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Bom dia!

Hoje tem recuperações judiciais no agro subindo 58% em um ano, PIB do agronegócio crescendo 12% e Raízen voltando à mesa com nova proposta mas se recusando a tirar Ometto do comando. No meio disso, a Agrishow segue em Ribeirão Preto com lançamento de sobra e apetite mais contido, o CTC garante R$ 84 milhões do BNDES pra reinventar o plantio da cana e a Casa Branca coloca a JBS no radar de investigação de cartel.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,25 -0,94% 5,35 0,00%
IPCA (%) 4,86 1,34% 4,00 0,27%
PIB (%) 1,85 -0,62% 1,80 -0,25%
Selic(% a.a.) 13,00 0,00% 11,00 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

QUAL A BOA?

Agrishow tem lançamento de sobra e apetite de menos

Foto: Leonardo Sousa / CBN Ribeirão

A Agrishow 2026 começou daquele jeito que o agro conhece bem: máquina pra todo lado, lançamento brilhando no estande e produtor andando quilômetros atrás de alguma coisa nova. Só que, dessa vez, o clima não tá exatamente de oba-oba. Juros altos, câmbio atravessado, fertilizante mais caro e a guerra no Oriente Médio tão bagunçando os custos de produção e o humor do mercado junto, e aí a feira chega grande no tamanho, mas bem mais contida na expectativa. Quem tá expondo já até revisou a previsão. Em vez de falar em crescer, muita empresa já tá comemorando se repetir o resultado do ano passado.

O problema é que a conta apertou em tudo ao mesmo tempo. Mesmo com supersafra, boa produtividade e o clima ajudando, a Selic segue fazendo o papel de vilã. Por conta disso, o produtor fica segurando o investimento e o mercado já espera a 5ª queda seguida nas vendas de máquinas, com a Tecnoshow Comigo, que terminou com recuo de 30% nos negócios, fresquinha na memória.

Mas isso também não quer dizer que a feira virou só um passeio pra pegar brinde e boné. As empresas chegaram armadas até os dentes de novidade e alternativa. Tem pulverizador novo da Baldan, motor a etanol em teste na CNH, máquina autônoma da Jacto, colhedora de cana de 2 linhas e aposta forte em combustíveis alternativos, biometano, eletricidade e tudo que ajude a vender a ideia de eficiência com cara de futuro. No meio disso, a irrigação aparece como um setor que ainda sonha alto, puxada por um produtor que pode até ser mais cauteloso, mas que sabe que proteger a produtividade também é investimento.

Do lado do crédito, os bancos chegaram tentando mostrar que ainda existe dinheiro na praça, desde que a conversa faça sentido. O Santander espera ampliar a demanda, o Banco do Brasil mira R$ 3 bilhões em propostas e o discurso geral é financiar projeto que traga renda, eficiência e menos risco, não só empurrar máquina goela abaixo.

PAUTA VERDE

Etanol E32 promete boost de 1 bilhão de litros na demanda

Foto: Freepik

A possível chegada do E32 deve colocar mais 1 bilhão de litros por ano na conta do etanol anidro, segundo a UNICA, e reforçar a aposta do Brasil em biocombustível feito em casa. Se comparar com o salto que já veio desde o E27, o aumento acumulado na demanda chega a 2,4 bilhões de litros em 12 meses.

A entidade diz que o país já conhece bem esse jogo e não tá entrando nesse rolê no improviso. Com uma das maiores frotas flex do mundo e décadas de convivência com mistura alta de etanol, o Brasil já aprendeu a fazer esse casamento funcionar sem drama no posto. Além disso, o setor vende essa medida como um reforço na segurança energética e como um ganho ambiental, numa combinação que agrada tanto quem olha pro tanque quanto quem olha pra emissão.

Do lado da oferta, a UNICA afirma que tem espaço de sobra pra segurar esse novo apetite, somando etanol de cana e de milho. Só a expansão do etanol de milho, com 16 novas plantas previstas pros próximos 12 meses, já ajudaria a segurar esse crescimento da demanda. Agora a proposta segue pra análise do CNPE no início de maio. Se passar, o etanol ganha mais espaço na mistura e o Brasil continua fazendo o que já virou especialidade, colocar energia renovável no tanque com a naturalidade de quem já faz isso faz tempo.

POR DENTRO DO MERCADO

Aegro acelera, cresce mais de 30% e quer virar mais do que só software de gestão

Foto: AgFeed

A Aegro entrou em 2026 com o pé mais fundo no acelerador e já saiu do 1º trimestre com crescimento de mais de 30% no faturamento na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado veio justamente num trecho do calendário que costuma ser mais fraco pra empresa, o que animou a direção e puxou uma revisão na meta do ano. Se antes a expectativa era faturar perto de R$ 38 milhões, agora a projeção subiu pra R$ 42 milhões.

Boa parte dessa virada vem da chegada de Maurício Schneider no comando da empresa no fim de 2025, depois de 10 anos com o cofundador Pedro Dusso na cadeira de CEO. A ideia foi dar uma pegada mais mão na massa ao negócio, puxando a Aegro pra um lugar mais prático, comercial e conectado com o que mexe no bolso da fazenda. Enquanto Dusso ficou mais focado na parte tecnológica e conceitual, Schneider trouxe a leitura de que a Aegro precisava deixar de ser vista só como um software de gestão e passar a ser tratada como uma ferramenta de tomada de decisão.

É aí que entra a nova aposta da empresa. Hoje, a Aegro tá usando dados de milhares de fazendas clientes pra montar comparativos, benchmarks e alertas sobre custo, preço de insumo, desempenho de colheita, consumo de combustível e rentabilidade. A ideia é mostrar pro produtor onde tá o desvio, onde tá a gordura e onde a operação tá falhando. A fazenda continua precisando de gestão, claro, mas a Aegro quer que o produtor olhe pra tela como quem pede ajuda de um agrônomo ou um consultor.

