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Bom dia!
Hoje tem EUA propondo tarifa de 25% sobre produtos brasileiros mas deixando carnes, café verde e suco de laranja de fora da lista, Embrapa sendo citada como case mundial pelo MIT e drone autônomo chegando aos pomares brasileiros pra colher laranja. No meio disso, a Be8 mira etanol de trigo pra 2027, a Weed-it economiza 90% de herbicida na cana e o Brasil é reconhecido pela China como livre de aftosa sem vacinação.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
NAS CABEÇAS DO AGRO
Novo tarifaço dos EUA vem com susto, mas poupa uma boa parte do agro

Foto: TheAgriBiz
O novo tarifaço gringo chegou igual visita inesperada em hora de almoço, fazendo barulho, puxando uma cadeira e deixando todo mundo meio incomodado. O USTR, escritório comercial dos EUA, colocou na mesa uma proposta de tarifa de 25% sobre vários produtos brasileiros depois de uma investigação que acusou o Brasil de práticas desleais em temas que vão de comércio digital e Pix até etanol e desmatamento.
Mas, no meio desse susto, veio um respiro. A lista de exceções tem 73 páginas e deixou fora alguns pesos-pesados do agro, como carnes, café verde, café torrado, suco de laranja, manga, cacau, água de coco e açaí. O tarifaço veio, mas a inflação americana segurou a mão de Trump antes que ele mexesse no café da manhã do eleitor.
O motivo do alívio tem menos a ver com simpatia e mais com preço alto e estoque vazio. Os EUA dependem da gente em vários produtos, e pouparam os que podem ficar em falta na prateleira ou que podem complicar o bolso do americano se ficarem mais caros. A carne bovina escapou porque o rebanho americano tá no menor nível em décadas e o bife já anda com preço de ouro. O café também ficou de fora porque os americanos importam praticamente tudo que bebem e dependem do Brasil pra uma fatia relevante desse abastecimento. No suco de laranja, o aperto é ainda mais espremido, já que o Brasil responde por cerca de 55% do consumo americano, enquanto a produção da Flórida sofre com clima e greening.
Onde o tarifaço pega e onde ele só passou raspando
Carnes ficam fora da nova tarifa de 25%, o que tira um risco imediato de perda de competitividade dos frigoríficos brasileiros nos EUA, hoje o 2º maior destino da carne bovina do Brasil.
Café verde, torrado e moído também ficam isentos, mas o café solúvel não entrou na lista e pode ver a tarifa subir de 10% pra 35%, deixando a indústria com a xícara tremendo na mão.
Suco de laranja, frutas, cacau, água de coco e açaí foram poupados, reflexo da dependência americana de produtos que o país não consegue produzir em volume suficiente sem bagunçar preço e abastecimento.
Etanol e açúcar ficaram fora das exceções e podem ser taxados, enquanto Unica e Bioenergia Brasil rebatem os EUA dizendo que a tarifa brasileira sobre etanol segue regras do Mercosul e não mira especificamente o produto americano.
Pescados também podem levar 25% de tarifa, o que preocupa especialmente a tilapicultura, já que os EUA compram mais de 90% do filé fresco de tilápia exportado pelo Brasil.
Produtos florestais, sebo bovino e fumo aparecem entre os pontos de maior exposição, com a Farsul estimando impacto direto de até US$ 1 bilhão nas exportações brasileiras caso a tarifa seja aplicada.
A reação brasileira veio no tom de quem recebeu o boleto antes de terminar a negociação. O governo Lula disse estar indignado, afirmou que pode responder pela Lei de Reciprocidade e tentou manter o discurso do diálogo, enquanto Lula cobrou uma ligação de Donald Trump pra explicar a medida. Até o Pix entrou na mira dos americanos, com o argumento de que poderia afetar as empresas de cartão dos EUA, tipo MasterCard e Visa. Lula rebateu dizendo que eles deveriam criar um Pix por lá, copiar a ideia em vez de tentar implicar com a nossa.
