APRESENTADO POR

Bom dia!

Hoje tem União Europeia retirando o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne pro bloco, startup gaúcha criando creme inédito no mundo pra proteger fumicultores da intoxicação por nicotina e satélite que ia virar fiscal do crédito rural ganhando prazo antes de entrar em campo. No meio disso, a Embrapa quer criar fundo de R$ 1 bilhão pra não pesquisar no improviso, o café irregular já supera metade dos casos de 2025 inteiro e Trump voltou atrás no plano de aliviar tarifas sobre carne bovina importada.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
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KOPA11 R$505,10 -16,16%
ETF OURO R$23,99 -3,15%
Bitcoin US$80.698,14 -8,66%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

APRESENTADO POR AEGRO

Tem mais boi do que gente aqui 

O Brasil tem hoje 238 milhões de cabeças de gado, mais do que os 213 milhões de habitantes do país. Mas boa parte desse rebanho tá em fazendas que têm outras atividades como a principal, tipo soja, milho ou cana. E aí a pecuária fica meio de lado, em segundo plano, já que a atenção tá toda na lavoura e nas outras 14 abas abertas na cabeça do produtor. 

A operação é séria: tem lote organizado, ciclo de engorda, compra, venda e dinheiro pesado em jogo. O problema é que o controle disso tudo costuma ser manual e dividido: a pecuária de um lado, o financeiro da fazenda do outro. 

No fim do ciclo, o produtor sabe quantos bois vendeu. Mas quanto custou cada lote? Quanto ficou no caminho? Quanto sobrou de verdade depois da ração, compra, manejo e movimentação? 

A Aegro, que já ajuda produtores a enxergar o resultado real da lavoura, agora leva esse mesmo olhar pra pecuária. Com o novo módulo, lotes, movimentações, compras e vendas de animais ficam integrados ao financeiro da fazenda, tudo no mesmo lugar. 

NAS CABEÇAS DO AGRO

Europa fecha a porteira e tira carne brasileira da lista de exportadores autorizados

Gif: theoffice on Giphy

A União Europeia pegou todo mundo de surpresa e resolveu puxar o freio de mão nas carnes brasileiras, deixando o Brasil de fora da nova lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal pro bloco a partir de setembro de 2026. Na justificativa, Bruxelas disse que o agro brasileiro ainda não comprovou direito que controla o uso de certos antibióticos na criação animal do jeito que eles querem. Resultado: boi, frango, ovos, peixe, mel e até tripa entraram na mira regulatória europeia.

A regra europeia não surgiu do nada. Desde 2022, produtores da UE já convivem com restrições mais chatas sobre antimicrobianos usados pra acelerar crescimento ou melhorar produtividade animal. Agora, os europeus querem que exportadores estrangeiros sigam exatamente o mesmo padrão. O problema é que, segundo a Comissão Europeia, não basta dizer que faz certo, tem que mostrar recibo, protocolo, rastreabilidade e quase um currículo bovino com histórico completo desde a fazenda até o embarque, e eles dizem que a gente não faz isso.

O governo disse ter sido pego de surpresa e correu pra anunciar reunião emergencial com autoridades sanitárias europeias. MAPA, Itamaraty e MDIC soltaram nota conjunta dizendo que o Brasil vai tomar “todas as medidas necessárias” pra voltar pra lista e manter as exportações pro bloco, que acontecem há mais de 40 anos.

A decisão pesa ainda mais porque as exportações brasileiras de carne pra União Europeia subiram 132,8% só no ano passado. Foram 128,9 mil toneladas e receita de R$ 1,06 bilhão. Apesar de ser só o quarto maior destino da proteína tupiniquim, os europeus são destaque pelo alto valor agregado e fariam falta numa eventual pausa nos negócios, considerando que, falando de grana, representam quase 6% das nossas exportações.

A reação do setor veio no mesmo tom. ABPA, Abiec e CNA bateram na tecla de que o Brasil já segue protocolos sanitários robustos, cumpre as regras internacionais, inclusive as da própria UE e que as exportações não tão suspensas agora. Isso porque a regra nova da UE só entra oficialmente em vigor em 3 de setembro e ainda depende de etapas técnicas. Ou seja, por enquanto o boi brasileiro ainda passa pela alfândega europeia normalmente.

A crítica brasileira é que a Europa cobra dos outros um padrão que nem sempre aplica com a mesma régua dentro de casa e continuam permitindo certas moléculas e práticas dentro da própria cadeia enquanto exigem critérios adicionais de quem exporta pra lá. Por isso, a medida foi chamada por alguns de barreira não tarifária com disfarce. No papel, é sanidade. Na prática, também protege mercado, acalma produtor local e coloca o agro brasileiro pra correr atrás de burocracia.

