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Bom dia!
Hoje tem recuperações judiciais no agro subindo 58% em um ano, PIB do agronegócio crescendo 12% e Raízen voltando à mesa com nova proposta mas se recusando a tirar Ometto do comando. No meio disso, a Agrishow segue em Ribeirão Preto com lançamento de sobra e apetite mais contido, o CTC garante R$ 84 milhões do BNDES pra reinventar o plantio da cana e a Casa Branca coloca a JBS no radar de investigação de cartel.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
QUAL A BOA?
Agrishow tem lançamento de sobra e apetite de menos

Foto: Leonardo Sousa / CBN Ribeirão
A Agrishow 2026 começou daquele jeito que o agro conhece bem: máquina pra todo lado, lançamento brilhando no estande e produtor andando quilômetros atrás de alguma coisa nova. Só que, dessa vez, o clima não tá exatamente de oba-oba. Juros altos, câmbio atravessado, fertilizante mais caro e a guerra no Oriente Médio tão bagunçando os custos de produção e o humor do mercado junto, e aí a feira chega grande no tamanho, mas bem mais contida na expectativa. Quem tá expondo já até revisou a previsão. Em vez de falar em crescer, muita empresa já tá comemorando se repetir o resultado do ano passado.
O problema é que a conta apertou em tudo ao mesmo tempo. Mesmo com supersafra, boa produtividade e o clima ajudando, a Selic segue fazendo o papel de vilã. Por conta disso, o produtor fica segurando o investimento e o mercado já espera a 5ª queda seguida nas vendas de máquinas, com a Tecnoshow Comigo, que terminou com recuo de 30% nos negócios, fresquinha na memória.
Mas isso também não quer dizer que a feira virou só um passeio pra pegar brinde e boné. As empresas chegaram armadas até os dentes de novidade e alternativa. Tem pulverizador novo da Baldan, motor a etanol em teste na CNH, máquina autônoma da Jacto, colhedora de cana de 2 linhas e aposta forte em combustíveis alternativos, biometano, eletricidade e tudo que ajude a vender a ideia de eficiência com cara de futuro. No meio disso, a irrigação aparece como um setor que ainda sonha alto, puxada por um produtor que pode até ser mais cauteloso, mas que sabe que proteger a produtividade também é investimento.
Do lado do crédito, os bancos chegaram tentando mostrar que ainda existe dinheiro na praça, desde que a conversa faça sentido. O Santander espera ampliar a demanda, o Banco do Brasil mira R$ 3 bilhões em propostas e o discurso geral é financiar projeto que traga renda, eficiência e menos risco, não só empurrar máquina goela abaixo.
PAUTA VERDE
Etanol E32 promete boost de 1 bilhão de litros na demanda

Foto: Freepik
A possível chegada do E32 deve colocar mais 1 bilhão de litros por ano na conta do etanol anidro, segundo a UNICA, e reforçar a aposta do Brasil em biocombustível feito em casa. Se comparar com o salto que já veio desde o E27, o aumento acumulado na demanda chega a 2,4 bilhões de litros em 12 meses.
A entidade diz que o país já conhece bem esse jogo e não tá entrando nesse rolê no improviso. Com uma das maiores frotas flex do mundo e décadas de convivência com mistura alta de etanol, o Brasil já aprendeu a fazer esse casamento funcionar sem drama no posto. Além disso, o setor vende essa medida como um reforço na segurança energética e como um ganho ambiental, numa combinação que agrada tanto quem olha pro tanque quanto quem olha pra emissão.
Do lado da oferta, a UNICA afirma que tem espaço de sobra pra segurar esse novo apetite, somando etanol de cana e de milho. Só a expansão do etanol de milho, com 16 novas plantas previstas pros próximos 12 meses, já ajudaria a segurar esse crescimento da demanda. Agora a proposta segue pra análise do CNPE no início de maio. Se passar, o etanol ganha mais espaço na mistura e o Brasil continua fazendo o que já virou especialidade, colocar energia renovável no tanque com a naturalidade de quem já faz isso faz tempo.
