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Bom dia!

Hoje tem governo bloqueando quase metade da verba do seguro rural, greening sendo confirmado no Rio Grande do Sul pela primeira vez e FPA chegando ao Ministério da Agricultura com lista de pedidos antes do Plano Safra. No meio disso, startup monitora abelhas pra evitar morte por pulverização, Brasil abre 13 novos mercados pra o agro e o governo quer elevar etanol na gasolina pra 32% em até 15 dias.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

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Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

ASSUNTO DE GABINETE

Seguro rural toma block do governo e perde quase metade da verba

Gif: Giphy

O seguro rural, que deveria ser o guarda-chuva do produtor quando o clima resolve fazer cosplay de vilão, tomou um bloqueio de quase metade do orçamento em 2026. O Ministério da Agricultura travou R$ 461,6 milhões do Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural, o PSR, que é a grana usada pra ajudar a pagar parte das apólices. O orçamento começou em R$ 1,01 bilhão, já tinha levado um corte definitivo menor, de R$ 25 milhões, e agora ficou com 46,5% do saldo travado. Não é um corte definitivo, mas, pra quem precisa contratar seguro, dinheiro bloqueado ajuda tanto quanto guarda-chuva no porta-malas.

A tesourada vem justamente em um ano que já tá complicado, com previsão de El Niño, produtor endividado por causa de tretas climáticas passadas e a lavoura convivendo com seca, chuva fora de hora, geada, granizo e toda a imprevisibilidade que São Pedro oferece.

Em 2025, o filme foi bem parecido: o seguro rural também teve verba ceifada ao longo do ano. A grana final ficou em R$ 565,4 milhões e o programa terminou com pouco mais de 60 mil apólices subsidiadas e 3,2 milhões de hectares cobertos.

Pra comparar, no auge, em 2021, a cobertura chegou a 13,7 milhões de hectares.

O governo diz que o bloqueio faz parte do esforço pra cumprir o arcabouço fiscal, que é aquele conjunto de regrinhas pra segurar a onda do governo nos gastos e tentar controlar a dívida pública. No total, Brasília bloqueou R$ 23,7 bilhões do orçamento federal em várias áreas, e o Ministério da Agricultura ficou com R$ 788,4 milhões travados.

Além do seguro rural, entraram na conta R$ 293 milhões do Fomento Agropecuário, R$ 550 mil em pesquisas da Embrapa e R$ 33,1 milhões pra manutenção e modernização da infraestrutura da estatal. O problema é que, se o clima não colaborar, esse gasto pode ser muito maior lá na frente.

A reação veio rápido. A Frente Parlamentar da Agropecuária já tinha cobrado do ministro André de Paula um compromisso formal de execução integral dos recursos do seguro rural e apoio ao PL 2.951/2024, que moderniza o programa e tenta blindar a verba contra cortes e contingenciamentos. Na Câmara, o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) apresentou um requerimento pra convocar representantes da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura pra explicarem o bloqueio.

A lógica da bancada é direta: sem subvenção, o seguro fica caro; se fica caro, menos produtor contrata; se menos produtor contrata, o banco empresta com mais medo; e, quando a safra quebra, todo mundo volta pra mesma fila da renegociação de dívida.

PAUTA VERDE

Brasil leva bioinsumos aos EUA em vitrine californiana

Foto: Divulgação

O Brasil vai desembarcar na Califórnia pra falar de bioinsumos com aquela tranquilidade de quem não chegou ontem no assunto. Nos dias 23 e 24 de junho, 7 brasileiros participam do Salinas Biological Summit 2026, em painéis sobre indústria, regulação e a experiência brasileira com biológicos agrícolas. A comitiva reúne gente importante de empresas como IdeeLab, Vigna Brasil e Lallemand, da ANPII Bio e pesquisadores da Esalq/USP. Dessa vez o papel tá diferente, o agro brasileiro é quem tá indo pros EUA pra explicar como colocou bactéria, fungo e inovação pra trabalhar no campo.

A programação vai ter um espaço dedicado só pro Brasil, que aparece no evento como uma referência mundial em biológicos agrícolas. Segundo a organização, a gente chama atenção pela adoção em larga escala pelos produtores, pelo ecossistema integrado e pela evolução regulatória. A delegação também vai ter um estande com o selo DNA Brasil, mostrando a convergência entre empresas, associação e academia.