O calendário da treta
As tarifas não entram em jogo de uma hora pra outra, ainda tem bola pra rolar:
Até 22/06, empresas e entidades podem pedir participação na audiência pública do USTR.
Até 01/07, interessados podem enviar manifestações escritas ao governo americano.
Em 06/07, acontece a audiência pública em Washington, com espaço pra setor privado e governos apresentarem argumentos.
Até 15/07, os EUA devem anunciar a decisão final sobre aplicar ou não as tarifas.
Até lá, governo brasileiro, entidades do agro e setores mais expostos tentam negociar novas exclusões, principalmente pra etanol, açúcar, pescados e café solúvel.
PAUTA VERDE
Be8 mira etanol de trigo e quer BeVant acelerando receita

Foto: Divulgação
A Be8 quer mostrar pra todo mundo que trigo não nasceu só pra virar pãozinho francês, massa e bolacha recheada. A empresa vai colocar no mercado, em 2027, seu etanol feito do cereal, dentro de uma estratégia bem maior, que mira deixar de ser apenas uma produtora de biodiesel e virar uma plataforma de energias renováveis.
A nova unidade, que vai produzir o combustível, fica em Passo Fundo (RS) e também vai produzir DDG e glúten vital. As obras tão bem encaminhadas, 70% já ficou pra trás, com previsão de finalizar tudo ainda nesse ano e iniciar as operações em março de 2027. E o timing não poderia ser melhor, o movimento chega em um momento em que combustível virou tema de guerra, imposto, subsídio, dólar e geopolítica, e todo mundo tá procurando alternativas.
Mas a Be8 não tá apostando só no trigo. No Paraguai, a empresa toca o projeto Omega Green, que deve começar a operar em 2029 e produzir Combustível Sustentável de Aviação a partir de 2030, usando óleos vegetais como soja, milho, girassol e canola. No Rio Grande do Sul, a companhia também tá preparando uma fábrica de hidrogênio verde, com investimento de R$ 38,7 milhões e um posto de abastecimento de veículos no pacote. É tanta frente energética que a empresa quase precisa de um Waze próprio pra organizar o caminho.
CAMPO ATUALIZADO
Drone que colhe laranja leva robôs ao pomar brasileiro

Foto: Marcos Fantin
A colheita de frutas ganhou um reforço que parece ter saído de um episódio especial de Black Mirror, só que sem apocalipse tecnológico e com cheiro de laranja. Robôs voadores, que parecem drones, já tão em testes em grandes fazendas do Brasil pra fazer a colheita das frutas de forma autônoma, sem ninguém no controle. A tecnologia é da startup israelense Tevel e foi trazida ao país pela Dal Tecnologia, que mostrou a novidade na 51ª Expocitros, em Cordeirópolis (SP).
Os robozinhos voam pelo pomar presos em uma base terrestre por cabos que fornecem energia, recebem as frutas colhidas e processam os dados que chegam pelas câmeras. Com vários sensores e software embarcado, eles identificam as laranjas, analisam tamanho, cor e ponto de maturação e colhem uma por uma com um braço de borracha que suga a fruta da árvore.
A máquina também pode usar um cortador no lugar da sucção. Nesse caso, ela serra o caule e deixa a fruta cair no chão, mas esse modo só pode ser usado pra laranja que vai parar na indústria de suco. Já a laranja colhida no modo sucção, que é tratada com mais carinho, pode ir pra mesa. Segundo a Dal, os robôs não chegam pra substituir os colhedores, mas pra complementar o trabalho, principalmente na parte mais alta das árvores. Hoje, muitos produtores podam os pomares entre 3,5 e 4 metros pra facilitar a colheita manual e reduzir o risco de acidentes. Só que árvore mais baixa também pode significar menos fruta. E a tecnologia entra justamente aí.
