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Bom dia!
A edição de hoje vem com pesquisadores da USP clonando um porco com edição genética pra tentar resolver a fila de transplantes no Brasil, boi gordo fechando março em recorde histórico de arroba e gripe aviária de volta ao radar, com 4 casos suspeitos no Brasil. No meio disso, a Tecnoshow abre hoje em Rio Verde e o feijão ganhou um inoculante que produz mais com menos fósforo.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
QUAL A BOA?
Tecnoshow Comigo abre os portões hoje

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Feira agro tem um talento especial pra transformar cidade em ponto de encontro de produtor, vendedor, banco, agtech e gente com crachá andando apressada de um lado pro outro. A Tecnoshow Comigo começa hoje (6) em Rio Verde (GO) e vai até sexta-feira (10), com o tema “O Agro Conecta” e aquele pacote clássico de evento grande que mistura negócio, tecnologia, palestra, bota suja e fila pra pegar boné.
A edição desse ano vem com um pavilhão novo dedicado à tecnologia, juntando empresas e startups com soluções pra gestão, produtividade e tomada de decisão no campo. No total, a feira ocupa 65 hectares, recebe cerca de 700 expositores, conta com 7 instituições financeiras e 3 auditórios que somam mais de 950 lugares. Em 2025, o evento movimentou mais de R$ 10 bilhões em negócios, com recorde e alta de 5% sobre o ano anterior, além de 65 palestras, público diário de 7,1 mil pessoas e mais de 800 animais.
E tem um detalhe que sempre ajuda a animar ainda mais o povo, entrar na feira não custa nada. A entrada é gratuita e o estacionamento oficial também, o que no Brasil já quase entra na categoria de atração especial. O evento acontece das 8h às 18h no Centro Tecnológico Comigo, em Rio Verde (GO). Então o gasto obrigatório fica mais concentrado em comida, café, sola de sapato e, claro, naquele risco sempre real de voltar pra casa com alguma compra, parceria ou ideia nova na cabeça.
RADAR SANITÁRIO
Gripe aviária volta pro radar e Brasil já tá de olho em 4 suspeitas

Foto: Freepik
Doença sanitária tem esse talento desagradável de reaparecer justamente quando ninguém tava com vontade de lidar com ela. O Brasil tá investigando 4 casos suspeitos de gripe aviária e o alerta ganhou ainda mais peso porque o Ministério da Agricultura prorrogou no fim de março o estado de emergência zoossanitária por mais 180 dias. O timing não ajuda, porque maio costuma ser justamente o mês em que os registros começam a pipocar por aqui.
Desde o primeiro caso no país, em maio de 2023, o Brasil já somou 188 confirmações, mas a imensa maioria ficou concentrada em aves silvestres. Foram 173 ocorrências nesse grupo, outras 14 em aves domésticas e só 1 caso em granja comercial, registrado em maio de 2025 no Rio Grande do Sul. Esse detalhe faz toda a diferença, porque a gente continua com o status de livre da doença nos olhos da OMSA, o que ajuda a proteger a produção industrial e evita que o comércio internacional comece a apertar o freio no frango brasileiro.
O medo que ainda deixa todo mundo se tremendo é o vírus encostar no sistema comercial, porque aí a conversa sai do campo sanitário e entra direto na planilha das exportações. Países vizinhos como Argentina e Uruguai já registraram casos em granjas comerciais em março, o que deixa a região mais sensível e o Brasil ainda mais atento. O H5N1 também é uma zoonose, mas o risco pra humanos segue considerado baixo e geralmente ligado ao contato direto com aves infectadas. Enquanto isso, o Butantan continua testando vacina e o agro vai fazendo o que sabe nessas horas, um olho na ave, outro no mapa e os dois no mercado.
O AGRO EM NÚMEROS
Boi bate recorde, exportador brota aos montes e frango sente o peso da guerra

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A arroba do boi gordo fechou março em R$ 356,00 e cravou recorde na série histórica do Cepea. A média do mês ficou em R$ 350,18, acima dos R$ 342,25 de fevereiro, com ajuda de um combo que o pecuarista adora e o frigorífico nem tanto, oferta curta no campo, pasto segurando animal por mais tempo e exportação puxando firme.
Do lado de fora da porteira, o agro brasileiro também segue abrindo empresa pra vender pro mundo. O número de agroexportadoras saltou de 1,4 mil em 2015 pra 2,3 mil em 2025, alta de 60,8% em 10 anos, segundo o MDIC. O dado mais curioso é que as menores cresceram ainda mais rápido, com microempresas e MEIs avançando 189,5% e pequenas subindo 127,2%, o que mostra que exportar não é mais privilégio só de trading grande e empresa multinacional.
Enquanto isso, a avicultura do Paraná tá fazendo conta de cara feia. O Sindiavipar diz que os custos subiram entre 15% e 20% nos últimos ciclos, com guerra no Oriente Médio, diesel, energia, embalagem, milho e farelo de soja ajudando a transformar o frango em uma planilha de sustos.
DE OLHO NO PORTO
China puxou a arroba em março e abril chega como uma caixinha de surpresas