O encontro acontece em Salinas, um dos principais polos agrícolas da Califórnia e uma região com agricultura forte, clima mais seco, legislação ambiental parruda e um ecossistema de inovação bem servido de universidade e investimento. Segundo Ronaldo Dalio, CEO da IdeeLab, esse conjunto ajuda a explicar o interesse dos americanos pelo modelo brasileiro. Aqui, os biológicos ganharam escala, o produtor comprou a ideia e o mercado começou a andar. E eles querem entender melhor como isso rolou pra tentar replicar tudo na terra do Tio Sam.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Ruralistas levam listão ao Mapa antes do Plano Safra

Foto: Carolina Antunes/MAPA

A Frente Parlamentar da Agropecuária chegou no Ministério da Agricultura com uma lista de pedidos que, se fosse impressa, ia parecer uma bíblia. Em reunião com o ministro André de Paula, nesta terça-feira (9), a bancada colocou na mesa vários temas que eles consideram urgentes, tipo Plano Safra 2026/27, renegociação das dívidas rurais e um combo regulatório que tá travado no Executivo: leis de agrotóxicos, bioinsumos e autocontrole da fiscalização agropecuária.

No crédito, o pedido veio com cifra e recado. A FPA quer pelo menos R$ 27 bilhões pra subvenção das taxas do Plano Safra, o dobro dos R$ 13,5 bilhões da temporada atual. Essa grana serve pra equalizar os juros, ou seja, bancar a diferença entre o custo do dinheiro e o que o produtor paga na ponta. Segundo o documento entregue ao Mapa, menos que isso seria empurrar o produtor pros juros de mercado, que podem pesar demais no bolso e até inviabilizar a produção.

A reclamação é que os anúncios recordes do Plano Safra tão sendo só narrativa bonita, já que o financiamento rural tá cada vez mais dependente de recursos privados, CPRs e do mercado, que geralmente trazem juros mais salgados e menos paciência com o produtor que já tá apertado. No ciclo 2025/26, dos R$ 594 bilhões anunciados, cerca de R$ 157 bilhões tinham subvenção. O resto teve que se virar. A FPA também pediu uma linha emergencial de custeio, manutenção das exigibilidades bancárias e taxas competitivas de verdade, pra colocar a teoria e o discurso em prática.

Na parte regulatória, Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, cobrou um cronograma pra tirar da geladeira os decretos das leis de agrotóxicos, bioinsumos e autocontrole. Segundo ele, o próprio ministro pediu ajuda pra acelerar a tramitação na Casa Civil, onde as minutas parecem que tão andando no ritmo de carreta carregada subindo serra. A bancada quer evitar represamento de registros de defensivos, dar segurança pras regras dos bioinsumos, inclusive na produção on farm, e destravar o autocontrole pra modernizar a fiscalização agropecuária sem transformar cada processo em uma novela das 9.

O encontro também teve clima de tentativa de reaproximação. Lupion disse que a reunião serviu pra “construção de pontes” com André de Paula, algo que, segundo ele, não rolou com Carlos Fávaro. O ministro respondeu que o Mapa segue de portas abertas pra FPA e que vai levar as demandas do setor pra outras áreas do governo pra tentar agilizar tudo.

NAS CABEÇAS DO AGRO

GeoApis monitora abelhas pra evitar B.O. na pulverização

Gif: Giphy

A GeoApis tá tentando resolver uma treta do agro que zune baixo, mas pode virar um baita problemão: a morte de abelhas por pulverização de lavouras. Fundada em 2019, em Piracicaba (SP), a startup criou uma plataforma que mapeia os apiários e avisa os apicultores quando vai rolar aplicação de defensivos por perto, tipo um alerta da defesa civil, só que pras abelhas operárias que tão lá, polinizando. Hoje, já são mais de 500 mil hectares monitorados no país, com meta de chegar a 1,5 milhão ainda esse ano.

