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Bom dia!

Hoje tem China liberando licenças de exportação pra frigoríficos americanos e revertendo tudo em poucas horas sem dar explicação, safra brasileira de grãos mirando recorde de 358 milhões de toneladas com soja puxando na frente e Fafen-BA voltando a produzir ureia depois de anos parada. No meio disso, a Moratória da Soja ganha mais 90 dias no STF, a Amaggi reestrutura o conselho da FS após comprar 40% da empresa e Porto Alegre recebe pela primeira vez uma conferência internacional de agricultura de precisão.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 178.365,86 10,70%
IFIX 3.868,16 2,36%
BEEF3 R$4,09 -28,99%
PETR3 R$49,38 51,61%
IAAG11 R$8,64 -0,69%
AGRX11 R$8,32 -6,20%
ETF OURO R$24,14 -2,54%
Bitcoin US$81.350,00 -7,92%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

QUAL A BOA?

Brasil recebe conferência global do agro digital em Porto Alegre

Foto: Divulgação

O agro digital vai sair do PowerPoint e aterrissar em Porto Alegre (RS) com sotaque internacional e cheiro de chimarrão. Entre 13 e 16 de julho, a cidade recebe o 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital junto com a 17ª Conferência Internacional de Agricultura de Precisão. O encontro será no Centro de Eventos da PUC-RS e deve reunir mais de 1 mil pessoas entre pesquisadores, empresas, produtores e especialistas de vários países.

A edição tem peso histórico porque, pela 1ª vez, a conferência internacional acontece fora da América do Norte. Ou seja, o Brasil não vai só assistir à conversa sobre sensores, robôs, dados, mapas de produtividade e inteligência artificial no campo. Vai receber a turma toda em casa, servir café forte e mostrar que agricultura de precisão por aqui não é mais assunto de laboratório futurista. Já tá na lavoura, no trator e na planilha do produtor.

A programação vem recheada de temas que fazem o agro moderno parecer roteiro de ficção científica, só que com milho, soja e adubação no meio. Vai ter debate sobre agricultura digital no mundo, robótica agrícola, baixo carbono, recomendações de fertilizantes, pedometria, análise avançada de dados e irrigação de precisão. É tanta tecnologia por hectare que até o produtor mais raiz vai sair do evento querendo atualizar o software.

O interesse também apareceu nos números. Foram 512 trabalhos científicos inscritos, um recorde que mostra como dados, automação e inteligência aplicada ao campo tão virando coisa séria na academia e no mercado. No último dia, Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, fala sobre o papel da IA na agricultura de precisão.

O AGRO EM NÚMEROS

Conab vê safra recorde de 358 milhões de toneladas

Foto: Stock

A safra brasileira de grãos tá mirando mais um recorde. A Conab estima produção de 358 milhões de toneladas, alta de 1,6% sobre o ciclo anterior, com 5,7 milhões de toneladas a mais entrando na conta. O empurrão vem principalmente da soja, do milho e do sorgo, o trio que resolveu trabalhar em esquema de mutirão.

A soja deve alcançar 180,1 milhões de toneladas, um marco inédito, com 98,3% da área já colhida e crescimento de 5% frente à safra 2024/25. No milho, a Conab projeta 140,2 milhões de toneladas nas 3 safras, a 2ª maior produção da série histórica. Já o sorgo aparece como aquele reserva que entra jogando bem, com estimativa de 7,6 milhões de toneladas e alta de 23,8%, puxada pela migração de áreas onde o milho perdeu a janela ideal de plantio.

Nem todo mundo, porém, veio pra foto do recorde com sorriso largo. Arroz deve cair 0,3%, feijão recuar 5,2%, algodão em pluma ficar perto de 4 milhões de toneladas com baixa de 2,6%, e trigo deve encolher pra 6,4 milhões de toneladas. Mesmo assim, a Conab diz que arroz e feijão seguem sem risco de desabastecimento. Enquanto isso, o milho ganha força no etanol e a soja deve embarcar 116 milhões de toneladas. A safra tá cheia, mas o boletim ainda tem umas culturas pedindo um cafezinho e um ombro amigo.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

STF pede mais 90 dias pra destravar Moratória da Soja

Gif: Giphy

A novela da Moratória da Soja ganhou pedido de mais uma temporada no STF. O Núcleo de Solução Consensual de Conflitos protocolou nesta quinta-feira (14) um pedido pra prorrogar por mais 90 dias as negociações sobre as ações que discutem leis estaduais ligadas ao acordo em Mato Grosso e Rondônia. Sem esse prazo extra, a conversa terminaria em junho.

O pedido foi enviado aos ministros Flávio Dino e Dias Toffoli, relatores dos processos, e justificado pela complexidade do tema, que mistura impacto econômico, social e ambiental. As tratativas começaram em abril e, segundo o despacho, já tiveram avanços. A ideia agora é manter o diálogo vivo pra tentar chegar a uma solução consensual mais firme, daquelas que não desmancham no primeiro tranco.

