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Bom dia!

Hoje tem Brasil correndo pra apresentar protocolo de certificação de boi sem antimicrobianos e tentar destravar a carne na Europa antes do prazo de setembro, governo tentando segurar quatro pautas do agro no Congresso que estão fazendo a equipe econômica suar e mosca parasita encontrada a menos de 50 km da fronteira americana ameaçando o rebanho dos EUA. No meio disso, a inadimplência rural bateu 8,2% no 4º trimestre de 2025, Massari e Morro Verde triplicam produção de fosfato e Petrobras anuncia desconto no diesel.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,16 -0,17% 5,25 -0,14%
IPCA (%) 5,09 1,05% 4,02 0,24%
PIB (%) 1,90 0,67% 1,70 0,00%
Selic(% a.a.) 13,25 0,00% 11,25 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Brasil tenta entregar boi com ficha limpa pra destravar a Europa

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A carne brasileira tá tentando renovar o visto europeu, mas dessa vez o carimbo vem com exigência de histórico sanitário completo. O Ministério da Agricultura homologou, na segunda-feira (1), o Protocolo Privado de Exportação de Bovinos Livres de Antimicrobianos, criado pela Abcar com apoio de entidades como CNA e Abiec. A ideia é certificar os bovinos e bubalinos que não receberam esses insumos, numa tentativa de destravar a conversa com os europeus antes do prazo final, em setembro.

A correria tem motivo. A União Europeia tirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados ao bloco a partir de 3/9, por que tão duvidando do jeito como a gente comprova que não usa antimicrobianos na cadeia pecuária. No Brasil, esses produtos podem ser usados de uma forma mais racional, de leve. Na Europa, o buraco é mais embaixo, e o bloco quer uma garantia de que todo animal destinado pro mercado europeu passou a vida inteira sem esse tipo de tratamento.

Esse novo protocolo é voluntário e mira pecuaristas e frigoríficos que tão de olho em continuar vendendo pra UE. Ele deve funcionar com segregação dos animais, cadastro no Sisbov, certificação individual e avaliação do manejo nas fazendas, incluindo controle de antibióticos, aditivos nutricionais e identificação dos bovinos monitorados. O Ministério da Agricultura ficaria responsável por toda a parte de auditar as fazendas e os frigoríficos.

O nó da história é a rastreabilidade. O Sisbov já existe e é obrigatório pra exportar carne bovina pra União Europeia, mas hoje só garante os últimos 90 dias de vida do animal. Já no caso dos antimicrobianos, os europeus querem o filme inteiro, do nascimento ao abate. E como o boi brasileiro pode passar por várias propriedades antes de chegar ao frigorífico, rastrear tudo isso pode virar uma baita dor de cabeça.

O setor frigorífico espera que essa homologação ajude o Brasil a mostrar serviço e convencer Bruxelas de que consegue fiscalizar a cadeia. Mas ainda tem um detalhe que pesa no relógio: até setembro, não deve haver animais certificados pelo novo protocolo, o que reforça o pedido brasileiro por uma transição na correria. A UE já rejeitou essa ideia antes, então o Brasil vai ter que chegar na conversa com planilha, auditoria e sangue frio pra mostrar que, dessa vez, esse plano deve dar certo.

SAFRA DE CIFRAS

Inadimplência rural sobe e crédito fica mais desconfiado

Gif: Giphy

O campo fechou 2025 com mais produtor tendo que fazer malabarismo no caixa pra não se complicar de vez e talvez até falir. Dados inéditos da Serasa Experian mostram que a inadimplência da população rural bateu 8,2% no 4º trimestre de 2025, alta de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. Na comparação trimestral, o avanço foi menor, de 0,2 ponto percentual, mas o boleto segue ali, firme, forte e sem dó.

O indicador conta as dívidas de pessoas físicas da população rural vencidas há mais de 180 dias, com valor mínimo de R$ 1 mil e ligadas a financiamento ou atividades do agro. Segundo a Serasa, o produtor ainda tá lidando com margens apertadas, custos altos, preços instáveis e um crédito mais seletivo. É o pacote completo do perrengue financeiro, com juros no prato principal e fluxo de caixa pedindo sobremesa fiado.