Nos bastidores, muita gente do agro enxergou a decisão como bem mais política do que sanitária. O presidente da FPA, Pedro Lupion, disse que o movimento europeu parece um recado interno pros agricultores locais, especialmente num momento em que produtores europeus pressionam governos e reclamam da concorrência mais barata vinda do Mercosul e do novo acordo entre o bloco latino e a UE.

E o timing realmente chama atenção. A decisão caiu poucos dias depois da entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-União Europeia. Coincidência ou não, agricultores franceses, irlandeses e outros grupos europeus vêm aumentando a pressão contra produtos agropecuários sul-americanos. A Irish Farmers’ Association, por exemplo, comemorou a medida e disse que representantes da entidade conseguiram comprar antibióticos no Brasil sem grandes controles durante visitas feitas em 2025.

A UE exige não só redução no uso de antibióticos, mas capacidade de provar isso de forma auditável, individual e rastreável. E aí mora um problema histórico brasileiro. O país costuma argumentar que usa menos antibióticos que muitos concorrentes porque grande parte da pecuária é extensiva ou semi-intensiva. Só que o mercado internacional cansou do “confia”. Agora quer rastreabilidade de verdade e na prática.

No fim, a crise deixa um recado bem claro. O agro brasileiro não precisa só produzir bem, barato e em escala. Precisa provar tudo, em tempo real, com rastreabilidade, sistema digital e documentação redondinha.

SAFRA DE CIFRAS

Embrapa quer turbinar o caixa pra não pesquisar no improviso

Foto: Saulo Coelho / Embrapa

A Embrapa olhou pro futuro e percebeu que, se continuar do jeito que tá, a ciência vai ficar com cada vez menos verba, e não dá pra pesquisar direito enquanto faz malabarismo de caixa. Pra resolver isso, a estatal quer criar um fundo patrimonial que pode chegar a R$ 1 bilhão pra financiar pesquisas agropecuárias sem depender exclusivamente da boa vontade do orçamento público. A ideia veio depois de anos convivendo com contingenciamento, bloqueio de verba e saldo insuficiente. Enquanto isso, a soja segue crescendo, o clima segue enlouquecendo e as lavouras seguem pedindo solução.

Na gestão da presidente Silvia Massruhá, as parcerias privadas praticamente dobraram. A captação com empresas saiu de algo perto de R$ 65 milhões em 2023 pra R$ 150 milhões em 2025. Já os royalties de tecnologias próprias triplicaram, foram de R$ 3,7 milhões em 2024 pra R$ 12,6 milhões em 2025, com meta de R$ 30 milhões em 2026. Tudo graças ao NIT, um modelo que permite à Embrapa receber recursos via fundação e reinvestir diretamente em pesquisa sem o dinheiro ficar dando rolê burocrático pelo Tesouro Nacional igual mala extraviada em aeroporto.

A estratégia é montar uma espécie de cofrinho científico, inspirado nos fundos patrimoniais de universidades americanas. O dinheiro principal fica parado rendendo enquanto os juros bancam editais e pesquisas. A CNA já sinalizou interesse em colocar R$ 100 milhões na brincadeira, desde que ela saia do papel, e a Embrapa sonha em chegar pelo menos nos R$ 500 milhões, podendo bater R$ 1 bilhão no médio prazo. É quase um Plano Safra da ciência, só que em vez de financiar trator, financia pesquisador tentando resolver pepino antes dele virar prejuízo na lavoura.

Mas Silvia Massruhá deixou claro que parceria privada tem limite. Segundo ela, as empresas gostam mesmo é de pesquisa com retorno rápido, produto na prateleira e cheiro de lançamento. Já as pesquisas mais básicas, demoradas e cheias de tentativa e erro continuam dependendo do Estado. O exemplo usado foi o da cientista da Embrapa Mariangela Hungria, referência mundial em bioinsumos, que passou 40 anos desenvolvendo soluções que hoje o mercado disputa. Antes de virar solução hypada, teve muito laboratório, paciência e orçamento público segurando a barra.

MENTES QUE GERMINAM

Creme que bloqueia absorção de nicotina leva inovação pra lavoura de fumo

Foto: Fernanda Axelrud/Padrinho Conteúdo e Assessoria

Enquanto a maioria das startups por aí quer colocar IA até na torradeira, uma empresa gaúcha ganhou a Batalha de Startups da Gramado Summit 2026 com uma solução bem pé no chão: um creme pra proteger produtores de fumo da intoxicação por nicotina. A Protege Química, de Santa Cruz do Sul (RS), criou um protetor inédito no mundo contra a doença da folha verde do tabaco, que é causada quando a nicotina da planta entra no corpo através da pele e provoca sintomas como vômito, tontura e até delírio.

