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Hoje tem JBS e MBRF na mira do Departamento de Justiça dos EUA em investigação sobre suposto cartel, Raízen negociando vender refinaria e postos na Argentina pra levantar até US$ 1,5 bilhão e aliviar R$ 65 bilhões em dívidas e peão campeão nacional morto após acidente no rodeio de Votuporanga. No meio disso, pesquisadores criam ureia que libera nitrogênio no ritmo da planta, Minerva sobe mais de 5% na bolsa com redução de tarifas americanas e trator novo pode ficar até 25% mais caro com nova regra de emissões.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Raízen quer vender na Argentina pra aliviar dívida bilionária

Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
A Raízen tá negociando vender uma refinaria e centenas de postos na Argentina para a Mercuria Energy Group, numa operação que pode render entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão. O dinheiro cairia como chuva no mês certo, já que a empresa tenta reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas sem escorregar pra recuperação judicial. Basicamente, a empresa tá olhando pro portfólio e vendo o que dá pra abrir mão sem desmontar a casa inteira.
Enquanto isso, os credores e os acionistas da empresa avançaram na negociação da proposta de converter de 45% a 50% da dívida em ações. Já que não tem pix, leva aí um pedaço da empresa pra não sair de mãos abanando. Se o acordo rolar, Shell e Cosan devem sair bem diluídas no quadro societário, além de perder bastante espaço na mesa das decisões.
E ainda tem a governança que deve mudar bastante. A Shell prometeu R$ 3,5 bilhões no socorro, enquanto Rubens Ometto deve entrar com R$ 500 milhões. A diferença na vaquinha acendeu uma dúvida nos bastidores: depois da reorganização, Ometto continua presidindo o conselho ou vira aquele personagem que aparece menos na próxima temporada?
A venda dos ativos hermanos só deve ser anunciada quando a reestruturação financeira estiver mais redondinha, pra não assustar comprador nem credor, mas ainda falta decidir se essa grana vai pra reduzir dívida ou reforçar o caixa. No fim, a Raízen tenta fazer malabarismo com cana, combustível e governança: vendendo ativo lá fora, trocando dívida por ação aqui dentro e tentando evitar que a crise vire novela judicial com 300 capítulos.
DEU BO
Trump mira gigantes da carne e JBS e MBRF entram na linha de fogo

Foto: Globo Rural
A JBS e a National Beef, controlada pela MBRF, caíram na grelha do governo Trump. O Departamento de Justiça dos EUA abriu investigação contra as duas brasileiras, além de Cargill e Tyson Foods, acusando o quarteto de concentrar poder demais no mercado americano de carne bovina, o que a gente chamaria aqui de monopólio ou até cartel. Juntas, as 4 empresas controlam 85% do processamento de carne nos EUA.
O governo americano suspeita de troca de informações sensíveis, possível coordenação de preços e influência excessiva sobre quanto os pecuaristas recebem pelo boi. As autoridades também citaram plataformas de compartilhamento de dados do setor, como a Agri Stats, que segundo Peter Navarro funcionariam como um sistema que ajuda os concorrentes a enxergarem preços, produção e margens uns dos outros pra alinharem os preços. O Departamento de Justiça já analisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de produtores, processadores e agentes da cadeia.
O caso aparece num momento delicado pros EUA. O rebanho bovino americano tá no menor nível desde 1950, com 86,2 milhões de cabeças, e a carne virou dor de cabeça política no supermercado. Trump quer mostrar serviço em ano de eleição, reduzindo a pressão nos preços e defendendo os pecuaristas locais.
E a pressão não para na investigação. O governo também lançou um programa de recompensa pra denunciantes. Quem entregar informações sobre cartel, fraude ou combinação de preços pode receber de 15% a 30% do valor recuperado em multas, desde que a penalidade passe de US$ 1 milhão.
