
APRESENTADO POR
Bom dia!
Hoje tem a Cutrale sendo condenada a pagar R$ 1,5 milhão por descumprir normas de saúde e segurança no trabalho rural, JP Morgan rebaixando a Amaggi depois que a compra de 40% da FS deixou o calendário de pagamentos apertado, e geada acendendo alerta pra lavouras no Sul com mínimas de até 3°C. No meio disso, a dívida rural esquenta Brasília com proposta de esticada no prazo e juros mais baixos, a Abiove projeta maior estoque de soja em 9 anos e a Copa do Mundo promete elevar a demanda por carne em mais de 10%.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
DEU B.O.
Cutrale é condenada a pagar R$1,5 mi por falhas em segurança no campo

Gif: BenJammins on Giphy
A conta trabalhista da Cutrale azedou, e nem foi por causa da laranja. A Justiça do Trabalho condenou a Sucocítrico Cutrale, de Araraquara (SP), a pagar R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos por descumprir algumas normas de saúde, higiene e segurança no trabalho rural. A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho, e o valor da multa vai cair todo no Fundo de Amparo ao Trabalhador. Mas ainda cabe recurso por parte da empresa.
A sentença também mandou executar multas diárias pelo descumprimento de decisões judiciais anteriores que já são definitivas. A conta vai ser fechada na fase de liquidação, com base em R$ 10 mil por dia pra cada obrigação que ficou no vácuo, a partir de fiscalização feita em outubro de 2023. Segundo o MPT, entre 2012 e 2024, a Cutrale recebeu 356 autos de infração da Auditoria Fiscal do Trabalho.
As irregularidades apontadas incluem alojamentos sem sabonete, resíduos de papel higiênico expostos e máquinas com transmissões de força sem proteção. No campo, onde qualquer descuido pode virar acidente sério, esse tipo de falha não combina com operação de grande porte. A fiscalização também colocou no papel a falta de protetor solar pros trabalhadores que ficam expostos ao sol e falhas no registro de riscos físicos e ergonômicos em atestados de saúde ocupacional.
A decisão ainda fala de alguns exemplos de acidentes graves que rolaram nas propriedades da empresa. Em um deles, um ônibus que transportava trabalhadores rurais capotou, com pneus e freios sem manutenção, segundo a Auditoria Fiscal. O acidente resultou na morte de 1 trabalhador e deixou outros 23 feridos, incluindo uma colaboradora grávida de 7 meses. Outro caso citado envolve um colhedor que sofreu lesões na coluna depois de cair de uma escada que tava apoiada em galhos flexíveis.
Na parte econômica, a Justiça proibiu que líderes de turma fizessem uma medição de produtividade dos colhedores no olhômetro, depois que checagens na balança mostraram que os volumes tavam diferentes nos big bags. A sentença também limitou os descontos por alimentação em 25% do salário mínimo nacional e barrou o uso do piso estadual paulista pra cobrar mais caro. O juiz André Luiz Menezes Azevedo Sette classificou a conduta como dumping social, quando a empresa reduz os custos trabalhistas de forma irregular e ganha vantagem sobre quem joga dentro da regra.
NAS CABEÇAS DO AGRO
IBRA megalab cria plano de saúde do solo pra ampliar análises no agro

Foto: Divulgação
O solo brasileiro agora tem plano de saúde, só que sem carteirinha, sala de espera lotada e aquela musiquinha eterna no telefone. O IBRA megalab lançou o Plano de Saúde do Solo, ou Soil Healthcare, uma iniciativa que junta amostragem, análise laboratorial e suporte de engenheiros agrônomos em pacotes de serviço pro produtor rural. A ideia é popularizar a análise de solo e transformar o diagnóstico da fazenda em rotina, não em consulta de emergência quando a lavoura já tá pedindo arrego.
A conta que o IBRA quer atacar é grande. O Brasil tem um déficit estimado de 8 milhões de análises de solo por ano, o que representa um mercado próximo de R$ 1 bilhão em faturamento pros laboratórios. Com o novo modelo, a empresa quer ajudar a reduzir esse buraco e aumentar seu market share de 14% pra 25% até 2030. Ou seja, o laboratório quer tirar a análise de solo da gaveta do “depois eu vejo” e colocar no calendário da propriedade.
O plano vem em 3 versões, quase um streaming do solo.
O Essential traz monitoramento por satélite, indicadores de vigor, dashboard digital, diagnóstico socioambiental e métrica inicial de carbono, com investimento a partir de R$ 2 por hectare por safra ou plano anual a partir de R$ 12 mil.