A Moratória da Soja existe desde 2006 e impede a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia depois de julho de 2008. De um lado, produtores dizem que o acordo cria restrições além do Código Florestal. Do outro, organizações ambientais defendem que ele ajudou a reduzir o desmatamento. Ainda não há nova reunião marcada, mas a expectativa é que o assunto atravesse o calendário eleitoral. Ou seja, a soja segue na mesa, mas agora com STF, setor produtivo, ambientalistas e política disputando espaço no mesmo calendário.

ASSUNTO DE GABINETE

Governo põe R$ 100 milhões e reativa fertilizante na Bahia

Foto: Mapa

O governo federal tirou a Fafen-BA do modo soneca e colocou a fábrica de fertilizantes nitrogenados de Camaçari (BA) de volta no jogo. Com investimento de R$ 100 milhões, a unidade pode produzir 1,3 mil toneladas de ureia por dia, o suficiente pra atender cerca de 5% da demanda nacional. Não é o fim da dependência externa, mas já é uma respirada num setor em que o Brasil ainda importa cerca de 85% do fertilizante que usa.

O governo bateu na tecla da autonomia. A lógica é bem direta. Se qualquer guerra, frete caro, gás natural nas alturas ou crise no Oriente Médio já faz a ureia virar item de luxo na planilha do produtor, produzir mais dentro de casa vira estratégia, não mimo. A fábrica também promete mexer na economia local, com 900 empregos diretos e cerca de 2,7 mil indiretos.

A Fafen-BA tinha sido hibernada em 2019, depois passou pela Unigel, parou de novo em 2023 por causa do custo do gás natural e voltou pras mãos da Petrobras em 2025. Agora, somando Bahia, Sergipe, Paraná e Mato Grosso do Sul, a estatal mira chegar a 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados nos próximos anos. Ainda falta chão pra bater a meta do Plano Nacional de Fertilizantes, que quer atender entre 45% e 50% da demanda brasileira até 2050, mas pelo menos a fábrica baiana voltou a fazer o que fábrica de fertilizante precisa fazer. Produzir.

COMO TÁ LÁ FORA?

China renova e depois confisca licenças de exportação dos americanos

Foto: Stock

Horas depois de a Reuters informar que Pequim tinha aprovado as licenças de exportação de centenas de plantas gringas, o site da alfândega chinesa mudou o status dos registros de “efetivo” pra “expirado”. Mais de 400 frigoríficos americanos tinham perdido a habilitação no ano passado, depois que permissões concedidas entre 2020 e 2021 venceram sem aquela renovação que todo mundo esperava.

A liberação seria uma vitória e tanto pra pecuária americana, ainda mais em plena reunião entre Trump e Xi Jinping em Pequim. A Casa Branca vinha colocando o tema na mesa, e plantas de gigantes como Cargill e Tyson Foods chegaram a aparecer entre as liberadas. Só que a China resolveu deixar o mercado no vácuo, sem explicar o motivo da mudança. O frigorífico americano piscou, viu o acesso liberado, piscou de novo e já tava tudo vencido.

No fundo, a carne virou mais uma carta no truco comercial entre Washington e Pequim. As exportações americanas pra China já caíram de US$ 1,7 bilhão em 2022 pra cerca de US$ 500 milhões no ano passado, e cada licença agora pesa como ficha de negociação. Analistas veem o movimento como um recado chinês nas conversas bilaterais, daqueles que não precisam de megafone. Enquanto isso, os frigoríficos dos EUA ficam atualizando o site da alfândega chinesa igual produtor olhando previsão de chuva na semana da colheita.

NAS CABEÇAS DO AGRO

FS reorganiza conselho após Amaggi comprar 40% da empresa

Foto: Divulgação

A entrada da Amaggi na FS deu uma boa mexida na dinâmica lá dentro da empresa. Depois do aporte de US$ 100 milhões no caixa da companhia, a estrutura societária foi redesenhada: a Summit Agricultural Group, que tinha 71% da FS, caiu pra 43%, enquanto a Amaggi passou a ficar com 40% da empresa.

Mesmo menor no capital, a Summit segue com a mão firme no volante. Das 8 cadeiras do conselho de administração, a americana ficará com 4, incluindo a presidência. A Amaggi terá 3 assentos, e o último lugar fica com um acionista minoritário. Já os minoritários passaram de 24,27% pra 13,90%, enquanto o management saiu de 4,72% pra 2,92%. Em resumo, a Amaggi entrou grande, mas a Summit ainda guardou a cadeira da cabeceira.

A expectativa é que a operação seja fechada até o 2º semestre de 2026, depois da aprovação do Cade. O que continua trancado no cofre é o valuation da transação, aquele número que todo mundo quer saber e ninguém abriu ainda. Como esse é o 1º grande M&A do etanol de milho no Brasil, o mercado tá olhando pra FS querendo um norte pra negociações futuras.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Lentilha

Pergunta de hoje: Qual fruta amazônica é chamada de “tadala da floresta” por comunidades ribeirinhas, graças ao seu uso tradicional afrodisíaco?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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