
APRESENTADO POR
Bom dia!
Hoje tem China liberando licenças de exportação pra frigoríficos americanos e revertendo tudo em poucas horas sem dar explicação, safra brasileira de grãos mirando recorde de 358 milhões de toneladas com soja puxando na frente e Fafen-BA voltando a produzir ureia depois de anos parada. No meio disso, a Moratória da Soja ganha mais 90 dias no STF, a Amaggi reestrutura o conselho da FS após comprar 40% da empresa e Porto Alegre recebe pela primeira vez uma conferência internacional de agricultura de precisão.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
QUAL A BOA?
Brasil recebe conferência global do agro digital em Porto Alegre

Foto: Divulgação
O agro digital vai sair do PowerPoint e aterrissar em Porto Alegre (RS) com sotaque internacional e cheiro de chimarrão. Entre 13 e 16 de julho, a cidade recebe o 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital junto com a 17ª Conferência Internacional de Agricultura de Precisão. O encontro será no Centro de Eventos da PUC-RS e deve reunir mais de 1 mil pessoas entre pesquisadores, empresas, produtores e especialistas de vários países.
A edição tem peso histórico porque, pela 1ª vez, a conferência internacional acontece fora da América do Norte. Ou seja, o Brasil não vai só assistir à conversa sobre sensores, robôs, dados, mapas de produtividade e inteligência artificial no campo. Vai receber a turma toda em casa, servir café forte e mostrar que agricultura de precisão por aqui não é mais assunto de laboratório futurista. Já tá na lavoura, no trator e na planilha do produtor.
A programação vem recheada de temas que fazem o agro moderno parecer roteiro de ficção científica, só que com milho, soja e adubação no meio. Vai ter debate sobre agricultura digital no mundo, robótica agrícola, baixo carbono, recomendações de fertilizantes, pedometria, análise avançada de dados e irrigação de precisão. É tanta tecnologia por hectare que até o produtor mais raiz vai sair do evento querendo atualizar o software.
O interesse também apareceu nos números. Foram 512 trabalhos científicos inscritos, um recorde que mostra como dados, automação e inteligência aplicada ao campo tão virando coisa séria na academia e no mercado. No último dia, Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, fala sobre o papel da IA na agricultura de precisão.
O AGRO EM NÚMEROS
Conab vê safra recorde de 358 milhões de toneladas

Foto: Stock
A safra brasileira de grãos tá mirando mais um recorde. A Conab estima produção de 358 milhões de toneladas, alta de 1,6% sobre o ciclo anterior, com 5,7 milhões de toneladas a mais entrando na conta. O empurrão vem principalmente da soja, do milho e do sorgo, o trio que resolveu trabalhar em esquema de mutirão.
A soja deve alcançar 180,1 milhões de toneladas, um marco inédito, com 98,3% da área já colhida e crescimento de 5% frente à safra 2024/25. No milho, a Conab projeta 140,2 milhões de toneladas nas 3 safras, a 2ª maior produção da série histórica. Já o sorgo aparece como aquele reserva que entra jogando bem, com estimativa de 7,6 milhões de toneladas e alta de 23,8%, puxada pela migração de áreas onde o milho perdeu a janela ideal de plantio.
Nem todo mundo, porém, veio pra foto do recorde com sorriso largo. Arroz deve cair 0,3%, feijão recuar 5,2%, algodão em pluma ficar perto de 4 milhões de toneladas com baixa de 2,6%, e trigo deve encolher pra 6,4 milhões de toneladas. Mesmo assim, a Conab diz que arroz e feijão seguem sem risco de desabastecimento. Enquanto isso, o milho ganha força no etanol e a soja deve embarcar 116 milhões de toneladas. A safra tá cheia, mas o boletim ainda tem umas culturas pedindo um cafezinho e um ombro amigo.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
STF pede mais 90 dias pra destravar Moratória da Soja

