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Bom dia!

Hoje tem braquiária que deixou de ser só capim de apoio e tá ajudando a soja a render mais, milho que trocou parte da ração pelo tanque e pecuária brasileira recebendo 80 produtores africanos pra mostrar como o modelo produtivo funciona na prática. No meio disso, o café especial brasileiro abre caminho na China com US$ 110 milhões em negócios, uma cinta massageadora chega na maternidade suína e o calor extremo já tá mudando o mapa do agro global.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 192.888,95 19,71%
IFIX 3.939,93 4,26%
ABEV3 R$15,00 8,23%
KEPL3 R$8,04 -18,29%
BTAG11 R$113,25 -3,16%
IAAG11 R$8,59 -1,26%
ETF OURO R$24,50 -1,09%
Bitcoin US$78.785,87 -10,82%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

  • Ibovespa tropeça e banco puxa pra baixo. O Ibovespa caiu 1,65% na quarta-feira (22) e fechou aos 192.888,96 pontos, pressionado por realização de lucros, reprecificação de risco e tombo dos bancos. Itaú, Bradesco e BB ajudaram a puxar o índice pra baixo.

PAUTA VERDE

Etanol de milho cresce no Brasil e já quer mais do que um cantinho no tanque

Foto: AgFeed/Reprodução

Enquanto muita gente ainda pensa no milho só como ração, exportação e commodity, ele tá cada vez mais de olho em outro destino, o tanque. O etanol de milho, que um tempo atrás era só um figurante no agro brasileiro, virou protagonista de um novo ciclo e deve ganhar ainda mais espaço até 2030. A projeção da L.E.K. Consulting é que os biocombustíveis somem 30 bilhões de litros no país até o fim da década, com o milho carregando nas costas quase 1/3 desse volume.

E não foi uma virada da noite pro dia. No fim de 2025, o Brasil já contava com 29 usinas de etanol de milho em operação e outras 16 em construção, quase tudo ali em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. O movimento ganhou força justamente onde tinha produção demais e demanda local de menos, sem ninguém por perto pra absorver todo o milho por um preço justo pra todo mundo. As usinas entraram nesse esquema como um tipo de comprador fixo, ajudando a segurar o grão mais perto de casa, sem precisar exportar tanto, e diminuindo a dependência de exportação e de reza brava pra não levar prejuízo.

O negócio também chama atenção porque o milho não trabalha sozinho. Diferente da cana, que roda num sistema mais fechado, o milho circula por uma engrenagem mais aberta, mais flexível e mais conectada com outros mercados. Além do etanol, a cadeia gera coprodutos como DDG, que é usado como ração, e óleo vegetal, o que deixa a conta mais lucrativa e faz o networking do setor com a pecuária e a nutrição animal.

Do lado da demanda, o cenário também joga a favor. A pressão global por descarbonização, o avanço do SAF e a busca por alternativas ao petróleo colocam os biocombustíveis num lugar cada vez mais estratégico, com potencial de crescimento exponencial. Só que junto com esse entusiasmo volta também o velho debate entre comida e combustível. A leitura da consultoria é que mais soja e milho devem, de pouquinho em pouquinho, migrar pra energia, ainda mais num mundo em que grandes compradores, como a China, buscam mais autossuficiência e bagunçam o destino tradicional dessas commodities.

DE OLHO NO PORTO

Café especial brasileiro avança na China e volta com cheirinho de US$ 110 milhões

Gif: danuglife on Giphy

O café especial brasileiro foi pra China de olho em novos paladares e não saiu despercebido. Uma missão comercial com 19 empresários do setor em Qingdao e Xangai gerou 436 contatos com importadores locais e abriu caminho pra até US$ 109,89 milhões em negócios. Desse total, US$ 1,34 milhão já foi fechado na hora e o restante deve pingar ao longo dos próximos 12 meses.

A ação foi organizada pela BSCA em parceria com a ApexBrasil, dentro do projeto Brazil. The Coffee Nation, que quer empurrar os cafés especiais brasileiros pra mercados onde o consumidor já não se contenta com qualquer gole. Em Qingdao, a turma visitou cafeterias, torrefações e estruturas logísticas, além de inaugurar uma Base de Promoção do Café Especial do Brasil. Também teve degustação e teste técnico com cafés certificados, numa tentativa bem calculada de mostrar que o Brasil não joga só no campo do grão tradicional e também sabe entregar sofisticação na xícara.

