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Bom dia!

Hoje tem sementeira brasileira cruzando o Atlântico pra plantar bandeira na África, credores da Raízen mandando carta de reclamação pra Nova York e IA chegando ao curral sem precisar de internet. No meio disso, o Mapa fecha acordo com a CVM, o seguro rural ganha filtro ambiental e a soja já passou dos 82% colhidos.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,40 0,00% 5,45 0,00%
IPCA (%) 4,36 1,09% 3,85 0,17%
PIB (%) 1,85 0,00% 1,80 0,00%
Selic (% a.a.) 12,50 0,00% 10,50 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Boa Safra faz as malas, aterrissa na Nigéria e planta sua primeira bandeira fora do Brasil

Foto: Agribiz

Toda empresa gosta de falar em expansão, mas a Boa Safra resolveu pensar grande e fazer isso com passaporte, carimbo e destino fora do mapa óbvio. A companhia anunciou uma joint venture na Nigéria pra produzir sementes de milho e marcou sua estreia internacional. A entrada vai ser via BestWay Seeds, subsidiária da empresa, com 20% de participação numa sociedade de US$ 9,7 milhões. A parte curiosa é que a fatia da Boa Safra, de US$ 1,9 milhão, não entra exatamente em dinheiro vivo, mas em serviço, conhecimento agronômico e tecnologia.

A escolha da Nigéria não veio do nada. O país é o mais populoso da África, tem regiões com irrigação, clima favorável e uma demanda por alimentos que só tende a crescer. E a Boa Safra não tá olhando só pro tamanho do mercado hoje, mas pra chance de ajudar a formar esse mercado no longo prazo. A conta é bem agro e bem direta. Se a Nigéria quiser crescer em proteína animal, vai precisar alimentar frango, boi e porco. Se quiser alimentar essa turma, vai precisar de grão. E se quiser grão em escala, vai precisar de semente boa. A Boa Safra basicamente viu essa cadeia inteira e pensou “melhor entrar logo no começo”.

Pelo desenho do projeto, a Boa Safra vai escolher os cultivares mais adaptados, tocar os campos de produção de sementes e ajudar a montar uma unidade de beneficiamento com capacidade inicial pra 200 mil sacas de sementes de milho. A empresa já testou mais de 10 cultivares no solo nigeriano antes de selecionar os melhores, então essa escolha tá longe de ser no chute ou na sorte. O sócio local, que segue sendo segredo, entra com o financiamento do plano inicial e também com o capital de giro enquanto a Boa Safra entra com o know-how, o que ajuda a deixar a operação mais tranquila pro lado brasileiro.

E tem um detalhe que deixa tudo ainda mais interessante pra sementeira. A empresa conseguiu abrir uma porta internacional gastando relativamente pouco e ainda manteve a opção de aumentar sua participação de 20% pra 40% no futuro. É um movimento pequeno no cheque, mas grande no significado. A Boa Safra saiu do conforto de casa pra testar se consegue virar um novo player global num mercado que ainda tá sendo desenhado, e foi fazer isso num lugar onde chegar cedo pode valer mais que chegar grande.

COLHENDO CAPITAL

Credores da Raízen reagem mal à proposta de conversão de dívida em ações

Foto: Divulgação

A reestruturação da Raízen já entrou naquela fase em que a planilha vira campo de batalha e ninguém sorri por educação. Segundo informações do Valor Econômico, os credores da companhia não gostaram nada da proposta de converter 45% da dívida em ações, algo na casa de R$ 29 bilhões, e alguns deles já mandaram carta pra Cosan e Shell pedindo um reequilíbrio da jogada.

A reunião entre a Raízen e seus credores tá marcada pra quarta-feira (8), em Nova York, e chega num momento em que a crise da companhia já tá mais do que escancarada e a imagem da empresa tá meio arranhada na visão do mercado. A recuperação extrajudicial foi aceita em março num processo que envolve cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, o maior do tipo no Brasil.