Cada drone colhe uma fruta a cada 12 segundos. Um conjunto completo tem 6 drones, o que dá 1 laranja a cada 2 segundos com tudo rodando direitinho. E o melhor é que o sistema pode operar 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem pedir arrego. Na Europa, a tecnologia já é usada comercialmente, principalmente na colheita de maçãs. No Brasil, o foco inicial vai ser laranja e maçã, mas os produtores de goiaba, pera e pêssego já entraram na fila.
ATUALIZAÇÃO RURAL
Weed-it economiza 90% do uso de herbicidas com aplicação localizada

Foto: Divulgação
Na cana-de-açúcar, o herbicida começou a trabalhar parecido com um sniper, sem sair atirando pra todo lado no talhão. A Usina Ester, em Cosmópolis (SP), botou na mesa uma economia de mais de 90% no uso de herbicidas depois que adotou uma nova tecnologia: a Weed-it, da Zait.ag. A ferramenta é usada pra fazer pulverização localizada, nada de sair aplicando em tudo.
O sistema usa vários sensores luminosos que são instalados nas barras de pulverização pra identificar plantas daninhas em tempo real, enquanto a máquina tá passando no talhão. Quando encontra o alvo, ela aciona automaticamente válvulas de alta velocidade apenas no ponto necessário e pulveriza só na planta daninha, sem pegar na cultura. Em vez de tratar tudo como mato, a máquina olha, pensa e aplica. Segundo o relatório da Usina Ester, foram manejados 589,1 hectares no período, mas apenas 55,95 hectares receberam herbicida de fato. O resto ficou só assistindo, sem tomar banho químico à toa.
Em algumas operações, a economia passou de 99% do volume de aplicação, principalmente em áreas de reforma de canaviais, pós-colheita e manejo localizado de daninhas. A tecnologia já tá sendo usada em cerca de 2 milhões de hectares no Brasil, principalmente em grãos e algodão, e agora começa a ganhar espaço no setor sucroenergético. E faz sentido. Com o custo cada vez mais apertado e o insumo cada vez mais caro, aplicar defensivo onde não precisa é jogar dinheiro fora.
Além de aliviar o bolso, a pulverização seletiva também dá um corte no volume de defensivos no campo, diminui o impacto ambiental e ajuda a preservar o solo. A Zait.ag também diz que o sistema não depende de calibrações muito complexas e entrega um resultado que já é visível logo depois da aplicação, o que facilita a vida das equipes operacionais.
MENTES QUE GERMINAM
Embrapa vira case mundial, mas precisa manter caixa pra continuar no topo

Foto: Divulgação/Embrapa
A Embrapa ganhou carimbo de case global vindo de onde o crachá pesa, o MIT. Jacob Moscona, professor de economia da instituição americana, disse que o modelo da estatal brasileira pode, e deve, servir de inspiração pra outros países, principalmente porque combina pesquisa pública, laboratórios espalhados pelo Brasil e tecnologia criada pra resolver problema daqui, não só importar receita pronta de fora.
Moscona é coautor de um estudo que colocou no microscópio 5 décadas da empresa e analisou tudo, de cabo a rabo. Segundo o artigo, os investimentos públicos nos mais de 40 laboratórios da Embrapa ajudaram a elevar a produtividade agrícola do Brasil em 110%. A cada US$ 1 investido, voltaram pelo menos US$ 17 em produção.
O professor diz que muitos economistas esperariam um retorno menor em países em desenvolvimento, como o Brasil, mas a Embrapa trabalhou onde EUA e Europa não tavam olhando. Em vez de pegar tecnologia gringa, passar um verniz tropical e torcer pra dar certo, a estatal desenvolveu soluções pros solos, climas e desafios daqui. Moscona comparou a estrutura da estatal com a do USDA, nos Estados Unidos, colocando os sistemas como “equivalentes” e citando que os dois têm cerca de 2 mil cientistas com doutorado no plantel.