O apicultor entra de graça na plataforma, cadastra o apiário, informa a quantidade de abelhas e marca a localização no mapa. Quando o produtor rural vai aplicar defensivo, ele emite um alerta no aplicativo, que avisa os apiários em um raio de até 6 km. A notificação mostra qual colmeia pode ser afetada e a distância da aplicação, dando tempo pro apicultor proteger ou mover as caixas.

Do outro lado da porteira, quem paga é o produtor, com ticket médio de R$ 85 mil por ano. O pacote inclui o georreferenciamento, inventário de apiários e contato direto com os apicultores. Segundo a fundadora Elaine Basso, produtores e usinas de cana tão entre os principais clientes. E tem motivo: se uma aplicação indevida mata as abelhas e o apicultor consegue provar, o caso pode parar na Justiça. Aí o zumbido vira processo e pesa no bolso.

A GeoApis faturou mais de R$ 2 milhões em 2025 e quer passar de R$ 3 milhões neste ano, atendendo clientes em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. A empresa ainda não recebeu nenhum investimento externo e prefere ganhar mais tração antes de sair procurando recursos. Mas também olha pra uma expansão na América Latina, com Chile, Colômbia e Peru no radar.

DE OLHO NO PORTO

Brasil abre 13 mercados e põe o agro em mais vitrines

Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

O agro brasileiro abriu mais 13 portas lá fora e mostrou que a pauta exportadora já tá bem longe do combo básico soja, carne e café. O Mapa anunciou novas habilitações sanitárias e fitossanitárias para países da América do Sul, América Central, África e União Econômica Euroasiática. Com isso, o Brasil chega a 639 aberturas de mercado em 97 destinos desde 2023, carimbando passaporte em escala industrial.

No cardápio das novas autorizações, tem exportação de sêmen de pacu-caranha pra Argentina, couro bovino salgado pra Bolívia, material genético bovino pra El Salvador e Honduras, milho pipoca pro Equador e República Dominicana, além de sementes de coco, mamona, maracujá e pimenta habanero pra diferentes mercados. Também entraram na conta ovos férteis pra Nigéria e farinhas, gorduras animais e hemoderivados pra alimentação animal na Etiópia. Exportando de tudo um pouco porque, como dizem, “quem come de tudo, nunca passa fome”.

Um dos destaques é a castanha de caju, que ganhou sinal verde pra União Econômica Euroasiática, um bloco formado por Rússia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Armênia. No último ano, essa turma comprou mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários brasileiros, com soja, carnes e café puxando a fila. Agora, a ideia é colocar mais itens na prateleira e depender menos dos mesmos produtos de sempre.

RADAR SANITÁRIO

Greening chega ao RS e deixa citros com alerta ligado

Foto: ALES

O Rio Grande do Sul entrou, oficialmente, no mapa do greening, uma das doenças mais casca-grossas da citricultura mundial. O Mapa confirmou os primeiros casos em plantas cítricas no estado, encontrados em um pomar doméstico de Palmitinho, perto da divisa com Santa Catarina. O foco tá em uma propriedade com cerca de 20 mudas, mas o greening é aquele visitante inconveniente que começa tímido e quando você vê já bagunçou a casa inteira.

A doença, também chamada de HLB, não oferece nenhum risco pra saúde humana. O B.O. é pra citricultura. A doença ataca laranjeiras, limoeiros e bergamoteiras, deixa a folha amarelada, os frutos pequenos, deformados e amargos e derruba a produtividade. Como não existe tratamento eficaz pra planta que já foi infectada, o protocolo é direto e sem muito carinho: arrancar as plantas doentes e controlar o psilídeo, que é o inseto que carrega a bactéria. É basicamente cortar o mal pela raiz.

A principal suspeita é que a doença tenha chegado por mudas irregulares já contaminadas, aquele barato que pode sair caro e virar dor de cabeça fitossanitária. Equipes do Mapa e da Seapi-RS já tão monitorando a região e reforçando a vigilância em pomares e no trânsito de mudas. O estado vinha acompanhando o risco desde 2004, especialmente pela presença do greening na Argentina, no Uruguai e em Santa Catarina.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Amendoim

Pergunta de hoje: Qual tubérculo africano ajudou a combater a fome no Brasil colonial e até hoje é base da culinária nordestina?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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