Gif: Giphy
A novela da Moratória da Soja ganhou pedido de mais uma temporada no STF. O Núcleo de Solução Consensual de Conflitos protocolou nesta quinta-feira (14) um pedido pra prorrogar por mais 90 dias as negociações sobre as ações que discutem leis estaduais ligadas ao acordo em Mato Grosso e Rondônia. Sem esse prazo extra, a conversa terminaria em junho.
O pedido foi enviado aos ministros Flávio Dino e Dias Toffoli, relatores dos processos, e justificado pela complexidade do tema, que mistura impacto econômico, social e ambiental. As tratativas começaram em abril e, segundo o despacho, já tiveram avanços. A ideia agora é manter o diálogo vivo pra tentar chegar a uma solução consensual mais firme, daquelas que não desmancham no primeiro tranco.
A Moratória da Soja existe desde 2006 e impede a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia depois de julho de 2008. De um lado, produtores dizem que o acordo cria restrições além do Código Florestal. Do outro, organizações ambientais defendem que ele ajudou a reduzir o desmatamento. Ainda não há nova reunião marcada, mas a expectativa é que o assunto atravesse o calendário eleitoral. Ou seja, a soja segue na mesa, mas agora com STF, setor produtivo, ambientalistas e política disputando espaço no mesmo calendário.
ASSUNTO DE GABINETE
Governo põe R$ 100 milhões e reativa fertilizante na Bahia

Foto: Mapa
O governo federal tirou a Fafen-BA do modo soneca e colocou a fábrica de fertilizantes nitrogenados de Camaçari (BA) de volta no jogo. Com investimento de R$ 100 milhões, a unidade pode produzir 1,3 mil toneladas de ureia por dia, o suficiente pra atender cerca de 5% da demanda nacional. Não é o fim da dependência externa, mas já é uma respirada num setor em que o Brasil ainda importa cerca de 85% do fertilizante que usa.
O governo bateu na tecla da autonomia. A lógica é bem direta. Se qualquer guerra, frete caro, gás natural nas alturas ou crise no Oriente Médio já faz a ureia virar item de luxo na planilha do produtor, produzir mais dentro de casa vira estratégia, não mimo. A fábrica também promete mexer na economia local, com 900 empregos diretos e cerca de 2,7 mil indiretos.
A Fafen-BA tinha sido hibernada em 2019, depois passou pela Unigel, parou de novo em 2023 por causa do custo do gás natural e voltou pras mãos da Petrobras em 2025. Agora, somando Bahia, Sergipe, Paraná e Mato Grosso do Sul, a estatal mira chegar a 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados nos próximos anos. Ainda falta chão pra bater a meta do Plano Nacional de Fertilizantes, que quer atender entre 45% e 50% da demanda brasileira até 2050, mas pelo menos a fábrica baiana voltou a fazer o que fábrica de fertilizante precisa fazer. Produzir.
COMO TÁ LÁ FORA?
China renova e depois confisca licenças de exportação dos americanos

Foto: Stock
Horas depois de a Reuters informar que Pequim tinha aprovado as licenças de exportação de centenas de plantas gringas, o site da alfândega chinesa mudou o status dos registros de “efetivo” pra “expirado”. Mais de 400 frigoríficos americanos tinham perdido a habilitação no ano passado, depois que permissões concedidas entre 2020 e 2021 venceram sem aquela renovação que todo mundo esperava.
A liberação seria uma vitória e tanto pra pecuária americana, ainda mais em plena reunião entre Trump e Xi Jinping em Pequim. A Casa Branca vinha colocando o tema na mesa, e plantas de gigantes como Cargill e Tyson Foods chegaram a aparecer entre as liberadas. Só que a China resolveu deixar o mercado no vácuo, sem explicar o motivo da mudança. O frigorífico americano piscou, viu o acesso liberado, piscou de novo e já tava tudo vencido.
No fundo, a carne virou mais uma carta no truco comercial entre Washington e Pequim. As exportações americanas pra China já caíram de US$ 1,7 bilhão em 2022 pra cerca de US$ 500 milhões no ano passado, e cada licença agora pesa como ficha de negociação. Analistas veem o movimento como um recado chinês nas conversas bilaterais, daqueles que não precisam de megafone. Enquanto isso, os frigoríficos dos EUA ficam atualizando o site da alfândega chinesa igual produtor olhando previsão de chuva na semana da colheita.
NAS CABEÇAS DO AGRO
FS reorganiza conselho após Amaggi comprar 40% da empresa

