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Hoje tem Agrishow abrindo as portas em Ribeirão Preto com mais de 800 marcas e produtor chegando interessado mas com menos apetite pra compras, levantamento mostrando que 36% dos trabalhadores rurais sofrem com depressão e calor extremo já cortou a produção de soja em quase 10% entre 2023 e 2024. No meio disso, a Zait.ag chega na feira com R$ 8 milhões em inovação, o governo anuncia pacote pro leite e Alckmin promete R$ 10 bilhões em crédito pra máquinas agrícolas.
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Por Enrico Romanelli
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Na safra 24/25, as fazendas que registraram o custo por talhão chegaram ao ponto de equilíbrio com 36 sc/ha. Enquanto na média nacional, o número ficou em 44 sc/ha. Essas 8 sacas de diferença parecem pequenas no papel, mas no campo são o detalhe que separa quem negocia com calma de quem senta na mesa já suando frio.
A lucratividade média dessas fazendas bateu 52,8%, quase o dobro dos 27% da média nacional. E não foi porque tinham mais área, mais sorte ou alguma fórmula mágica escondida no galpão. Foi porque sabiam, ao longo da safra inteira, quanto cada hectare custou, quanto entregou e onde ainda tinha gordura pra cortar antes de o prejuízo pedir passagem.
Quando a margem aperta, esse histórico vale mais do que chute e planilha feita na pressa. Com custeio vencendo e fechamento fiscal batendo na porta no mesmo dia, 30/04, fica bem claro quem passou o ano construindo controle e quem deixou pra descobrir tudo no apagar das luzes.
Todos esses dados são do Aegro Insights. Pra montar a próxima safra com esse nível de clareza, agende sua demonstração gratuita aqui.
QUAL A BOA?
Agrishow 2026 abre os portões hoje

Foto: Divulgação/Agrishow
A Agrishow começa hoje (27), em Ribeirão Preto, daquele jeito que o agro conhece bem, enorme, lotada de máquina, promessa de lançamento e muito produtor andando até não aguentar mais. A 31ª edição reúne mais de 800 marcas, delegações de cerca de 50 países e uma área de mais de 520 mil m², com máquinas, implementos, irrigação, agricultura de precisão, armazenagem, fertilizantes, defensivos e tudo o que você conseguir imaginar. A expectativa é superar os 197 mil visitantes da edição passada, num ano em que a feira quer seguir sendo a principal vitrine de tecnologia, balcão de negócio e ponto de encontro do agro do Brasil.
Só que, dessa vez, o clima do negócio vem acompanhado de uma visita bem menos simpática, o crédito caro. Juro alto, custo de produção apertado, margem espremida e caixa mais curto tão moldando o jeito como muita gente vai circular pelos estandes. O produtor chega interessado, claro, mas com a mão bem menos solta pra assinar pedido. A conversa vai ter que ir além de potência, cabine e tecnologia embarcada. Vai ter que falar sobre quanto custa, como financia e se a conta fecha sem precisar rezar pra safra colaborar.
Mas isso não significa que os negócios vão parar de vez. Só vão ter um filtro mais fino. Com menos espaço pra impulso, a feira deve ver um cardápio mais pé no chão ganhar força, com aluguel de curto prazo, seminovos, consórcios, máquinas menores e soluções que prometem jogar a eficiência lá em cima sem exigir um salto mortal no orçamento.
Ao mesmo tempo, tem uma fatia do agro que chega em outra rotação. Os produtores com mais grana no bolso e as grandes operações devem olhar com mais vontade pros equipamentos de automação, inteligência artificial, robôs e os de alta eficiência, especialmente pensando na colheita da safra de verão e a renovação de frota. Tem fabricante apostando justamente nisso, como a Fendt, que leva pra feira um trator movido a etanol de milho, numa mistura de inovação, oportunidade e preocupação com o meio ambiente.
A organização também tratou de deixar a casa mais arrumada pra segurar o fluxo. Teve ampliação de área asfaltada, reforço na alimentação, mais água, espaço de descanso, transporte interno e aplicativo oficial com mapa interativo, assistente virtual por IA e ferramenta de networking. Tem Agrishow Labs pra aproximar startup de produtor, Agrishow Pra Elas, pavilhão da agricultura familiar, lounge de influenciadores e todo aquele ecossistema que o setor adora viver todo ano.
CAMPO ATUALIZADO
Pulverização mal feita ainda faz defensivo passear mais do que trabalhar