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Março foi um mês meio duas caras pro boi gordo. Na primeira metade, a guerra no Oriente Médio atrapalhou a logística, deu argumento pros frigoríficos pressionarem o mercado e jogou a arroba pra baixo. Só que, na segunda quinzena, o jogo virou. Com oferta mais curta, pastagens segurando os animais por mais tempo no Centro-Norte e a China acelerando compras pra preencher a cota de 1,1 milhão de toneladas destinada ao Brasil, a arroba ganhou tração de novo e foi renovando máximas em quase todo o país.
Pra abril, a dúvida tá no que vem por aí. A Safras & Mercado diz que, se esse ritmo de embarques continuar, a cota chinesa pode acabar entre maio e julho. E aí o problema é o seguinte, se a exportação perder força no terceiro trimestre, justo quando mais animais de confinamento entrarem no mercado, a arroba pode sentir um tombo mais forte.
Só que o enredo ganhou um novo personagem com os focos de febre aftosa na China. Se a doença ganhar escala e apertar de verdade o rebanho por lá, o apetite chinês por carne importada pode aumentar ainda mais, o que mudaria bastante esse roteiro e poderia fazer as cotas acabarem mais cedo ou até serem revisadas pra garantir que não vai faltar carne na mesa dos chineses.
MENTES QUE GERMINAM
A USP clonou um porco e o plano tá longe de ser bacon

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Tem notícia que parece ter saído de um laboratório futurista de um filme novo da Netflix, mas veio da USP mesmo. Pesquisadores da universidade clonaram um porco usando CRISPR-Cas9, aquela ferramenta que mexe no DNA com precisão fina, pra tentar criar animais cujos órgãos possam ser transplantados em gente. Parece maluquice, a gente sabe, mas é só ciência mesmo. O projeto, que foi batizado de Xeno BR, mira um problema brutal da saúde pública, a falta de órgãos pra quem tá na fila esperando uma chance de continuar vivo.
O ponto mais forte da história não tá só em clonar o suíno, mas em editar geneticamente o animal pra deixar os rins e corações mais compatíveis com o corpo humano, além de reduzir rejeição e riscos virais. E o porco entrou nessa missão não por acaso. Os órgãos dele têm tamanho e fisiologia bem parecidos com os nossos, a gestação é curta e a criação em ambiente controlado é mais viável. Pra isso, a USP montou uma unidade isolada e estéril na Cidade Universitária, onde esses bichos nascem e crescem num nível de assepsia que faz muito centro cirúrgico ficar com inveja.
O foco inicial do projeto são os rins, o que já diz bastante sobre o tamanho da ambição. A ideia é ajudar a reduzir a pressão sobre uma fila enorme de pacientes que dependem de hemodiálise e vivem esperando por um órgão que muitas vezes não chega a tempo. Se der certo, o Brasil não só entra numa corrida tecnológica de altíssimo nível, como ainda pode ajudar a transformar porco em algo que ele definitivamente nunca imaginou ser, uma ponte direta entre a genética e a chance de salvar milhares de vidas.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Feijão ganha reforço biológico, produz mais e ainda ajuda a aliviar a conta do fósforo

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Fertilizante caro já virou personagem fixo no agro brasileiro, então qualquer tecnologia que prometa fazer mais com menos ganha atenção rapidinho. Uma pesquisa da Embrapa mostrou que o uso do inoculante BiomaPhos no feijão conseguiu aumentar a produtividade mesmo com corte de 50% na adubação fosfatada. Nos testes, a produção média saiu de 3,4 mil pra 4,1 mil quilos por hectare, um ganho de cerca de 17%. Em tempos de fertilizante caro e produtor fazendo conta até no cafezinho, não é pouca coisa.
O segredo tá no trabalho subterrâneo, literalmente. O BiomaPhos usa bactérias capazes de solubilizar o fósforo que já tá no solo, mas preso e sem servir direito às plantas. No Cerrado, isso faz ainda mais diferença, porque os solos da região têm aquele talento especial pra segurar o nutriente e dificultar a vida das raízes. Com esse empurrão biológico, o fósforo fica mais disponível, a planta se desenvolve melhor e o rendimento responde. Não à toa, os pesquisadores também viram melhora em indicadores importantes de crescimento, além da produtividade em si.
A pesquisa foi conduzida por 2 anos em áreas de Goiás e Santa Catarina, em safras de verão e inverno, e o melhor desempenho apareceu com dose de 4 ml por quilo de semente. Mas a própria Embrapa já avisou que não é pra tratar o inoculante como passe de mágica. Solo corrigido continua sendo parte da conta, porque acidez, compactação e desequilíbrio nutricional ainda conseguem estragar a festa. Ainda assim, o BiomaPhos, que já vem avançando em culturas como soja e milho, mostra bem pra onde o agro tá indo, menos dependência de insumo químico e mais biotecnologia tentando fazer o adubo render como deveria desde o começo.
PLANTÃO RURAL
Embrapa leva pacote cheio pra TecnoShow. A Embrapa vai desembarcar na TecnoShow 2026 com uma vitrine de cultivares, sistemas integrados, mecanização, manejo de risco climático e até curso novo sobre capim-pé-de-galinha. O destaque dos lançamentos é a soja BRS 579.
Unesp quer turbinar o chocolate amazônico. Uma pesquisa da Unesp mostrou que o cacau amazônico pode ganhar mais valor combinando escolha certa de clone com manejo caprichado na pós-colheita. A proposta é usar blends de amêndoas fermentadas e não fermentadas pra equilibrar sabor e valor nutricional.
Embrapa faz missão técnica na Etiópia. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte estão na Etiópia pra estruturar a primeira Unidade de Referência Tecnológica Internacional da estatal. A ideia é adaptar tecnologias brasileiras ao contexto africano.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Amendoim
Pergunta de hoje: Qual pimenta amazônica virou condimento global e também ganhou espaço na decoração?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
