APRESENTADO POR

Bom dia!

Hoje tem Cosan sinalizando que pode sair da Raízen e que ela mesma deve deixar de existir em até 5 anos, China prometendo comprar US$ 17 bilhões por ano do agro americano depois do encontro entre Trump e Xi, e IA que mapeou 1,55 bilhão de lavouras em 241 países com o Brasil saindo bem na foto. No meio disso, MG coloca drone e IA pra caçar greening nos pomares, a AgroBrasília abre amanhã em Brasília com baunilha no Cerrado na programação e o agro bate recorde de exportações em abril com US$ 16,65 bilhões.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 177.283,83 10,03%
IFIX 3.884,76 2,80%
CSAN3 R$4,41 -17,11%
PETR3 R$50,45 54,90%
BTAG11 R$111,11 -4,99%
AGRX11 R$8,63 -2,71%
ETF OURO R$23,89 -3,55%
Bitcoin US$78.085,27 -11,61%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

APRESENTADO POR AGRICULTURA A A Z

Agricultura A a Z leva ciência pro campo sem enrolação

O agro muda rápido. Tem tecnologia nova, pesquisa saindo do forno, inovação pipocando no campo e muita gente tentando entender tudo isso sem precisar abrir um artigo científico com 48 páginas e aquela linguagem chata de ler. É aí que entra o Agricultura A a Z.

Criado na Universidade Federal de Viçosa pelo professor Aluízio Borém, o projeto nasceu pra aproximar a universidade de quem faz o agro acontecer todos os dias. A ideia é pegar conhecimento técnico, científico e acadêmico e transformar em conteúdo acessível pra produtores, estudantes, técnicos, pesquisadores e profissionais do setor.

Hoje, o Agricultura A a Z produz vídeos, reportagens, entrevistas, conteúdos técnicos, cobertura de eventos, podcast e materiais digitais que valorizam projetos, iniciativas e pessoas que movem o agro brasileiro. É comunicação com bota no barro, pé na universidade e olho no futuro.

A comunidade já reúne mais de 20,5 mil pessoas no Instagram e 72,1 mil inscritos no YouTube, levando informação de qualidade pra cada vez mais gente. Porque ciência boa não nasceu pra ficar trancada no laboratório. Ela também precisa pegar estrada, entrar no campo e conversar com quem tá fazendo a roda girar.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Cosan pode sair da Raízen e planeja desmontar holding

Foto: MoneyTimes

A Cosan abriu o jogo e deixou claro que a relação com a Raízen não tá mais aquelas coisas e que tão precisando ter uma DR pra ver como vai ser daqui pra frente. Segundo o CEO Marcelo Martins, a holding deve ficar diluída até demais depois da reestruturação financeira da produtora de açúcar, etanol e combustíveis, que tem cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. Com uma fatia menor, a participação na Raízen pode deixar de ser estratégica e virar candidata a venda.

O motivo principal é que a Cosan não tá querendo acompanhar a Shell no aporte de capital na Raízen, enquanto os credores negociam transformar parte da dívida em ações. Na prática, a Shell e os credores devem ganhar mais espaço na mesa, e a Cosan pode acabar com uma cadeira menor. O acordo de acionistas com a Shell, firmado há cerca de 15 anos, também deve sair de cena depois desse rearranjo.

Martins disse que ainda não bateu o martelo sobre quando ou quanto vender, mas sinalizou que a Cosan deve buscar liquidez em algum momento. A holding também tá numa missão maior de reduzir endividamento, depois de fechar o 1º trimestre com dívida líquida expandida de R$ 11,5 bilhões, queda de 34% em um ano.

E a faxina no organograma pode ser maior. O CEO ainda afirmou que, num horizonte de 3 a 5 anos, a própria Cosan deve deixar de existir como holding, com os acionistas recebendo participações diretas nas empresas investidas, como Rumo e Compass.

DE OLHO NO PORTO

China promete comprar US$ 17 bi do agro dos EUA

Foto: Kenny Holston-Pool/Getty Images

Depois de muita treta, cutucão, indireta e clima tenso, a Casa Branca disse que a China topou comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos Estados Unidos entre 2026 e 2028, depois do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping lá em Pequim. Pra ajudar ainda mais, o pacote também deixa de fora da conta os compromissos de compra de soja feitos em outubro de 2025.

O anúncio chega num tom mais de boa entre os dois países, com direito a planos de criar um Conselho de Comércio EUA-China e um Conselho de Investimento EUA-China. A ideia é botar na mesa papos de acesso a mercados de produtos agrícolas e a expansão do comércio com corte em impostos e taxas.

Só que o histórico não deixa ninguém relaxar muito. No primeiro mandato de Trump, de 2017 a 2021, a China prometeu que ia comprar US$ 200 bilhões extras em produtos americanos em 2 anos, incluindo agro, energia e manufaturados, mas essa conta nunca bateu. A pandemia atrapalhou, claro, mas a meta sempre pareceu otimista demais pra ser verdade, pelo menos aos olhos de quem tava tentando vender pra eles.

A dependência chinesa do agro americano também diminuiu bastante. Depois das tarifas e retaliações do ano passado, as exportações agrícolas dos EUA pra China caíram 65,7% em 2025, pra US$ 8,4 bilhões. Na soja, Pequim reduziu o peso dos americanos e passou a buscar mais grão brasileiro, que tava mais barato e sempre disponível. Em 2024, os EUA carregavam nas costas cerca de 20% da soja comprada pela China, bem abaixo dos 41% de 2016.