Nos bastidores, muita gente do setor vê a ofensiva como uma resposta política ao preço da carne nos supermercados americanos. Até porque os frigoríficos também tão levando pancada do boi caro. A JBS teve Ebitda negativo de US$ 319 milhões em 2025 na operação americana, enquanto a National Beef, da MBRF, viu o Ebitda ajustado cair 54%. Ou seja, nessa história, o consumidor reclama do preço, o pecuarista reclama do frigorífico, o frigorífico reclama do boi e o governo entra em campo querendo sair por cima.
MENTES QUE GERMINAM
Cientistas colocam nitrogênio em cápsula pra evitar desperdício no solo

Foto: Embrapa/Pedro Octavio
O agro brasileiro entrou no laboratório e saiu com uma receita digna de MasterChef da adubação: ureia revestida com óleo de mamona e argila mineral. Pesquisadores da Embrapa, USP, Unesp e Unaerp criaram uma tecnologia que libera o nitrogênio aos poucos no solo, no ritmo da planta. A ideia principal é cortar o desperdício no uso dos insumos, as perdas pro ambiente e dar um gás nos nutrientes pra que cheguem onde realmente importa, na planta.
Hoje, a ureia tradicional despeja mais de 85% do nitrogênio em só 4 horas quando entra em contato com a água. Parece eficiência, mas muitas vezes é prejuízo com pressa. Parte desse nutriente vai embora antes mesmo da planta conseguir aproveitar, virando perda ambiental e dinheiro indo embora. Com o revestimento feito de poliuretano derivado do óleo de mamona, a liberação fica mais lenta. Quando os cientistas colocaram só 5% de nanoargila mineral na mistura, aí o fertilizante resolveu virar maratonista: apenas 22% do nitrogênio foi liberado em 9 dias.
Na prática, a nanoargila funciona como aquele amigo que segura a ansiedade da rapazeada. Ela cria uma barreira microscópica que dificulta a passagem da água e segura o nitrogênio por mais tempo, liberando o nutriente no ritmo que a planta consegue absorver. O resultado apareceu forte nos testes com capim-piatã feitos numa casa de vegetação: mais biomassa, o dobro de absorção de nitrogênio e um desempenho bem acima da ureia comum.
A pesquisa também tenta atacar um problema que o agro conhece bem: fertilizante caro indo embora pelo ralo. Quando a ureia dissolve rápido demais, parte do nitrogênio vira emissão gasosa e escapa pro ambiente. Além de pesar no bolso do produtor, isso aumenta a emissão de gases de efeito estufa. Em outras palavras, é dinheiro literalmente evaporando no ar. E num cenário em que fertilizante tá com o preço lá no teto, qualquer eficiência extra vira ouro.
E por ser feito de argila e óleo vegetal, o revestimento tem matérias-primas renováveis e biodegradáveis, o que deixa a tecnologia com cara de ecológica. Agora, os pesquisadores procuram parceiros pra transformar o experimento em produto comercial. Se der certo, o Brasil pode ganhar um fertilizante que segura mais nutriente no solo e menos prejuízo no caixa.
O AGRO EM NÚMEROS
Trator novo pode virar item de luxo no agro

Gif: Giphy
Comprar máquina agrícola no Brasil já não era exatamente um passeio tranquilo no shopping. Agora, o setor de biodiesel acendeu o alerta com o Proconve MAR II, nova regra de emissões pra máquinas agrícolas e rodoviárias em discussão no governo. Segundo a AliançaBiodiesel, a proposta pode encarecer os equipamentos entre 15% e 25%. Em máquinas menores, usadas pela agricultura familiar, o susto pode ser ainda maior. Trator novo já vinha com preço de imóvel. Agora pode ganhar alma de cobertura duplex.
A ideia do programa é reduzir poluentes emitidos por máquinas fora-de-estrada, tipo tratores, colheitadeiras e companhia. O problema, segundo o setor, é que a discussão tá olhando muito pro escapamento e pouco pra descarbonização via biocombustíveis, como biodiesel e etanol. Na prática, o medo é que a indústria precise gastar bilhões adaptando motores diesel enquanto investimentos em combustíveis mais limpos ficam parados no acostamento.
