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Bom dia!
Hoje é 1º de abril, mas o que o Rabobank falou sobre a crise do agro não é pegadinha, a crise ainda vai apertar antes de melhorar. Além disso, tem trator rodando sozinho no canavial pela primeira vez e a JBS abrindo laboratório de biotecnologia em Florianópolis. No meio disso, os bioinsumos batem recorde de mercado, a Belagrícola perde a blindagem na Justiça e a ureia já subiu 55% em pouco mais de um mês.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
CAMPO ATUALIZADO
Atvos e Tereos botam trator pra andar sozinho

Foto: Divulgação/Tereos
Trator sem operador ainda parece coisa de feira de tecnologia, filme de ficção ou vídeo de empresa querendo impressionar investidor, mas a Atvos e a Tereos resolveram tirar essa ideia do papel e jogar no canavial. As duas empresas testaram, na safra 2025/26, tratores totalmente autônomos em operações nas lavouras, sem ninguém na cabine e com centrais de controle olhando a operação de longe. Foi a primeira vez que a indústria sucroalcooleira brasileira colocou esse tipo de máquina pra trabalhar pra valer, em áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Segundo as empresas, o teste entregou ganhos altos onde o agro gosta de prestar atenção: produtividade, diesel e custo. Os tratores autônomos mostraram um potencial de aumentar a produtividade em 20%, reduzir o consumo de diesel em até 10% e ainda exigir menos mão de obra. Na Atvos, um único colaborador conseguiu ficar de olho em 3 equipamentos ao mesmo tempo à distância. Esse ganho veio de um pacote que vai além do volante vazio, tem mais planejamento, integração de sistemas, ajuste automático de velocidade conforme relevo e solo e controle em tempo real da operação.
Claro que nem tudo já tá pronto pra sair em larga escala amanhã. As empresas dizem que a conectividade no campo ainda atrapalha bastante, já que sinal instável continua sendo inimigo número 1 de qualquer operação autônoma. Também pesa a adaptação ao relevo brasileiro, integração com os sistemas já existentes e uma legislação que segue tentando correr atrás da tecnologia. Mesmo assim, as empresas já deixaram claro que querem avançar com esses projetos, inclusive em áreas como plantio, tratos culturais e aplicação de defensivos.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Rabobank diz que a crise ainda vai apertar antes de dar uma folga

Gif: Globkins on Giphy
Se alguém no agro tava esperando um segundo semestre mais de boa, o Rabobank apareceu pra jogar um balde de água fria nessa expectativa. A CEO do banco no Brasil, Fabiana Alves, avaliou que a crise do setor ainda vai piorar antes de pensar em melhorar, porque os juros devem cair mais devagar do que muita gente sonhava e a guerra no Oriente Médio continua atrapalhando tudo, com fertilizante caro, combustível pressionado e risco de desabastecimento.
Mas o puxão de orelha não parou na geopolítica nem no Banco Central. Fabiana também disse que tem muito produtor tocando operação grande demais com gestão pequena demais. Segundo ela, ainda falta profissionalização pra muita gente que lida ao mesmo tempo com real, dólar e saca de soja, e tem produtor misturando conta velha, safra atual e adiantamento da próxima tudo no mesmo caixa. E aí a gestão vira uma briga, com todo mundo perguntando “cadê o dinheiro que tava aqui?”. Depois de 2 anos com margem bruta de 45%, fica até difícil entender onde foi parar esse caixa.
Na visão do Rabobank, o agro vai precisar ficar mais organizado, mais formal e bem mais preparado pra bater de frente com os riscos climáticos, porque isso já virou um critério real na hora de conseguir crédito. Quem não investir em adaptação e resiliência vai acabar sendo visto como um cliente mais arriscado pelo sistema financeiro. Fabiana também criticou a demora na análise do CAR, que acaba empurrando pros bancos um trabalho que encarece o crédito no fim da linha.
O AGRO EM NÚMEROS
Etanol perde espaço, soja corre pra colher e milho quase fecha o plantio

