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Bom dia!

Hoje tem startup que queria ser a Tesla dos tratores mas capotou na manufatura e foi parar no colo da Caterpillar, STF decidindo por unanimidade manter a trava na compra de terras brasileiras por empresas gringas e biodiesel pressionando Brasília pra ganhar mais espaço nos tanques. No meio disso, a MBRF inaugura expansão de US$ 70 milhões no Uruguai, a Embrapa pede blindagem no orçamento e a cota de carne brasileira pra China já passou dos 65%.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 191.378,44 18,78%
IFIX 3.928,65 3,96%
JBSS32 R$84,00 6,15%
RAIZ4 R$0,50 -38,27%
KOPA11 R$515,00 -14,52%
BBGO11 R$75,50 -1,26%
ETF OURO R$24,41 -1,45%
Bitcoin US$78.034,47 -11,67%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

A Tesla dos tratores sonhou alto demais, capotou e foi parar no colo da Caterpillar

Gif: MakeAGIF

A Monarch Tractor passou anos vendendo um sonho que parecia saído de um pitch com café superfaturado e apresentação toda enfeitada feita no Canva, ser a Tesla dos tratores. A proposta era bem sedutora, juntava trator elétrico, autônomo e com software inteligente num pacote pensado pra pequenas e médias fazendas de vinhedo, pomar e laticínios.

No papel, era o futuro chegando mais cedo. Na vida real, o trator descobriu que inovar é lindo até a hora em que precisa sair da fábrica funcionando, em escala e sem transformar concessionária em SAC. Sem conseguir escalar a produção e com o caixa pedindo socorro, a startup americana acabou comprada pela Caterpillar, que agora fica com a tecnologia e decide o que sobra desse sonho que queria ser revolucionário, mas tropeçou no básico.

O problema apareceu justamente onde o mercado separa hype de realidade, a manufatura. A Monarch levantou mais de US$ 250 milhões, atraiu investidor de peso, foi avaliada em mais de US$ 500 milhões e parecia ter tudo pra decolar de vez, sem olhar pra trás. Só que entre prometer muito e montar trator pesado com qualidade existe um abismo que não se atravessa só com branding e ambição.

A parceria com a Foxconn, que parecia dar uma firmeza industrial pro projeto, desandou. A montagem ficou sem base, os tratores começaram a acumular reclamação, concessionários e produtores foram à Justiça, e o que era pra ser inovação começou a ficar com cara de recall e dinheiro de volta.

No meio do caos, a empresa ainda tentou se salvar mudando de rota e apostando mais no licenciamento de software, desistindo do sonho antes de chegar perto de conquistar. Só que já era tarde. A insistência em controlar tudo, do hardware à linha de montagem, virou uma armadilha cara e sem perdão.

Carlo Mondavi, um dos fundadores e o rosto mais midiático da companhia, acabou rompendo com os sócios depois de discordar sobre como resolver os problemas das máquinas. Ele queria mexer no hardware. O CEO achava que o software dava conta.

Agora a Monarch sai de cena como startup independente e entra no portfólio da Caterpillar, que levou os ativos, o conhecimento acumulado e uma possível avenida mais curta pra avançar em eletrificação e autonomia. A gigante, que fatura mais de US$ 60 bilhões por ano, não comprou uma marca pra posar de visionária do agro. Comprou experiência pronta, erro já cometido e estrada parcialmente aberta.

A Tesla dos tratores não virou Tesla, nem dos tratores, nem de nada. Virou mais um caso clássico de startup que tinha tudo pra brilhar, mas esqueceu que antes do glamour vem a fábrica, o prazo e o produto funcionando direito.

PAUTA VERDE

Biodiesel pressiona Brasília pra ter mais espaço nos tanques

Foto: Getty Images

O biodiesel brasileiro teve um dia cheio ontem (23). De um lado, a Abiove tá cobrando que o governo revogue uma resolução de 2015 do CNPE que coloca um limite de 15% no uso voluntário de misturas acima de certos volumes, mesmo depois de a lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, já ter aberto espaço pra esse uso sem tanta amarra. Do outro, o Ministério de Minas e Energia confirmou que, a partir de maio, vai começar os testes pra ampliar a mistura do biodiesel no diesel.

Essa pressão ganhou mais força desde que a guerra no Oriente Médio começou a bagunçar o custo do diesel e a reacender o medo de faltar diesel na bomba. A Abiove diz que destravar essas misturas maiores não criaria um boom na demanda de uma hora pra outra, mas abriria soluções regionais que já ajudariam. Tem empresa grande que nem tá esperando bênção cair do céu e já usa biodiesel puro na própria frota, caso de Amaggi e JBS.