Em Xangai, durante a Hotelex Shanghai 2026, o estande brasileiro seguiu empilhando conversas com importadores, torrefações e cafeterias, reforçando uma mudança importante de percepção sobre o café tupiniquim. A ideia agora não é só vender volume, mas também vender valor, qualidade e consistência.

MENTES QUE GERMINAM

Cinta massageadora entra na maternidade suína pra dar uma mãozinha no parto

Gif: Giphy

No Paraná, a inovação chegou num lugar onde o manejo ainda dependia bastante do braço humano. Uma startup chamada Pigma Desenvolvimentos tá criando um dispositivo pra melhorar o parto de matrizes suínas, com apoio do programa Paraná Anjo Inovador. A tecnologia funciona como uma cinta massageadora que estimula a liberação natural de ocitocina, que é um hormônio chave no trabalho de parto, pra tentar ajudar a mãe a sofrer menos no processo.

A promessa da engenhoca é mexer em vários ponteiros de uma vez. O dispositivo busca reduzir o tempo do parto, cortar a natimortalidade, aliviar o estresse das matrizes e ainda ajudar na produção de colostro, que é praticamente o primeiro empurrão de vida dos leitões. De quebra, eles ainda tentam padronizar uma etapa que em muitas granjas ainda é feita no tato, na experiência e no famoso cada um faz do seu jeito. Ou seja, além de cuidar do bem-estar animal, a cinta entra em campo pra tentar trazer mais previsibilidade e padrão pra uma etapa que cobra caro quando dá errado.

Por enquanto, a tecnologia ainda tá em fase de validação técnica, com testes feitos em parceria com a UEPG pra medir os efeitos no desempenho reprodutivo, na viabilidade dos leitões e no bem-estar animal. Mas o movimento já mostra bem o tipo de agro que o Paraná quer empurrar pra frente com programas como o Paraná Anjo Inovador: mais inovação aplicada e menos processo travado no manual de sempre.

E ESSE TEMPO, HEIN?

Calor extremo muda a regra do jogo e já mexe no mapa do agro

Gif: Giphy

O calor extremo parou de ser só assunto de ambientalista e virou um fator de tomada de decisões no agro global. Segundo um relatório da FAO e da OMM, as ondas de calor tão ficando mais frequentes, mais intensas e mais longas, e isso já tá mudando o que agricultores, pescadores e silvicultores conseguem produzir, quando conseguem produzir e, em alguns casos, se ainda conseguem produzir.

A conta vem pesada e em várias frentes ao mesmo tempo. Quando a temperatura passa da faixa dos 30°C, a produtividade da maioria das grandes culturas começa a sentir o baque. Milho, arroz, soja e trigo entram nessa lista, e a FAO estima que cada 1°C de aumento na temperatura média global pode cortar em até 6% a produção dessas culturas. Como se não bastasse, o calor ainda dá um empurrão na seca, nos incêndios, nas pragas e no estresse hídrico, dificultando ainda mais a vida do produtor e serrando a produtividade das lavouras.

No Marrocos, 6 anos seguidos de secas, causadas por ondas de calor recordes, derrubaram a produção de cereais em mais de 40% e praticamente afundaram as safras de azeitona e frutas cítricas.

E o estrago não para em terra firme. As ondas de calor marinhas também tão avançando, reduzindo o oxigênio na água e apertando os estoques de peixe, com 91% dos oceanos do mundo tendo enfrentado pelo menos um episódio desse tipo em 2024. A FAO e a OMM dizem que o que dá pra fazer é alertar mais e melhorar a gestão de risco pra ajudar produtores e pescadores a reagirem antes do prejuízo. Mas fazem um aviso bem claro: adaptação sozinha já não dá mais conta do recado porque o calor tá mudando todo o mapa da produção global.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Pecuária brasileira vira vitrine e atrai missão africana

Foto: Notícias Agrícolas/Reprodução

A pecuária brasileira ganhou plateia internacional em Bofete (SP), onde a Fazenda Santa Rita recebeu cerca de 80 produtores africanos e também da Ásia no primeiro dia de campo do projeto Brazilian Cattle. A ideia foi mostrar na prática, e sem ficar naquele discurso de auditório, como o Brasil organiza sua produção com genética, tecnologia, manejo de pastagem, cuidado com a água e foco em produtividade com sustentabilidade.