Foto: iStockphoto/Getty Images
Não basta aplicar defensivo, tem que fazer o produto cair no lugar. E é justamente aí que mora um problema bem maior do que parece. Estudos da American Society of Agricultural and Biological Engineers (ASABE) mostram que, em condições reais de campo, só uma parte do volume pulverizado acerta o alvo. A eficiência fica entre 30% e 70%, enquanto o resto mete o pé por deriva, evaporação ou escorrimento.
A deriva segue como uma das campeãs desse desperdício. Quando a gota fica fina demais, o vento se mete na operação ou o equipamento tá errado, a pulverização começa a desandar e virar um problema em vez de solução. Aí não é só a praga que escapa. O produtor gasta mais, o controle perde a força, as culturas vizinhas podem tomar prejuízo e o meio ambiente ainda leva uma de graça.
A boa notícia é que tecnologia pra reduzir essas perdas já existe e tá avançando. A má é que ela ainda depende de uma etapa que nem sempre dá pra confiar, gente bem treinada pra usar direito. Pesquisas, cursos e capacitações tão batendo nessa tecla porque regulagem, ponta de pulverização, tamanho de gota e leitura do clima não são frescura, são o que separa aplicação eficiente do dinheiro jogado fora.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Agro enfrenta crise silenciosa de saúde mental

Foto: Federarroz/Divulgação
Um levantamento da Great People Mental Health diz que 36% dos trabalhadores rurais do Brasil sofrem com depressão, um número bem acima da média do país, que é 15%. A estimativa é de que pelo menos 9 milhões de pessoas que trabalham no campo tenham ou possam vir a ter algum tipo de problema de saúde mental. É um retrato pesado de um setor que costuma falar muito de produtividade, mas ainda fala pouco do que tá acontecendo da porteira pra dentro da cabeça.
O estudo liga esse adoecimento a um combo que o campo conhece bem: sobrecarga de trabalho, insegurança sobre continuar na atividade, pressão financeira, clima extremo, praga, conflito familiar, dificuldade de sucessão, isolamento e aquela tensão entre tradição e modernização. Também entram nessa conta a exposição crônica a produtos químicos e a dificuldade de acesso a atendimento especializado, já que em muita região procurar ajuda ainda é mais complicado do que encarar uma semana de chuva no meio da colheita. E por cima de tudo isso ainda vem aquela cultura antiga de que aguentar calado é sinal de força, como se sofrimento emocional fosse frescura e não problema real.
O levantamento aponta que isso gera mais faltas no trabalho, queda de produtividade, êxodo rural, dificuldade de reposição de mão de obra e sucessão comprometida. Mulheres, safristas, integrados à agroindústria, trabalhadores expostos a químicos e jovens aparecem entre os grupos mais vulneráveis, com os mais novos enfrentando desafios emocionais em proporção 4 vezes maior do que quem tem mais de 50 anos. O relatório defende que a resposta precisa juntar regulação, assistência, ciência e mudança cultural, porque saúde mental no campo não é frescura, não é detalhe e não é assunto lateral. É parte da conta.
SAFRA DE CIFRAS
Calor extremo já bate na soja e deixa a safra cada vez menos na mão do clima

Gif: Giphy
O calor extremo tá deixando de ser só um figurante no relatório pra virar personagem principal dos problemas do campo. Segundo a FAO, as temperaturas mais altas entre 2023 e 2024 cortaram a produção de soja em quase 10% e ainda atrapalharam a pecuária com estresse térmico e perda de produtividade. Quando o termômetro passa dos 30°C nos estágios reprodutivos, milho e soja começam a sentir o tranco, e esse patamar já tá ficando comum demais no país todo.
Com isso, produzir bem vai ficando cada vez mais um teste de tecnologia, manejo e fôlego financeiro. Genética melhorada, ajuste no calendário agrícola, irrigação, cobertura do solo, monitoramento climático e mecanização mais precisa entram na conta como necessidade, não mais como luxo de produtor caprichoso. O problema é que tudo isso ajuda, mas custa caro, e quando o ganho de produtividade depende mais da ciência do que do bom humor do tempo, o risco sobe junto com a despesa.
A conta também sobra pra quem tá no campo trabalhando. A FAO deu o papo de que algumas regiões do Brasil podem sofrer com até 250 dias por ano com calor excessivo pra atividade ao ar livre, o que exige uma mudança na jornada, pausas mais frequentes, água, roupa adequada e mais cuidado com a saúde dos trabalhadores. E, segundo o órgão, essa adaptação não cai só no colo do produtor. Sem política pública, pesquisa, planejamento e apoio institucional, o campo vai seguir tentando enfrentar um forno ligado no improviso.
COLHENDO CAPITAL
Zait.ag põe R$ 8 milhões em inovação e chega na Agrishow de mala cheia

