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Bom dia!

Hoje tem a Cutrale sendo condenada a pagar R$ 1,5 milhão por descumprir normas de saúde e segurança no trabalho rural, JP Morgan rebaixando a Amaggi depois que a compra de 40% da FS deixou o calendário de pagamentos apertado, e geada acendendo alerta pra lavouras no Sul com mínimas de até 3°C. No meio disso, a dívida rural esquenta Brasília com proposta de esticada no prazo e juros mais baixos, a Abiove projeta maior estoque de soja em 9 anos e a Copa do Mundo promete elevar a demanda por carne em mais de 10%.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 177.355,73 10,07%
IFIX 3.850,07 1,88%
CSAN3 R$4,32 -18,80%
MBRF3 R$17,67 -11,56%
JGPX11 R$61,99 -10,73%
KOPA11 R$386,00 -35,93%
ETF OURO R$23,68 -4,40%
Bitcoin US$77.323,05 -12,48%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

DEU B.O.

Cutrale é condenada a pagar R$1,5 mi por falhas em segurança no campo

Gif: BenJammins on Giphy

A conta trabalhista da Cutrale azedou, e nem foi por causa da laranja. A Justiça do Trabalho condenou a Sucocítrico Cutrale, de Araraquara (SP), a pagar R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos por descumprir algumas normas de saúde, higiene e segurança no trabalho rural. A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho, e o valor da multa vai cair todo no Fundo de Amparo ao Trabalhador. Mas ainda cabe recurso por parte da empresa.

A sentença também mandou executar multas diárias pelo descumprimento de decisões judiciais anteriores que já são definitivas. A conta vai ser fechada na fase de liquidação, com base em R$ 10 mil por dia pra cada obrigação que ficou no vácuo, a partir de fiscalização feita em outubro de 2023. Segundo o MPT, entre 2012 e 2024, a Cutrale recebeu 356 autos de infração da Auditoria Fiscal do Trabalho.

As irregularidades apontadas incluem alojamentos sem sabonete, resíduos de papel higiênico expostos e máquinas com transmissões de força sem proteção. No campo, onde qualquer descuido pode virar acidente sério, esse tipo de falha não combina com operação de grande porte. A fiscalização também colocou no papel a falta de protetor solar pros trabalhadores que ficam expostos ao sol e falhas no registro de riscos físicos e ergonômicos em atestados de saúde ocupacional.

A decisão ainda fala de alguns exemplos de acidentes graves que rolaram nas propriedades da empresa. Em um deles, um ônibus que transportava trabalhadores rurais capotou, com pneus e freios sem manutenção, segundo a Auditoria Fiscal. O acidente resultou na morte de 1 trabalhador e deixou outros 23 feridos, incluindo uma colaboradora grávida de 7 meses. Outro caso citado envolve um colhedor que sofreu lesões na coluna depois de cair de uma escada que tava apoiada em galhos flexíveis.

Na parte econômica, a Justiça proibiu que líderes de turma fizessem uma medição de produtividade dos colhedores no olhômetro, depois que checagens na balança mostraram que os volumes tavam diferentes nos big bags. A sentença também limitou os descontos por alimentação em 25% do salário mínimo nacional e barrou o uso do piso estadual paulista pra cobrar mais caro. O juiz André Luiz Menezes Azevedo Sette classificou a conduta como dumping social, quando a empresa reduz os custos trabalhistas de forma irregular e ganha vantagem sobre quem joga dentro da regra.

NAS CABEÇAS DO AGRO

IBRA megalab cria plano de saúde do solo pra ampliar análises no agro

Foto: Divulgação

O solo brasileiro agora tem plano de saúde, só que sem carteirinha, sala de espera lotada e aquela musiquinha eterna no telefone. O IBRA megalab lançou o Plano de Saúde do Solo, ou Soil Healthcare, uma iniciativa que junta amostragem, análise laboratorial e suporte de engenheiros agrônomos em pacotes de serviço pro produtor rural. A ideia é popularizar a análise de solo e transformar o diagnóstico da fazenda em rotina, não em consulta de emergência quando a lavoura já tá pedindo arrego.