Na conta de tudo que levou a Raízen a chegar no ponto que tá entram aquisições demais, projetos de energia que não entregaram o retorno esperado, juros altos triturando a conta financeira e ações negociadas abaixo de R$ 1 por vários pregões. A essa altura, virar acionista da empresa não tá soando exatamente como presente de Natal pra quem só queria receber.

Ao mesmo tempo, a empresa segue tentando arrumar a casa com o que dá pra mexer. O Cade aprovou sem restrições a venda de um ativo de geração distribuída a biogás pro Grupo Gera Energia. Só que, nesse estágio da novela, vender ativo ajuda, mas não faz milagre sozinho.

O AGRO EM NÚMEROS

Soja avança na colheita e na exportação, café respira e fertilizante cresce apesar da guerra

Foto: Freepik

A colheita da soja no Brasil avançou e chegou em 82%, segundo a AgRural, mas ainda segue atrás dos 87% de um ano atrás. O grosso do trabalho continua concentrado no Matopiba e no Rio Grande do Sul, onde a paciência do produtor tá sendo testada. No Matopiba, a umidade ainda atrapalha a qualidade dos grãos, a colheita e até a recepção nos armazéns. No Sul, a chuva da semana passada até ajudou as lavouras que ainda tavam enchendo grãos, mas também atrasou ainda mais a colheita no resto.

Mesmo com esse ritmo mais enrolado na lavoura, a soja brasileira embarcou bem. A Anec apontou exportação de 15,8 milhões de toneladas em março, 121 mil acima do mesmo mês de 2025. No pacote total dos grãos, o Brasil mandou 19,4 milhões de toneladas pra fora, alta de 4%. E a China, como de costume, seguiu no papel de cliente que senta na cabeceira e leva a maior parte da comida, ficando com 71% dos embarques de soja no mês.

Falando de café, a StoneX projeta um superávit global de 10 milhões de sacas em 2026, com uma produção de 182,5 milhões contra um consumo de 172,5 milhões. O Brasil entra como protagonista dessa folga, com a safra estimada em 75,3 milhões de sacas, alta de 20,8%. O mercado fica um pouco menos tenso depois de anos de estoques apertados, mas ainda sem coragem de relaxar de vez.

No Norte e Nordeste, a produção de etanol da safra 2025/26 chegou a 2,79 bilhões de litros até o fim de fevereiro, um baita avanço de 29,4%. O empurrão veio dos preços mais simpáticos pro biocombustível e menos brilho no açúcar, que tá andando meio sem carisma no mercado internacional.

nos fertilizantes, as entregas ao mercado brasileiro somaram 3,87 milhões de toneladas em janeiro, alta de 5,3%, segundo a ANDA. Mato Grosso liderou com folga, quase 30% do total, enquanto Paranaguá seguiu como a grande porta de entrada do adubo no país. A produção nacional caiu 23%, mas as importações subiram 5,4%, mesmo com cenário tenso na geopolítica internacional.

ASSUNTO DE GABINETE

Mapa e CVM juntam forças pra empurrar o agro mais fundo no mercado de capitais

Foto: iStock/D-Keine

Faz tempo que o agro brasileiro entendeu que viver só de linha subsidiada é tipo apostar toda a safra em uma previsão do tempo. Agora, o Ministério da Agricultura e a CVM resolveram apertar as mãos num Acordo de Cooperação Técnica pra empurrar ainda mais o setor pro mercado de capitais. A ideia é aproximar mais o campo dos instrumentos financeiros e fortalecer um caminho que já vinha crescendo, o agro captando dinheiro por meio de títulos, securitização e outras estruturas que fazem a Faria Lima olhar pra porteira com mais carinho.

O acordo veio pra trazer troca de conhecimento técnico entre as duas instituições, além de diagnósticos mais bem amarrados sobre como o setor vem se financiando. Também entra nessa parceria a missão de formular e espalhar ações que ajudem produtores e empresas do agro a usar mais o mercado de capitais. Em um português menos engravatado, o plano é fazer o agro entender melhor que existe vida financeira além do banco e que não precisa ficar olhando só pro gerente e pro Plano Safra como se fossem as únicas opções.