POR DENTRO DO MERCADO
Aegro acelera, cresce mais de 30% e quer virar mais do que só software de gestão

Foto: AgFeed
A Aegro entrou em 2026 com o pé mais fundo no acelerador e já saiu do 1º trimestre com crescimento de mais de 30% no faturamento na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado veio justamente num trecho do calendário que costuma ser mais fraco pra empresa, o que animou a direção e puxou uma revisão na meta do ano. Se antes a expectativa era faturar perto de R$ 38 milhões, agora a projeção subiu pra R$ 42 milhões.
Boa parte dessa virada vem da chegada de Maurício Schneider no comando da empresa no fim de 2025, depois de 10 anos com o cofundador Pedro Dusso na cadeira de CEO. A ideia foi dar uma pegada mais mão na massa ao negócio, puxando a Aegro pra um lugar mais prático, comercial e conectado com o que mexe no bolso da fazenda. Enquanto Dusso ficou mais focado na parte tecnológica e conceitual, Schneider trouxe a leitura de que a Aegro precisava deixar de ser vista só como um software de gestão e passar a ser tratada como uma ferramenta de tomada de decisão.
É aí que entra a nova aposta da empresa. Hoje, a Aegro tá usando dados de milhares de fazendas clientes pra montar comparativos, benchmarks e alertas sobre custo, preço de insumo, desempenho de colheita, consumo de combustível e rentabilidade. A ideia é mostrar pro produtor onde tá o desvio, onde tá a gordura e onde a operação tá falhando. A fazenda continua precisando de gestão, claro, mas a Aegro quer que o produtor olhe pra tela como quem pede ajuda de um agrônomo ou um consultor.
Esse movimento também ajudou a melhorar um indicador que fala bastante sobre a relação com o cliente. Segundo a empresa, o churn caiu pra menos de 1%, enquanto o crescimento veio tanto de contas novas quanto de quem já tava na base. Pra alimentar esse fluxo, a plataforma ganhou até uma interface no WhatsApp pra receber nota fiscal, compra, abastecimento e outros dados da operação.
No fundo, a empresa tá vendendo uma ideia que faz bastante sentido pro momento do agro. O produtor não controla o clima, não manda no preço da soja e muito menos decide a taxa de juros. Mas consegue errar menos quando enxerga melhor o que tá acontecendo dentro da porteira. A Aegro entendeu que, no campo, software por software não arranca aplauso de ninguém. O que chama atenção mesmo é quando a tecnologia ajuda a parar desperdício, cortar ruído e fazer o número fechar sem precisar de promessa.
SAFRA DE CIFRAS
CTC pega R$ 84 milhões no BNDES e quer reinventar a cana do plantio ao combate à praga

Foto: Guilber Hidaka/Ed. Globo
A cana ganhou mais um empurrão no laboratório pra tentar deixar de fazer certas coisas do mesmo jeito de sempre. O CTC garantiu R$ 83,96 milhões em financiamento do BNDES pra tocar 3 projetos que mexem em pontos bem sensíveis da cana, sementes sintéticas e resistência ao bicudo. O pacote entra pela linha BNDES Mais Inovação e faz parte de um investimento total de R$ 165,54 milhões, somando também grana da Finep e recursos do próprio centro.
A parte que mais chama atenção tá nas sementes sintéticas, tecnologia que o CTC desenvolve desde 2013 pra tentar aposentar, pelo menos em parte, o plantio com colmos. Hoje, um hectare pode engolir mais de 16 toneladas de colmos. Com a nova tecnologia, esse volume cairia pra cerca de 400 kg de sementes sintéticas por hectare. A promessa é daquelas que fazem o setor abrir o olho rapidinho, menos combustível, menos compactação do solo, menos insumo e mais área livre pra produção. Em Piracicaba (SP), o centro vai erguer uma planta piloto de 10 mil m² pra produzir sementes suficientes pra plantar até 500 hectares por ano.
