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Bom dia!

Hoje tem renegociação das dívidas do agro chegando ao Senado com uma conta de R$ 150 bilhões, carne brasileira avançando em Chongqing com alta de 73% nas compras e Brasil recalculando a rota depois que China prometeu comprar US$ 17 bilhões por ano do agro americano. No meio disso, extensão rural perde verba e municípios tentam segurar o rojão, Promip amplia fábrica de bioinseticida com vírus contra lagarta da soja e app da COOPA-DF coloca a gestão do cooperado no celular.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,20 0,00% 5,27 -0,57%
IPCA (%) 4,92 0,16% 4,00 0,00%
PIB (%) 1,85 0,14% 1,77 0,68%
Selic(% a.a.) 13,25 1,92% 11,25 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

SAFRA DE CIFRAS

Renegociação do agro pode custar R$ 150 bi aos cofres públicos em 2027

Gif: Giphy

A renegociação das dívidas do agro chegou ao Senado com uma conta que faz qualquer um cair pra trás. Pelos cálculos enviados ao gabinete de Renan Calheiros (MDB-AL), o projeto pode custar cerca de R$ 150 bilhões pra União só em 2027 e chegar a R$ 817 bilhões ao longo dos próximos 13 anos.

A estimativa considera que o programa poderia dar uma mãozinha pra resolver até R$ 1,39 trilhão em dívidas rurais, incluindo crédito rural, CPRs, empréstimos ligados à atividade agropecuária, operações com cooperativas e fornecedores de insumos. O problema é que essa conta parte da hipótese de que o Fundo Social, ou outros fundos, teriam esse dinheiro disponível. Spoiler: não têm. Por isso, o governo vê um grande risco de uma pancada feia no orçamento, no resultado primário e até no Plano Safra dos próximos anos.

Do lado do produtor, o aperto também não cabe numa notinha de rodapé. Juros altos, soja e milho mais baratos, custos de produção pesados e clima fazendo cosplay de vilão se juntaram num combo nada agradável. Em algumas regiões, a expectativa era colher 40 sacas por hectare, mas o campo entregou algo entre 15 e 20 sacas. E quando a lavoura entrega meia safra e o boleto chega inteiro, a matemática financeira vira pesadelo.

A inadimplência também escalou. Segundo dados citados pelo setor, o índice saiu de 3,54% em outubro de 2024 pra 11,4% no cenário atual. A proposta que tá lá no Senado prevê um prazo de 10 anos pra pagamento, com 3 anos de carência, e juros de 3,5% ao ano pra agricultura familiar, 5,5% pra médios produtores e 7,5% pros demais produtores e cooperativas. Calheiros ainda defende que a proposta responde à pancada dos eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e geadas, que teriam causado R$ 732 bilhões em prejuízos entre 2013 e 2024. A CNA e as entidades estaduais também pressionam pelo alongamento das dívidas e crédito mais barato, porque pegar dinheiro a 18% ou 22% ao ano hoje é quase pagar pra trabalhar.

O nó tá no tamanho da medida. Técnicos do governo dizem que os critérios são amplos demais e podem atrair até produtores sem perdas recentes relevantes, só porque as condições ficariam melhores. Já o setor produtivo diz que, sem esse fôlego, muita gente vai cortar tecnologia, reduzir fertilizante, trocar semente de alto desempenho por pacote mais barato e comprometer a próxima safra. No meio desse cabo de guerra, o Senado tenta encontrar uma fórmula que salve o produtor sem transformar o Tesouro Nacional no fiador oficial da lavoura.

CAMPO ATUALIZADO

App da COOPA-DF, feito pela Aliare, coloca a gestão do cooperado na palma da mão

Foto: Divulgação/Aliare

A COOPA-DF vai lançar oficialmente, durante a AgroBrasília, que começa hoje, um aplicativo feito em parceria com a Aliare pra facilitar a vida dos cooperados. A ideia é transformar o celular numa espécie de central de comando, informações e controle da fazenda, com acesso a serviços, informações de mercado, clima, cotações e comunicação direta com a cooperativa. Menos papel perdido, menos ligação atravessada e mais dado na mão de quem precisa decidir o que fazer antes que o clima ou o mercado mudem de ideia.

O app reúne consultas de pedidos, boletos, saldos de produtos, saldo agrícola, romaneios, contas a pagar e a receber, além de notícias do agro, informações da cooperativa e portfólio de serviços. É aquele lugar onde o produtor entra pra resolver a vida sem precisar caçar informação em 14 grupos de WhatsApp, 3 planilhas e um print enviado em 2022.

