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Bom dia!
A edição de hoje vem com banco virando fiscal do desmatamento, Aliare indo às compras de novo e Belagrícola conseguindo mais 10 dias de blindagem. No meio disso, o algodão entregou a maior alta mensal em 3 anos, o trigo caminha pro maior volume importado da história e a Corteva amplia o centro de pesquisa em Mogi Mirim.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
NAS CABEÇAS DO AGRO
Crédito ganha lupa ambiental e banco vira fiscal do desmate

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A regra nova do crédito rural entrou em vigor ontem (1) e já chegou botando mais gente pra trabalhar no combate ao desmatamento. Agora, o banco que quiser liberar financiamento com dinheiro público vai precisar checar se o produtor tem registro de desmate na propriedade com base em imagens de satélite e dados oficiais.
Se aparecer qualquer desmate de 2019 pra cá, na Amazônia ou em vegetação nativa, o crédito só anda se o produtor provar que aquilo tava autorizado. O gerente, que já tinha planilha, meta, prazo e produtor apressado na rotina, agora também ganhou um pezinho no Ibama.
A regra vai mexer com cerca de US$ 53 bilhões em crédito rural subsidiado e ainda encosta em parte das LCAs, que já são US$ 114 bilhões. O Governo vende a mudança como mais uma trava contra o desmatamento ilegal, e o Banco do Brasil entrou na mesma linha, dizendo que a regra fortalece a agenda de sustentabilidade e ainda ajuda a reduzir risco nas operações. Na visão do banco, é melhor descobrir o problema antes da assinatura do contrato do que topar com embargo, boicote ou calote depois.
Do lado do agro, a reação veio no volume esperado. A CNA diz que a ferramenta de satélite pode errar e travar o crédito de produtor que faz tudo certinho, e ainda fala que a regra vai empurrar pros bancos uma responsabilidade que não era pra ser deles. A entidade aproveitou e também soltou um guia cheio de orientações sobre as novas regras e falando como elas podem afetar os produtores. O manual também tem um passo a passo pra checar se tem restrição e um ensinando a contestar essa treta.
TRAMPO NO CAMPO
Bracell abre estágio com bolsa de R$ 2,2 mil e mira novos talentos

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Abril começou e, pelo menos pra quem tá na faculdade, já veio com uma notícia boa. A Bracell abriu inscrições pro Programa de Estágio Superior, com oportunidades em Lençóis Paulista (SP), Campinas (SP), Santos (SP) e São Paulo (SP). O foco deles é atrair gente de todas as áreas, então o programa tá buscando estudantes de cursos de Exatas, Humanas e Biológicas que estejam com formatura prevista entre julho de 2027 e julho de 2028 e possam trabalhar 30 horas por semana no presencial. As inscrições vão até 27 de abril.
A empresa tá oferecendo bolsa auxílio de R$ 2,2 mil, além de plano de saúde, odontológico, seguro de vida, Wellhub, refeição ou vale refeição e transporte fretado ou vale transporte, dependendo da unidade. No caso de Lençóis Paulista, ainda tem fretado saindo de Bauru, Macatuba, Agudos, Pederneiras, Lençóis, Botucatu e São Manuel.
A contratação dos aprovados tá prevista pra segunda quinzena de junho, e o estágio pode durar de 1 a 2 anos. No discurso da empresa, o trampo vem com trilha estruturada de desenvolvimento, aprendizado prático e espaço pra desenvolver tanto técnica quanto habilidade comportamental.
O AGRO EM NÚMEROS
Soja ameaça recorde, algodão sobe e venda de máquinas despenca

Foto: Freepik
A soja brasileira segue voando baixo. A StoneX elevou a projeção da safra pra 179,7 milhões de toneladas, alta de 1% sobre a estimativa anterior, e deixou de pé a expectativa de recorde mesmo com perdas pontuais no Rio Grande do Sul. A primeira safra de milho também ganhou um ajuste pra cima e foi pra 27,2 milhões de toneladas, mas a segunda safra tomou um corte leve de 0,6% e ficou em 106 milhões.
No algodão, o preço resolveu acordar em março e saiu da mesmice pra entregar a maior alta mensal em mais de 3 anos. O indicador Cepea fechou o mês em R$ 3,9173 por libra peso, com valorização de 11,20%, puxada por vendedor fazendo charme, demanda mais acesa e um empurrão do mercado externo. Petróleo valorizado, frete mais caro e safra já bastante comprometida ajudaram a engrossar o caldo. A pluma, que tava mais parada que escritório em feriado, resolveu lembrar que também sabe esticar preço quando quer.
Enquanto isso, no mundo das máquinas agrícolas, a Abimaq já jogou água no chope e agora prevê queda de 8% nas vendas em 2026, depois de um primeiro bimestre 17% mais fraco que o do ano passado. A associação jogou a culpa no combo já conhecido, real valorizado cortando rentabilidade do produtor, crédito caro, banco mais travado que porteira antiga e diesel com fertilizante ajudando a azedar o humor.
PAUTA VERDE
Corteva aumenta a aposta nos biológicos e amplia centro de pesquisa