A conta que o IBRA quer atacar é grande. O Brasil tem um déficit estimado de 8 milhões de análises de solo por ano, o que representa um mercado próximo de R$ 1 bilhão em faturamento pros laboratórios. Com o novo modelo, a empresa quer ajudar a reduzir esse buraco e aumentar seu market share de 14% pra 25% até 2030. Ou seja, o laboratório quer tirar a análise de solo da gaveta do “depois eu vejo” e colocar no calendário da propriedade.

O plano vem em 3 versões, quase um streaming do solo.

  • O Essential traz monitoramento por satélite, indicadores de vigor, dashboard digital, diagnóstico socioambiental e métrica inicial de carbono, com investimento a partir de R$ 2 por hectare por safra ou plano anual a partir de R$ 12 mil.

  • O Performance adiciona planejamento de amostragem, coleta técnica, análises químicas e físicas e histórico por talhão, custando entre R$ 25 e R$ 60 por hectare.

  • Já o Intelligence entra com teleagronomia, consultoria remota, plano de manejo, construção de fertilidade e apoio pra projetos de crédito de carbono, com valores variando de R$ 60 a R$ 180 por hectare por ano.

Um dos diferenciais tá na análise de carbono inicial. Segundo Armando Parducci, diretor do IBRA megalab, a empresa vai usar seu banco de solos e bases públicas pra calcular mais ou menos quanto carbono aquela área teria quando era floresta nativa e comparar com a situação atual e futura. Isso vai ajudar o produtor a enxergar se o manejo tá construindo saúde no solo ou só maquiando o problema com mais insumo. No fim das contas, a proposta é simples e bem pé no chão: se o solo é a base da produção, talvez esteja na hora de tratar ele menos como bastidor e mais como protagonista da fazenda.

ASSUNTO DE GABINETE

Dívida rural, leite e meio ambiente agitam a pauta do agro em Brasília

Foto: Ramon Buçard/Unsplash

A semana em Brasília tá parecendo um cabo de guerra, cada um puxando de um lado pra ver se sai alguma coisa do papel logo. O governo abriu mais concessões na renegociação das dívidas rurais, o Ministério do Meio Ambiente chiou com o pacote de urgências da Câmara e a Comissão de Agricultura ainda aprovou uma trava pra importação de leite. Em 1 dia só, teve crédito, clima, fiscalização ambiental, Mercosul e produtor tentando respirar sem o banco fungando no cangote.

Na Fazenda, o ministro Dario Durigan e os parlamentares do agro avançaram numa proposta que pode virar MP antes do Plano Safra. A ideia é dar uma esticada no pagamento das dívidas de 6 pra até 10 anos, aumentar a carência de 1 pra 2 anos e criar um fundo garantidor com participação do governo, bancos, instituições financeiras e produtores.

A briga agora tá nos juros e no tamanho do socorro. O governo ofereceu taxas de 6% ao ano pra Pronaf e pequenos produtores, 8% pra Pronamp e médios produtores, e 12% pro resto. Já os congressistas querem que seja ainda mais baixo, 4%, 6% e 10%. Também deve entrar uma trava pra exigir comprovação de perdas climáticas ou dificuldade real de caixa pra poder pedir essa ajudinha.

E ainda teve leite no meio da fervura. A Comissão de Agricultura aprovou o PL 5.557/2025, que puxa as rédeas da importação de leite, leite em pó, muçarela e derivados. O texto só permite entrada desses produtos quando a produção nacional corresponder a pelo menos 70% do consumo interno e tenta barrar a triangulação via Mercosul, uma suspeita bem antiga do setor mas que não dá pra provar. O PL ainda proíbe transformar leite em pó importado em leite fluido, bebidas lácteas, queijos ou similares pro mercado interno.

Do outro lado da Esplanada, o Ministério do Meio Ambiente, o ICMBio e o Ibama criticaram a sessão da Câmara apelidada de “dia do agro”. João Paulo Capobianco chamou a movimentação de “retrocesso inimaginável” e mirou 5 projetos com urgência aprovada, incluindo regras sobre os embargos no sensoriamento remoto pra liberação de crédito, vegetação nativa, dados de produtores e mudanças na Flona do Jamanxim. Os órgãos ambientais dizem que as propostas enfraquecem a fiscalização e prometem atuar no Congresso pra barrar ou tentar vetar os textos.