A carne também ganhou espaço nessa reaproximação. Segundo a Casa Branca, a China renovou os registros de mais de 400 instalações americanas de carne bovina, dando o ok pro comércio voltar a rolar, e ainda deve trabalhar com reguladores dos EUA pra voltar a comprar aves que chegam de estados que são livres de gripe aviária. Depois daquela polêmica toda de licença aparecendo e sumindo no sistema chinês igual sinal de internet em fazenda, os frigoríficos americanos finalmente receberam um sinal de luz.

No fim, a promessa chinesa pode dar fôlego ao agro dos EUA, mas ainda não muda o jogo sozinha. Faltam detalhes, execução e, principalmente, compras acontecendo de fato. Enquanto isso, o Brasil observa de perto, porque qualquer reaproximação entre China e Estados Unidos respinga direto com soja, carne, milho e preço global.

CAMPO ATUALIZADO

IA mapeia 1,55 bilhão de áreas agrícolas pelo mundo

Foto: Divulgação

A inteligência artificial agora também resolveu dar uma voltinha de satélite pelo campo. Pesquisadores de quatro universidades americanas criaram o Fields of the World, uma ferramenta que usa imagens de satélite e o famoso machine learning pra identificar lavouras ao redor do mundo. O resultado é um atlas global inédito, com 1,55 bilhão de áreas agrícolas mapeadas em 241 países e territórios.

A ideia é criar uma base de dados padronizada pra monitorar toda a atividade agrícola do mundo, ficar de olho na segurança alimentar e ainda fazer estudos sobre uso da terra. Até agora, o mundo seguia uma estimativa de cerca de 570 milhões de fazendas, mas ninguém tinha ido atrás e calculado com esse nível de detalhe. A agricultura mundial já tinha a produção, o satélite e a demanda pelos dados. Só faltava alguém organizar a bagunça e transformar tudo em algo fácil de ler e entender.

O Brasil saiu muito bem na foto, e dessa vez não foi filtro. Segundo o estudo, a gente teve um dos melhores desempenhos na validação do sistema, com recall de 0,97. Traduzindo, isso quer dizer que o modelo achou no mapa 97% das áreas agrícolas que tavam na base de dados que foi usada como referência na comparação.

A ferramenta pode ajudar em muitas frentes, desde estimativas de produtividade, monitoramento de lavouras e fiscalização ambiental até programas climáticos e rastreamento de cadeias produtivas. Como qualquer produto novo, essa IA ainda tá cheia de limitações, principalmente em regiões com agricultura muito fragmentada ou sistemas diferentes dos dados usados no treinamento. Mas o avanço mostra pra onde o agro tá indo: cada vez mais dado, satélite, algoritmo e IA.

QUAL A BOA?

AgroBrasília quer levar tecnologia, negócios e até baunilha pro Cerrado

Foto: Divulgação

A AgroBrasília 2026 acontece entre 19 e 23 de maio, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, em Brasília, com entrada gratuita e uma programação que faz todo produtor pensar em entrar pra pelo menos dar uma olhadinha. Isso se não sair de lá calculando se dá pra gastar em máquina, genética, irrigação ou alguma tecnologia inovadora.

O evento vai reunir novidades em máquinas, implementos, genética animal e vegetal, sustentabilidade, pesquisa e biotecnologia. Em resumo, tudo que promete ajudar o campo a produzir mais e com menos dor de cabeça.

Feita pela COOPA-DF, a feira quer juntar produtor, empresário, pesquisador e empreendedor rural na mesma conversa, com palestras, debates, cursos técnicos, agricultura familiar e ILPF no cardápio. Tem inovação pra quem planta, cria, transforma e ainda tenta entender como produzir mais sem a fatura virar um mar de números vermelhos.

A programação também vem com umas boas surpresas. A Embrapa vai realizar por lá o 1º Encontro da Baunilha do Distrito Federal, discutindo os desafios e as oportunidades do cultivo no Cerrado. No dia 21 de maio, o Seminário Brasil-Portugal discute negócios agroalimentares e acesso ao mercado europeu, bem nesse momento em que Europa virou assunto sensível no agro brasileiro. E, no dia 23, vai rolar o 4º Encontro de Mulheres do Agro, que fecha a agenda reforçando liderança, inovação e presença feminina no campo.

RADAR SANITÁRIO

MG usa IA pra caçar greening nos pomares

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Minas Gerais resolveu colocar drone, câmera térmica e inteligência artificial na bota do greening, aquela doença que chega discreta no pomar e pode sair levando até 80% da produção. O governo estadual, por meio do IMA, fechou convênio de R$ 3 milhões com a UFV pra tocar o projeto Citros Guard 4.0, focado em monitorar e controlar a doença antes que ela transforme laranja, tangerina e limão em dor de cabeça beeem da azeda.

A ideia é usar drones com câmeras multiespectrais e termais pra identificar plantas com sintomas e aplicar machine learning pra mapear a dispersão do greening e do inseto vetor. O pomar vai ganhar um fiscal aéreo com olho de águia e cérebro de algoritmo.

A pesquisa também inclui produção de mudas, uso de pesticidas, ecotoxicologia e melhoria dos procedimentos do setor. Tudo pra tentar barrar a doença que já atinge quase 50% das plantas em MG e SP e que, nas últimas cinco safras, cortou a produção em mais ou menos 102,26 milhões de caixas.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Guaraná

Pergunta de hoje: Qual cereal originário da Ásia é cultivado há mais de 8 mil anos e alimenta metade da população mundial?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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