A coordenação vai ficar com a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, junto com áreas técnicas da própria pasta e da CVM, e o acordo vale por 2 anos, com chance de durar bem mais tempo. O objetivo é simples, diversificar as fontes de crédito e reduzir a dependência de linhas subsidiadas. No fim, é mais um passo nessa tentativa de fazer o agro brasileiro conversar melhor com investidores, securitização e mercado financeiro sem parecer um turista perdido em reunião de Faria Lima.

CAMPO ATUALIZADO

IA chega ao curral sem precisar de internet e corta atraso nos dados

Foto: Freepik

Tecnologia no agro adora prometer eficiência, integração e mais uma leva de palavras bonitas. O problema é que, na pecuária, muita decisão ainda acontece em lugar onde o sinal de internet some com mais frequência do que bezerro na porteira aberta. Foi olhando pra esse Brasil offline que a iRancho lançou o BOS, Bovine Operating System, uma solução de inteligência artificial feita pra funcionar direto no celular, sem depender de conexão. A promessa é cortar em até 85% o tempo entre o dado nascer no campo e cair no sistema, usando só o processamento local do celular.

Na prática, o negócio funciona assim, o peão, o gerente ou o pecuarista fala com o celular durante a rotina no curral ou no pasto, e o sistema transforma essa fala em dado estruturado. Depois, o usuário revisa a informação e ela entra no sistema de gestão. A ideia é substituir toda aquela parte chata, demorada e sujeita a erros da digitação e deixar a operação mais natural, especialmente pra quem não tem muita intimidade com menu, botão, aba e tela que exige mais clique do que manejo. É a tecnologia tentando finalmente aprender a falar a língua da fazenda, e não o contrário.

O pulo do gato tá no fato de que o BOS usa Edge AI, ou seja, todo o processamento acontece direto no próprio aparelho. Nada de depender de nuvem, internet boa ou milagre de torre no meio do pasto. A ferramenta ainda tá em fase de testes com clientes, mas já mostra bem pra onde a pecuária quer andar, mais digitalização, mais agilidade e menos dado perdido no caminho entre o curral, o bolso e a planilha.

SAFRA DE CIFRAS

Seguro rural ganha novo filtro ambiental

Foto: Freepik

O seguro rural tá ficando cada vez menos aquele papo de só olhar chuva, seca e produtividade pra decidir se fecha ou não fecha a conta. O setor de seguros lançou uma ferramenta nova que cruza os dados ambientais e fundiários das propriedades antes de aceitar a cobertura. A tal Solução de Conformidade Socioambiental, criada pela CNseg, promete agilizar a contratação, mas também deixar a análise bem mais rigorosa. Não basta mais a lavoura parecer boa no campo, ela também precisa chegar com a ficha limpa no sistema.

A plataforma cruza as informações da fazenda com 18 bases públicas oficiais, incluindo CAR, áreas embargadas, terras indígenas, unidades de conservação e registros de desmatamento. Isso cria um filtro mais estruturado, auditável e bem menos no feeling pra aceitar ou recusar o risco. O lançamento veio em um momento bem oportuno, com soja sendo colhida e a safrinha do milho andando, quando a demanda por proteção costuma crescer.

E a mudança não tá vindo só pra enfeitar apresentação de congresso. Segundo os dados do setor, 68,6% das seguradoras já usam critérios ASG na subscrição, e 80,6% dizem que podem negar cobertura ou não renovar contrato diante de risco socioambiental incompatível. Dá pra perceber de longe que essa ferramenta nova vai ser uma mão na roda na análise das seguradoras.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Pimenta-rosa

Pergunta de hoje: Qual hortaliça amazônica de cheiro marcante é base do tucupi e de caldos no Norte?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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