POR DENTRO DO MERCADO

JP Morgan rebaixa Amaggi depois de compra bilionária da FS complicar o caixa

Foto: Reprodução

A entrada da Amaggi no etanol de milho ganhou carimbo de negócio estratégico, mas com preço salgado. Segundo o JP Morgan, a compra de 40% da FS deve custar US$ 815 milhões à trading da família Maggi, incluindo US$ 100 milhões em aporte primário e US$ 715 milhões pagos aos atuais acionistas, parceladinho em 3x sem juros até 2028. O banco rebaixou a recomendação dos títulos da Amaggi de neutro pra underweight, que é o jeito Wall Street de dizer que o boleto ficou meio pesado demais.

Na avaliação dos analistas, a estratégia faz sentido porque a FS conversa bem com o mundo da Amaggi. Tem milho, logística, biomassa, energia e uma avenida aberta no etanol de milho, setor que deixou de ser coadjuvante e já tá pedindo passagem. Só que o tamanho da conta pesa. A empresa teve Ebitda de US$ 542 milhões em 2025, dívida bruta de US$ 3 bilhões e caixa de US$ 870 milhões no fim do ano passado.

O banco até considera o preço justo. O múltiplo da transação ficaria entre 5,5 vezes e 6,2 vezes EV/Ebitda, acima dos 4,5 vezes que geralmente são vistos em empresas de açúcar e etanol, mas com o prêmio sendo explicado pelas margens melhores e pela estrutura de custos mais leve do etanol de milho. Outro cálculo ajuda a defender o precinho: recriar a capacidade da FS do zero exigiria algo entre US$ 1,8 bilhão e US$ 2,5 bilhões, colocando os 40% que a Amaggi tá comprando dentro da faixa de US$ 720 milhões a US$ 1 bilhão.

O problema maior tá no calendário, o inimigo silencioso de todo endividado. Em 2027 e 2028, os pagamentos pela FS vão bater junto com US$ 750 milhões em bonds da Amaggi vencendo. Como a empresa não vai ter controle da FS, também não vai poder consolidar o caixa da produtora no balanço, recebendo dinheiro só se rolarem dividendos. Pra aliviar a pressão, a Amaggi deve usar créditos fiscais, uma linha de US$ 700 milhões com o Bradesco, venda de US$ 200 milhões em ativos imobiliários e, se precisar, cortar dividendos próprios ou segurar outros investimentos.

E ESSE TEMPO, HEIN?

Frio liga alerta no Sul e geada pode beliscar lavouras

Gif: Giphy

O frio resolveu bater ponto no Sul e chegou com cara de quem não veio só pra tomar um chimarrão. O Inmet emitiu alertas de geada pro Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná na madrugada e no início da manhã de hoje (21), entre meia-noite e 8h. Em algumas áreas, as mínimas podem bater 3°C, com risco leve de perda em plantações.

O aviso de perigo potencial pega uma faixa grande dos 3 estados. No Rio Grande do Sul, entram regiões como Sudoeste, Noroeste, Centro Ocidental, Centro Oriental, Região Metropolitana de Porto Alegre, Nordeste e Sudeste. Quase o estado inteiro. Em Santa Catarina, o frio passa pelo Oeste, Serra, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis, Norte e Sul. No Paraná, o alerta mira Oeste, Sudoeste, Sudeste e Centro-Sul.

Também tem um segundo aviso, mais bruto, pra áreas onde a geada pode vir com mais vontade e temperaturas entre 0°C e 3°C. A atenção maior fica na Serra e no Oeste catarinense, no Vale do Itajaí, no Norte de Santa Catarina, no Sudeste e Centro-Sul do Paraná e no Nordeste gaúcho. A lavoura, que já vive olhando pro céu, agora vai dormir de olho no termômetro.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Manga

Pergunta de hoje: Qual raiz asiática foi usada como remédio na China Antiga e hoje está presente em sucos, chás e até na caipirinha?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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