APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje tem JBS parando duas plantas em Mato Grosso, Aliança Agrícola do Cerrado conseguindo finalmente o sinal verde pra recuperação judicial depois de meses, e Ibovespa fechando acima dos 195 mil pela primeira vez na história. No meio disso, a ExpoLondrina abre as porteiras hoje, a Embrapa chega ao AgroSummit com APIs e dados e uma pesquisa em Campinas pode mudar o jeito de transformar biomassa em energia.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 195.129,25 21,10%
CSAN3 R$5,48 3,01%
SOJA3 R$7,58 -16.15%
PETR3 R$52,69 61,77%
KEPL3 R$8,22 -16,46%
Bitcoin US$72.256,98 -18,21%
Ethereum US$2.210,86 -26,00%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

CAMPO ATUALIZADO

Embrapa leva APIs pro AgroSummit e mostra que dado também planta

Gif: Wall-E on Tumblr

Se teve um tempo em que tecnologia no agro era só sinônimo de trator maior e máquina mais parruda, esse tempo já passou. No AgroSummit, marcado pra 20 de maio em Campinas (SP), a Embrapa vai aparecer pra mostrar um pacote mais digital que muita startup por aí, levando APIs, plataformas de gestão, análise de dados e rastreabilidade pra mostrar que o agro digital não vive só de discurso de evento e post no LinkedIn.

No estande, a estrela da casa vai ser a AgroAPI, uma plataforma que reúne 10 APIs (que são mecanismos de programação que colocam dois ou mais softwares diferentes pra conversar) com soluções voltadas ao campo. Algumas já operam no modelo freemium, com pacote básico gratuito e planos pagos conforme o uso, como a Agritec, focada em dados sobre plantio, cultivares, adubação e produtividade; a ClimAPI, que tá focada no clima; e a SATVeg, que ajuda a ver com mais precisão os índices de vegetação no Brasil e na América do Sul.

Entre as que são 100% na faixa, entram bancos de dados sobre defensivos e bioinsumos, classificação de solos, vocabulário técnico do agro e até mecanismo de busca da coleção 500 Perguntas e 500 Respostas da Embrapa. E no meio dessa prateleira digital toda ainda aparece o BovTrace, em pré-lançamento, pra registrar a movimentação individual de bovinos.

A Embrapa ainda vai botar pra jogo duas plataformas de gestão e análise de dados pra quem gosta de olhar o agro com mapa, número e painel interativo. Uma delas é o SITE MLog, que reúne dados sobre produção, armazenagem, processamento e exportação de 10 cadeias importantes do agro brasileiro, como soja, milho, café, algodão, bovinos e suínos. A outra é a recém-lançada Trigo no Brasil, que organiza a cadeia do cereal em 12 painéis com informações que vão da produção e importação até industrialização, consumo e economia.

E a participação da Embrapa não para no estande. A empresa também entra na programação técnica com um painel sobre digitalização depois da porteira, falando de rastreabilidade nas cadeias produtivas, tema que ainda deve ganhar um webinar antes do evento.

DEU B.O.

JBS para duas plantas em MT e boi caro coloca funcionários em férias coletivas

Foto: Divulgação/JBS

Quando o custo sobe demais, alguém na indústria acaba dando um passo pra trás. Foi isso que aconteceu em Mato Grosso. A JBS vai suspender, por mais ou menos 20 dias, as atividades de duas unidades de abate, em Água Boa (MT) e Pedra Preta (MT), a partir de segunda-feira (13). Os funcionários vão pegar férias coletivas e a firma vai aproveitar o período sem ninguém pra fazer manutenção e ajustes operacionais. A MBRF também tá dando um corte nos turnos na planta de Várzea Grande (MT), segundo fontes do setor, num sinal de que o aperto na margem já começou a bater de frente com o ritmo das gigantes.

O que explica essa freada é a disparada da arroba do boi gordo, que segue jogando o preço da matéria-prima lá no alto e pressionando as contas dos frigoríficos. Segundo o Imea, o boi a prazo em Mato Grosso subiu 2,41% só na semana passada e fechou com média de R$ 349,50 por arroba. No mercado, o boi comum já gira entre R$ 357,00 e R$ 360 por arroba, enquanto a arroba do boi China chegou a R$ 365. Como as escalas de abate ainda tão curtas, entre 4 e 8 dias, muita empresa tá aceitando o preço pedido pra não correr o risco de ver a planta ligada e os ganchos vazios.

QUAL É A BOA?

ExpoLondrina abre as porteiras e mistura agro com palco cheio

Foto: Divulgação/ExpoLondrina

A ExpoLondrina 2026 tá começando hoje (10) no Parque Ney Braga, em Londrina (PR), colocando a cidade outra vez no centro daquele encontro clássico entre agro, negócio, tecnologia e povo cantando aos berros. Com o tema “Agro inteligente, humano e feito de encontros”, a feira chega embalada pelo tamanho da edição passada, que movimentou R$ 1,7 bilhão em negócios, gerou 9 mil empregos diretos e indiretos e recebeu 590 mil visitantes.

Na programação, tem atração pra quem vai atrás de máquina, oportunidade, networking e inovação, mas também pra quem já abriu o line-up antes de olhar qualquer mapa da feira. A abertura vai ser ao som de Leonardo e Natanzinho Lima, depois vêm Gusttavo Lima, Sorriso Maroto, Bruno & Marrone, Ana Castela, Zé Neto & Cristiano, Lauana Prado e vários outros nomes que ajudam a manter a tradição da feira de juntar agro e entretenimento no mesmo pacote, sem precisar escolher entre o campo e o palco.