Na divisão por perfil, quem aparece com a maior inadimplência é o grupo sem informação de registro rural, com 9,9%, onde podem entrar arrendatários ou participantes de grupos familiares e econômicos. Logo atrás vêm os grandes proprietários, com 9,8%, depois os médios, com 8,3%, e os pequenos, com 7,8%.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Governo tenta desarmar “pautas-bomba” do agro no Congresso

Foto: Reuters/Ricardo Moraes

O governo Lula colocou o traje antibomba pra tentar segurar 4 pautas “explosivas” do agro que avançaram no Congresso e acenderam o alerta na equipe econômica. Na mira tão a renegociação das dívidas rurais, o seguro rural, o Profert, voltado a fertilizantes, e trechos do PLP 114 ligados a combustíveis.

A ideia deles agora é agir em 3 frentes. Primeiro, tentar mudar os textos nas próximas etapas, principalmente no Senado. Depois, reapresentar uma MP mais enxuta pra renegociação das dívidas rurais. E, se nada disso funcionar, dar a canetada do veto em alguns trechos ou até em propostas inteiras.

O caso mais sensível é o PL 5122/2023, aprovado na CAE do Senado, que trata da renegociação das dívidas rurais. O texto prevê R$ 130 bilhões pra renegociação, com juros entre 3,5% e 7,5%, diferentes tipos de dívida, como CPRs, e abre espaço pro uso do Fundo Social do pré-sal sem um valor combinado. A Fazenda tentou empurrar uma versão mais magra, com juros entre 6% e 12% e sem mexer no fundo, mas os senadores escolheram continuar com o relatório de Renan Calheiros (MDB-AL). A votação no plenário deve ficar pra terça-feira (10), enquanto governo e agro tentam achar um meio-termo antes que a conta vire briga de família no almoço de domingo.

No seguro rural, a bancada ruralista quer transformar os recursos do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) em despesa obrigatória, blindada contra bloqueios e cortes do Planalto. O governo tentou atrelar o financiamento ao Proagro, mas a FPA torceu o nariz, lembrando que as economias de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões feitas na reformulação do programa em 2023 não foram parar no seguro rural como o setor esperava.

Já no Profert, o texto aprovado prevê até R$ 7,5 bilhões em créditos fiscais e incentivos ao longo de 5 anos, além de linhas de financiamento e um fundo pra fortalecer a produção nacional de fertilizantes.

O PLP 114 ainda segue em aberto e mexe com temas que fazem o setor sucroenergético levantar da cadeira, como a Cide sobre gasolina, a compensação de créditos tributários e a manutenção da vantagem competitiva do etanol de cana na briga com a gasolina. Pra equipe econômica, o pacote todo pode dar uma apertada nas contas públicas porque cria despesas, amplia os subsídios e abre renúncias fiscais, justamente em um momento em que o governo já congelou mais de R$ 23 bilhões nos 2 primeiros bimestres de 2026. O agro quer fôlego, a Fazenda quer freio, e o Congresso tá tentando desarmar essas bombas sem cortar o fio errado.

COLHENDO CAPITAL

Depois de fusão com Massari, Morro Verde triplica produção de fosfato e mira R$ 1 bi no caixa

Foto: Divulgação

Quando fertilizante vira assunto de geopolítica, ter fosfato em casa deixa de ser detalhe e passa a ser quase seguro anti-perrengue. A fusão entre Massari e Morro Verde já começou a mexer nessa conta, com a produção da mina de Pratápolis, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, chegando a quase 3 vezes o volume de 2025. A empresa botou R$ 20 milhões nessa unidade e jogou a capacidade de produção de fosfato natural reativo lá pra cima, saindo de 400 mil pra bater 1,2 milhão de toneladas por ano.

A reserva de Pratápolis é a maior do país fora das mãos de multinacionais, com mais de 100 milhões de toneladas e vida útil estimada em pelo menos 50 anos. O plano agora é sair das 3 milhões de toneladas de fertilizantes minerais mistos por ano, registradas após a fusão, pra 5 milhões de toneladas em 3 anos. No caixa, a meta também é parruda, saltar de R$ 500 milhões pra R$ 1 bilhão nesse mesmo período.