O resto da conta vai pra pesquisas em germinação, armazenamento e seletividade do material biológico, além de uma nova variedade que seja resistente ao bicudo, que é aquela praga que gosta de mastigar a produtividade em estados como São Paulo, Minas, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Tudo isso entra no plano do CTC de dobrar a produtividade da cana no Brasil até 2040, com mais biotecnologia, melhoramento genético e eficiência produtiva.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Recuperações judiciais no agro disparam e a conta dentro da porteira segue sem trégua

Gif: Giphy
A crise financeira no campo continua longe de pedir arrego. No fim do 1º trimestre, 539 empresas do setor agropecuário estavam em recuperação judicial no Brasil, uma alta de 58% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao 4º trimestre de 2025, o avanço foi de 9,3%. A crise não tá mais batendo na porteira. Já entrou, sentou na varanda e pegou um cafézinho, se sentindo bem à vontade.
A receita desse estrago o setor conhece bem: juro alto, margem espremida, crédito curto e custo de produção ainda pesado. Só que agora entrou mais um tempero indigesto no prato, a guerra no Oriente Médio, que ajudou a empurrar pra cima os preços de fertilizantes e diesel e já começou a aparecer como justificativa nos novos pedidos de recuperação judicial. O produtor tenta fechar a conta de um lado e o Estreito de Ormuz resolve mandar a fatura do outro.
Também pesa nessa história o velho hábito de adiar a conversa difícil e apostar que a próxima safra vai resolver tudo. Quando essa virada não vem, a inadimplência cresce, o banco chega cobrando e a bola de neve ganha trator e carreta. Entre os segmentos mais afetados, a soja lidera com 243 empresas em recuperação judicial, seguida pela pecuária de corte, com 89, e pela cana, com 49.
O retrato deixa claro que a pressão já tá espalhada por várias cadeias e ainda sem sinal de alívio no curto prazo. Enquanto a Selic continuar alta e o crédito seguir curto, a tendência é que novas recuperações continuem aparecendo no radar.
COLHENDO CAPITAL
Raízen manda nova proposta a credores, mas não quer tirar Ometto do comando

Gif: spongebob on Giphy
A Raízen voltou pra mesa de negociação com uma contraproposta pros seus credores enquanto ainda tenta reorganizar a dívida de R$ 65 bilhões. Segundo a Bloomberg, a empresa avisou que negocia uma nova captação entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões, além dos R$ 4 bilhões já prometidos pela Shell e por Rubens Ometto.
O problema é que a discussão não tá mais girando só em torno de dinheiro novo. Os credores também querem mexer na liderança e pressionam por mudanças no comando do conselho, colocando isso até como uma exigência na negociação. Até agora, esse ponto segue meio atravessado, porque a Raízen não deu nenhum sinal de que pretende tirar Ometto da presidência.
Pra tentar aliviar a tensão, a companhia disse que pode aceitar a criação de um comitê de credores, o que deixaria o grupo acompanhar mais de perto as decisões da empresa. Mas mesmo assim, Ometto bate o pé e não quer deixar o posto, e esse impasse continua sendo uma das partes mais tensas da negociação. A Raízen tenta convencer o mercado de que topa reorganizar a casa, mas sem entregar a chave da porta.
PLANTÃO RURAL
Brasil entra em programa da OCDE e leva o agro pra mesa global. O Brasil formalizou adesão ao programa de pesquisa cooperativa da OCDE pra agricultura e sistemas alimentares sustentáveis. Na prática, é mais uma cadeira ocupada pelo país na conversa internacional sobre inovação, produtividade e sustentabilidade.