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Fevereiro não foi exatamente um mês simpático pro etanol hidratado. As vendas caíram 11,5% na comparação anual e fecharam em 1,516 bilhão de litros, segundo a ANP, enquanto a gasolina C aproveitou a brecha e subiu 10,2%, pra 3,7 bilhões de litros.
Na soja, a colheita brasileira chegou a 74,3% da área, segundo a Conab, avanço de 9,7 pontos em uma semana. O ritmo tá acima da média dos últimos 5 anos, que é de 72,4%, mas continua bem abaixo dos 81,4% do mesmo período da safra passada. E no milho safrinha, o plantio já foi feito em 95,5% da área nacional, com vários estados encerrando os trabalhos, mas com Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul ainda dando motivo pra monitoramento mais de perto por causa de clima e pressão fitossanitária.
Nas exportações, a Anec estima que o Brasil vai mandar lá pra fora 15,86 milhões de toneladas de soja em março, ficando levemente acima do março de 2025, que teve 15,73 milhões de toneladas embarcadas. No farelo, a projeção caiu pra 2,24 milhões de toneladas. Já na proteína animal, a ABPA diz que março deve terminar com recorde de exportação mesmo com a guerra no Oriente Médio bagunçando rota, frete e custo. Nos primeiros 15 dias do mês, o Brasil embarcou 24 mil toneladas de carne por dia, acima das 23 mil de janeiro.
E enquanto a proteína vai dando seu jeito, a ureia resolveu subir de elevador. A tonelada já oscila entre US$ 730 e US$ 760 CFR Brasil, maior nível desde 2022, depois de alta de 55% a 60% em pouco mais de 1 mês. O Oriente Médio responde por cerca de 35% do comércio marítimo global do produto, então qualquer tensão por lá vira susto imediato aqui. Por enquanto, a demanda brasileira tá mais fria porque o pico de compra já passou e ninguém tá muito animado pra fechar negócio nesses preços.
PAUTA VERDE
Bioinsumos batem R$ 6,2 bi e mostram que o biológico tá cada vez mais forte

Foto: Divulgação/Croplife
Os bioinsumos seguem ganhando espaço no campo e já movimentam uma conta de respeito no agro brasileiro. Em 2025, o setor bateu R$ 6,2 bilhões em valor de mercado no Brasil, maior nível da série histórica, com alta de 15% sobre o ano anterior. A área tratada também disparou 28% e chegou a 194 milhões de hectares, o que mostra que o biológico já tá bem menos no discurso e bem mais dentro da rotina da lavoura.
Segundo a CropLife Brasil, esse avanço vem de uma mistura que faz bastante sentido no cenário atual: indústria mais profissional, necessidade de enfrentar praga resistente, busca por soluções mais sustentáveis e adoção maior por parte do produtor. E tem ainda um bônus nessa conta, a produção é majoritariamente nacional, com mais de 90% da matéria-prima dos biológicos vindo do próprio Brasil. Em tempos de guerra, crise logística e insumo importado dando susto no produtor, ter uma solução feita em casa vira um alívio no bolso.
Dentro desse bolo, os biofungicidas avançaram 41% e somaram R$ 1,4 bilhão, enquanto os inoculantes seguem como os queridinhos da rapazeada, presentes em 77 milhões de hectares e respondendo por 40% da área tratada com bioinsumos. A soja continua liderando esse jogo com 60% do mercado, seguida por milho com 20% e cana com 10%. Mato Grosso aparece na ponta do uso, com 24% da área tratada, seguido por São Paulo e Goiás.
SAFRA DE CIFRAS
JBS abre laboratório em Florianópolis pra desenvolver superproteínas

Gif: Giphy
Proteína animal já não vive só de frigorífico, granja e linha de abate faz tempo. Agora também passa por laboratório, sequenciador genético e um vocabulário que parece saído de aula de bioquímica às 7 da manhã. A JBS inaugura hoje (1) em Florianópolis o JBS Biotech, um centro de biotecnologia com mais de 20 laboratórios e cerca de 4 mil m² focado em proteínas funcionais, nutrição de precisão e saúde animal. A ideia é juntar ciência básica, engenharia e validação industrial no mesmo lugar pra encurtar o caminho entre pesquisa bonita e aplicação que de fato dá resultado.
No discurso da empresa, o foco é transformar conhecimento científico em solução produtiva. Traduzindo do corporativês, a JBS quer usar a estrutura pra testar mais rápido, desenvolver ingredientes novos e ganhar mais competitividade num mercado que tá cada vez mais obcecado por proteína melhor, mais funcional, mais saudável e, se possível, com cara de futuro. Entre os projetos que vão rolar por lá tem as chamadas superproteínas, além de peptídeos e bioingredientes com funções mais específicas, tipo suporte imunológico, ganho de massa muscular e melhora do metabolismo.
A estrutura ainda vai ter um biobanco com armazenamento criogênico, ferramentas de genômica, proteômica e metabolômica e uma aposta forte em economia circular, usando coprodutos da cadeia agroindustrial pra produzir itens com um valor agregado mais alto. A promessa também passa pela saúde animal, com soluções pra prevenir doenças, reduzir perdas e usar melhor os insumos.
COLHENDO CAPITAL
Belagrícola fatia a recuperação, perde a blindagem e vive mais uma novela