O Performance adiciona planejamento de amostragem, coleta técnica, análises químicas e físicas e histórico por talhão, custando entre R$ 25 e R$ 60 por hectare.
Já o Intelligence entra com teleagronomia, consultoria remota, plano de manejo, construção de fertilidade e apoio pra projetos de crédito de carbono, com valores variando de R$ 60 a R$ 180 por hectare por ano.
Um dos diferenciais tá na análise de carbono inicial. Segundo Armando Parducci, diretor do IBRA megalab, a empresa vai usar seu banco de solos e bases públicas pra calcular mais ou menos quanto carbono aquela área teria quando era floresta nativa e comparar com a situação atual e futura. Isso vai ajudar o produtor a enxergar se o manejo tá construindo saúde no solo ou só maquiando o problema com mais insumo. No fim das contas, a proposta é simples e bem pé no chão: se o solo é a base da produção, talvez esteja na hora de tratar ele menos como bastidor e mais como protagonista da fazenda.
ASSUNTO DE GABINETE
Dívida rural, leite e meio ambiente agitam a pauta do agro em Brasília

Foto: Ramon Buçard/Unsplash
A semana em Brasília tá parecendo um cabo de guerra, cada um puxando de um lado pra ver se sai alguma coisa do papel logo. O governo abriu mais concessões na renegociação das dívidas rurais, o Ministério do Meio Ambiente chiou com o pacote de urgências da Câmara e a Comissão de Agricultura ainda aprovou uma trava pra importação de leite. Em 1 dia só, teve crédito, clima, fiscalização ambiental, Mercosul e produtor tentando respirar sem o banco fungando no cangote.
Na Fazenda, o ministro Dario Durigan e os parlamentares do agro avançaram numa proposta que pode virar MP antes do Plano Safra. A ideia é dar uma esticada no pagamento das dívidas de 6 pra até 10 anos, aumentar a carência de 1 pra 2 anos e criar um fundo garantidor com participação do governo, bancos, instituições financeiras e produtores.
A briga agora tá nos juros e no tamanho do socorro. O governo ofereceu taxas de 6% ao ano pra Pronaf e pequenos produtores, 8% pra Pronamp e médios produtores, e 12% pro resto. Já os congressistas querem que seja ainda mais baixo, 4%, 6% e 10%. Também deve entrar uma trava pra exigir comprovação de perdas climáticas ou dificuldade real de caixa pra poder pedir essa ajudinha.
E ainda teve leite no meio da fervura. A Comissão de Agricultura aprovou o PL 5.557/2025, que puxa as rédeas da importação de leite, leite em pó, muçarela e derivados. O texto só permite entrada desses produtos quando a produção nacional corresponder a pelo menos 70% do consumo interno e tenta barrar a triangulação via Mercosul, uma suspeita bem antiga do setor mas que não dá pra provar. O PL ainda proíbe transformar leite em pó importado em leite fluido, bebidas lácteas, queijos ou similares pro mercado interno.
Do outro lado da Esplanada, o Ministério do Meio Ambiente, o ICMBio e o Ibama criticaram a sessão da Câmara apelidada de “dia do agro”. João Paulo Capobianco chamou a movimentação de “retrocesso inimaginável” e mirou 5 projetos com urgência aprovada, incluindo regras sobre os embargos no sensoriamento remoto pra liberação de crédito, vegetação nativa, dados de produtores e mudanças na Flona do Jamanxim. Os órgãos ambientais dizem que as propostas enfraquecem a fiscalização e prometem atuar no Congresso pra barrar ou tentar vetar os textos.
POR DENTRO DO MERCADO
JP Morgan rebaixa Amaggi depois de compra bilionária da FS complicar o caixa

Foto: Reprodução
A entrada da Amaggi no etanol de milho ganhou carimbo de negócio estratégico, mas com preço salgado. Segundo o JP Morgan, a compra de 40% da FS deve custar US$ 815 milhões à trading da família Maggi, incluindo US$ 100 milhões em aporte primário e US$ 715 milhões pagos aos atuais acionistas, parceladinho em 3x sem juros até 2028. O banco rebaixou a recomendação dos títulos da Amaggi de neutro pra underweight, que é o jeito Wall Street de dizer que o boleto ficou meio pesado demais.
