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Bom dia!
Hoje tem renegociação das dívidas do agro chegando ao Senado com uma conta de R$ 150 bilhões, carne brasileira avançando em Chongqing com alta de 73% nas compras e Brasil recalculando a rota depois que China prometeu comprar US$ 17 bilhões por ano do agro americano. No meio disso, extensão rural perde verba e municípios tentam segurar o rojão, Promip amplia fábrica de bioinseticida com vírus contra lagarta da soja e app da COOPA-DF coloca a gestão do cooperado no celular.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
Cosan sobe na bolsa após sinalizar venda de ativos
A Cosan subiu forte na B3 depois de sinalizar que pode vender participações na Rumo e na Raízen. O mercado, que tinha dado uma bronca na sexta-feira (15), mudou o humor ao ver chance de desalavancagem.Fazenda vê agro crescer 1,2% em 2026
O Ministério da Fazenda elevou de 0,5% pra 1,2% a projeção do PIB agropecuário em 2026, puxado por soja, fumo e abate bovino. Só que a boa notícia veio com boleto inflacionário junto: carnes, leite, arroz e fertilizantes seguem pressionando o IPCA.Inflação mira teto da meta com guerra no radar
A Fazenda elevou a projeção do IPCA de 3,7% pra 4,5% em 2026, no teto da meta. O motivo principal é o petróleo mais caro com o conflito no Irã. Combustível sobe, frete chia, fertilizante aperta e a comida sente no carrinho.
SAFRA DE CIFRAS
Renegociação do agro pode custar R$ 150 bi aos cofres públicos em 2027

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A renegociação das dívidas do agro chegou ao Senado com uma conta que faz qualquer um cair pra trás. Pelos cálculos enviados ao gabinete de Renan Calheiros (MDB-AL), o projeto pode custar cerca de R$ 150 bilhões pra União só em 2027 e chegar a R$ 817 bilhões ao longo dos próximos 13 anos.
A estimativa considera que o programa poderia dar uma mãozinha pra resolver até R$ 1,39 trilhão em dívidas rurais, incluindo crédito rural, CPRs, empréstimos ligados à atividade agropecuária, operações com cooperativas e fornecedores de insumos. O problema é que essa conta parte da hipótese de que o Fundo Social, ou outros fundos, teriam esse dinheiro disponível. Spoiler: não têm. Por isso, o governo vê um grande risco de uma pancada feia no orçamento, no resultado primário e até no Plano Safra dos próximos anos.
Do lado do produtor, o aperto também não cabe numa notinha de rodapé. Juros altos, soja e milho mais baratos, custos de produção pesados e clima fazendo cosplay de vilão se juntaram num combo nada agradável. Em algumas regiões, a expectativa era colher 40 sacas por hectare, mas o campo entregou algo entre 15 e 20 sacas. E quando a lavoura entrega meia safra e o boleto chega inteiro, a matemática financeira vira pesadelo.
A inadimplência também escalou. Segundo dados citados pelo setor, o índice saiu de 3,54% em outubro de 2024 pra 11,4% no cenário atual. A proposta que tá lá no Senado prevê um prazo de 10 anos pra pagamento, com 3 anos de carência, e juros de 3,5% ao ano pra agricultura familiar, 5,5% pra médios produtores e 7,5% pros demais produtores e cooperativas. Calheiros ainda defende que a proposta responde à pancada dos eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e geadas, que teriam causado R$ 732 bilhões em prejuízos entre 2013 e 2024. A CNA e as entidades estaduais também pressionam pelo alongamento das dívidas e crédito mais barato, porque pegar dinheiro a 18% ou 22% ao ano hoje é quase pagar pra trabalhar.
O nó tá no tamanho da medida. Técnicos do governo dizem que os critérios são amplos demais e podem atrair até produtores sem perdas recentes relevantes, só porque as condições ficariam melhores. Já o setor produtivo diz que, sem esse fôlego, muita gente vai cortar tecnologia, reduzir fertilizante, trocar semente de alto desempenho por pacote mais barato e comprometer a próxima safra. No meio desse cabo de guerra, o Senado tenta encontrar uma fórmula que salve o produtor sem transformar o Tesouro Nacional no fiador oficial da lavoura.