A aposta mira uma dor antiga do agro brasileiro, a dependência externa. O nosso agro importa mais de 80% dos fertilizantes que consome e, quando guerra, câmbio, frete e rota marítima resolvem brincar de lutinha, a conta chega direto na lavoura. A Massari Morro Verde quer vender fertilizantes minerais mistos feitos com rochas nacionais, pensados pros solos tropicais e com promessa de custo competitivo, menor impacto ambiental e mais eficiência agronômica no longo prazo. O desafio é convencer o produtor de que rocha não serve só pra tropeçar no meio da roça ou pra travar colheitadeira.

RADAR SANITÁRIO

Mosca parasita vira ameaça nos EUA e assusta pecuária do Texas

Foto: John Kucharski/Animalia/PD

A pecuária dos EUA ganhou um daqueles alertas sanitários que fazem o produtor olhar pro pasto ouvindo trilha sonora de filme de terror de fundo. A larva da mosca-da-bicheira, também chamada de bicheira-do-Novo-Mundo, foi encontrada em uma ovelha de 6 meses no estado mexicano de Coahuila, a menos de 50 km da fronteira americana. É o ponto mais perto que o parasita chegou dos EUA neste surto recente.

E essa mosca não é daquelas que só atrapalham o churrasco e pousam na maionese. As fêmeas colocam centenas de ovos em feridas de animais de sangue quente e, quando as larvas nascem, elas entram na carne viva, aumentam a lesão e podem matar o animal se não houver tratamento. É um bicho pequeno, mas que pode causar um estrago gigante e um prejú maior ainda.

O USDA e o México já vinham tentando segurar a praga do lado de lá do muro, inclusive com bloqueio das importações de gado mexicano por mais de 1 ano. A tensão é maior porque o rebanho bovino dos EUA já tá no menor nível em 75 anos e a carne bovina tá em preços recordes. Se a mosca cruzar a fronteira e atingir o gado, pode tirar ainda mais bezerros da oferta e deixar o churrasco americano com cara de produto de luxo.

O Texas, maior estado produtor de gado dos EUA, é quem mais tá sentindo o bafo quente na nuca. Uma estimativa do USDA aponta que um surto poderia causar prejuízo de US$ 1,8 bilhão só na economia texana. O governo americano já colocou milhões de dólares em estruturas pra produzir moscas estéreis, uma das principais armas contra a praga, mas as instalações ainda não tão funcionando. Enquanto isso, a fronteira virou uma espécie de porteira sanitária com todo mundo torcendo pra mosca não pedir green card.

POR DENTRO DO MERCADO

Irrigação cresce, mas crédito ainda fecha a torneira

Gif: kiddinx on Giphy

Quando o clima resolve brincar de roleta russa com a lavoura, a irrigação deixa de ser luxo e vira quase colete salva-vidas da produção. O setor cresceu nos últimos anos porque o produtor tá tentando se proteger de seca, chuva fora de hora e previsão do tempo que muda mais que humor de mercado. Mas, segundo Luiz Alberto Roque, CEO da Bauer, ainda tem um registro travando a água de chegar no talhão. O nome dele é financiamento.

Na visão dele, a expansão depende de 3 pilares bem simples de entender e bem difíceis de resolver ao mesmo tempo. Água, energia e capital. Pra destravar a última parte, a Bauer criou, nos últimos 2 anos, 3 fundos de investimento ligados ao mercado de capitais. A ideia é permitir que o produtor compre o equipamento e pague as parcelas com o ganho de produtividade gerado pela própria irrigação. Hoje, cerca de 50% das vendas da empresa já passam por esse modelo, com prazo de pagamento de até 5 anos.

Mesmo com margens mais apertadas e produtor pisando no freio, a irrigação segue entre os investimentos que ainda entram na lista de prioridades. Roque diz que o setor deve cair 15% nesse ano, mas lembra que o mercado praticamente dobrou em investimento nos últimos 4 anos. Quando El Niño, seca e chuva fora de hora entram na conversa, o produtor começa a olhar pro pivô com mais carinho que pra previsão do tempo.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Urucum

Pergunta de hoje: Qual cereal, domesticado há 9 mil anos na China, se tornou o ingrediente principal do saquê japonês?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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