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O feriado prolongado foi bom, mas o agro não tirou folga. Hoje tem El Niño voltando ao radar com 61% de chance de aparecer, custo da safra subindo pras três culturas que mandam em Mato Grosso e uma praga silenciosa que tava dizimando colmeias no Amapá até um manejo simples resolver. No meio disso, a Embrapa lança app pra identificar praga no cajueiro, a Famato entra em campo pra explicar a Reforma Tributária e o búfalo brasileiro ganha vitrine na China.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
E ESSE TEMPO, HEIN?
El Niño ensaia comeback e põe o agro latino em alerta

Foto: neenawat khenyothaa
O clima voltou a mandar aquele aviso que ninguém pediu. O El Niño ainda não confirmou presença na festa, mas já aparece com 61% de chance de pintar entre maio e julho de 2026, acima dos 50% da previsão anterior, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). A comunidade científica ainda tá evitando bater o martelo sobre a força da criança, mas deixaram a dica: é melhor arrumar a casa antes que a água, ou a falta dela, chegue sem avisar.
E como a América Latina adora um caos bem distribuído, o fenômeno não deve afetar todo mundo do mesmo jeito. No Peru e no Equador, a tendência é de mais chuvarada, enchente e deslizamento. O sul do Brasil, o Uruguai, o Paraguai e o nordeste da Argentina podem entrar nesse mesmo combo de chuva acima da média, excesso de umidade e ainda levam de brinde um transtorno logístico. Já no Corredor Seco da América Central, no norte da América do Sul, na Amazônia, no norte do Brasil e no Pantanal, o risco cresce pro lado da seca, daquele calorão brabo, dos rios mais vazios e dos incêndios.
No campo, o estrago pode vir por todos os lados de uma vez. O El Niño mexe no calendário agrícola, atrapalha o início do plantio, derruba a umidade do solo em algumas áreas, encharca outras, castiga a lavoura com estresse térmico e ainda abre espaço pra mais praga, doença e dor de cabeça. Milho e feijão na América Central aparecem entre os mais vulneráveis, mas soja, arroz, café, cacau, cana, pastagens e pecuária também podem sentir o tranco, dependendo da região e da fase da safra.
E o impacto também pode ser forte na economia. Uma produção de alimentos menor pressiona a inflação, desastres climáticos exigem mais gasto público e alguns países podem até ver o PIB perder fôlego.
Pra fechar o pacote, ainda tem a energia no meio do fogo cruzado. Como boa parte da eletricidade da América Latina vem de hidrelétrica, menos chuva em bacias estratégicas pode apertar os reservatórios, aumentando o uso de usinas térmicas e deixando a conta ainda mais salgada.
ATUALIZAÇÃO RURAL
Embrapa põe o cajueiro no celular pra acabar com as pragas

Foto: Francisco Williams/Embrapa
Enquanto muita gente ainda descobre problema no campo quando o estrago já foi feito, a Embrapa resolveu adiantar o jogo. A estatal lançou o Monitora Caju, um aplicativo criado pra ajudar os produtores e os técnicos a identificar doenças e pragas do cajueiro, principalmente o oídio, a traça da castanha e a broca das pontas, o trio que consegue transformar o cajueiro num pé de prejuízo. A ferramenta calcula o nível de incidência a partir das informações colocadas no sistema e ainda indica qual manejo fitossanitário faz mais sentido em cada situação.
E o negócio foi pensado pra vida real, não só pra slide de feira. O app roda em computador e celular, funciona em Android, iOS e até offline, o que já vale ouro em muita área rural onde sinal de internet ainda é artigo de luxo. Ele ainda organiza as informações por sintomas, pragas, doenças e monitoramento. Na prática, ele serve pra ajudar na vistoria do pomar, orientar o diagnóstico e ainda gera um mapa das ocorrências, o que dá ao produtor um histórico da área e uma base melhor pra decidir o que fazer antes que a praga resolva pedir usucapião da lavoura.
E motivo pra esse cuidado não falta. Segundo a Embrapa, o cajueiro convive com cerca de 1.200 espécies de insetos praga no Brasil, e a traça da castanha tá entre as mais cruéis porque ataca quando o fruto já tá formado e o investimento já foi quase todo pro campo. Em regiões sem monitoramento, a infestação pode chegar a 80% de castanhas furadas. Já o oídio entra em cena com agressividade, se espalha rápido e pode queimar flores bem na fase em que a planta deveria tá pensando em produzir.
O app chega com a função de evitar que o produtor descubra o prejuízo só quando a castanha já foi pra casa do chapéu.
O AGRO EM NÚMEROS
Safra mais cara, colheita andando e cana sentindo o baque do clima