Enquanto isso, o governo resolveu colocar o assunto no microscópio. Os testes anunciados pelo MME vão avaliar misturas de 20% e 25% de biodiesel pra medir se o desempenho dos motores muda e se o combustível fica estável. E a indústria tá bem animada com isso, até porque já vê também a chance de destravar o B16 ainda em 2026, saindo dos atuais 15% pra 16% obrigatórios.

ASSUNTO DE GABINETE

STF fecha a porteira e trava compra de terras brasileiras por empresas gringas

Gif: historyuk on Giphy

O STF decidiu por unanimidade manter a restrição à compra de terras rurais por empresas que são controladas majoritariamente por dinheiro lá de fora. Na prática, a Corte só revalidou uma lei de 1971 que já coloca esse freio e deixou claro que eventuais exceções não vão sair no grito nem no jeitinho. Só a União e o Incra podem dar um passe livre pra liberar aquisições fora do que tá na norma.

A disputa chegou ao tribunal depois que a Sociedade Rural Brasileira tentou derrubar a interpretação da regra que coloca lado a lado as empresas brasileiras com maioria de capital estrangeiro e as que são gringas de fato. A entidade argumentou que isso trava os investimentos, bate de frente com a livre iniciativa e cria um desequilíbrio no mercado. Do outro lado, o Estado e o Incra defenderam a manutenção da trava com aquele velho argumento da soberania nacional.

O relator do caso foi o ex-ministro Marco Aurélio, que votou pra manter as restrições do jeito que tão, e o restante do plenário pegou rabeira sem inventar moda. A votação já tava rolando desde março, mas tinha dado aquela parada estratégica depois de um pedido de vista de Alexandre de Moraes. Quando o tema voltou à pauta nesta quinta-feira (23), o placar fechou em 11 a 0. Nem precisou de discussão extra.

A decisão ainda reforçou um ponto importante, só a União e o Incra podem autorizar exceções fora do que a lei já prevê. No agro, isso mantém acesa uma discussão que nunca dorme direito, de um lado quem vê a trava como freio pra investimento estrangeiro que queria entrar aqui, do outro quem acha que terra não é um ativo qualquer pra sair passando de mão em mão.

QUAL A BOA?

Bioinsumo cresce, bate R$ 6,2 bi e já quer plateia cheia em Campinas

Foto: Divulgação/BioSummit

Bioinsumo já faz tempo que parou de ser aquele assunto que aparecia na conversa com cara de promessa bonita e espaço pequeno na lavoura. Em 2025, o setor movimentou R$ 6,2 bilhões no Brasil, com alta de 15% sobre o ano anterior, segundo a CropLife Brasil. A área tratada também cresceu forte, subiu 28% e chegou a 194 milhões de hectares. O que antes parecia um negócio de nicho agora tá mais pra jogador que saiu do banco fazendo gol e cavando vaga no time titular.

É nesse embalo que o BioSummit 2026 acontece nos dias 6 e 7 de maio, em Campinas (SP), juntando no mesmo auditório pesquisadores, empresas, entidades e produtores pra discutir como os bioinsumos tão avançando em cadeias como cana, grãos, café e hortifruti. A programação vai falar de controle biológico, manejo integrado, agricultura regenerativa, saúde do solo, bionematicidas, bioherbicidas e da aplicação em larga escala, que ainda é um desafio.

Também entram nessa roda nomes como Embrapa, Esalq, UFLA, Unesp, Mapa, CropLife, Sindiveg, ABINBIO e grupos produtores como Bom Futuro, Scheffer e SLC Agrícola, num tipo de reunião de condomínio dos microrganismos com sotaque de agronegócio.

A agenda também abre espaço pra um tema que sempre aparece quando um mercado começa a crescer de verdade, as regras do jogo. O evento vai discutir a nova legislação de bioinsumos no Brasil, registro de produtos, exigências internacionais e o posicionamento do país como possível hub desse mercado. A expectativa é de que mais de 1 mil participantes passem por lá pra conhecer as áreas de exposição e os ambientes voltados pra reuniões, networking e fechamento de negócios, além dos debates e painéis, claro.