Além do preço da máquina, a conta do dia a dia também pode subir. A entidade estima um aumento de 9% a 20% nos custos operacionais por causa da exigência de diesel S10 e Arla-32. Ou seja, além de comprar a máquina mais cara, o produtor ainda ganha um boleto recorrente pra manter ela dentro da regra. O setor também reclama que o Brasil ainda não tem um sistema forte de fiscalização pós-venda, o que pode abrir espaço pra adaptações irregulares e gambiarras.
Outro ponto que tá tirando o sono da indústria nacional é a diferença de estrutura entre fabricantes. As empresas brasileiras que não fabricam os próprios motores em casa poderiam ficar em desvantagem contra as multinacionais, aumentando a concentração do mercado. E no agro, custo nunca fica quietinho no canto. Ele sai passeando pela cadeia, bate no frete, encosta na produção e chega no consumidor com cara de inflação. No fim, a regra pode até mirar o escapamento, mas quem vai sentir essa fumaça vai ser o bolso do produtor.
SAFRA DE CIFRAS
Minerva sobe na Bolsa com empurrãozinho dos americanos

Gif: nascar on Giphy
A Minerva virou a queridinha do Ibovespa nesta segunda-feira (11), depois que o mercado sentiu cheiro de carne grelhando nos Estados Unidos. As ações da companhia subiram mais de 5% com a notícia de que Donald Trump prepara uma redução temporária nas tarifas de importação de carne bovina. O motivo disso? Os EUA tão com pouco boi, o bife tá cada vez mais caro e precisaram chamar reforço de fora pra carne não virar artigo de luxo.
A medida mira um problema bem doméstico pros americanos. O rebanho bovino dos EUA tá no menor nível em 75 anos, o que apertou a oferta, empurrou os preços da carne pra cima, pressionou os frigoríficos e transformou o churrasco em assunto político. Além de facilitar importações, Trump também deve ampliar crédito pra pecuaristas recomporem os rebanhos pra evitar mais dor de cabeça daqui pra frente.
A Minerva aparece bem posicionada nesse roteiro porque já vinha ganhando espaço no mercado dos gringos. Em 2025, os EUA responderam por 21% da receita bruta de exportação da companhia no último trimestre, e no 1º trimestre de 2026 as vendas brasileiras de carne bovina pros americanos cresceram 22% em volume, pra 107 mil toneladas, e 42% em receita, pra US$ 682 milhões. Com a cota chinesa perto de esgotar, o Tio Sam pode virar uma porteira ainda mais importante pra carne brasileira.
O AGRO DE LUTO
Campeão nacional de rodeio morre após acidente em arena de SP

Foto: Divulgação/ACR
O rodeio brasileiro amanheceu em luto nesta segunda-feira (11). Rafael Silvio Oliveira, campeão nacional da ACR em 2025, morreu após ser derrubado e pisoteado por um touro durante o Votu International Rodeo, em Votuporanga (SP). O peão, de 32 anos e natural de Pedra Preta (MT), disputava a última montaria da noite quando caiu do animal depois de pouco mais de 7 segundos. Mesmo ferido, ainda conseguiu correr até a porteira antes de cair e ser atendido pela equipe médica.
Rafael foi levado de UTI móvel pra Santa Casa da cidade, mas sofreu uma parada respiratória irreversível e não resistiu. Experiente nas arenas, ele vinha embalado por mais uma temporada forte, com títulos recentes em rodeios de Minas, Goiás, Paraná e Mato Grosso. Nas redes sociais, companheiros de profissão e campeões mundiais da PBR prestaram homenagens ao atleta, lembrando a coragem e a dedicação de quem vivia literalmente em cima do touro.
O acidente reacende a discussão sobre os riscos extremos do rodeio profissional, um esporte onde 8 segundos parecem pouco pra quem assiste, mas podem mudar tudo pra quem tá na arena. Rafael deixa esposa, 2 filhos e um nome marcado no circuito. Foi a segunda morte em rodeios no Brasil em pouco mais de uma semana, lembrando que, por trás da fivela, da arena lotada e da música alta, existe um esporte onde coragem e perigo andam lado a lado.