Gif: Giphy
Se o produtor já não tava exatamente deitado em berço esplêndido, os novos números do Imea ajudam a manter o cortisol no talo. Em Mato Grosso, os custos da safra 2026/27 subiram pras três culturas que mandam no estado. A soja puxou a fila com alta de 6,98% e custeio estimado em R$ 4,4 mil por hectare, enquanto o milho avançou 3,38%, pra R$ 3,7 mil, e o algodão subiu 2,64%, com custeio de R$ 10,5 mil por hectare. Na análise dessa fatura que veio mais cara teve: diesel subindo, fertilizantes pressionados e tensão geopolítica no Oriente Médio mostrando que, mesmo com a lavoura sendo no Mato Grosso, a dor de cabeça pode chegar de bem longe.
Ao mesmo tempo, a colheita de arroz e feijão segue andando no Brasil e dá algum sinal de trégua no meio desse cenário mais pesado. O arroz já foi retirado de 77,5% da área, acima do ritmo do ano passado e também da média dos últimos 5 anos, com destaque pro Rio Grande do Sul, onde os trabalhos passaram de 80%. No feijão primeira safra, a colheita chegou a 81,2%, avançando em relação à semana anterior, embora ainda fique abaixo do ritmo visto em 2025 e da média histórica.
Na soja, a colheita nacional alcançou 88,1% da área da safra 2025/26 e segue avançando, ainda que sem a mesma pressa do ano passado. O índice fica abaixo dos 92,7% registrados no mesmo período de 2025 e também um pouco atrás da média dos últimos 5 anos, que é de 88,7%. Só que a chuva resolveu meter o bedelho em parte do processo e atrasou o avanço em Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará.
E se a soja ainda tenta fechar a conta da safra atual, a cana mostra como o tempo pode cobrar a conta lá na frente e com juros. A produção brasileira de cana 2025/26 foi estimada em 673,2 milhões de toneladas, recuo de 0,5% frente ao ciclo anterior, com impacto de estiagem, calor forte e focos de incêndio, principalmente no Centro-Sul. A produtividade média caiu 2,6%, pra 75,2 mil quilos por hectare, embora a área colhida tenha crescido 2,1% e ajudado a segurar um tombo maior.
MENTES QUE GERMINAM
Uma praga silenciosa tentou derrubar as colmeias, mas um manejo simples salvou o mel

Foto: Arquivo pessoal
No Amapá, um problema pitiquinho tava fazendo um estrago gigante. A praga Plega hagenella, um parasita que ataca abelhas sem ferrão, vinha dizimando colmeias no Quilombo São Pedro dos Bois (AP), a 40 Km de Macapá, e já tinha começado a desanimar produtores que tiram do mel uma parte importante da renda. Em alguns casos, a perda foi tão séria que teve gente cogitando largar a atividade, porque fica difícil manter o negócio de pé com esse inseto que entra na colmeia sem pagar aluguel e ainda mata o que vê pela frente.
O problema era ainda mais traiçoeiro porque o inseto operava no estilo “Bond, James Bond”. Ele se desenvolvia dentro da colmeia sem ser percebido, na encolha, atacava as larvas, saía do casulo e depois ainda partia pra cima das operárias, enfraquecendo a força de trabalho da colônia e travando sua evolução.
Como não tinha nenhuma solução pronta na literatura, o técnico agrícola Gilberto Barbosa de Souza fez o que o campo sabe fazer bem quando a teoria não entrega, foi testando até achar um caminho.
E aí entrou um manejo simples, sem custo e muito mais pé no chão do que mil soluções mirabolantes. Depois de 2 anos observando o problema de pertinho, Souza ajudou os produtores a testar uma série de protocolos ao mesmo tempo, com limpeza frequente das caixas e suportes, coleta manual dos insetos adultos, poda de árvores pra equilibrar luz e sombra e retirada de matéria orgânica em decomposição em volta dos meliponários. Não teve milagre nem produto mágico, só manejo bem feito. E funcionou. A infestação não desapareceu, mas passou a ser controlável, o que já foi suficiente pra produção de mel voltar a subir.
Isso faz diferença de verdade porque o mel das abelhas sem ferrão é vendido como produto gourmet, com litro saindo por até R$ 220, bem acima do mel comum, e pode representar até 50% da renda dos meliponicultores do quilombo. Cada colmeia produz só 2,5 kg por ano, então perder uma caixa nesse sistema não é só um detalhe, é o produtor vendo o lucro escorrer pelas mãos.
O caso ficou tão relevante que acabou apresentado no Congresso Apimondia, um dos principais eventos de apicultura do mundo, realizado na Dinamarca em 2025. E não é difícil entender por quê. Num cenário em que faltava resposta pronta na literatura, a solução nasceu da observação do campo e da rotina de quem lida com o problema de verdade.
COLHENDO CAPITAL
Reforma Tributária bate na porteira e a Famato vai ajudar quem ainda tem dúvida