Foto: Corteva / Divulgação
Biológico virou uma das palavras preferidas do agro nos últimos tempos, e a Corteva resolveu mostrar que não tá só repetindo tendência em apresentação. A empresa anunciou a expansão do seu centro de pesquisa em Mogi Mirim (SP), com obras já rolando e conclusão prevista pra 2029. Com essa ampliação, a capacidade de campo usada em pesquisa e desenvolvimento deve crescer mais de 70%, reforçando uma estrutura que já vinha ganhando corpo desde a inauguração do laboratório de manejo de resistência em 2024.
A unidade agora passa a contar com 122 hectares, sendo 110 destinados à pesquisa em campo, além de 12 novas casas de vegetação. Também entra no pacote um laboratório biológico voltado ao estudo da evolução de pragas e doenças, de olho em soluções mais ajustadas à realidade brasileira. A ideia da empresa é usar essa nova área mais na ciência do que no campo, pelo menos nesse começo, acelerando o desenvolvimento dos produtos antes de jogar pro campo pra tomar sol, chuva e pressão de praga na vida real.
A Corteva também já avisou que quer lançar 10 produtos na próxima década, sendo 3 fungicidas, 3 herbicidas, 3 inseticidas e 1 biológico. Como o Brasil já é o segundo maior mercado da companhia no mundo, faz sentido ver a empresa investindo cada vez mais por aqui.
SAFRA DE CIFRAS
Aliare compra Agrosys e segue no plano de virar big tech do agro

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A Aliare voltou às compras, passou mais uma vez no caixa do M&A e voltou pra casa com aquisição nova no carrinho, mostrando que a meta de virar uma big tech do agro até 2030 não tá sendo tratada só como slogan de campanha. Menos de seis meses depois da última aquisição, a empresa anunciou a compra de uma participação majoritária na Agrosys e mergulhou de cabeça na proteína animal. O movimento amplia o escopo da companhia e reforça essa estratégia de ir colando tecnologia em todos os pedaços da cadeia até sobrar pouca coisa fora do sistema.
A Agrosys entra nesse tabuleiro com um currículo de respeito. A empresa, que tem origem catarinense, é líder em softwares pra avicultura e já tá presente em cerca de 30% do volume de aves abatidas no Brasil, atendendo frigoríficos e cooperativas do Sul. Na prática, a compra ajuda a Aliare a preencher uma lacuna que ela ainda não cobria tão bem, principalmente na parte industrial da cadeia, com mais dados sobre qualidade e gestão ao longo do abate.
Essa já é a quarta aquisição da Aliare desde 2021 e segue a lógica que a empresa vem repetindo sempre que pode. Primeiro vieram movimentos em logística, concessionárias de máquinas e crédito. Agora, entra a proteína animal com mais peso. Hoje a companhia atende mais de 5 mil clientes, tem cerca de 84 mil usuários ativos e projeta faturar R$ 230 milhões em 2026, sem contar novas compras que ainda podem pintar pelo caminho. A Aliare claramente não quer ser só mais uma empresa de software pro agro. Quer virar aquela firma que, quando você percebe, já tá em tudo, do grão ao frango, do crédito ao abate.
COLHENDO CAPITAL
Belagrícola ganha mais 10 dias de blindagem

Foto: Divulgação
A Belagrícola conseguiu mais um pequeno respiro na novela da recuperação extrajudicial, mas passou longe de ganhar a paz que queria. Ontem (1), o juiz Emil Gonçalves, da Vara Empresarial de Londrina, reativou a blindagem contra execuções de dívidas, o chamado stay period, por mais 10 dias.
Na edição de ontem a gente te contou que a empresa tava achando que ia emplacar mais 180 dias automáticos com o novo pedido de recuperação extrajudicial, mas o magistrado não tinha concordado muito, pelo menos até ontem.
Com a decisão, a rede de revendas fica protegida só até 10 de abril, o que dá algum alívio, mas tá longe de resolver alguma coisa. Até porque esse prazo pode ser curto demais pra homologar o plano novo, que envolve R$ 1,8 bilhão em dívidas.
A companhia diz já ter adesão de mais de 60% dos credores, percentual, que em tese, basta pra tocar o plano adiante e estender as condições também pra quem não topou entrar no acordo. Mas esses 60% tinham concordado com o plano antigo, então ainda fica no ar se o plano que vai entrar em campo já tem a adesão ou não.
PLANTÃO RURAL
BASF compra mais um pedaço do jogo biológico. A BASF concluiu a compra da AgBiTech, empresa americana especializada em soluções em controle biológico. A comprada entra no pacote com tecnologia voltada ao combate de lagartas em soja, milho e algodão.
Royal Agrifirm vai às compras na nutrição animal. O Royal Agrifirm Group fechou acordo pra adquirir a Hamlet Protein, empresa focada em ingredientes proteicos especiais à base de soja pra nutrição animal.
CropLife troca o comando. A CropLife Brasil anunciou Ana Repezza como sua nova presidente, com início oficial em 4 de maio. Ela vem da ApexBrasil e também carrega no currículo passagem pela CAMEX.
CNPE fecha a porta pro biodiesel importado. O conselho aprovou resolução que, na prática, impede o uso de biodiesel importado pra cumprir a mistura obrigatória ao diesel. O produto de fora ainda pode entrar no mercado voluntário, mas não no pedaço obrigatório.
Prêmio Mulher do Agro abre inscrições. A nona edição do Prêmio Mulher do Agro abriu inscrições pra categoria Produtora Rural, com prazo de 1º de abril a 7 de junho. A iniciativa da Bayer com a Abag quer reconhecer mulheres que se destacam em sustentabilidade, governança e impacto social.
MPT encontra mais de 7 mil casos sem CAT em unidade da Frimesa. Uma força tarefa do Ministério Público do Trabalho identificou 7.094 casos sem emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho na unidade da Frimesa em Medianeira (PR). A cooperativa assinou um TAC e disse que já começou as adequações.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Cacau
Pergunta de hoje: Qual leguminosa rotacionada com cana em São Paulo ajuda a melhorar solo e renda entre cortes?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