A tecnologia da Aliare já foi validada por mais de 2 mil produtores e chega ao cooperativismo como uma ferramenta pra dar mais autonomia pros cooperados, modernizar processos e melhorar a tomada de decisão no campo. Pra COOPA-DF, a parceria reforça a conexão com os cooperados e coloca inovação no dia a dia da operação. O cooperativismo segue com raiz no campo, mas agora também quer notificação, dado em tempo real e gestão na palma da mão.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Extensão rural perde verba e prefeituras tentam segurar o rojão

Foto: Emater-MG/Divulgação

A extensão rural levou um corte daqueles no orçamento. Segundo a CNM, os recursos destinados à assistência técnica somaram só R$ 5,53 bilhões em 2025, uma queda de 7,4% frente ao ano anterior. A redução veio principalmente de menos grana oferecida e investida pelos Estados e municípios, justamente a turma que costuma estar mais perto do produtor quando o problema bate na porteira.

Os municípios desembolsaram R$ 3,10 bilhões e responderam por 56% de todo o gasto nacional com extensão rural, mesmo com queda de 7,6% em relação a 2024. Os Estados colocaram R$ 2,16 bilhões, baixa de 9,4%. Já a União investiu R$ 283 milhões, alta de 14,1%, mas ainda só 5,1% do total. Na prática, a extensão rural virou aquele trabalho em grupo em que o município faz quase tudo, o Estado ajuda um pouco e a União aparece no final pra passar slide e dizer que também participou.

O problema é que essa conta pesa justamente onde o orçamento costuma ser mais apertado. A CNM diz que a municipalização do gasto sobrecarrega as prefeituras e ameaça principalmente a agricultura familiar, que depende mais de orientação técnica, tecnologia e acompanhamento.

Pelo Censo Agropecuário do IBGE, 80% dos mais de 5 milhões de estabelecimentos rurais do país dizem não receber assistência técnica, e só 18% dos agricultores familiares têm acesso ao serviço. Sem extensão rural, muita propriedade fica tentando produzir no chute, na fé e seguindo as orientações de quem vende o insumo, que nem sempre vai dar a dica mais precisa pra necessidade específica de cada produtor.

DE OLHO NO PORTO

Carne brasileira quer largar o eixo Pequim-Xangai e explorar o interior da China

Foto: Pexels

A carne bovina brasileira quer sair um pouco do eixo Pequim-Xangai e pegar estrada rumo a Chongqing, uma metrópole de 32 milhões de habitantes no interior da China. A cidade é o berço do hotpot, aquele caldo fervente, apimentado e coletivo onde entram carnes, vísceras e vegetais, um dos pratos mais famosos do país.

O interesse faz sentido, e muito. A China consome quase 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano, mas só produz cerca de 8 milhões. O resto vem tudo de fora, das importações, principalmente do Brasil. Em 2025, os frigoríficos brasileiros despacharam mais de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina pros chineses. Só Chongqing comprou quase R$ 3 bilhões em carne brasileira no ano passado, uma alta de 73,7% sobre 2024.

A cidade tem cerca de 50 mil restaurantes especializados no prato e usa bastante cortes como músculo e peito, justamente produtos que o Brasil já exporta bem. Na semana passada, representantes de 21 frigoríficos brasileiros se reuniram com 52 empresas importadoras da região, entre traders, varejistas e associações locais, no evento The Beef and Road, organizado pela Abiec e pela ApexBrasil. A ideia é sair do roteiro óbvio e vender mais pra uma China que cresce longe dos cartões postais.

Os números de 2026 mostram que a porteira já abriu um bom tanto. No 1º trimestre, as compras de carne brasileira por empresas de Chongqing passaram da casa dos R$ 2 bilhões, alta de 385% no período. O governo local quer transformar a cidade num centro de consumo e distribuição da proteína brasileira, com mais cadeia fria, dados logísticos e batendo ponto em festivais gastronômicos.

O desafio agora é deixar de ser só ingrediente anônimo no prato chinês. Hoje, boa parte da carne brasileira chega ao consumidor chinês sem marca, sem história e sem aquele carimbo “made in Brazil”. Os exportadores querem colocar o produto no balcão, fortalecer a imagem nacional e agregar mais valor, como os americanos e os australianos já fazem por lá.

