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Bom dia!
A edição de hoje tem gigante do tomate do Brasil pedindo recuperação judicial com dívida de R$ 1,2 bilhão, Tecnoshow registrando queda de 30% nos negócios e credores da Raízen querendo mais do que dinheiro. No meio disso, a laranja recupera volume depois de uma das piores safras da história e Trump volta a ameaçar bloqueio total no Estreito de Ormuz.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
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Você tá preparado pro 30/04?

O dia 30 de abril é o momento em que a colheita tá chegando ao fim e as contas da safra aparecem. Com a Selic a 14,75% e a queda de 8,3% na soja, enfrentamos a "tempestade perfeita" pra esse fechamento de safra.
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SAFRA DE CIFRAS
Negócios na Tecnoshow caíram 30%, mas o público ainda colou em massa

Foto: Divulgação
A Tecnoshow Comigo 2026 levou 120 mil pessoas pra Rio Verde (GO) entre os dias 6 e 10 de abril, mas o dinheiro circulou bem menos do que no ano passado. O volume de negócios da feira caiu 30% na comparação com a edição de 2025, num retrato que combina direitinho com o momento atual do agro. Gente teve, estande teve, máquina teve, conversa teve. O que sumiu mesmo foi a caneta na hora de fechar negócio.
O freio pegou mais forte nos bens de capital, como maquinário, onde o produtor andou bem mais cauteloso. Já os insumos, que ninguém consegue simplesmente empurrar pra depois, sentiram menos o tranco. Segundo a Comigo, o cenário de incertezas, custos elevados e maior cuidado nas decisões pesou bastante nessa edição.
Mesmo assim, a feira seguiu grande, teve pra mais de 700 expositores distribuídos em 65 hectares, mais de 500 animais expostos, 30 plots agrícolas demonstrativos e mais de 200 horas de conteúdo técnico. Estrutura não faltou. Faltou foi aquela coragem de outras épocas pra fechar negócio.
Mesmo com a queda nas cifras, a Tecnoshow continuou dando show fora dos estandes. De acordo com a prefeitura, o evento injetou cerca de R$ 90 milhões em Rio Verde ao longo da semana, lotou a rede hoteleira e ajudou a puxar a arrecadação do município, que subiu 8,5% no período. A edição de 2027 já tá marcada, vai rolar entre 5 e 9 de abril, no Centro Tecnológico Comigo.
COLHENDO CAPITAL
Trebeschi pede recuperação judicial e tenta não escorregar no tomate

Gif: Giphy
O Grupo Trebeschi, maior produtor de tomate in natura do Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial pra tentar reorganizar uma dívida de R$ 637 milhões, num passivo total que já soma R$ 1,2 bilhão. Junto com o pedido, a empresa também quer a suspensão das cobranças por 180 dias, pra poder dar aquela respirada e arrumar a casa antes que a conta vença de vez.
Segundo a empresa, o aperto começou lá em 2021, com uma combinação que o agro conhece bem: problema climático, queda de produção, fertilizante mais caro e juros altos.
No meio dessa salada, a pior ficou pros credores quirografários, que são aqueles que não tem garantia real (como hipoteca ou penhor) da dívida, somando R$ 452,6 milhões das dívidas incluídas no processo. Mesmo assim, a Trebeschi afirma que segue operando normalmente em hortaliças, grãos e café, sem risco de ficar sem produto e estoque.
A Trebeschi produz mais de 75 mil toneladas por ano, cultiva mais de 17 mil hectares, emprega mais de 3 mil pessoas e mantém unidades em Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Ceará. Entre os credores tem Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Rabobank e Sicoob, além de dívidas também com Santander e Safra.
O AGRO EM NÚMEROS
Safra da laranja reage, mas greening e seca ainda azedam a conta

Gif: Giphy
Depois de uma safra anterior que foi quase um pedido de socorro, a laranja resolveu devolver um pouco de fôlego em 2025/26. A produção no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, principal polo da fruta no país, fechou em 292,94 milhões de caixas de 40,8 Kg, alta de 26,9% na comparação com 2024/25, segundo o Fundecitrus. O número ajuda a tirar o setor da lona depois de uma das piores colheitas da história recente, mas também mostra que a recuperação veio com freio de mão puxado.
Isso porque, apesar da alta robusta, a safra terminou 6,9% abaixo do que se imaginava no começo do ciclo. No meio do caminho, o pomar teve que lidar com déficit hídrico, que já virou aquela visita chata que não vai embora, e com o greening, doença que continua fazendo estrago. Como se não bastasse, a elevada presença de frutos de segunda florada ainda pesou contra, reduzindo o peso das frutas e aumentando a queda em relação ao que o setor esperava colher lá atrás.
No fim das contas, a safra cresceu, mas não tanto quanto poderia, e isso diz bastante sobre o momento da citricultura brasileira. Teve recuperação, volume maior e caixa voltando a aparecer, mas o setor segue espremido entre clima ruim e desafio fitossanitário pesado.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Credores apertam a Raízen e querem sentar mais perto da cabine de comando

Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
A novela da dívida bilionária da Raízen ganhou um capítulo novo em Nova York, e agora os credores não tão olhando só pra planilha. Segundo fontes, quem tá negociando a reestruturação dos R$ 65 bilhões da companhia quer também mais influência sobre a forma como ela vai ser administrada daqui pra frente.
A lógica é simples. Se a dívida virar ação e eles passarem a sentar na mesa como acionistas relevantes, ninguém quer ficar só assistindo enquanto a empresa continua sendo conduzida do mesmo jeito, até porque não parece que tá dando muito certo.
Do outro lado da mesa, Shell e Cosan vêm resistindo à pressão pra colocar ainda mais dinheiro na operação. A Shell já tinha topado aportar R$ 3,5 bilhões em março, enquanto Rubens Ometto, pela Cosan, prometeu R$ 500 milhões, mas os credores seguem querendo uma estrutura com mais garantias, mais controle e menos fé cega.
O desconforto não nasceu do nada. A Raízen vem apanhando de juros altos, investimentos pesados que ainda não entregaram o retorno esperado e problemas operacionais nas divisões de açúcar e etanol, acumulando resultados abaixo do que o mercado gostaria de ver.
As conversas devem continuar nos próximos dias, com uma contraproposta esperada pra essa semana e um prazo legal até 6 de junho pra fechar um acordo extrajudicial. Tanto a empresa quanto os credores preferem resolver tudo fora da Justiça, tentando preservar o caixa e evitar que a crise evolua pra uma recuperação judicial formal.
A essa altura, a discussão já não tá mais só em torno da dívida. Tá também em torno de quem vai ter a mão mais firme no volante enquanto a companhia tenta sair dessa curva sem capotar.
TRAMPO NO CAMPO
Vamos e Cargill abrem vagas

Gif: Giphy
Nem só de safra, dívida e preço de commodity vivem as notícias do agro. Também tem empresa contratando e abrindo espaço pra quem tá atrás de trabalho ou quer colocar o pé no setor.
A Vamos anunciou que tá com novas vagas em áreas comerciais, técnicas e operacionais espalhadas por vários estados. Tem oportunidades pra vendedor, gerente de vendas, mecânico, consultor técnico, entre outros. E o trampo tá bem espalhado, com vaga em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí e Rio de Janeiro. Pra se candidatar ou saber mais das vagas, pode clicar aqui.
Do lado da Cargill, o movimento é mais voltado pra quem ainda tá na faculdade e quer começar a carreira numa gigante do setor. A empresa abriu as inscrições pro Programa de Estágio 2026, com vagas em várias regiões do país e atuação em áreas como comercial, sustentabilidade, logística, engenharia e pesquisa e desenvolvimento.
As oportunidades tão distribuídas em cidades como São Paulo (SP), Uberlândia (MG), Goiânia (GO), Santarém (PA), Barreiras (BA), Três Lagoas (MS) e Primavera do Leste (MT). A empresa quer estudantes do penúltimo ou último ano, não pede experiência prévia e aposta mais no potencial de aprendizado do que naquele currículo que parece ficha técnica. Pra quem tá terminando a faculdade e quer entrar no mercado pela porta da frente, vale a pena conferir clicando aqui.
PLANTÃO RURAL
Suzano vê pressão global sobre papel higiênico e fraldas. A Suzano afirmou que a guerra entre EUA, Israel e Irã deve pressionar os preços globais de papel higiênico, lenços e fraldas, por causa da alta do petróleo e do encarecimento do transporte e de químicos usados na produção de celulose.
Como vive a vaca mais cara do mundo? Donna FIV CIAV, hoje avaliada em R$ 54 milhões, virou a vaca mais cara do mundo e reforçou o apetite do mercado por genética nelore de elite. Na Fazenda Mata Velha, em Uberaba (MG), ela vive com rotina controlada, segurança 24 horas e produção de material genético que movimenta cifras milionárias.
Avaré quer virar referência em irrigação e agroindústria. Avaré (SP) deu um passo pra sediar o futuro Centro de Excelência de Agroindústria e Irrigação, após a cessão do terreno ao Sistema Faesp/Senar. A proposta é transformar o município em polo nacional nos dois temas.
MBRF amplia acordo com a Salic e inclui carne bovina. A MBRF anunciou a ampliação do contrato com a saudita Salic e dobrou o volume anual previsto de aves, que passa de 300 mil pra até 600 mil toneladas por ano. O novo acordo também inclui carne bovina, com fornecimento de até 270 mil toneladas anuais.
Crédito rural empresarial chega a R$ 404 bilhões. O crédito rural empresarial contratado no Plano Safra 2025/2026 somou R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% sobre o mesmo período da safra passada. O destaque ficou com a CPR, que cresceu 38% e alcançou R$ 183,1 bilhões, enquanto custeio e investimento recuaram.
Trump volta a ameaçar e fala em bloqueio total de Ormuz. Depois do fracasso das negociações entre EUA e Irã no Paquistão, Donald Trump voltou a subir o tom e anunciou que a Marinha americana iniciará um bloqueio total no Estreito de Ormuz.
Governo foca agenda agrícola em bioinsumos e sanidade. Os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário vão discutir uma agenda conjunta para 2026 com foco na regulamentação dos bioinsumos, nas regras de agrotóxicos e na simplificação sanitária para pequenos produtores.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Cacau
Pergunta de hoje: Qual raiz, originária dos Andes, sobrevive a geadas e é cultivada a mais de 4 mil metros de altitude?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
