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Bom dia!
Hoje tem a maior distribuidora de insumos da América Latina ensaiando o pedido de recuperação judicial, governo e ruralistas levantando da mesa sem acordo sobre a dívida rural, com MP no forno, e o aumento do etanol na gasolina adiado mais uma vez, sem nem data nova. No meio disso, o foie gras chegou à caneta do presidente, a Embrapa lançou um trigo tropical feito pra biscoito e a soja flerta com R$ 140 a saca, a melhor cotação do ano.
Pra você começar o dia um passo à frente.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
DEU B.O.
Lavoro ensaia o pedido que o agro temia

Fonte: Globo rural
Empresa pequena quebra em silêncio, uma loja fecha, ninguém repara. Gigante não tem esse luxo. A Lavoro, maior distribuidora de insumos agrícolas da América Latina, prepara o pedido de recuperação judicial, a ferramenta mais pesada da prateleira de quem deve mais do que consegue pagar.
A semana já vinha feia. A empresa vai fechar as 14 lojas de São Paulo e concentrar tudo no Paraná. E ontem um credor apertou o cerco, a UPL, com R$ 372 milhões a receber, foi à Justiça dizer que a reorganização da empresa esvaziou as garantias de quem emprestou. Na leitura dela, o ativo mudou de endereço e o calote ficou pra trás.
O histórico já entregava o final, mais de 20 aquisições, estoque encalhado, dívida que não coube no orçamento. Pra quem compra insumo por aí, fica o aviso: fornecedor nervoso costuma pedir garantia antes de soltar a semente.
ASSUNTO DE GABINETE
Duelo de calculadoras decide quanto vai custar sua dívida

Fonte: Agrolink
A reunião de terça entre a bancada ruralista e o ministro Dario Durigan terminou sem acordo sobre a renegociação da dívida rural. Resultado, o governo decidiu partir pra Medida Provisória.
E aí mora a treta. O governo quer juro de 6%, 9% e 12% ao ano (pequeno, médio e grande produtor) e 8 anos de prazo; a bancada defende 3,5%, 5,5% e 7,5%, com 10 anos pra pagar. À noite os ruralistas ainda mandaram uma contraproposta separando quem perdeu com clima de quem perdeu com mercado, num pacote que custa R$ 2,5 bilhões por ano, contra R$ 1,5 bilhão da conta do governo.
No fim, o que muda pro produtor endividado é a régua e a pressa. A MP sai rápido, mas com juro mais salgado; o projeto é mais gentil, mas depende de votação. Enquanto o cabo de guerra continua, a dívida antiga corre no juro antigo.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
O agro marcou com o governo e levou bolo de novo

Fonte: Giphy
Quase um terço do que sai da bomba de gasolina no Brasil é lavoura, e essa fatia ia crescer ontem. O CNPE tinha reunião marcada pra elevar a mistura de etanol de 30% pra 32%, o tal E32. Adiada de novo, já é a quarta vez desde maio, e dessa vez nem justificativa saiu.
O motivo? Pauta cheia no conselho (gás da União, dívida de Angra 3) e um espinho a mais, o tarifaço americano. Especula-se que o Brasil poderia usar o imposto do etanol dos EUA como moeda de troca, mas o governo voltou a negar essa hipótese.
Pra quem planta cana e milho, cada ponto a mais na mistura é demanda nova. O espaço legal existe, a lei já permite subir até 35%. Falta o mais simples: uma reunião que aconteça.
PRA DENTRO DA PORTEIRA
Foie gras na mesa do Planalto, e não é jantar

Fonte: CNN Brasil
Imagina pagar caro num patê e descobrir que ele pode virar crime. O foie gras brasileiro caminha exatamente pra aí. O projeto que proíbe sua produção e venda chegou à mesa do presidente, depois de seis anos no Congresso. Se virar lei, fabricar ou vender a iguaria passa a render detenção de três meses a um ano.
O problema é o modo de fazer, a gavage, que é alimentar patos e gansos à força com sonda, várias vezes ao dia, até o fígado inchar bem além do tamanho normal. Mais de 20 países já baniram a técnica. O texto brasileiro barra também o produto importado, o que pega em cheio os restaurantes que servem a iguaria.
Foie gras é nicho dos nichos no cardápio brasileiro, poucos vão sentir falta. O que cresce de verdade é o precedente, bem-estar animal virando lei federal com pena de prisão. Hoje a régua parou no pato. Falta saber o que ela mede amanhã.
PAUTA VERDE
O imposto verde da Europa acordou com fome

Fonte: Giphy
Sabe aquele pedágio que começa só nos caminhões e, quando você percebe, já cobra até da bicicleta? A União Europeia tem um desses pra carbono, o CBAM. Ele já taxa aço, alumínio, cimento e eletricidade importados, e agora o Parlamento Europeu aprovou ampliar a lista pra cerca de 180 produtos manufaturados.
E o agro entra pelo bolso do adubo. O fertilizante já paga esse pedágio desde janeiro, e agora a UE quer colocar quem fabrica e quem usa o insumo num fundo que ajuda a segurar o custo da transição.
Ainda falta votação no plenário em setembro e negociação final com o Conselho. Mas o recado já ficou claro, pegada de carbono deixou de ser papo de relatório de sustentabilidade e virou item de despacho aduaneiro. Quem já mede a própria pegada atravessa a cancela tranquilo.
PLANTÃO RURAL
NY apertou o botão de desfazer: o café arábica caiu mais de 9% e devolveu boa parte da disparada de segunda-feira.
Fila cheia no frigorífico: o Brasil abateu 2,4 milhões de bovinos em junho, com Mato Grosso batendo recorde e liderando a lista.
O hóspede indesejado assinou o contrato: o El Niño 2026/27 começou oficialmente em versão forte, com risco de perdas, mas especialistas descartam colapso.
Transbordou no tanque: o excesso de oferta de leite adia a recuperação dos preços ao produtor até o fim de 2026.
Chicago empurrou, o porto agradeceu: a soja brasileira se aproxima de R$ 140 a saca, a melhor cotação do ano.
Sobremesa de gente rica: o cacau segue em alta e superou a marca de US$ 6 mil em Nova York.
Passou de ano, mas com bilhete na agenda: a Moody's manteve o rating da Amaggi, agora com perspectiva negativa após a compra de 40% da FS.
Ciência com cheiro de forno: a Embrapa lançou o primeiro trigo tropical desenvolvido para a indústria de biscoitos.
SE DIVERTE AÍ
Sabe quando o papo na feira pula da chuva pro dólar e do dólar pra arroba, e no fim era tudo a mesma conversa? O Conexo é esse fenômeno em forma de jogo: 16 palavras embaralhadas na tela e a missão de montar 4 grupos de 4 que escondem algo em comum. Parece moleza, até uma palavra teimar em caber em dois grupos e a sua certeza ir pro brejo. Quem vive ligando clima, preço e frete acha conexão escondida por reflexo. Bora lá.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: São Paulo, com folga. O interior paulista colhe cerca de três quartos da laranja do Brasil e abriga o maior cinturão citrícola do mundo, o resto do país disputa o segundo lugar.
Pergunta de hoje: qual bioma brasileiro responde por mais da metade da produção de grãos do país?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!