Foto: Thiago Rocha
Imposto no Brasil nunca foi exatamente sinônimo de coisa tranquila, e agora o produtor rural de Mato Grosso ganhou mais um capítulo pra acompanhar com a calculadora do lado. A Famato começou a orientar produtores de Mato Grosso sobre os impactos da Reforma Tributária, que já entrou em fase de implementação e começa a exigir adaptação prática ainda em 2026, num tipo de esquenta burocrático pra reforma que tá chegando.
A virada mais pesada vem em 2027, quando PIS e Cofins saem de cena e a CBS passa a ocupar esse espaço, com alíquota estimada pro agro entre 3,6% e 4%. Até 2033, o novo modelo vai sendo montado por inteiro. No meio do caminho, o produtor vai ter que caprichar mais no preenchimento das notas, na classificação das operações e na rastreabilidade das informações, porque errar nessa parte pode significar perda de crédito ou carga tributária maior.
Pra evitar que a surpresa venha em formato de boleto mais salgado, a Famato entrou na estrada com um workshop sobre Reforma Tributária e Imposto de Renda do Produtor Rural em 7 cidades de Mato Grosso. A ideia é traduzir a burocracia antes que ela vire prejuízo, porque pro produtor já basta lidar com clima, mercado e custo subindo sem pedir licença. Ganhar dor de cabeça extra por causa de nota fiscal mal preenchida seria um luxo bem dispensável.
PLANTÃO RURAL
China chama e o búfalo brasileiro atende. A bubalinocultura brasileira vai ganhar vitrine internacional entre 23 e 26/04, em Nanning, na China. A ABCB e o professor Eduardo Bastianetto, da UFMG, foram convidados pra discutir genética, nutrição, reprodução e processamento de leite.
Máquina nova fica pra depois. A TerraMagna vê o agro voltando aos trilhos em 2 ou 3 safras, com produção podendo chegar a 356 milhões de toneladas, mas o presente ainda tá com freio de mão puxado. Pra Agrishow, a estimativa é de queda de até 50% nas vendas de máquinas.
Cana entra em campanha contra o fogo. A Copersucar lançou a campanha Fogo Zero nos Canaviais 2026, reunindo 42 usinas em 5 estados pra prevenir incêndios e queimadas. A ação inclui treinamentos, trabalho com comunidades e parceria com bombeiros.
Campo latino tem potencial de sobra e gargalo também. Um relatório do CAF colocou o meio rural no centro do desenvolvimento da América Latina e Caribe, citando seu peso em segurança alimentar, biodiversidade e transição energética. O problema é que ainda falta infraestrutura, saneamento, água segura e acesso bancário.
DDG quer sair de coadjuvante e virar peça de peso. Com o avanço do etanol de milho, a produção de DDG no Brasil pode passar de 15 milhões de toneladas até 2030. O coproduto, usado na nutrição animal, ganha espaço com a intensificação da pecuária e mira também mercados externos.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Pimenta-do-reino
Pergunta de hoje: Qual cereal africano, resistente à seca, está ganhando espaço no Brasil como alternativa ao milho?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