CAMPO ATUALIZADO
App da COOPA-DF, feito pela Aliare, coloca a gestão do cooperado na palma da mão

Foto: Divulgação/Aliare
A COOPA-DF vai lançar oficialmente, durante a AgroBrasília, que começa hoje, um aplicativo feito em parceria com a Aliare pra facilitar a vida dos cooperados. A ideia é transformar o celular numa espécie de central de comando, informações e controle da fazenda, com acesso a serviços, informações de mercado, clima, cotações e comunicação direta com a cooperativa. Menos papel perdido, menos ligação atravessada e mais dado na mão de quem precisa decidir o que fazer antes que o clima ou o mercado mudem de ideia.
O app reúne consultas de pedidos, boletos, saldos de produtos, saldo agrícola, romaneios, contas a pagar e a receber, além de notícias do agro, informações da cooperativa e portfólio de serviços. É aquele lugar onde o produtor entra pra resolver a vida sem precisar caçar informação em 14 grupos de WhatsApp, 3 planilhas e um print enviado em 2022.
A tecnologia da Aliare já foi validada por mais de 2 mil produtores e chega ao cooperativismo como uma ferramenta pra dar mais autonomia pros cooperados, modernizar processos e melhorar a tomada de decisão no campo. Pra COOPA-DF, a parceria reforça a conexão com os cooperados e coloca inovação no dia a dia da operação. O cooperativismo segue com raiz no campo, mas agora também quer notificação, dado em tempo real e gestão na palma da mão.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Extensão rural perde verba e prefeituras tentam segurar o rojão

Foto: Emater-MG/Divulgação
A extensão rural levou um corte daqueles no orçamento. Segundo a CNM, os recursos destinados à assistência técnica somaram só R$ 5,53 bilhões em 2025, uma queda de 7,4% frente ao ano anterior. A redução veio principalmente de menos grana oferecida e investida pelos Estados e municípios, justamente a turma que costuma estar mais perto do produtor quando o problema bate na porteira.
Os municípios desembolsaram R$ 3,10 bilhões e responderam por 56% de todo o gasto nacional com extensão rural, mesmo com queda de 7,6% em relação a 2024. Os Estados colocaram R$ 2,16 bilhões, baixa de 9,4%. Já a União investiu R$ 283 milhões, alta de 14,1%, mas ainda só 5,1% do total. Na prática, a extensão rural virou aquele trabalho em grupo em que o município faz quase tudo, o Estado ajuda um pouco e a União aparece no final pra passar slide e dizer que também participou.
O problema é que essa conta pesa justamente onde o orçamento costuma ser mais apertado. A CNM diz que a municipalização do gasto sobrecarrega as prefeituras e ameaça principalmente a agricultura familiar, que depende mais de orientação técnica, tecnologia e acompanhamento.
Pelo Censo Agropecuário do IBGE, 80% dos mais de 5 milhões de estabelecimentos rurais do país dizem não receber assistência técnica, e só 18% dos agricultores familiares têm acesso ao serviço. Sem extensão rural, muita propriedade fica tentando produzir no chute, na fé e seguindo as orientações de quem vende o insumo, que nem sempre vai dar a dica mais precisa pra necessidade específica de cada produtor.
DE OLHO NO PORTO
Carne brasileira quer largar o eixo Pequim-Xangai e explorar o interior da China

Foto: Pexels
A carne bovina brasileira quer sair um pouco do eixo Pequim-Xangai e pegar estrada rumo a Chongqing, uma metrópole de 32 milhões de habitantes no interior da China. A cidade é o berço do hotpot, aquele caldo fervente, apimentado e coletivo onde entram carnes, vísceras e vegetais, um dos pratos mais famosos do país.
O interesse faz sentido, e muito. A China consome quase 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano, mas só produz cerca de 8 milhões. O resto vem tudo de fora, das importações, principalmente do Brasil. Em 2025, os frigoríficos brasileiros despacharam mais de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina pros chineses. Só Chongqing comprou quase R$ 3 bilhões em carne brasileira no ano passado, uma alta de 73,7% sobre 2024.
A cidade tem cerca de 50 mil restaurantes especializados no prato e usa bastante cortes como músculo e peito, justamente produtos que o Brasil já exporta bem. Na semana passada, representantes de 21 frigoríficos brasileiros se reuniram com 52 empresas importadoras da região, entre traders, varejistas e associações locais, no evento The Beef and Road, organizado pela Abiec e pela ApexBrasil. A ideia é sair do roteiro óbvio e vender mais pra uma China que cresce longe dos cartões postais.