O MAPA DO AGRO

China promete compras nos EUA e agro brasileiro recalcula rota

Gif: atlantafx on Giphy

A China prometeu comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos EUA, fora a soja, depois do papo entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim. Somando o compromisso de 25 milhões de toneladas anuais de soja americana, as compras chinesas podem chegar na casa dos US$ 30 bilhões por ano. É um aperto de mão diplomático que faz Chicago comemorar e Brasília suar frio.

Pra fazer essa conta fechar, Pequim teria que aumentar as compras de trigo, grãos pra ração, carne, algodão, madeira e outros produtos americanos. O problema é que a China não vai simplesmente acordar com fome dobrada. Em muitos casos, pra bater a meta, o país asiático vai ter que redirecionar as compras e trocar de fornecedor, tirando demanda de Brasil, Austrália, Canadá, França e Argentina.

Como ficam os principais mercados?

Na soja, o Brasil continua tranquilo. A China comprou mais grão brasileiro nos últimos anos porque o produto tava competitivo, disponível e com logística rodando lisa. Mesmo que os EUA voltem a ganhar volume, os analistas veem uma boa chance de outros compradores migrarem pro Brasil, já que os americanos ficariam mais ocupados tentando matar a fome de Pequim. Com a safra acima de 180 milhões de toneladas e as exportações projetadas em 116 milhões, o Brasil ainda tem soja suficiente pra não sair da conversa pela porta dos fundos.

Na carne, o jogo pode até abrir uma brecha. A China renovou mais de 400 habilitações de frigoríficos americanos, mas os EUA tão com um baita problema: a oferta doméstica tá bem apertada e já deram de cara com a cota chinesa. Se os americanos tentarem mandar mais carne pra Pequim, podem precisar comprar mais proteína de fora pra abastecer o próprio mercado. Aí o Brasil entra de fininho, porque a carne bovina brasileira pros EUA pode ganhar espaço enquanto o boi americano faz escala internacional.

No algodão, o Brasil chega mais protegido do que em outras épocas. Desde que virou o maior exportador global da pluma, o país diversificou destinos e vende pra China, Bangladesh, Paquistão, Vietnã, Turquia, Índia e mais uma galera. Se Pequim comprar mais algodão americano, o Brasil pode tentar ocupar buracos deixados pelos EUA em outras praças. Nesse xadrez do agro mundial, China e EUA ameaçaram mate, mas o Brasil não tá fora do jogo. Tá só recalculando a rota antes do próximo lance.

PAUTA VERDE

Promip amplia fábrica e prepara bioinseticida contra lagartas da soja

Foto: Shutterstock

A Helicoverpa que abra seu olho, porque a Promip tá aumentando o arsenal biológico e dessa vez o ataque vem por vírus. Quase 1 ano e meio depois de levantar R$ 20 milhões com a Angra Partners, a empresa ampliou a capacidade da biofábrica em Engenheiro Coelho (SP), na região de Campinas, e reforçou a aposta em bioinseticidas feitos a partir da multiplicação de baculovírus.

Enquanto boa parte do mercado de biológicos trabalha só com bactérias e fungos, a Promip escolheu um caminho mais diferentão. Fundada pelos entomologistas Marcelo Poletti e Roberto Konno, a companhia usa a própria lagarta-do-cartucho como biorreator natural pra multiplicar um vírus que, depois, vira bioinseticida em pó. A praga entra como vilã e sai ajudando a fabricar a arma contra ela mesma. Um baita de um plot twist.

Com o 2º módulo da fábrica, a Promip passa a ter capacidade pra atender 6 milhões de hectares, considerando 1 aplicação por safra. Mas a empresa já tá mirando mais alto e começou a construir o 3º módulo, com objetivo de chegar a 12 milhões de hectares. O próximo passo vem em 2027, com novos bioinseticidas contra a falsa medideira e a Helicoverpa armigera, 2 lagartas importantes na soja. A ideia é reforçar o controle biológico num momento em que as pragas tão aprendendo a driblar tecnologia com a malandragem de quem já decorou todos os atalhos da lavoura.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

O Neymar foi pra Copa e, pra comemorar, a gente traz um jogo diferente pra você. O desafio do Missing 11 - Los Titulares é acertar a escalação de algum time em uma partida especifica do passado. A escalação de hoje é do Santos de 2012, numa vitória de 8 a 0 pra cima do Bolívar pela Libertadores, na primeira passagem do menino Ney pelo time da Vila Belmiro. Será que você consegue lembrar quem tava junto com ele? Tenta a sorte aí!

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Arroz

Pergunta de hoje: Qual especiaria do Oriente Médio era usada pelos egípcios para embalsamar múmias e hoje tempera carnes e pães?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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