Foto: Globo Rural
A Belagrícola tentou reorganizar a casa do jeito mais prático possível, com todo mundo no mesmo pacote, mas a Justiça brecou tudo e disse que assim não rola. Depois de insistir em várias instâncias pra manter o pedido original de recuperação extrajudicial com múltiplas empresas do grupo, a rede de revendas teve que fatiar o plano.
No novo pedido, protocolado na madrugada de terça-feira (31), a companhia deixou a trading DKBR de fora, enquanto Bela Sementes e LandCo seguiram cada uma com seu plano. A dívida que entrou nesse novo desenho ficou em R$ 1,8 bilhão, bem abaixo dos R$ 3,2 bilhões do pacote anterior.
A empresa também tentou manter de pé as adesões de credores que já tinham conseguido no plano antigo, com o argumento de que a proposta econômica não mudou. Só que aí a confusão ficou ainda mais bonita de assistir de longe e mais feia de viver de dentro. Tem credor dizendo que adesão dada ao plano consolidado não serve pra blindar esse novo formato, porque agora o escopo é outro. A Belagrícola discorda e tenta seguir como se o sinal verde anterior ainda valesse. E isso ainda deve dar pano pra manga.
Pra piorar o enredo, o juiz Emil Gonçalves decidiu que a Belagrícola já gastou os seis meses de blindagem contra execução de dívidas e, portanto, voltou a ficar exposta às cobranças dos credores. A empresa achava que o novo pedido renovaria automaticamente esse stay period, chegou até a comunicar isso ao mercado, mas o magistrado não comprou essa bronca. Agora a companhia corre com recurso pra tentar recuperar a proteção, enquanto os credores tão assistindo de longe, com o olho brilhando e a calculadora na mão.
PLANTÃO RURAL
Embrapa põe cannabis na agenda. A Embrapa aprovou uma frente de pesquisa com cannabis voltada ao desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos, com orçamento de R$ 13,2 milhões bancado pela Finep.
Usina da Mata levanta R$ 125 milhões. A Usina da Mata emitiu uma debênture de R$ 125 milhões, com remuneração de 8,17% ao ano, pra bancar investimentos de custeio ligados à produção de etanol entre as safras de 2028 e 2032.
BNDES libera R$ 1 bilhão pra usina de milho do Grupo Piccini. A RRP Energia, do Grupo Piccini, conseguiu R$ 1 bilhão do BNDES pra tocar a conclusão da usina de etanol de milho em Tapurah (MT). A planta deve processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano e produzir 459 milhões de litros de etanol.
ANP distribui as metas de CBios. A ANP definiu as metas de CBios de 2026 pras distribuidoras e os contratos de longo prazo com biocombustíveis garantiram abatimento de 5% na meta total do setor. A Raízen foi a empresa que mais reduziu a própria conta, abatendo 1,291 milhão de CBios.
Santa Catarina abre linha bilionária pra suínos e aves. O governo catarinense lançou o Coopera Agro SC, um programa que pode liberar até R$ 1 bilhão em financiamentos pra produtores integrados de suínos e aves. A linha vem com juros de 9% ao ano e prazo de até 8 anos pra pagamento.
Masterboi assina nova planta no Ceará. A Masterboi vai investir R$ 250 milhões numa nova unidade industrial em Iguatu (CE), que deve começar a produzir em 2028 e gerar 500 empregos quando estiver rodando cheia.
Aurora faz a melhor safra da história. A Vinícola Aurora fechou a safra de 2026 com 93 milhões de quilos de uva, alta de 30% sobre 2025 e novo recorde nos 95 anos de história da cooperativa.
Cana de Pernambuco marca protesto. Produtores de cana de Pernambuco convocaram protesto pra terça-feira (7) na Assembleia Legislativa, cobrando a votação do orçamento que permitiria ao governo liberar auxílio em fertilizantes. O setor diz que, sem a LOA aprovada, o socorro prometido trava e a próxima safra já começa ameaçada.
Coruripe junta R$ 100 milhões em debêntures. A Coruripe concluiu emissão de R$ 100 milhões em debêntures incentivadas pra renovar equipamentos em quatro unidades industriais de etanol, em Minas Gerais e Alagoas.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Meliponicultura
Pergunta de hoje: Qual cultura introduzida na Bahia no século 18 fez de Ilhéus e Itabuna polos econômicos?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