Os números de 2026 mostram que a porteira já abriu um bom tanto. No 1º trimestre, as compras de carne brasileira por empresas de Chongqing passaram da casa dos R$ 2 bilhões, alta de 385% no período. O governo local quer transformar a cidade num centro de consumo e distribuição da proteína brasileira, com mais cadeia fria, dados logísticos e batendo ponto em festivais gastronômicos.
O desafio agora é deixar de ser só ingrediente anônimo no prato chinês. Hoje, boa parte da carne brasileira chega ao consumidor chinês sem marca, sem história e sem aquele carimbo “made in Brazil”. Os exportadores querem colocar o produto no balcão, fortalecer a imagem nacional e agregar mais valor, como os americanos e os australianos já fazem por lá.
O MAPA DO AGRO
China promete compras nos EUA e agro brasileiro recalcula rota

Gif: atlantafx on Giphy
A China prometeu comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos EUA, fora a soja, depois do papo entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim. Somando o compromisso de 25 milhões de toneladas anuais de soja americana, as compras chinesas podem chegar na casa dos US$ 30 bilhões por ano. É um aperto de mão diplomático que faz Chicago comemorar e Brasília suar frio.
Pra fazer essa conta fechar, Pequim teria que aumentar as compras de trigo, grãos pra ração, carne, algodão, madeira e outros produtos americanos. O problema é que a China não vai simplesmente acordar com fome dobrada. Em muitos casos, pra bater a meta, o país asiático vai ter que redirecionar as compras e trocar de fornecedor, tirando demanda de Brasil, Austrália, Canadá, França e Argentina.
Como ficam os principais mercados?
Na soja, o Brasil continua tranquilo. A China comprou mais grão brasileiro nos últimos anos porque o produto tava competitivo, disponível e com logística rodando lisa. Mesmo que os EUA voltem a ganhar volume, os analistas veem uma boa chance de outros compradores migrarem pro Brasil, já que os americanos ficariam mais ocupados tentando matar a fome de Pequim. Com a safra acima de 180 milhões de toneladas e as exportações projetadas em 116 milhões, o Brasil ainda tem soja suficiente pra não sair da conversa pela porta dos fundos.
Na carne, o jogo pode até abrir uma brecha. A China renovou mais de 400 habilitações de frigoríficos americanos, mas os EUA tão com um baita problema: a oferta doméstica tá bem apertada e já deram de cara com a cota chinesa. Se os americanos tentarem mandar mais carne pra Pequim, podem precisar comprar mais proteína de fora pra abastecer o próprio mercado. Aí o Brasil entra de fininho, porque a carne bovina brasileira pros EUA pode ganhar espaço enquanto o boi americano faz escala internacional.
No algodão, o Brasil chega mais protegido do que em outras épocas. Desde que virou o maior exportador global da pluma, o país diversificou destinos e vende pra China, Bangladesh, Paquistão, Vietnã, Turquia, Índia e mais uma galera. Se Pequim comprar mais algodão americano, o Brasil pode tentar ocupar buracos deixados pelos EUA em outras praças. Nesse xadrez do agro mundial, China e EUA ameaçaram mate, mas o Brasil não tá fora do jogo. Tá só recalculando a rota antes do próximo lance.
PAUTA VERDE
Promip amplia fábrica e prepara bioinseticida contra lagartas da soja

Foto: Shutterstock
A Helicoverpa que abra seu olho, porque a Promip tá aumentando o arsenal biológico e dessa vez o ataque vem por vírus. Quase 1 ano e meio depois de levantar R$ 20 milhões com a Angra Partners, a empresa ampliou a capacidade da biofábrica em Engenheiro Coelho (SP), na região de Campinas, e reforçou a aposta em bioinseticidas feitos a partir da multiplicação de baculovírus.
Enquanto boa parte do mercado de biológicos trabalha só com bactérias e fungos, a Promip escolheu um caminho mais diferentão. Fundada pelos entomologistas Marcelo Poletti e Roberto Konno, a companhia usa a própria lagarta-do-cartucho como biorreator natural pra multiplicar um vírus que, depois, vira bioinseticida em pó. A praga entra como vilã e sai ajudando a fabricar a arma contra ela mesma. Um baita de um plot twist.
