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Bom dia!
Hoje tem SLC e Bom Futuro dividindo as terras da Radar num negócio de R$ 1,85 bilhão, o Senado liberando R$ 15 bilhões pra segurar o exportador contra o tarifaço, e a JBS engavetando a meta de zerar o carbono até 2040.
No meio disso, o agro pediu ao Tesouro um fiador de R$ 8 bilhões pra destravar o custeio da safra, a Kepler encolhe enquanto a Gaúcha LW dobra erguendo silo, e a reunião do etanol foi remarcada de novo, agora pra terça.
Pra você fechar a semana já por dentro de tudo.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
QUEM COMPROU E QUEM SÓ OLHOU
A SLC quis comprar tudo, ficou com menos e ainda saiu ganhando

Fonte: InfoMoney
Ó, essa interessa pra quem sonha em ter terra. A SLC, uma das maiores do agro, comprou 8,9 mil hectares de terra boa no Mato Grosso por R$ 669 milhões. Faz a conta: dá uns R$ 72 mil o hectare, o preço de fazenda de primeira por lá hoje. E olha o pulo do gato: ela já plantava nessa terra de aluguel, e quem já planta tem o direito de comprar primeiro. Foi assim que levou. Comprou até menos do que queria, mas gastou menos e o mercado gostou. A lição que fica é: na terra, quem já tá com o pé lá dentro larga na frente. E, nem sempre, comprar tudo de uma vez é a melhor jogada.
PAUTA VERDE
A JBS botou a promessa de carbono zero no freezer

Fonte: Giphy
Essa é pra quem vende boi ou vive de sustentabilidade. A JBS, maior frigorífico do mundo, desistiu da meta de zerar o carbono até 2040 que tinha prometido em 2021.
O motivo? A maior parte da poluição dela não sai da fábrica, vem do gado e da ração que ela compra. E é justo dessa parte que ela largou a meta.
Segue de pé só o que ela controla direto, menos de 4% do total. E os US$ 100 milhões que prometia pra pesquisa também foram engavetados.
O mercado não gostou: o Santander rebaixou a recomendação da ação na hora.
No fim, a meta bonita foi pro freezer, e ninguém sabe quando descongela.
DE OLHO NO PORTO
O Senado passou um colete de R$ 15 bi pro exportador

Fonte: Giphy
Quando o mundo aperta a torneira do comércio, quem manda navio cheio sente primeiro. Pensando nisso, o Senado aprovou uma medida que libera até R$ 15 bilhões pra socorrer o exportador atingido por tarifa lá fora. Só que o dinheiro não cai na conta de ninguém: serve de garantia pra o banco emprestar com menos medo, e o governo só gasta se o exportador der o calote. O agro entra nessa porque puxa mais da metade das exportações, e frigoríficos, tradings e usinas podem recorrer se levarem uma paulada. Preservando o caixa deles, a ideia é que não parem de comprar a safra. Pra quem planta, exportador com fôlego é a diferença entre vender e ficar com o grão parado.
COLHENDO CAPITAL
O agro bateu na porta do Tesouro pedindo um fiador

Fonte: Globo Rural
Essa é pra quem vai precisar de crédito pra plantar. Às vezes o problema não é a falta de dinheiro, é a falta de quem confie em você pra emprestar.
Foi o que Abrapa, Aprosoja e CNA levaram ao governo: um fundo que funciona feito fiador na hora de alugar.
Eles pedem R$ 8 bilhões do Tesouro, que serviriam de garantia pra destravar até R$ 80 bilhões de crédito pra próxima safra.
O produtor entra com 1% de cada operação, e o dinheiro sai a taxa de mercado, sem o governo bancar juro.
Se o Tesouro topar virar fiador, o custeio da safra que vem respira.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A conta da armazenagem trava a Kepler e engorda a Gaúcha LW