Pra entrar no parque, os ingressos custam R$ 26 a inteira e R$ 13 a meia de quinta-feira a domingo. De segunda a quarta, os valores caem pra R$ 18 e R$ 9. Lembrando que o evento começa hoje e vai até o outro domingo (19). Já no Circuito Sertanejo, os preços sobem e variam dependendo do lote e do setor, com pacotes fechados pra alguns blocos de shows.

MENTES QUE GERMINAM

Pesquisa no interior de SP descobre truque que pode revolucionar uso de biomassa

Gif: Breaking Bad on Giphy

No meio de tanto papo sobre bioenergia, descarbonização e uso mais inteligente da biomassa, um grupo de pesquisadores em Campinas resolveu mexer numa engrenagem bem lá de baixo, no nível molecular mesmo. O CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) identificou um mecanismo inédito que explica como enzimas degradam beta-glucanos, que são carboidratos presentes em fungos, algas e plantas. Parece papo de laboratório distante da roça, mas não é. Entender melhor essa quebra pode ajudar a transformar biomassa em energia e produtos de maior valor com mais eficiência.

O pulo do gato do estudo, que foi publicado na Nature Communications, tá num processo chamado catálise processiva. Em vez de agir, parar, soltar a molécula e começar tudo de novo, a enzima segue trabalhando de forma contínua na mesma cadeia, o que deixa a reação bem mais eficiente. Os pesquisadores viram ainda que essa enzima forma uma espécie de túnel molecular quando se liga ao substrato, organizando a quebra de forma contínua e mais redonda do que os mecanismos conhecidos até aqui.

Pra chegar nisso, o estudo juntou um verdadeiro esquadrão de ferramentas com nome difícil: mutagênese dirigida, análises cinéticas, cristalografia de raios X no Sirius e simulações computacionais no supercomputador Santos Dumont. O resultado interessa muito quem gosta, pensa e investe em bioenergia, porque os beta-glucanos têm potencial pra virar biocombustíveis e produtos químicos de maior valor agregado, mas também chama atenção das áreas farmacêutica e nutricional por causa das propriedades imunológicas dessas moléculas.

SAFRA DE CIFRAS

Aliança Agrícola do Cerrado consegue recuperação e ganha 180 dias pra respirar

Gif: MasterChefAU on Giphy

A Aliança Agrícola do Cerrado finalmente conseguiu o sinal verde da Justiça pra entrar em recuperação judicial e tentar reorganizar uma dívida de R$ 1,16 bilhão com cerca de mil credores. A decisão da 10ª Vara Cível de Uberlândia deu pra trading, que é controlada pelo grupo russo Sodrugestvo, uma folga de 180 dias contra cobrança de dívidas. Mas não tem moleza, não. A companhia vai ter 60 dias pra apresentar um plano de pagamento e recuperação.

O caminho até aqui não foi exatamente uma linha reta. Em janeiro, o pedido tinha sido negado pela mesma juíza, que colocou em dúvida a capacidade da empresa de se reerguer. Depois, a Aliança conseguiu uma tutela antecipada pra travar execuções, bloqueios e penhoras, e agora veio a aprovação formal da recuperação. Na lista dos maiores credores aparecem Banco do Brasil (R$ 135 mi), Ecoagro (R$ 110,6 mi), Macquarie Bank (R$ 104 mi), Santander (R$ 95,6 mi) e XP (R$ 80 mi), o que ajuda a mostrar que a conta não era só grande, era bem distribuída também.

Segundo a empresa, o aperto veio da combinação de queda nos preços da soja, volatilidade no mercado de trading e custo subindo mais do que tavam esperando. Pra tentar sair da lama sem afundar mais, a Aliança fechou um contrato de industrialização de soja com a ADM do Brasil, numa jogada que deve ocupar 80% da capacidade das unidades em São Joaquim da Barra (SP) e Bataguassu (MS), preservar mais de 200 empregos e gerar cerca de R$ 140 milhões em receita líquida menos exposta ao sobe e desce da soja.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Rural Summit chega a Piracicaba e junta agro, inovação e dinheiro na mesma roda

Foto: Rural Summit

O agro brasileiro já chama atenção faz muito tempo, mas agora quer fazer isso com mais tecnologia, mais conexão e, de preferência, menos improviso. No dia 21 de maio, Piracicaba (SP) recebe o Rural Summit, evento que é promovido pela Rural pra reunir gente do campo, da tecnologia e do capital pra discutir como o agro pode continuar avançando sem depender só de braço, tradição e torcida pra São Pedro colaborar. A escolha da cidade não é por acaso. O encontro acontece no AgTech Valley, onde inovação no agro já circula com a naturalidade de quem conhece bem o terreno.

A programação foi montada com temas que hoje tão sentados na cabeceira da mesa do setor. Vai ter debate sobre geopolítica, transição bioenergética, inteligência artificial, conectividade rural, crédito estruturado, validação de tecnologias e aquele novo ESG que tenta falar menos bonito e entregar mais resultado. Em vez de papo decorado de evento, a proposta é colocar em discussão o que realmente pesa na rotina e na competitividade de quem produz, financia, investe ou vende solução pro agro.

O encontro ainda vai reunir mais ou menos 30 startups expositoras e empresas como Bayer, Atvos, Koppert, NVIDIA, SLC Agrícola, Mosaic e MBRF, além de investidores e produtores rurais. No meio dessa mistura entra também o Prêmio Agrimatching, que quer dar palco pra soluções com potencial de escala em diferentes estágios.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Mamona

Pergunta de hoje: Qual fruto tropical brasileiro já foi usado como moeda de troca por povos indígenas?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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