4.0. Ainda tem poeira, esterco e mugido, mas agora também tem sensor, brinco eletrônico, drone, software e painel de controle. A modernização ganhou tração porque a China, maior compradora da carne bovina brasileira, passou a exigir mais qualidade, rastreabilidade e padronização nos produtos que chegam por lá. Quando o cliente compra quase metade do volume exportado, até o boi começa a ter histórico no sistema.

O Brasil tem o maior rebanho comercial bovino do mundo, com mais de 238,1 milhões de cabeças, e fechou 2025 com recorde nas exportações de carne bovina, movimentando US$ 18,03 bilhões, segundo a Abiec. Desse total, a China levou cerca de 1,7 milhão de toneladas, praticamente metade. Só que Pequim não quer qualquer boi no carrinho. A preferência é por animais mais jovens, pesados e com padrão de qualidade mais previsível.

Pra entregar esse pacote, confinamentos e fazendas tão investindo em tecnologias que acompanham o ganho de peso, o consumo de alimento, o comportamento e a sanidade dos animais em tempo real. Brincos eletrônicos, balanças automáticas e plataformas digitais ajudam a decidir a dieta, o manejo e o melhor momento pro abate com menos achismo e mais dado técnico.

A genética também entrou forte no pacote. Cruzamentos industriais, inseminação artificial em tempo fixo e programas de melhoramento buscam animais com mais ganho de peso, precocidade e qualidade de carcaça. Com nutrição ajustada e dados organizados por machine learning, Big Data e sistemas de gestão, algumas operações já conseguem levar animais ao abate antes dos 24 meses, mirando mercados premium e uma conta mais interessante pro pecuarista. O objetivo é simples, produzir mais carne boa em menos tempo, gastando menos alimento e deixando a fatura do pecuarista menos dramática.

A nova pecuária ainda usa drones, data centers próprios, aprendizado de máquina, Big Data e sistemas de BI pra organizar todos os dados zootécnicos, financeiros e operacionais. E, com mercados que tão crescendo pra carne brasileira, como Japão e Coreia do Sul, exigindo mais controle sanitário e transparência, rastrear o animal do nascimento ao frigorífico deixa de ser luxo e vira obrigação comercial.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Gengibre

Pergunta de hoje: Qual grão africano serviu de base para a dieta de faraós egípcios e até hoje é essencial na Etiópia e no Sudão?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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