PLANTÃO RURAL
Não vai ter fosfato pra todo mundo
O CEO da Mosaic, Bruce Bodine, alertou que não deve haver fosfato suficiente pra atender a demanda global. Guerra no Irã, Mar Negro pressionado e enxofre caro entram na conta. No potássio, ao menos, a demanda segue firme.Chocolate ganha regra pra separar o que é só saBOR chocolate
O presidente Lula sancionou uma lei que endurece as regras do chocolate. Pra levar esse nome, o produto terá que ter pelo menos 35% de sólidos de cacau. Já os itens sabor chocolate seguem no radar.Kepler sente crédito curto e vê lucro cair
A Kepler Weber teve lucro líquido de R$ 17,1 milhões no 1º trimestre, queda de 33%. Receita e Ebitda também recuaram, com produtores mais seletivos nos investimentos em armazenagem.Mosaic fecha trimestre no vermelho
A Mosaic registrou prejuízo líquido de US$ 258 milhões no 1º trimestre, contra lucro de US$ 238 milhões um ano antes. A empresa sentiu custos altos de matérias-primas, restrições no Brasil e paradas em Araxá (MG) e Patrocínio (MG).LDC aposta no algodão brasileiro até Santos
A Louis Dreyfus Company colocou o Brasil no centro dos investimentos globais e mira a logística do algodão. A empresa inaugurou hub em Rondonópolis (MT) e amplia estrutura em Cubatão (SP).Terra Santa lucra, mas menos que antes
A Terra Santa Propriedades Agrícolas teve lucro líquido de R$ 8,3 milhões no 1º trimestre, queda de 15%. A receita subiu levemente, pra R$ 22,5 milhões, puxada por contratos de arrendamento em soja.Zoetis cresce com saúde animal, mas corta previsão
A Zoetis lucrou US$ 601 milhões no 1º trimestre, com receita de US$ 2,3 bilhões. O segmento de pets sentiu consumidores mais sensíveis a preço, enquanto bovinos ganharam força com parasiticidas e demanda no corte. No ano, a empresa reduziu projeções.Soja brasileira bate recorde em abril
O Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja em abril, novo recorde mensal. A China puxou a fila, com alta de 17,6% nos embarques frente a março. Mesmo com preço interno pressionado, a receita somou US$ 7 bilhões.USDA abre temporada de projeções
O USDA divulga nesta terça-feira (12) suas primeiras estimativas pra safra 2026/2027. O mercado olha especialmente pra área de soja no Brasil, com custo alto e crédito curto no radar. Também entram na conta milho, estoques globais e a reunião Trump e Xi.Carne bovina passa de 1 milhão de toneladas exportadas
O Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina entre janeiro e abril, alta de 14,6%. A receita avançou 32,8%, pra US$ 6,047 bilhões. China lidera, seguida pelos EUA.Embrapa leva agro digital ao Pacaembu
A Embrapa participa da São Paulo Innovation Week com tecnologias como Zarc, AgroAPI, Agritempo, Embrapa Trace e bioinsumos. A trilha agro vai discutir digitalização, sustentabilidade, bioenergia e inovação.Abelha mandaguari turbina o café arábica
Uma pesquisa da Embrapa mostrou que a abelha mandaguari pode aumentar em até 67% a produção de frutos do café arábica. O estudo reforça o potencial da polinização manejada com abelhas nativas. Pequena no tamanho, gigante na entrega.Agrária capta R$ 49,8 mi pra ampliar maltaria
A cooperativa Agrária, de Guarapuava (PR), captou R$ 49,8 milhões do BNDES pra ampliar em 25% sua maltaria, a maior independente da América Latina. A unidade atende cerca de 30% do mercado brasileiro de cerveja. A cevada agradece, e o chope também.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Taro
Pergunta de hoje: Qual fruta africana, usada para fazer farinha e cerveja artesanal, é chamada de “árvore da vida”?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
