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Bom dia!
Hoje tem tilápia que pode ser classificada como espécie invasora pelo governo e derrubar 90% das exportações pro mercado americano, Ometto mirando compra de terras da Radar em vez de colocar dinheiro na Raízen e Câmara concentrando 13 pautas do agro em um único dia com bancada ruralista na pressão. No meio disso, 30 pesquisadores da Embrapa entram no ranking dos mais citados no mundo, IA da Embrapa aprende a prever onde e quando o mato vai aparecer e um porco de 82 kg com 1,2 milhão de seguidores entrou pro Guinness.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
CAMPO ATUALIZADO
IA da Embrapa chega pra prever onde e quando vão aparecer as daninhas

Foto: Divulgação
As plantas daninhas ganharam um novo fiscal no campo, e ele não usa chapéu nem anda de caminhonete. Um estudo da Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a Univali, testou o uso de inteligência artificial pra entender a dinâmica dessas espécies em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária no Cerrado. A ideia é cruzar dados de clima, solo e rotação de culturas pra prever onde o mato pode aprontar antes mesmo de ele dar as caras.
A pesquisa usou algoritmos de machine learning pra analisar as informações sobre espécies de daninhas, características do solo, sistemas de cultivo e registros climáticos. Entre os vários modelos que foram testados, o Decision Tree e o Random Forest foram os que mais brilharam, com 99% de precisão na previsão das culturas mais propensas ao aparecimento dessas plantas.
Na prática, a ferramenta chega pra dar uma força pro produtor na tomada de decisão, indicando o momento certo de agir, a área com maior risco e até qual herbicida faz mais sentido em cada situação. É menos “aplica em tudo e reza” e mais manejo com lupa, dado e mira calibrada. O bolso do produtor agradece, e o ambiente também não reclama.
O estudo foi feito em Sete Lagoas (MG), no Cerrado, com sistemas de ILP envolvendo milho com braquiária, e sorgo com braquiária, soja e pastagem. Segundo os pesquisadores, esses modelos integrados costumam ter populações menores de daninhas do que sistemas não consorciados, principalmente pela cobertura do solo que é feita pelas forrageiras. A braquiária, nesse caso, vira quase segurança de festa. Ocupa o espaço e dificulta a entrada dos penetras.
Hoje, a IA já aparece no manejo de plantas daninhas com máquinas capazes de identificar invasoras por visão computacional e aplicar herbicidas de forma localizada. O diferencial desse estudo é tentar antecipar o problema, entendendo quais são os fatores que favorecem o surgimento das daninhas antes da emergência. É uma espécie de previsão do tempo do mato invasor, só que em vez de guarda-chuva, o produtor pega estratégia de manejo.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Rubens Ometto mira compra de terras da Radar e pode deixar Raízen no vácuo

Gif: Tenor
A novela da Raízen tá melhor que muita produção milionária de Hollywood e ganhou mais um capítulo. Dessa vez, o roteiro saiu do etanol e foi direto pro mapa das fazendas. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, Rubens Ometto tá de olho na compra de parte do portfólio de terras da Radar, o braço da Cosan que administra propriedades agrícolas, por meio da Aguassanta Participações. Na prática, o empresário pode trocar um aporte na Raízen por terras novas, aproveitando que a grama do vizinho é sempre mais verde, mais fértil, e, nesse caso, deve ser mais lucrativa também.
A movimentação pesa porque Ometto já tinha sinalizado que tava com disposição de colocar R$ 500 milhões na Raízen, pra ajudar na reestruturação extrajudicial e capitalização. Em troca, ele queria continuar mandando em tudo, do alto da cadeira de presidente do conselho da companhia, mas a ideia tomou um belo “NÃO!” por parte dos credores, que querem a saída dele, além de boa parte da Raízen em troca de perdoar uma parte da dívida. Agora, com os ativos da Radar na mesa, o plano pode mudar de endereço. Sai o cheque pro etanol, entra a fazenda.