Na avaliação dos analistas, a estratégia faz sentido porque a FS conversa bem com o mundo da Amaggi. Tem milho, logística, biomassa, energia e uma avenida aberta no etanol de milho, setor que deixou de ser coadjuvante e já tá pedindo passagem. Só que o tamanho da conta pesa. A empresa teve Ebitda de US$ 542 milhões em 2025, dívida bruta de US$ 3 bilhões e caixa de US$ 870 milhões no fim do ano passado.
O banco até considera o preço justo. O múltiplo da transação ficaria entre 5,5 vezes e 6,2 vezes EV/Ebitda, acima dos 4,5 vezes que geralmente são vistos em empresas de açúcar e etanol, mas com o prêmio sendo explicado pelas margens melhores e pela estrutura de custos mais leve do etanol de milho. Outro cálculo ajuda a defender o precinho: recriar a capacidade da FS do zero exigiria algo entre US$ 1,8 bilhão e US$ 2,5 bilhões, colocando os 40% que a Amaggi tá comprando dentro da faixa de US$ 720 milhões a US$ 1 bilhão.
O problema maior tá no calendário, o inimigo silencioso de todo endividado. Em 2027 e 2028, os pagamentos pela FS vão bater junto com US$ 750 milhões em bonds da Amaggi vencendo. Como a empresa não vai ter controle da FS, também não vai poder consolidar o caixa da produtora no balanço, recebendo dinheiro só se rolarem dividendos. Pra aliviar a pressão, a Amaggi deve usar créditos fiscais, uma linha de US$ 700 milhões com o Bradesco, venda de US$ 200 milhões em ativos imobiliários e, se precisar, cortar dividendos próprios ou segurar outros investimentos.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Frio liga alerta no Sul e geada pode beliscar lavouras

Gif: Giphy
O frio resolveu bater ponto no Sul e chegou com cara de quem não veio só pra tomar um chimarrão. O Inmet emitiu alertas de geada pro Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná na madrugada e no início da manhã de hoje (21), entre meia-noite e 8h. Em algumas áreas, as mínimas podem bater 3°C, com risco leve de perda em plantações.
O aviso de perigo potencial pega uma faixa grande dos 3 estados. No Rio Grande do Sul, entram regiões como Sudoeste, Noroeste, Centro Ocidental, Centro Oriental, Região Metropolitana de Porto Alegre, Nordeste e Sudeste. Quase o estado inteiro. Em Santa Catarina, o frio passa pelo Oeste, Serra, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis, Norte e Sul. No Paraná, o alerta mira Oeste, Sudoeste, Sudeste e Centro-Sul.
Também tem um segundo aviso, mais bruto, pra áreas onde a geada pode vir com mais vontade e temperaturas entre 0°C e 3°C. A atenção maior fica na Serra e no Oeste catarinense, no Vale do Itajaí, no Norte de Santa Catarina, no Sudeste e Centro-Sul do Paraná e no Nordeste gaúcho. A lavoura, que já vive olhando pro céu, agora vai dormir de olho no termômetro.
PLANTÃO RURAL
SLC cai na B3 após BofA apontar margens pressionadas
A SLC Agrícola caiu 1,61% na quarta-feira (20), após o BofA apontar que o 1T26 veio abaixo do esperado. O banco citou vendas de fazendas com produtividade menor, margens fracas no algodão e despesas maiores. Apesar de ver recuperação à frente, manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 20 pra R$ 19 por ação.
Embrapa lança guia com jogo sobre parasitas em aves, suínos e equinos
A Embrapa Meio-Norte lançou um guia sobre doenças parasitárias em aves, suínos e equinos com uma abordagem mais lúdica. A publicação traz o “Jogo dos Parasitos”, com 76 cartas pra relacionar parasita, doença, hospedeiro e sintomas. A ideia é facilitar o aprendizado de produtores, estudantes e técnicos sem transformar sanidade animal em aula sonífera.
Governo quer juros de 1 dígito no Plano Safra 2026/27
O ministro da Agricultura, André de Paula, disse que a prioridade do Plano Safra 2026/27 é reduzir os juros do crédito rural pra médios e grandes produtores. A meta é chegar a taxas de 1 dígito e superar os R$ 516 bilhões do ciclo atual.
3tentos recebe aval da ANP e inicia etanol de milho em MT
A 3tentos recebeu autorização da ANP e vai iniciar a operação da usina de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT). A planta tem capacidade pra produzir 428 milhões de litros por ano e processar 2,8 mil toneladas de milho por dia. O investimento chegou a R$ 1,16 bilhão, com 350 empregos diretos previstos.