Na prática, o produto funciona como uma barreira química seletiva. Ele deixa a pele transpirar, mas bloqueia a entrada da molécula da nicotina. É quase um segurança de balada da epiderme: suor pode passar, nicotina fica barrada na porta. A ideia é oferecer uma alternativa mais confortável aos EPIs plásticos, que até protegem, mas no calor da lavoura viram praticamente uma sauna, principalmente no verão, que é quando o trabalho engrena mesmo.

A solução foi criada por Júlia Giovanaz Nunes e Franciele Pedroso Carraro, 2 jovens empreendedoras de 25 e 24 anos, quando ainda faziam curso técnico em Química. Filha e neta de fumicultores, Júlia cresceu ouvindo histórias sobre vômitos, tonturas e delírios causados pela exposição à nicotina no campo. Daí veio a ideia de criar algo mais simples de aplicar, no estilo protetor solar, mas com função de armadura química.

O creme já tem patente, validação em fóruns internacionais e 11 mil unidades vendidas. Hoje, tá disponível nos principais municípios produtores de tabaco do Brasil e mira exportação pra Argentina, Turquia, Zâmbia, Zimbábue e Índia. No fim, a inovação que venceu a batalha não veio com IA, drone ou tecnologia revolucionária. Veio em bisnaga, direto pra resolver um problema real de mais de 600 mil trabalhadores da fumicultura brasileira.

DEU BO

Café irregular entra na mira e fiscalização passa o coador

Gif: Giphy

O café brasileiro tá acostumado a acordar o país, mas agora parte dele acordou também a fiscalização. O Ministério da Agricultura já identificou 44 casos de irregularidades em café torrado e moído em 2026. Parece pouco, mas já é mais da metade dos 85 casos registrados em todo 2025. Ou seja, o ano nem terminou e o setor já tá com a xícara meio cheia de problema.

As fiscalizações rolam a partir de denúncias feitas pelo próprio setor, e o índice de acerto impressiona: quase 76% delas realmente viram irregularidade confirmada. Só em 2025, foram apreendidos mais de 78 mil quilos de café torrado e moído e outros 41 mil quilos de café cru com problemas. Entre 2023 e 2026, a conta acumulada já passou de 311 mil quilos de produto apreendido.

No meio dessa bagunça apareceram também os famosos cafés fake, ou cafakes, que são produtos sabor café que prometiam experiência premium, mas entregavam basicamente casca, resíduo e decepção em forma de espresso. Apesar da fama no Insta e no X, o Mapa disse que só 3 casos entraram oficialmente nessa categoria. Mesmo assim, já foi suficiente pra deixar muito consumidor olhando pro pó do café todo desconfiado.

A Abic e o Sindicafé dizem que a fiscalização vem apertando o cerco e ajudando a limpar o setor. No Rio de Janeiro, uma operação apreendeu mais de 16 toneladas de café irregular em 2025 e reduziu drasticamente as fraudes em menos de 6 meses. Agora, a ideia é espalhar esse modelo pelo resto do país.

PAUTA VERDE

Crédito rural ganha prazo extra antes do satélite virar fiscal

Foto: Fabiano Bastos

O governo resolveu dar mais tempo antes de colocar o satélite pra decidir quem entra na fila do crédito rural. O Conselho Monetário Nacional (CMN) adiou a regra que barra empréstimos subsidiados pra produtores com áreas desmatadas depois de julho de 2019. A norma já tinha começado a valer em abril pra propriedades acima de 4 módulos fiscais, mas agora ganhou um cronograma mais tranquilo.

Pelo novo calendário, propriedades com mais de 15 módulos fiscais entram na regra só em janeiro de 2027. Áreas entre 4 e 15 módulos fiscais ficam pra julho de 2027. Já as pequenas, com até 4 módulos fiscais, ganharam prazo até janeiro de 2028. A ideia é que os bancos usem imagens de satélite pra checar se o imóvel tá dentro da lei ambiental antes de liberar crédito com juros subsidiados. É um Google Maps do financiamento rural, só que com poder de estragar o Plano Safra.

O adiamento veio depois de pressão do agro e da promessa do ministro André de Paula de evitar injustiças, principalmente em casos de falso positivo. Porque ninguém quer perder crédito porque o sistema confundiu sombra, poeira, lavoura ou passado mal resolvido com desmate irregular. O satélite continua no roteiro, mas por enquanto saiu da estreia e foi pra próxima temporada. E bem na véspera do Plano Safra, quando crédito rural vira o personagem principal da novela.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Baobá

Pergunta de hoje: Qual bebida fermentada feita de milho era consumida em rituais pelos incas e ainda é popular no Peru?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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