Pra Cosan, a possível venda faz parte de uma faxina maior no balanço. Depois de um período de expansão agressiva, juros altos e dívida apertando o caixa, a companhia tá querendo vender ativos e reduzir a alavancagem. A Radar aparece como uma peça importante desse quebra-cabeça, enquanto a Cosan também sonda interessados em fatias da Rumo. É aquela faxina corporativa em que nada some por acaso, tudo vira liquidez.
A fatia da Cosan na Radar tava avaliada em cerca de R$ 5,5 bilhões ao fim de 2025, enquanto o portfólio total da gestora de terras chegava a aproximadamente R$ 18 bilhões. Uma transação com Ometto poderia ajudar a criar referência de preço pra Radar em negociações futuras e, de quebra, aliviar a Cosan sem exigir mais compromisso com a Raízen. Ometto e Cosan não comentaram, e as conversas seguem sem garantia de acordo.
ASSUNTO DE GABINETE
Câmara faz dia do agro e joga 13 propostas do setor pra votação

Foto: Leonardo Sá/Agência Senado
A Câmara dos Deputados tava com cara de fazenda nessa terça-feira (19), só faltou o chapéu na cabeça e a bota no pé. O “dia do agro” foi um apelido pra sessão de ontem que concentrou pautas de interesse do setor produtivo, articulada pela FPA com Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara. Dos 19 temas que tavam previstos pra votação, 13 tinham ligação direta com a bancada ruralista.
A FPA chegou metendo marra, com uma lista de mais de 30 projetos, mas cerca de 10 entraram na prateleira das prioridades por terem mais chance de avançar. O cardápio veio com seguro rural, crédito, cooperativismo, tributação, cultivares, combustíveis, segurança jurídica e regras ambientais. Basicamente, um buffet completo do setor.
Pra agilizar o processo, a Câmara aprovou o pedido de urgência pra 7 propostas, o que permite levar os textos direto pro plenário, sem aquela peregrinação pelas comissões. Entraram nessa fila projetos como o Open Finance do agro, que usa dados públicos na análise de risco de crédito rural, as mudanças no Imposto de Renda sobre arrendamento rural, a ampliação da proteção de cultivares e a retirada de insumos agropecuários da redução linear de incentivos fiscais. A política tá tentando cortar caminho na burocracia, ou pelo menos achar um atalho que não esteja interditado.
O avanço mais concreto veio com o projeto que permite cooperativas acessarem recursos do FDNE, FDA e FDCO, que são os fundos de desenvolvimento do Nordeste, da Amazônia e do Centro-Oeste. A proposta passou com 442 votos favoráveis e só 2 contrários, placar de goleada em um dia raro de consenso, e agora segue no aguardo da sanção presidencial. A ideia é incluir formalmente as cooperativas entre as beneficiárias dessas linhas, ampliando crédito em regiões onde o financiamento tradicional nem sempre chega.
Outro queridinho da bancada é o seguro rural. O PL 2.951/2024 tá tentando modernizar o programa, garantindo mais recursos e criando um fundo garantidor pra dar um upgrade na cobertura contra riscos climáticos. Pedro Lupion (Republicanos-PR) diz que o texto já foi negociado com o governo e com o Mapa, mas deve voltar ao Senado depois das mudanças feitas pela Câmara. A pressa tem endereço certo: a FPA quer aprovar tudo até o fim de junho pra encaixar já no próximo Plano Safra.
Também entraram no radar propostas mais sensíveis, como regras pra embargos ambientais por sensoriamento remoto, competência do Mapa em normas que afetem atividades produtivas e mudanças ligadas à biodiversidade. Ambientalistas e organizações da sociedade civil criticaram a votação apressada, dizendo que esses projetos são mais complexos e precisam de mais debate técnico e participação pública.
MENTES QUE GERMINAM
30 pesquisadores da Embrapa entram no radar global da ciência como os mais citados

Gif: TAMUScience on Giphy
A Embrapa colocou 30 dos seus pesquisadores entre os cientistas mais citados em artigos e publicações científicas no mundo todo, segundo o ranking internacional da Research.com. O número, que já era grande, cresceu 25% em relação a 2025, quando 24 nomes da empresa apareciam na lista. A ciência agropecuária brasileira não só tá produzindo conhecimento, como também tá virando referência lá fora.