Mas o elogio vem com puxão de orelha. Moscona deixou o alerta de que cortar investimento em pesquisa pode fazer o país perder uma boa parte do que construiu, ainda mais com as mudanças climáticas, novas pragas e desafios produtivos batendo na porteira todo ano. Pra ele, a Embrapa precisa manter seu DNA, com pesquisa descentralizada e projetos de longo prazo que o setor privado costuma deixar na gaveta, mas também se atualizar. Viver de glória passada funciona pra documentário de futebol. No agro, a próxima safra sempre cobra inovação.
PLANTÃO RURAL
Plano Safra pode bater R$ 550 bilhões em 2026/27
O governo considera um Plano Safra de cerca de R$ 550 bilhões, com juros abaixo de 10%, segundo o ministro da Agricultura. A previsão é anunciar o pacote em 01/07. Também deve sair uma linha de R$ 14 bilhões pra máquinas agrícolas, com juros de 8,5% no BNDES e 9,5% nos demais bancos.
JBS e MBRF miram a Copa pra vender mais churrasco
MBRF e JBS tão vendo a Copa do Mundo como final de campeonato também no açougue. A Sadia espera vender até 50% mais que em 2022, com itens temáticos e patrocínio da seleção. A Seara mira alta de 40% e a Friboi espera vender 10% mais no Mundial.
BNDES libera R$ 79,9 milhões pra armazenagem da Coopavel
O BNDES aprovou R$ 79,9 milhões pra Coopavel ampliar sua estrutura de armazenagem no oeste do Paraná. O dinheiro vai pra duas unidades em Nova Aurora e Cascavel, cada uma com capacidade de 40 mil toneladas. A ideia é reduzir gargalos no pós-colheita e dar mais fôlego ao produtor na hora de vender.
São Paulo tributa tilápia do Vietnã e anima piscicultura local
O governo paulista assinou decreto pra tributar a entrada de filé de tilápia do Vietnã no estado. A Peixe SP comemorou a medida, dizendo que ela ajuda a corrigir uma distorção de mercado que vinha apertando a piscicultura nacional. O setor defende que o produto brasileiro segue regras ambientais, trabalhistas e tributárias mais rígidas.
Ministro vê barreira europeia à carne como defesa de mercado
O ministro da Agricultura afirmou que o bloqueio da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil “parece defesa de mercado”. A medida, prevista pra 03/09, mira regras sobre antimicrobianos e tem a carne bovina como principal gargalo. Enquanto isso, o Brasil tenta convencer os europeus com novo protocolo de bovinos livres desses insumos.
Diesel S-10 cai 3,8% nos postos em maio
O diesel S-10 recuou 3,8% nos postos em maio, segundo a Ticket Log, com preço médio de R$ 7,32 por litro. O etanol também caiu 6,58%, pra R$ 4,54, e a gasolina baixou 1,16%, pra R$ 6,82. Depois da alta puxada pela guerra no Irã, o combustível deu uma folga no caixa com as medidas e subsídios do governo.
China reconhece Brasil livre de aftosa sem vacinação
A China reconheceu todo o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação. Na prática, isso pode abrir caminho pra ampliar vendas de proteína ao país asiático, incluindo carne bovina com osso, miúdos bovinos e suínos e até itens usados pela indústria farmacêutica.
Confinamento pode chegar a 9,78 milhões de bovinos
O Brasil pode confinar 9,78 milhões de bovinos em 2026, alta de 5,7% sobre 2025, segundo prévia da dsm-firmenich. Mato Grosso lidera com 2,4 milhões de cabeças, seguido por São Paulo e Goiás, com 1,4 milhão cada.
Pecuária brasileira leva descarbonização pra vitrine da FAO
A ApexBrasil vai apresentar na FAO, em Roma, um estudo da FGV Agro e Abiec sobre descarbonização da pecuária de corte. A pesquisa projeta redução de até 92,6% na intensidade das emissões até 2050, com mais produção sem abrir novas áreas. O caminho passa por tecnologia, recuperação de pastagens e eficiência.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Arroz
Pergunta de hoje: Qual fruta andina, parente do tomate, era considerada sagrada pelos incas e renasceu como superalimento?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