No meio dessa vitrine, a IATF roubou boa parte da cena. A inseminação artificial em tempo fixo já virou uma das engrenagens mais importantes da pecuária nacional e ajuda a explicar por que o rebanho brasileiro tá ficando mais eficiente, mais precoce e mais organizado.

Segundo os dados apresentados no evento, o mercado saiu de cerca de 100 mil protocolos de IATF em 2002 pra mais de 27 milhões em 2025.

A tecnologia ainda encurta a estação de monta, que é o período planejado pro acasalamento dos bovinos, em cerca de 22 dias e aumenta em torno de 8% o número de bezerros nascidos, deixando claro pra quem ainda tem dúvida que genética boa não é luxo ou frescura, é estratégia pra ter resultado.

O interesse africano mostra que o Brasil tá deixando de ser só exportador de boi, carne e genética pra virar também exportador de modelo produtivo. A própria adida agrícola na Etiópia reforçou que a ideia não é levar uma receita pronta, mas adaptar a tecnologia brasileira às realidades de lá, com uma unidade de referência já começando a testar isso por lá.

COLHENDO CAPITAL

Braquiária deixa de ser coadjuvante e ajuda soja a render mais

Gif: Giphy

A braquiária tá cada vez menos restrita ao papel de capim de apoio e cada vez mais com cara de aliada de peso na lavoura. Uma meta-análise liderada pela Embrapa, com base em 55 ensaios de campo feitos em 33 localidades do Brasil, mostrou que gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente do gênero Urochloa, podem aumentar em 15% a produtividade da soja. Na média, isso representa 515 kg a mais por hectare e uma receita adicional de US$ 198 por hectare.

E o melhor é que o ganho não para na colheitadeira. O estudo também encontrou melhorias importantes na saúde do solo, com um bom buff na atividade enzimática, na biomassa microbiana e no carbono orgânico. Dá pra dizer que a braquiária ajuda a soja a produzir mais e ainda dá uma arrumada na casa por baixo da terra, onde muita coisa decisiva acontece sem fazer barulho. E com um custo relativamente baixo, entre US$ 9 e US$ 30 por hectare em sementes, o capim começa a parecer menos uma despesa extra e mais um investimento esperto pra quem quer colher agora sem judiar do solo depois.

Tem ainda um detalhe que fala alto. Das 173 comparações avaliadas, 154 mostraram ganho de produtividade. Entre as poucas perdas que apareceram, quase todas foram quando o manejo falhou. A leitura da Embrapa é que essas gramíneas precisam deixar de ser vistas só como planta de cobertura e passar a ser tratadas como bioinsumos vivos, que conseguem regenerar o solo e aumentam a resiliência do sistema.

SAFRA DE CIFRAS

MSD passa de R$ 2,1 bi e surfa na onda das proteínas

Foto: Valeria Daniluski

A MSD Saúde Animal fechou 2025 com faturamento acima de R$ 2,1 bilhões no Brasil, indo no embalo da boa fase das exportações de proteínas e do apetite do agro por mais eficiência dentro da porteira. A empresa diz que quer ampliar a presença no país e acelerar os investimentos em soluções de sanidade animal, de olho num mercado que exige produtividade alta, resposta rápida e cada vez menos espaço pra improviso.

Na divisão por áreas, a avicultura foi quem mais puxou o bonde, com crescimento de 51% no ano. A suinocultura avançou 21%, a aquicultura subiu 12%, o segmento pet cresceu 4% e a pecuária ficou com alta mais modesta, de 1%.

Pra sustentar esse avanço, a MSD afirma que deve seguir destinando cerca de 20% do faturamento global pra pesquisa, desenvolvimento e aquisições estratégicas, apostando em soluções que misturam ciência, biotecnologia e ferramentas digitais.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Sorgo

Pergunta de hoje: Qual planta cultivada há mais de 3 mil anos na Ásia é usada até hoje para produzir fibras e óleo comestível?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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