O levantamento analisou 175,4 mil pesquisadores ativos em mais de 70 países, distribuídos em 26 disciplinas científicas. No caso da Embrapa, os cientistas reconhecidos aparecem em 8 áreas de atuação.
A classificação usa o Discipline H-index, ou D-index, um indicador que combina a quantidade de artigos e o volume de citações dentro de cada área avaliada. A plataforma também cruza dados de bases como OpenAlex e CrossRef, além de considerar prêmios, bolsas e reconhecimentos acadêmicos. Ou seja, não é ranking feito na base do achismo. A régua é alta e vem com planilha, artigo e currículo Lattes pedindo arrego.
Segundo a Research.com, o objetivo é destacar especialistas que impactaram as mais diversas áreas e campos do conhecimento, além de inspirar jovens pesquisadores ao redor do mundo. Pra Embrapa, o avanço reforça o peso da pesquisa agropecuária brasileira em temas que saem do laboratório e chegam ao campo.
E é sempre bom lembrar que antes de uma tecnologia virar semente, bioinsumo, manejo ou produtividade, alguém passou bons anos brigando com dado, artigo e revisor científico exigente. O agro também se faz com paper, citação e pesquisador que troca a fama de influencer pela glória silenciosa de aparecer em rodapé científico.
DE OLHO NO PORTO
Tilápia pode virar invasora e exportação fica em alerta

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A tilápia entrou numa novela regulatória daquelas que começam com argumento técnico e terminam com exportador olhando pro teto. A Conabio deve votar no dia 26 de maio uma proposta que pode incluir a espécie na lista de exóticas invasoras. A PEIXE BR, principal entidade da piscicultura no Brasil, acendeu o alerta porque, lá fora, essa classificação pode soar como um carimbo oficial do próprio Brasil dizendo que o peixe é risco ambiental. Aí o filé, que hoje nada de braçada no mercado, pode morrer afogado na alfândega.
O maior medo tá nas exportações, principalmente pros Estados Unidos, que compram cerca de 85% da tilápia brasileira vendida lá fora e movimentam perto de US$ 35 milhões por ano. Segundo a entidade, uma mudança na classificação pode derrubar em até 90% os embarques em 6 meses, com perda acima de US$ 38 milhões só na cadeia da tilápia.
A associação cita um precedente indigesto. Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora, e as exportações chinesas caíram cerca de 97% em 1 ano, e nunca mais recuperaram esse fôlego. A comparação preocupa porque, no comércio internacional, às vezes basta uma palavra no documento pra transformar um produto competitivo em produto com cara de problema. E “invasora” não é exatamente o tipo de sobrenome que abre porta em mercado premium.
O impacto também pode respingar em outras espécies, como tambaqui e pintado, por causa de auditorias mais duras, exigências sanitárias extras e desgaste na imagem da aquicultura brasileira. A PEIXE BR estima um efeito cascata de até US$ 64 milhões por ano no setor pesqueiro exportador, além de risco pra certificações como BAP, ASC e Global G.A.P.
POR AÍ NAS REDES
Porco influencer que fala entra pro Guinness

Foto: Reprodução/@merlinthepig
Merlin não é exatamente aquele influencer padrão que posta skincare, look do dia e arrume-se comigo. Ele é um porco de 4 anos que mora em Sacramento, na Califórnia, e entrou pro Guinness como o suíno com mais seguidores no Instagram. Quando o recorde foi oficializado, em 23 de fevereiro de 2026, ele já tinha 1,1 milhão de fãs. Agora, já passa de 1,2 milhão.
O que fez Merlin viralizar foi sua habilidade de “falar” usando botões coloridos espalhados pela casa. Cada botão reproduz uma palavra ou comando, dando ao porquinho a chance de pedir comida, chamar um dos tutores, seja o “pai” ou a “mãe”, e ainda expressar qualquer uma de suas vontades durante o dia. Tem muito humano por aí que tomaria um baile de comunicação desse suíno.
