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Bom dia!

Hoje tem EUA propondo mais uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e colocando o setor em risco de sobretaxa conjunta de 37,5%, Raízen fechando acordo com credores para protocolar reestruturação e tecnologia de biometria facial chegando ao Brasil para identificar bovinos pelo focinho. No meio disso, IA olha a soja do espaço e projeta produtividade antes da colheita, fórum global de agricultura regenerativa chega a Piracicaba em junho e carne bovina exportada em maio supera US$ 1,7 bilhão.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 170.330,62 5,71%
IFIX 3.842,46 1,68%
JBSS32 R$59,90 -24,30%
CSAN3 R$3,58 -32,71%
AAZQ11 R$7,40 -15,33%
EGAF11 R$88,14 -7,80%
ETF OURO R$23,37 -5,65%
Bitcoin US$65.706,00 -25,63%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

EM PARCERIA COM NOBEL TRADING

Nobel Report traduz o caos do mercado pro agro

O agro brasileiro já aprendeu que o preço dos insumos não depende de uma coisa só. Tem câmbio, frete marítimo, logística, geopolítica e oferta global mexendo no custo da operação e complicando os planos de quem queria previsibilidade.

É por isso que a Nobel acompanha de perto os movimentos que influenciam o mercado de fertilizantes e nutrição animal. A empresa transforma informação em direção comercial, conectando inteligência de mercado, gestão logística e execução operacional. Importar insumo é importante, mas saber a hora certa de agir pode ser o detalhe entre comprar bem e ficar com rombo na fatura.

No Nobel Report, distribuidores, cooperativas e indústrias encontram análises sobre todos os fatores que deram uma sacudida nos preços, o que ajuda a tomar decisões com mais segurança e agilidade.

No agro, competitividade não depende só de comprar bem. Depende de entender o timing do mercado, reduzir riscos e garantir previsibilidade da origem até a entrega.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Tarifaço dos EUA ganha DLC e mira pecuária brasileira

Gif: election2016 on Giphy

O tarifaço americano mal tinha dado tempo de virar assunto nos grupos do agro e já ganhou uma atualização que ninguém pediu, tipo aplicativo que muda tudo bem na hora que a gente aprendeu a usar. Um dia depois de propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo Trump colocou na mesa mais uma cobrança, agora de 12,5%, baseada em uma investigação do USTR sobre importações que supostamente tão ligadas a trabalho forçado. Se as 2 medidas forem pra frente, uma boa parte dos produtos do Brasil pode encarar uma sobretaxa conjunta de 37,5% pra entrar nos EUA.

A nova frente não mira só o Brasil. China, Japão, Índia, Coreia do Sul, Suíça e vários outros países também entraram no pacote. O USTR diz que 60 economias investigadas falharam em barrar, de forma efetiva, a importação de bens produzidos com trabalho forçado. No caso brasileiro, a carne bovina entrou na lista de produtos considerados mais sensíveis. A acusação é pesada porque não mexe só com o bolso, mexe com a nossa reputação. E reputação no comércio internacional é igual porteira velha, se começa a ranger, todo mundo escuta.

O relatório ainda tenta ligar o avanço da carne brasileira na China com a perda de espaço dos EUA naquele mercado, uma grande dor de cotovelo do sucesso tupiniquim. Segundo o USTR, as exportações brasileiras de carne bovina congelada pros chineses saltaram de 94 mil toneladas em 2015 pra quase 1,7 milhão de toneladas em 2025. No mesmo embalo, a fatia do Brasil nas importações chinesas passou de 38% em 2021 pra 53% em 2025, enquanto a participação americana caiu de 6% pra 2%. Eles admitem que nem toda carne brasileira teria ligação com trabalho forçado, mas dizem que uma parte relevante poderia ter sido produzida nessas condições.

Na outra ponta, a tarifa de 25% também veio com uma cutucada ambiental. O USTR citou a lei de Mato Grosso que retirou os benefícios fiscais das empresas que participam da Moratória da Soja como um exemplo de uma medida que enfraquece o combate ao desmatamento. A Moratória existe há 18 anos e é tratada como uma das principais travas contra a compra de soja ligada a áreas desmatadas na Amazônia, mas entrou na roda por acusações de cartel e tá esperando julgamento no STF pra ver se segue viva.

Nada disso entra em vigor imediatamente. As propostas ainda passam por consulta pública, revisão e audiências a partir de 07/07. O relatório também prevê exceções ou tarifas menores pra alguns itens. Até lá, o Brasil vai ter que apagar 2 incêndios ao mesmo tempo, um sobre práticas comerciais e ambientais e outro sobre trabalho forçado.