Foto: Divulgação
A entrada da Amaggi na FS deu uma boa mexida na dinâmica lá dentro da empresa. Depois do aporte de US$ 100 milhões no caixa da companhia, a estrutura societária foi redesenhada: a Summit Agricultural Group, que tinha 71% da FS, caiu pra 43%, enquanto a Amaggi passou a ficar com 40% da empresa.
Mesmo menor no capital, a Summit segue com a mão firme no volante. Das 8 cadeiras do conselho de administração, a americana ficará com 4, incluindo a presidência. A Amaggi terá 3 assentos, e o último lugar fica com um acionista minoritário. Já os minoritários passaram de 24,27% pra 13,90%, enquanto o management saiu de 4,72% pra 2,92%. Em resumo, a Amaggi entrou grande, mas a Summit ainda guardou a cadeira da cabeceira.
A expectativa é que a operação seja fechada até o 2º semestre de 2026, depois da aprovação do Cade. O que continua trancado no cofre é o valuation da transação, aquele número que todo mundo quer saber e ninguém abriu ainda. Como esse é o 1º grande M&A do etanol de milho no Brasil, o mercado tá olhando pra FS querendo um norte pra negociações futuras.
PLANTÃO RURAL
Fethab fica congelado em MT até dezembro de 2026
Mato Grosso prorrogou o congelamento da base de cálculo do Fethab até 31/12/2026. A medida segura reajustes do tributo que pesa sobre a produção agropecuária. Com margem apertada, o produtor ganhou um respiro.Cooperativas levam plano de governo pros presidenciáveis
O Sistema OCB apresentou propostas aos candidatos à Presidência, com foco em crédito rural, infraestrutura, inovação, sustentabilidade e segurança jurídica. As cooperativas respondem por 54% da produção nacional de grãos.Vittia vê prejuízo triplicar no 1º trimestre
A Vittia teve prejuízo líquido ajustado de R$ 5,9 milhões no 1º trimestre, quase 3 vezes o rombo de um ano antes. A receita caiu 11,5%, pra R$ 121,91 milhões.Cosan ainda no vermelho, mas com Ebitda maior
A Cosan fechou o 1º trimestre com prejuízo de R$ 1,58 bilhão, menor que o rombo de R$ 1,78 bilhão de 2025. A receita caiu 7%, mas o Ebitda subiu 60%, pra R$ 3,16 bilhões.MBRF lucra R$ 111 milhões no 1º trimestre
A MBRF registrou lucro líquido de R$ 111 milhões no 1º trimestre, alta de 26% em um ano. A receita ficou praticamente estável, em R$ 39,45 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 3,2%. O frango segurou a pose, mas a margem não saiu exatamente batendo asa.3tentos vê lucro cair, mas ajuste muda o filme
A 3tentos lucrou R$ 85,2 milhões no 1º trimestre, queda de 55,7%. Só que, sem os efeitos do hedge, o lucro ajustado foi de R$ 230,9 milhões, alta de 110,7%.Aviagen põe R$ 190 milhões na avicultura brasileira
A Aviagen anunciou R$ 190 milhões pra ampliar granjas e incubatórios em São Paulo, aumentando a produção de avós e matrizes até 2027. A capacidade pode ganhar 1,3 milhão de matrizes.André de Paula vai à China pra abrir mais porteiras
André de Paula (PSD-PE) vai à China entre 17 e 21 de maio pra tratar de pautas sanitárias e comerciais. A agenda inclui SIAL China, encontros com autoridades e conversas sobre ampliação de mercados. Como a China comprou US$ 55,3 bilhões do agro brasileiro em 2025, vale levar cartão de visita.Carne bovina bate recorde em abril
O Brasil embarcou 953,6 mil toneladas de carne bovina in natura no 1º quadrimestre, alta de 15,2%. Só em abril foram 251,9 mil toneladas, recorde pro mês. A China segue líder nas compras, com 460,9 mil toneladas no ano.
Açúcar com suspeita de areia trava em Paranaguá
Mapa e Polícia Federal apreenderam 48 toneladas de açúcar VHP no Porto de Paranaguá por suspeita de adulteração com material insolúvel, aparentemente areia. A carga iria pra exportação. Num país que lidera o açúcar mundial, misturar areia no doce é pedir pra reputação ficar amarga.H2A mira R$ 2,9 bilhões em biometano
A H2A Bioenergia planeja 22 plantas de biometano no Brasil, com investimento de R$ 2,9 bilhões em 5 anos. O modelo transforma resíduos do agro em combustível e pode pagar participação aos produtores. Segundo a H2A, as novas plantas podem produzir 800 mil m³ de biometano por dia e 700 toneladas diárias de CO₂ alimentício.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Lentilha
Pergunta de hoje: Qual fruta amazônica é chamada de “tadala da floresta” por comunidades ribeirinhas, graças ao seu uso tradicional afrodisíaco?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