Com o 2º módulo da fábrica, a Promip passa a ter capacidade pra atender 6 milhões de hectares, considerando 1 aplicação por safra. Mas a empresa já tá mirando mais alto e começou a construir o 3º módulo, com objetivo de chegar a 12 milhões de hectares. O próximo passo vem em 2027, com novos bioinseticidas contra a falsa medideira e a Helicoverpa armigera, 2 lagartas importantes na soja. A ideia é reforçar o controle biológico num momento em que as pragas tão aprendendo a driblar tecnologia com a malandragem de quem já decorou todos os atalhos da lavoura.
PLANTÃO RURAL
UPL cresce 18% no trimestre
A indiana UPL registrou receita de US$ 1,9 bilhão no 4º trimestre fiscal, alta de 18%. A América Latina seguiu como principal região da empresa, com crescimento de 21% no trimestre.Cana rende 13% mais no Centro-Sul
A produtividade média da cana no Centro-Sul chegou a 83,4 toneladas por hectare em abril, alta de 13%, segundo o CTC. O ATR também subiu 0,5%.Corteva abre estágio com bolsa de R$ 2,9 mil
A Corteva abriu inscrições até 31 de maio pra estágio em agronomia e engenharia agronômica em Goiás. As vagas ficam em Formosa, Rio Verde e Itumbiara, com bolsa de R$ 2.920.Milho mira consumo interno recorde
A demanda interna de milho pode chegar a 100 milhões de toneladas em 2026, alta de 11,11%, puxada por ração e etanol. Só o biocombustível deve consumir 27,5 milhões de toneladas.Concepción busca vender ativos no Brasil
O Frigorífico Concepción, do Paraguai, quer vender ativos no Brasil e no Paraguai pra enfrentar uma crise de liquidez. A empresa tem US$ 65 milhões em pagamentos próximos e títulos negociados a preço de susto.Suinocultura pede mais crédito no Plano Safra
A ABCS levou ao Mapa propostas pro Plano Safra 2026/27, incluindo linha pra retenção de matrizes e aumento do limite do Inovagro. A entidade estima uma demanda de R$ 239 milhões.Açúcar pode entrar em déficit global
A Organização Internacional do Açúcar prevê déficit de 262 mil toneladas em 2026/27, com queda esperada de 2 milhões de toneladas na produção e risco de El Niño. Enquanto isso, o etanol ganha força com petróleo caro.Confinamento em MT pode crescer 55%
Mato Grosso deve confinar 1,44 milhão de cabeças em 2026, alta de 55,39%, segundo o Imea. Os grandes confinamentos devem responder por 80,92% do volume.Custos de frango e suíno caem em abril
A Embrapa apontou queda nos custos de produção de frango no Paraná e de suíno em Santa Catarina. O alívio veio principalmente da ração, que pesa no orçamento da granja.Geadas não derrubam milho safrinha
As geadas no Sul tiveram baixa intensidade e não causaram impactos relevantes no milho segunda safra, segundo a EarthDaily. Paraná e Mato Grosso do Sul seguem com bom vigor nas lavouras, mas Goiás ainda preocupa pela seca.Frango bate recorde no quadrimestre
O Brasil exportou 1,94 milhão de toneladas de carne de frango entre janeiro e abril, maior volume da série histórica. Só abril somou 486,5 mil toneladas.Pesquisador brasileiro vence prêmio de carbono
Júnior Melo Damian, associado à Embrapa Agricultura Digital, virou o 1º brasileiro a vencer o Sustainability Carbon Neutrality Award. O trabalho envolve modelos de carbono no solo e agricultura tropical.APAS Show mira R$ 17,8 bilhões em negócios
A APAS Show 2026 reúne 900 expositores e delegações de 24 países no Expo Center Norte, com meta de movimentar R$ 17,8 bilhões. Ainda terá metrô gratuito pra visitantes.
SE DIVERTE AÍ
O Neymar foi pra Copa e, pra comemorar, a gente traz um jogo diferente pra você. O desafio do Missing 11 - Los Titulares é acertar a escalação de algum time em uma partida especifica do passado. A escalação de hoje é do Santos de 2012, numa vitória de 8 a 0 pra cima do Bolívar pela Libertadores, na primeira passagem do menino Ney pelo time da Vila Belmiro. Será que você consegue lembrar quem tava junto com ele? Tenta a sorte aí!
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Arroz
Pergunta de hoje: Qual especiaria do Oriente Médio era usada pelos egípcios para embalsamar múmias e hoje tempera carnes e pães?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