SAFRA DE CIFRAS

Raízen avança em plano e credores assumem o volante

Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

A Raízen parece ter conseguido juntar gente suficiente na mesa pra tirar seu plano de recuperação extrajudicial do planejamento e levar pro papel assinado. A companhia fechou o acordo com os seus credores pra protocolar a reestruturação de R$ 65 bilhões em dívidas, agora com os bondholders no pacote. Esse último grupo é dono de R$ 27 bilhões emitidos lá fora, o que representa 40% da dívida, e voltou pro jogo nos últimos dias. Com isso, a adesão ao projeto pode chegar a 75%, bem acima dos 50% mais 1 que são exigidos por lei.

O coração do plano é transformar 45% da dívida em ações, que vão sair por R$ 0,25 cada, bem abaixo do valor de mercado de R$ 0,39 no fechamento da última quarta-feira (3). Na prática, os credores podem terminar com mais de 80% da Raízen, uma chacoalhada daquelas que mudam não só o time titular, mas também quem escolhe a música no vestiário.

Os outros 55% da dívida viram novos títulos emitidos pela Raízen Combustíveis e pela Raízen Energia, com vencimentos entre 2032 e 2035 e remuneração em CDI, dólar ou euro, dependendo do credor. Quem quiser dinheiro em vez de papel também terá opções, mas com desconto pesado, incluindo uma alternativa com deságio de 80% só pra 2047.

O dinheiro novo vem principalmente da Shell, que deve aportar R$ 3,5 bilhões na companhia, também por R$ 0,25 por ação. Já a Aguassanta, ligada a Rubens Ometto, pode entrar com mais R$ 500 milhões, mas esse pedaço ainda tá só no talvez. Segundo fontes, os credores tão pensando em dar alguns meses pra Ometto decidir se coloca ou não capital novo na empresa. Se fizer o aporte, ele pode ganhar uma cadeira no conselho, mas não deve manter a presidência do board. Se não fizer, fica ainda mais difícil participar das decisões.

A governança também vai virar de cabeça pra baixo. Depois do fechamento da operação, o conselho vai ficar com 7 membros, com 4 indicados pelos credores apoiadores, incluindo o chairman, e 3 pela Shell. A Cosan vai ficar de fora. Até lá, um consultor de reestruturação vai ficar de olho em tudo, com acesso à administração e às reuniões do conselho, além de um comitê de credores com poder de veto sobre os temas que forem mais relevantes. O CFO Lorival Nogueira Luz Jr. também vai acumular a missão de tocar a implementação do plano.

QUAL A BOA?

Agricultura regenerativa ganha fórum global em Piracicaba

Foto: Divulgação

A agricultura regenerativa vai ganhar palco global em solo brasileiro, e logo em Piracicaba (SP), onde agro, ciência e inovação se esbarram até na fila da padaria. O Brasil recebe pela primeira vez o Fórum de Agricultura Regenerativa, marcado pra 23/06, reunindo produtores, pesquisadores, investidores, empresas, organizações da sociedade civil e gente de política pública pra discutir como produzir mais sem tratar solo, água e biodiversidade como figurantes da história.

Promovido pelo Global Landscapes Forum, pela Sustainable Agriculture Network, pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal, o encontro vem com o tema Acelerando a Transição. Na pauta entram regeneração dos solos, conservação da biodiversidade, segurança hídrica, bioinsumos, agroflorestas, financiamento de impacto, inovação, inclusão social, liderança feminina e cadeias produtivas sustentáveis. É praticamente um intensivão de futuro do agro.

A escolha de Piracicaba não caiu do céu. A cidade tem tradição em pesquisa agrícola, tecnologia e formação de profissionais do setor, com a ESALQ no quintal e o agro no DNA. A programação vai ter tradução simultânea em português, inglês, espanhol e francês, além de debates, experiências práticas em Living Labs, AgroTalk Live e a construção de um Manifesto de Colaboração Radical.

Entre os nomes confirmados tão José Roberto Postali Parra, da ESALQ/USP, Geoffrey Hawtin, vencedor do World Food Prize 2024, Ricardo Abramovay, da USP, Elizabeth Adu, ex-Banco Mundial, Phyllis Caldwell, ex-Tesouro dos EUA, Teresa Corção, do Instituto Maniva, e lideranças internacionais ligadas à bioeconomia e sistemas alimentares.