Fonte: makeameme
Guardar grão é bom negócio no Brasil, que vive com falta de silo. O problema é quem paga a estrutura, porque o mesmo setor sufoca uma empresa e engorda a outra.
A Kepler Weber, fabricante gaúcha de silos, tá no lado apertado: o Citi vê mais um trimestre fraco, com a menor margem desde 2018, porque produtor sem margem não compra silo.
Já a Gaúcha LW, que ergue estrutura pra gigantes de fertilizante como Yara e Mosaic, mira R$ 600 milhões e dobra de tamanho.
A diferença é o endereço do cliente: enquanto o produtor segura o bolso, a indústria segue investindo. E a dura realidade é que o silo que falta no Brasil continua faltando enquanto quem mais precisa não pode pagar.
RADAR SANITÁRIO
A Europa vai fechar a porta pra carne do Brasil?

Fonte: comprerural
Essa preocupa quem vive de boi, frango ou peixe. A União Europeia vai barrar a carne e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro.
O motivo? Ela quer prova de que os animais não usaram certos antibióticos proibidos por lá.
E dói no bolso porque a Europa é o terceiro maior comprador da nossa carne bovina, e a porta fechada esperando provas pode custar até US$ 2 bilhões por ano.
O governo e os frigoríficos já estão correndo atrás de um jeito de rastrear e separar só o gado que vai pra lá. E tem um nó: a indústria quer regra dura, mas o produtor teme perder produtividade.
No fim, é uma corrida contra o tempo.
DEU B.O.
A Lavoro escolheu encolher pra não quebrar de vez

Fonte: AGFeed
A novela da Lavoro parou no pedido de socorro. Esta semana saiu a letra miúda do plano, e ela é de encolher feio. Um documento na Justiça do Paraná mostra que a empresa vai ficar com só 13 lojas, todas paranaenses, e cortar o quadro de 615 para 350 funcionários, um corte de 43%. O que sobra é menos de 10% do que a Lavoro já foi. E tem uma lógica fria por trás: na última safra, as lojas do Paraná faturaram R$ 410,5 milhões, contra apenas R$ 49,4 milhões das de São Paulo, que sozinhas respondiam por 84% do prejuízo. No fim, o plano de sobrevivência virou uma conta de subtração.
PLANTÃO RURAL
Aumento da mistura de etanol: o governo remarcou para terça-feira (14) a reunião do CNPE que decide o aumento da mistura de etanol na gasolina, a quarta data desde maio.
Smurfit Westrock: anunciou investimento de R$ 1 bilhão para crescer no setor de papel e celulose no Brasil.
Soja em Chicago: a soja caiu em Chicago mesmo com a China comprando grão dos EUA, e milho e trigo também operaram em baixa.
Embrapa: um estudo aponta que a estatal passa por um "ponto de inflexão institucional", com dificuldade crescente de transformar ciência em resultado.
Colheita da Cooxupé: a maior cooperativa de café do mundo colheu só 31% da safra, o ritmo mais lento desde 2018 por causa da chuva acima da média.
Registro do crédito rural: o Banco Central publicou norma que fixa prazos-limite para evitar alterações indevidas no registro do crédito rural.
StoneX: ampliou o negócio de trading e levou a comercialização de café e algodão para uma plataforma digital.
SE DIVERTE AÍ
Sabe aquela mania de acompanhar pra onde vai o navio cheio de soja e de boi do Brasil? O Globle: Capitals é o seu joguinho: todo dia ele esconde uma capital do mundo e, a cada palpite, o globo esquenta ou esfria conforme você chega perto. Dá pra ir de Brasília a Tóquio testando o mapa que você já tem na cabeça de tanto pensar em rota de exportação. É de graça, sem cadastro, roda no celular e traz capital nova todo dia pra fazer a mente girar antes do café.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o Cerrado. O bioma do miolo do Brasil segura mais da metade dos grãos do país, o quintal onde soja, milho e algodão brotam em escala mesmo debaixo de um sol de rachar.
Pergunta de hoje: qual estado brasileiro é o maior produtor de soja do país?
A resposta você confere na próxima edição!