Foto: Divulgação
A Zait.ag resolveu chegar na Agrishow com o pé bem mais fundo no acelerador das inovações. Depois da fusão entre Drop e Smart Sensing, a empresa passou a contar com mais de 30 desenvolvedores e prevê investir pra lá de R$ 8 milhões em novos desenvolvimentos até o fim do ano. A ideia é ampliar o acesso a tecnologias de precisão e digital no campo, num momento em que muita gente ainda tenta fazer agricultura do futuro com equipamento do passado e reza forte no meio da operação.
Entre os destaques, a empresa leva uma nova rodada de soluções que misturam aplicação localizada, monitoramento, telemetria e automação. Um dos principais é a evolução do sistema de aplicação com mapas de alta precisão e válvulas que trabalham no nível da planta, abrindo e fechando bicos com precisão centimétrica pra reduzir o desperdício e usar os insumos com mais inteligência. Na prática, é menos produto passeando onde não deve e mais chance de fazer a gota cair onde realmente interessa.
O combo ainda inclui um centro de operações capaz de trabalhar com 2 drones ao mesmo tempo, estação meteorológica embarcada pra ajudar a acertar a hora da aplicação, plataforma de recomendação agronômica e uma nova estrutura de telemetria com rastreamento de calda e controle de estoque, pacote completo. A empresa projeta faturamento acima de R$ 100 milhões em 2026 e vai levar tudo isso pra 2 estandes na Agrishow, com simulações do WEED IT em funcionamento e demonstrações das plataformas.
PLANTÃO RURAL
GAFFFF vai ter edição em Sorriso (MT) e mira repetir bilhão. Depois de 2 edições em São Paulo, o Global Agribusiness Festival vai desembarcar em Sorriso (MT) entre 23 e 26/07. A cidade quer entrar de vez no calendário do agro e a organização aposta em repetir ou até superar os R$ 1,8 bilhão movimentados na última edição.
Yara surfa na guerra e colhe lucro acima do esperado. A Yara entregou um Ebitda ajustado de US$ 896 milhões no 1º trimestre, 40% acima das estimativas, embalado pela alta global dos fertilizantes depois que a guerra no Oriente Médio travou o Estreito de Ormuz.
Alckmin promete linha de crédito de R$ 10 bi. Na abertura da Agrishow, Geraldo Alckmin anunciou o Moviagrícola, novo programa que promete liberar cerca de R$ 10 bilhões em financiamentos pra tratores, implementos e colheitadeiras. A ideia é fazer o crédito chegar em até 3 semanas, com juros de 1 dígito.
Faesp chama abertura da Agrishow de “dia do não anúncio”. A Faesp olhou pros discursos da abertura da feira e saiu com pouca paciência. Tirso Meirelles classificou o domingo como o dia do não anúncio e disse que o agro cansou de promessa sem prazo, sem mecanismo e sem entrega.
Suinocultura deve chegar a 53 milhões de cabeças até 2030. Um estudo da FGV projeta que o rebanho de suínos no Brasil vai crescer 10% e alcançar 53 milhões de cabeças até 2030, puxado principalmente pelo aumento da demanda interna por proteína.
Governo prepara pacote pro leite. O governo anuncia nesta segunda-feira (27) um pacote pra cadeia do leite, com destaque pra implantação de 300 mil embriões em 2 anos e uma nova linha de crédito rural pras cooperativas da agricultura familiar. A ideia é melhorar genética, ganhar produtividade e tentar dar algum fôlego pro setor.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Pupunha
Pergunta de hoje: Qual grão, cultivado pelos astecas, era usado em rituais religiosos e hoje é ingrediente de barras de cereal?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