CAMPO ATUALIZADO

Biometria bovina quer dar CPF de focinho ao rebanho brasileiro

Gif: vusalazizov on Giphy

A pecuária brasileira tá prestes a conhecer o reconhecimento facial do boi. A ID-Scan, tecnologia criada na África do Sul, tá chegando no Brasil pra identificar bovinos pela impressão nasal, bem parecido com a nossa impressão digital, porque cada focinho tem um desenho único. A solução chega por aqui representada pela DX Data Experience, com a promessa de reforçar a rastreabilidade, a segurança e a governança no campo.

A ideia é criar uma identidade digital permanente e difícil de burlar pra cada animal. Enquanto brincos e marcações tradicionais seguem importantes, eles podem ser violados, trocados ou adulterados. Já o focinho fica difícil de trocar. O produtor cadastra a propriedade, associa os dados do animal e grava um vídeo curto da região nasal pelo celular. O algoritmo lê o padrão biométrico e cria um registro único na base de dados.

Outro ponto pensado pra vida real da fazenda é que a captura pode ser feita offline. O usuário grava os vídeos no campo e só depois, quando tiver conexão, manda os dados pra plataforma. Isso ajuda quem é dono ou trabalha em propriedades onde o sinal de internet aparece menos que chuva em veranico. Com a base digital, a tecnologia pode facilitar comprovação de origem, segurança sanitária, rastreabilidade ambiental, programas de cooperativas, seguros e até operações de crédito rural.

Segundo a DX, um dos potenciais usos tá justamente no mercado financeiro, já que a individualização mais segura dos animais pode ajudar o produtor a usar o rebanho como garantia em operações. Frigoríficos também aparecem no radar, pressionados pelos mercados internacionais, tipo a China e a UE, que querem saber cada vez mais de onde veio o boi, como foi criado e se a história bate. Na África do Sul, a ID-Scan já foi testada até em simulação de roubo de gado com órgãos de segurança e Justiça. No Brasil, os primeiros testes operacionais devem começar ainda em junho, com parceria de algumas entidades e produtores rurais.

MENTES QUE GERMINAM

IA olha a soja do espaço e tenta prever a colheita

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Olhar pro céu sempre fez parte do trabalho no campo. Só que agora, além de nuvem carregada, chuva ou seca, também têm satélites e inteligência artificial na conta. Pesquisadores brasileiros criaram um modelo de IA que projeta a produtividade da soja no Centro-Oeste antes mesmo da colheita, só juntando imagens orbitais, informações do clima e dados do IBGE.

O estudo foi feito por Ester de Carvalho Pereira, uma mestranda da Esalq/USP, e publicado na revista científica Big Earth Data. A pesquisa analisou municípios de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul entre as safras 2019/2020 e 2021/2022, usando imagens do satélite Sentinel-2, variáveis meteorológicas e histórico do IBGE. O modelo teve 72% de precisão e errou por menos de 302 kg por hectare, em média.

A IA entrou justamente pra separar o que mais pesa na produtividade. Do lado do clima, apareceram precipitação acumulada, radiação solar e déficit hídrico. Do lado das imagens, ganharam importância as faixas ligadas ao infravermelho e ao red edge, que ajudam a mostrar como anda a atividade fotossintética das plantas. O sistema olha a lavoura de cima e tenta entender se a soja tá vivendo um ciclo tranquilo ou se já tá mandando sinal de mayday.

Ao todo, os pesquisadores criaram 6 modelos, considerando janelas de 30 a 180 dias após o plantio. O melhor desempenho apareceu no modelo de 150 dias, bem na fase de enchimento de grãos, quando a lavoura começa a entregar se vai virar safra cheia ou promessa de campanha. A ferramenta surge em um momento em que o clima anda bagunçando o calendário do produtor sem pedir licença. Na safra 2023/2024, o calor extremo e as chuvas irregulares derrubaram a projeção inicial da Conab de 162 milhões de toneladas pra uma produção final de 147,7 milhões de toneladas, segundo dados citados pela FAO.

Ainda falta chão pra essa tecnologia virar ferramenta de uso individual dentro de cada fazenda. O principal gargalo é a falta de dados mais detalhados por propriedade, o que obrigou os pesquisadores a trabalhar com bases públicas, como IBGE e MapBiomas. Mesmo assim, o sistema já mostra um grande potencial pra políticas públicas, monitoramento regional e planejamento agrícola. O grupo segue ajustando os modelos e já mira outras culturas, como cana-de-açúcar, além de boletins de acompanhamento da soja em estados como Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Physalis

Pergunta de hoje: Qual raiz brasileira deu origem à tapioca e sustentou expedições europeias no século XVI?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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