Esse movimento também ajudou a melhorar um indicador que fala bastante sobre a relação com o cliente. Segundo a empresa, o churn caiu pra menos de 1%, enquanto o crescimento veio tanto de contas novas quanto de quem já tava na base. Pra alimentar esse fluxo, a plataforma ganhou até uma interface no WhatsApp pra receber nota fiscal, compra, abastecimento e outros dados da operação.

No fundo, a empresa tá vendendo uma ideia que faz bastante sentido pro momento do agro. O produtor não controla o clima, não manda no preço da soja e muito menos decide a taxa de juros. Mas consegue errar menos quando enxerga melhor o que tá acontecendo dentro da porteira. A Aegro entendeu que, no campo, software por software não arranca aplauso de ninguém. O que chama atenção mesmo é quando a tecnologia ajuda a parar desperdício, cortar ruído e fazer o número fechar sem precisar de promessa.

SAFRA DE CIFRAS

CTC pega R$ 84 milhões no BNDES e quer reinventar a cana do plantio ao combate à praga

Foto: Guilber Hidaka/Ed. Globo

A cana ganhou mais um empurrão no laboratório pra tentar deixar de fazer certas coisas do mesmo jeito de sempre. O CTC garantiu R$ 83,96 milhões em financiamento do BNDES pra tocar 3 projetos que mexem em pontos bem sensíveis da cana, sementes sintéticas e resistência ao bicudo. O pacote entra pela linha BNDES Mais Inovação e faz parte de um investimento total de R$ 165,54 milhões, somando também grana da Finep e recursos do próprio centro.

A parte que mais chama atenção tá nas sementes sintéticas, tecnologia que o CTC desenvolve desde 2013 pra tentar aposentar, pelo menos em parte, o plantio com colmos. Hoje, um hectare pode engolir mais de 16 toneladas de colmos. Com a nova tecnologia, esse volume cairia pra cerca de 400 kg de sementes sintéticas por hectare. A promessa é daquelas que fazem o setor abrir o olho rapidinho, menos combustível, menos compactação do solo, menos insumo e mais área livre pra produção. Em Piracicaba (SP), o centro vai erguer uma planta piloto de 10 mil m² pra produzir sementes suficientes pra plantar até 500 hectares por ano.

O resto da conta vai pra pesquisas em germinação, armazenamento e seletividade do material biológico, além de uma nova variedade que seja resistente ao bicudo, que é aquela praga que gosta de mastigar a produtividade em estados como São Paulo, Minas, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Tudo isso entra no plano do CTC de dobrar a produtividade da cana no Brasil até 2040, com mais biotecnologia, melhoramento genético e eficiência produtiva.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Recuperações judiciais no agro disparam e a conta dentro da porteira segue sem trégua

Gif: Giphy

A crise financeira no campo continua longe de pedir arrego. No fim do 1º trimestre, 539 empresas do setor agropecuário estavam em recuperação judicial no Brasil, uma alta de 58% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao 4º trimestre de 2025, o avanço foi de 9,3%. A crise não tá mais batendo na porteira. Já entrou, sentou na varanda e pegou um cafézinho, se sentindo bem à vontade.

A receita desse estrago o setor conhece bem: juro alto, margem espremida, crédito curto e custo de produção ainda pesado. Só que agora entrou mais um tempero indigesto no prato, a guerra no Oriente Médio, que ajudou a empurrar pra cima os preços de fertilizantes e diesel e já começou a aparecer como justificativa nos novos pedidos de recuperação judicial. O produtor tenta fechar a conta de um lado e o Estreito de Ormuz resolve mandar a fatura do outro.

Também pesa nessa história o velho hábito de adiar a conversa difícil e apostar que a próxima safra vai resolver tudo. Quando essa virada não vem, a inadimplência cresce, o banco chega cobrando e a bola de neve ganha trator e carreta. Entre os segmentos mais afetados, a soja lidera com 243 empresas em recuperação judicial, seguida pela pecuária de corte, com 89, e pela cana, com 49.

O retrato deixa claro que a pressão já tá espalhada por várias cadeias e ainda sem sinal de alívio no curto prazo. Enquanto a Selic continuar alta e o crédito seguir curto, a tendência é que novas recuperações continuem aparecendo no radar.

COLHENDO CAPITAL

Raízen manda nova proposta a credores, mas não quer tirar Ometto do comando

Gif: spongebob on Giphy

A Raízen voltou pra mesa de negociação com uma contraproposta pros seus credores enquanto ainda tenta reorganizar a dívida de R$ 65 bilhões. Segundo a Bloomberg, a empresa avisou que negocia uma nova captação entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões, além dos R$ 4 bilhões já prometidos pela Shell e por Rubens Ometto.

O problema é que a discussão não tá mais girando só em torno de dinheiro novo. Os credores também querem mexer na liderança e pressionam por mudanças no comando do conselho, colocando isso até como uma exigência na negociação. Até agora, esse ponto segue meio atravessado, porque a Raízen não deu nenhum sinal de que pretende tirar Ometto da presidência.

Pra tentar aliviar a tensão, a companhia disse que pode aceitar a criação de um comitê de credores, o que deixaria o grupo acompanhar mais de perto as decisões da empresa. Mas mesmo assim, Ometto bate o pé e não quer deixar o posto, e esse impasse continua sendo uma das partes mais tensas da negociação. A Raízen tenta convencer o mercado de que topa reorganizar a casa, mas sem entregar a chave da porta.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Amaranto

Pergunta de hoje: Qual tubérculo africano foi levado ao Brasil pelos escravizados e se tornou parte da base alimentar do país?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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