O treinamento começou quando Merlin tinha só 3 meses, com reforço positivo, repetição e bastante paciência da tutora, Mina Alali. Hoje, o porco de 82 quilos usa mais de 30 botões e virou uma vitrine da inteligência suína. O Guinness destacou que a fama dele também abriu conversas sobre como porcos podem ser inteligentes, emotivos e parecidos com humanos. Mina diz que, com tempo e estímulo, qualquer porco pode aprender bastante e ter capacidade intelectual comparável à de uma criança de 3 a 5 anos.
PLANTÃO RURAL
Baunilha natural pode chegar a R$ 6 mil o quilo, mas por quê?
A baunilha natural pode custar até R$ 6 mil o quilo por causa do cultivo manual, da baixa escala e do processo longo de produção. A flor abre por apenas 1 dia e a polinização tem janela de sucesso de cerca de 4 horas. Depois da colheita, as favas ainda passam por cura de 2 a 6 meses.
Área de soja 26/27 deve ter menor expansão em 20 anos
A área brasileira de soja deve crescer apenas 400 mil hectares na safra 2026/27, segundo a Veeries, o menor avanço em 20 anos. A expansão mais tímida vem de margens apertadas e fertilizantes mais caros por causa da guerra no Irã. O crescimento deve ficar concentrado em regiões com melhor rentabilidade, como Mato Grosso.
Santa Catarina decreta alerta climático de 180 dias por risco de El Niño
Santa Catarina decretou alerta climático por 180 dias com a aproximação do El Niño. A Defesa Civil vê 80% de chance de os efeitos começarem entre julho e agosto, com maior risco de enchentes, deslizamentos e inundações. O decreto vale pra todo o estado e libera mobilização preventiva de equipes, equipamentos e recursos em áreas vulneráveis.
NOAA vê mais de 90% de chance de El Niño entre junho e agosto
A NOAA aponta 82% de chance de El Niño entre maio e julho e 91% entre junho e agosto. O fenômeno também tem 96% de probabilidade de seguir até o início de 2027. No Brasil, o Sul tende a ter mais chuva e risco de tempestades, enquanto Norte e Nordeste costumam enfrentar precipitações abaixo da média.
Exportações de carne bovina crescem em abril, mas cota chinesa preocupa
As exportações brasileiras de carne bovina renderam US$ 1,743 bilhão em abril, alta de 28% sobre o mesmo mês de 2025. O volume embarcado chegou a 319,23 mil toneladas, avanço de 4%. O alerta vem da China, que já comprou cerca de 70% da cota brasileira livre da tarifa de 55%.
Piracanjuba compra Laticínio Sertão e amplia presença no Nordeste
O Grupo Piracanjuba anunciou a compra do Laticínio Sertão, em Monteirópolis (AL). A operação reforça a estratégia de crescimento da empresa no Nordeste, região considerada importante pra logística e expansão nacional. A marca Sertão segue num primeiro momento, com incorporação gradual à Piracanjuba após aval do Cade.
Abiec firma parceria chinesa pra melhorar logística da carne bovina
A Abiec assinou memorando com a chinesa CQIC pra modernizar a logística da carne bovina brasileira rumo à China. A parceria prevê estudos pra construção de armazéns frigoríficos, centros de distribuição e estruturas de cadeia fria no Brasil. A ideia é reduzir custos, melhorar a estocagem e dar mais segurança aos embarques.
Boi gordo sente pressão de baixa com frigoríficos menos ativos
O mercado do boi gordo começou terça-feira (19) com poucos negócios e frigoríficos menos ativos nas compras. Segundo consultorias, escalas de abate mais confortáveis e consumo doméstico fraco aumentam a pressão sobre a arroba.
Fazenda inclui setores do agro no cronograma do mercado de carbono
O Ministério da Fazenda incluiu setores ligados ao agro na proposta de monitoramento obrigatório de emissões do mercado regulado de carbono. Papel e celulose entram em 2027, alimentos e bebidas em 2029 e transporte rodoviário em 2031. No início, as empresas terão apenas obrigação de medir, monitorar e reportar emissões.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Cominho
Pergunta de hoje: Qual fruta tropical foi chamada de “maçã das Índias” pelos europeus e hoje é uma das mais produzidas no Brasil?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
