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Bom dia!

Hoje o mundo largou o copo de suco e a laranja viu a receita despencar 30%, a safra que vem já nasceu mais cara com o fertilizante pesando no bolso, e no tarifaço a virada é que até o setor de máquinas dos Estados Unidos foi pedir o fim da farra. No meio disso, o 2º maior café do país renegocia dívida, a China esfriou as compras e o boi sentiu, e a soja carbono zero saiu do papel em Mato Grosso.

Pra você começar o dia sabendo mais que o vizinho de porteira.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3)R$172.020,69-0,25%6,76%
IFIXR$3.828,53-0,17%1,31%
RAIZ4R$0,392,63%-51,85%
CSAN3R$3,840,00%-27,82%
SMTO3R$15,322,41%1,32%
JALL3R$1,98-0,50%-28,52%
KNCA11R$89,930,01%-6,81%
CPTR11R$8,03-0,86%-1,95%
EthereumUS$1,770.71-2,35%-40,73%
BitcoinUS$63,328.03-1,60%-28,32%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

DE OLHO NO PORTO

O mundo largou o copo de suco

Fonte: Giphy

O Brasil vendeu praticamente o mesmo tanto de suco de laranja, e ganhou muito menos por isso. Na safra 2025/26 o volume exportado ficou quase de pé, mas o faturamento despencou 30,4%, de US$ 3,42 bilhões para US$ 2,38 bilhões, mais de um bilhão de dólares que evaporou do bolso do citricultor.

O que segurou a queda de não virar tombo tem sotaque conhecido, Estados Unidos e China. Enquanto os fregueses tradicionais recuaram, esses dois abriram a carteira. A Europa, maior compradora, cortou 10,9% em volume e 38% em receita, e o Japão teve o maior baque. Já os EUA cresceram 16,3% e viraram o principal destino, com o share subindo de 40% para 48%, e a China aumentou 26% as compras.

O pano de fundo é uma tendência chata de reverter, o consumo global de suco cai cerca de 4% ao ano, entre preço alto, greening e a fama de "muito açúcar". Para quem vive da laranja, o recado é amargo, quando o freguês antigo some, é o freguês novo que dita o preço, e ele paga menos.

COLHENDO CAPITAL

A crise da Raízen assustou, mas o crédito não fugiu

Fonte: theagribiz

Pode respirar, o susto da Raízen não contaminou o setor. O Itaú BBA cravou que a dificuldade da gigante do etanol é caso isolado e disse manter a confiança no crédito do setor sucroenergético, o recado que o mercado queria ouvir depois de a maior sucroalcooleira do país acender o alerta.

Só que aliviar de um lado não apaga o incêndio do outro. Enquanto o crédito segura as pontas, o clima entrou em campo pra atrapalhar, o El Niño, previsto para se manifestar de forma "muito forte", ameaça a colheita da cana do segundo semestre. Não basta ter cana no pé, precisa de tempo firme pra colher e moer o volume todo, e é justamente isso que a previsão coloca em xeque.

Para a usina, o retrato é de dois pesos, o dinheiro ainda está disponível pra quem tem casa organizada, mas a natureza pode cobrar a conta na moagem. O resumo pro setor é esse, crédito é fôlego, mas quem colhe cana ainda depende do humor do tempo, e o tempo, este ano, anda de cara fechada.

SAFRA DE CIFRAS

A safra que vem já nasceu mais cara

Fonte: Giphy

O produtor ainda nem plantou e a conta da safra 2026/27 já chegou salgada. O Itaú BBA revisou as projeções e vê piora nas margens da agricultura no próximo ciclo, um coquetel de pressões que aparece antes de a semente entrar na terra, com os fosfatados em déficit e o clima incerto.

E o adubo é o nó. As importações de fertilizante caíram, com a ureia mais barata de um lado e os fosfatados pressionados do outro, sinal de produtor jogando na defesa. Do lado bom, o banco ainda projeta a carteira de crédito ao agro 10% maior, dinheiro tem, o problema é o custo do que ele compra.

E tem a novela dos insumos no Congresso. O Profert, programa de estímulo à produção de fertilizante, deve ser votado nos próximos dias no Senado, o país tentando no grito reduzir a dependência de adubo importado que corrói a margem toda safra. O recado pra quem vai plantar é direto, a margem de 26/27 vai se decidir menos na porteira e mais no preço do adubo, e esse preço, boa parte, vem de fora.

COMO TÁ LÁ FORA?

Até os americanos querem o tarifaço no lixo

Fonte: Globo Rural

Virou aquele presente que nem quem deu quer mais. O próprio setor de máquinas dos Estados Unidos foi às audiências pedir o fim do tarifaço, não por bondade com o Brasil, mas pra proteger a própria indústria americana, que também apanha na conta. Quando quem cobra a tarifa começa a torcer contra ela, é sinal de que o tiro saiu pela culatra.

O tom, aliás, baixou. A audiência do agro teve menos tensão do que se esperava, com defesa mais técnica e menos embate político, e entraram pedidos de isenção para uma lista bem brasileira, café solúvel, mel, arroz e etanol. Não que o assunto tenha virado brincadeira, o impacto no agronegócio brasileiro pode chegar a US$ 4,2 bilhões.

Para o exportador, fica a leitura fria, tarifa que incomoda até o dono da casa tem prazo de validade, mas, enquanto ela vale, quem paga a diferença é o produto que sai do porto brasileiro.

POR DENTRO DO MERCADO

A China mudou de humor e o boi sentiu

Fonte: Giphy

Quem manda no preço da arroba mora do outro lado do mundo. A pecuária brasileira entrou numa nova fase com a mudança no padrão de compra da China, e, quando a China muda de humor, o mercado interno sente na hora, o boi gordo perdeu força.

É a velha dependência do freguês gigante mostrando a cara. A China compra uma fatia enorme da carne brasileira, então qualquer ajuste no ritmo dela reverbera na balança do frigorífico e, depois, no preço que o pecuarista recebe pela boiada pronta. Mercado concentrado é bom quando o freguês compra forte e vira armadilha quando ele pisa no freio.

Para quem tem boi no cocho, a lição é a de sempre no agro exportador, o preço da sua arroba se decide num escritório em Pequim, e não no curral, então vale acompanhar a China como quem acompanha a previsão do tempo.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira fala a nossa língua, literalmente. No Letreco você tem seis tentativas pra adivinhar uma palavra de cinco letras, tudo em português, no capricho de quem cresceu jogando forca no fim do caderno. Rápido, no celular, de graça e sem login, do jeito que a gente gosta de começar o dia, com o cérebro ligado antes do primeiro café.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Minas Gerais, que sozinha responde por mais da metade do café brasileiro, com o Cerrado Mineiro, o Sul de Minas e as Matas de Minas puxando a fila.

Pergunta de hoje: qual estado é o maior produtor de laranja do Brasil?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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