Agtechs ganham menos cheque e mais lupa dos investidores. Os aportes em agtechs somaram cerca de R$ 562 milhões em 2025, distribuídos em 26 rodadas, segundo o Itaú BBA. O volume caiu perto de 50% em relação a 2024 e deixou claro que o investidor parou de se emocionar só com pitch bonito.
Casa Branca mira cartel da carne e põe a JBS no radar. Peter Navarro, conselheiro econômico da Casa Branca, disse que o governo dos EUA investiga os preços da carne bovina, suína e de frango e acusa 4 gigantes, entre elas a JBS, de operar como cartel. O Departamento de Justiça já tá de olho no setor, e o mercado obviamente não recebeu a notícia com sorriso no rosto.
Proteína animal mira a Ásia e já vê US$ 57 milhões no horizonte. A ABPA projeta gerar US$ 57 milhões em negócios ao longo dos próximos 12 meses depois da agenda comercial na FHA 2026, em Singapura. Desse total, US$ 8,9 milhões já foram fechados no curto prazo.
Governo vai financiar R$ 10 bi em máquinas. O governo anunciou R$ 10 bilhões no Move Agricultura pra financiar tratores, colheitadeiras e implementos com juros de um dígito. São Paulo ainda colocou mais R$ 40 milhões em subvenção via Pró Trator.
Plano Safra de um dígito vira meta de ministro. André de Paula disse que trabalha pra entregar juros de um dígito no Plano Safra 2026/27, mesmo com guerra e crédito apertado bagunçando o cenário.
Sauditas avançam na Olam Agri e chegam a 80% do controle. A Salic comprou mais uma fatia da Olam Agri por US$ 1,88 bilhão e passou a deter 80,01% da trading agrícola. O plano é chegar a 100% em até 3 anos.
Café desaba na bolsa e o mercado sente o baque da safra. O arábica perdeu mais de 600 pontos em Nova York e o robusta caiu junto em Londres, numa reação ao avanço da safra brasileira, à perspectiva de superávit global e à saída dos fundos comprados.
Sêmen Angus volta a crescer. As vendas de sêmen Angus avançaram 31,19% em 2025 e marcaram a 3ª maior comercialização da história da raça no país. O movimento acompanha a valorização da carne de qualidade, o uso da IATF e a busca por produtividade.
PIB do agro cresce 12% e volta a puxar mais peso na economia. Segundo Cepea e CNA, o PIB do agronegócio brasileiro cresceu 12,20% em 2025 e alcançou R$ 3,20 trilhões. Com isso, o setor passou a responder por 25,13% da economia do país. O agro já gosta de lembrar que carrega o Brasil nas costas. Agora apareceu número pra reforçar a pose.
Agrishow começa com acidente no primeiro dia. A edição 2026 da Agrishow mal começou e já registrou seu 1º acidente. Um carrinho usado no transporte interno atropelou a sala de imprensa depois de um suposto erro na direção. Ninguém ficou gravemente ferido, mas a feira conseguiu estrear no noticiário com menos novidade tecnológica e mais videocassetadas do que o planejado.
Yanmar nada contra a corrente e aposta em alta nas vendas. Mesmo com juro alto, câmbio ruim e custo pressionado, a Yanmar projeta crescimento de até 20% nas vendas durante a Agrishow.
BNDES põe R$ 380 milhões em Sergipe e mistura agro, floresta e cultura. O banco anunciou mais de R$ 380 milhões em iniciativas no estado, com foco em restauração ambiental, agricultura familiar e economia criativa.
São Martinho aprova R$ 1,1 bilhão em debêntures. A companhia sucroenergética aprovou a 9ª emissão de debêntures simples, no valor total de R$ 1,1 bilhão. Os papéis saem em duas séries, sem conversão em ações, e podem atrair investidor atrás de benefício tributário.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Amaranto
Pergunta de hoje: Qual tubérculo africano foi levado ao Brasil pelos escravizados e se tornou parte da base alimentar do país?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