SAFRA DE CIFRAS

MBRF investe US$ 70 milhões no Uruguai e dá um upgrade parrudo na parrilla

Gif: boomunderground on Giphy

A MBRF pisou mais fundo no acelerador no Uruguai e inaugurou a expansão do complexo industrial de Tacuarembó, que teve investimento de US$ 70 milhões, algo na casa de R$ 350 milhões. A capacidade de abate da planta subiu 55% e passou de 900 pra 1,4 mil cabeças de gado por dia. Teve até presença do presidente uruguaio, Yamandú Orsi, porque quando o assunto envolve carne, indústria e um cheque desse tamanho, a inauguração já fica com clima de agenda oficial do Estado.

Só que o salto mais vistoso não veio no gancho do frigorífico, veio na chapa. Com a ampliação, a capacidade de produção dessa unidade passou de 200 pra 900 toneladas mensais de hambúrguer, um aumento de mais de 4 vezes.

Esse modelo de complexo, que mistura abate em escala maior com industrialização, é a principal aposta da companhia pra tirar mais grana da operação bovina. E faz sentido. A partir do Uruguai, a MBRF acessa mercados que pagam melhor pela carne, como China, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e União Europeia. No país celeste, a empresa já lidera o mercado de carne bovina com participação estimada em 30%, e esse movimento mostra que a MBRF não tá olhando pra antiga Cisplatina só como mais um endereço de produção, mas como uma plataforma estratégica pra despachar sua carne com passaporte bem carimbado.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Embrapa pede blindagem no orçamento e lembra que pesquisa não se faz no improviso

Foto: Saulo Coelho/Embrapa

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entrou na discussão sobre o orçamento da estatal dizendo algo que parece meio óbvio, mas não pra todo mundo: pesquisa agropecuária não pode continuar vivendo no aperto. Pra ela, derrubar o veto nos recursos da empresa é importante pra blindar ciência e tecnologia e evitar que a pesquisa fique de bolso vazio e mãos abanando. O orçamento até melhorou, saiu de cerca de R$ 167 milhões em 2023 e foi pra R$ 414 milhões em 2026, mas ainda tá abaixo do que ela considera minimamente decente pra tocar as pesquisas sem viver na base do improviso.

Segundo Silvia, o ideal é chegar em pelo menos R$ 500 milhões, com previsibilidade pra manter os avanços de pé e não deixar a inovação vivendo cada dia como se fosse o último. A Frente Parlamentar da Agropecuária já tá articulando no Congresso a derrubada do veto que atingiu a Embrapa e também o seguro rural, porque o entendimento no setor é simples, quando o corte bate em pesquisa, não tá atingindo só laboratório e planilha. Tá batendo em produtividade, competitividade e na capacidade de o campo responder aos próprios desafios sem depender da sorte e da boa vontade do clima.

E a Embrapa foi pro debate com número na mão, que costuma ser o jeito mais rápido e fácil de chamar atenção. No Balanço Social de 2025, a estatal diz que cada R$ 1 investido gerou um retorno de R$ 27,12 pra sociedade. O lucro social somou R$ 124,76 bilhões, com impacto vindo de tecnologias, cultivares e indicadores sociais, além de uma contribuição estimada em 16% do PIB agropecuário de 2025. Também entrou na conta a geração de mais de 132 mil empregos diretos e indiretos. Cortar o investimento da Embrapa pode até parecer que é uma economia, mas a conta volta com juros lá na frente.

COLHENDO CAPITAL

Dow abre 2026 no vermelho e sente a maré ruim do caos global

Gif: Giphy

A Dow, empresa estadunidense de insumos químicos, começou 2026 levando uma pancada digna de Mike Tyson no balanço. A companhia registrou um prejuízo de US$ 445 milhões no 1º trimestre, ainda pior do que a perda de US$ 290 milhões no mesmo período do ano passado, enquanto a receita caiu 6% e ficou em US$ 9,8 bilhões. A conta veio pressionada pelos preços mais fracos, volumes menores e um cenário global que continua parecendo feito por roteirista que gosta de treta.

Segundo a empresa, os preços locais caíram 7% e os volumes 2%, com o câmbio entrando só pra dar uma leve maquiada de 3% no estrago. No operacional, o Ebitda ficou em US$ 873 milhões, abaixo dos US$ 944 milhões de um ano antes. A guerra no Oriente Médio também ajudou a azedar o caldo, bagunçando os embarques e apertando a oferta marítima, que já não tava exatamente num momento muito bom.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Gergelim

Pergunta de hoje: Qual fruta originária da Amazônia é chamada de “pão do pobre” por ser altamente calórica e nutritiva?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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