Fundação Cargill abre edital de até R$ 50 mil pra projetos sociais
A Fundação Cargill abriu inscrições pra 6ª edição do Nutrindo Soluções Locais, com apoio de até R$ 50 mil pra até 10 projetos no Sul. O edital prioriza organizações da sociedade civil com foco em sistemas alimentares, gestão institucional e impacto social. As inscrições vão até 25 de maio, e os selecionados serão divulgados em novembro.
Copa de 2026 deve elevar demanda por carnes em mais de 10%
A Copa do Mundo de 2026 deve aumentar em mais de 10% a demanda por carnes nos dias de jogos do Brasil, segundo levantamento da Scanntech. O varejo já prepara estoque e negociação com a indústria. A categoria churrasqueira pode crescer 227% nos dias de partida, com destaque pra espetinho bovino, frango inteiro, maminha e picanha.
União Europeia cria plano pra reduzir dependência de fertilizantes importados
A Comissão Europeia lançou um plano pra garantir abastecimento de fertilizantes e reduzir a dependência externa do bloco. A medida prevê apoio emergencial a agricultores, incentivo à produção doméstica e mais uso de fertilizantes sustentáveis. Também entram na conta biogás, biometano e recuperação de nutrientes de resíduos orgânicos e lodo de esgoto.
Brasil acerta protocolo pra exportar miúdos internos de suínos à China
Brasil e China fecharam os termos técnicos do protocolo sanitário pra exportação de miúdos internos de suínos. A abertura, ainda a ser formalizada, vale inicialmente pra frigoríficos de Santa Catarina. A China importou 1,4 milhão de toneladas de carne suína em 2025, sendo 800 mil toneladas de miúdos internos, mercado onde o Brasil ainda não competia.
China reabilita 3 frigoríficos brasileiros de carne bovina
A China autorizou 3 frigoríficos brasileiros a retomarem exportações de carne bovina após suspensão aplicada em 2025, segundo a Abiec. Entre as unidades liberadas tá a planta da JBS em Mozarlândia (GO). A entidade avaliou a decisão como reforço da confiança chinesa no sistema sanitário brasileiro.
Brasil pede habilitação de 33 frigoríficos pra exportar à China
O Mapa entregou à China uma lista com 33 frigoríficos que pedem habilitação pra exportar ao país asiático. São 20 plantas de bovinos, 11 de aves e 2 de suínos. As unidades já cumpriram exigências técnicas e sanitárias e foram incluídas no sistema chinês. Agora, o pedido oficial tenta acelerar o aval de Pequim.
Exportações de café do Brasil podem bater recorde em 2026/27
O Brasil deve registrar exportações recordes de café em 2026/27, segundo Carlos Santana, diretor comercial da Eisa. A projeção vem da expectativa de uma safra que pode ser a maior da história. Com a colheita avançando primeiro em robusta e conilon, os embarques devem ganhar força a partir de julho e agosto.
Cooxupé espera receber até 8 milhões de sacas de café em 2026
A Cooxupé projeta receber entre 7 milhões e 8 milhões de sacas de café neste ano, acima das 6,07 milhões de 2025. A cooperativa vê boa expectativa de quantidade e qualidade, mas monitora o clima durante a colheita. A Conab estimou a safra brasileira em 66,19 milhões de sacas, enquanto o Rabobank aposta em 73,3 milhões.
Mosaic e Inpasa fecham parceria de barter pra insumos no milho
A Mosaic Brasil e Inpasa anunciaram uma parceria comercial pra fornecimento de insumos agrícolas via barter, modelo em que o produtor paga com grãos. O acordo mira fertilizantes, foliares e soluções biológicas pra produtores ligados à cadeia do milho.
Estoques de soja devem ser os maiores em 9 anos, diz Abiove
A Abiove projeta estoque final de soja de 8,25 milhões de toneladas em 2026, o maior volume desde 2017. A safra foi estimada em recorde de 180,13 milhões de toneladas, com exportação prevista de 114,1 milhões. Mesmo com alta no embarque e no esmagamento, a colheita cheia deve deixar mais soja guardada no país.
Esmagamento de soja deve bater recorde em 2026
A Abiove também elevou a projeção de esmagamento de soja pra 62,5 milhões de toneladas em 2026, um recorde. O avanço é puxado pela oferta robusta e pela demanda por óleo, especialmente com maior mistura de biodiesel no diesel. A produção de farelo deve chegar a 48,1 milhões de toneladas, e a de óleo, a 12,55 milhões.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Manga
Pergunta de hoje: Qual raiz asiática foi usada como remédio na China Antiga e hoje está presente em sucos, chás e até na caipirinha?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
