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Bom dia!
Hoje tem produtor recusando oferta milionária pra transformar a fazenda em data center, Frísia comprando esmagadora da LDC e projetando crescer 18% em 2026 e Raízen recebendo nova proposta que inclui até pedido de saída do presidente do conselho. No meio disso, drones, tratores autônomos e cachorro robô estão mudando o jeito de trabalhar no campo, a Coamo vai ao mercado buscar R$ 500 milhões e a Be8 apresenta biocombustível na Alemanha com redução de 99% de CO2.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
CAMPO ATUALIZADO
A revolução das máquinas tá ganhando o campo

Foto: Asylon/Reprodução
Teve um tempo em que modernizar a fazenda era comprar máquina maior, botar mais cavalo de potência na frota e seguir o jogo. A inovação era defensivo novo, barra mais longa e cabine mais espaçosa. Mas essa conversa já mudou bastante. O agro tá entrando numa fase em que a tecnologia não quer só ajudar. Quer dirigir, vigiar, pulverizar, mapear e, se deixarem, até dar ordem pra equipe no campo. Entre drones que já viraram ferramenta de rotina, tratores que começam a andar sozinhos e cachorro robô fazendo ronda em lavoura, o campo tá ficando cada vez mais com cara de ficção científica.
Lá no alto, já faz um tempo que os drones deixaram de ser só um brinquedo caro pra virar uma ferramenta séria e fundamental de toda operação. No Brasil, o número de drones usados na agricultura subiu de cerca de 3 mil em 2021 pra 35 mil em 2025, um crescimento de mais de 10 vezes. O apelo tá em várias frentes, eles economizam água, reduzem o uso de insumos nas aplicações, evitam amassamento de cultura e conseguem entrar onde a mecanização tradicional sofre pra chegar ou simplesmente nem chega.
No chão, quem quer roubar a cena é o trator autônomo. A tecnologia OutRun, da PTx Trimble, dá ao produtor a capacidade de adaptar as máquinas que já tão em uso pra operar de forma autônoma, guiadas por tablets e por mapas que são definidos previamente. A promessa é economizar até 15% de combustível, cortar sobreposição de passadas e ainda ajudar o produtor a ganhar tempo em janelas cada vez mais curtas de plantio e colheita.
E como aparentemente só voar e dirigir sozinho já não bastava, agora tem também cachorro robô patrulhando lavoura. A startup americana Asylon criou o DroneDog, um vigilante de 4 patas metálicas com inteligência artificial, câmera térmica e operação remota, que já tá sendo usado em áreas agrícolas pra ajudar na segurança. A Bayer, por exemplo, usa esses robôs em unidades de cultivo no Havaí pra reforçar patrulhas em áreas que são mais vulneráveis a invasões, incêndios e ataques de animais. O bicho encara terreno irregular, sobe escada, manda imagem em tempo real e depois ainda volta sozinho pro “canil” carregar a bateria.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Raízen ganha nova proposta pra arrumar a dívida e gente grande pode ter que cair fora

Foto: Divulgação
A Raízen ganhou mais uma proposta de reestruturação na mesa e a novela da dívida segue firme, forte e sem sinal de capítulo final tão cedo. Segundo a Bloomberg News, os bancos credores sugeriram que 30% do dinheiro levantado com a venda de ativos da companhia na Argentina seja usado pra abater a dívida. A empresa segue tentando reorganizar um passivo de R$ 65 bilhões dentro da recuperação extrajudicial enquanto luta pra ganhar tempo, renegociar com quem cobra e evitar que a situação desça mais um degrau no elevador da crise.
Só que a conversa não tá girando só em torno de caixa, ativo e amortização. Entre os pedidos dos credores também aparece a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho da Raízen, um sinal bem claro de que a turma do dinheiro quer mexer não só na conta, mas também no comando. E como se isso já não bastasse, os detentores de títulos já tinham colocado na mesa, dias atrás, uma proposta ainda mais radical, trocar 45% da dívida por 90% da empresa.
A situação da Raízen foi se complicando depois de um combo de investimentos pesados, clima ruim, incêndios em canaviais e rebaixamentos de rating, que fizeram a conta ficar mais cara e o horizonte bem mais embaçado. Shell e Cosan já injetaram algum dinheiro pra ajudar, mas claramente o mercado ainda não comprou a ideia de que tá tudo sob controle. Agora, a empresa segue tentando renegociar diretamente com os credores, ganhar tempo e evitar que a recuperação extrajudicial vire só uma sala de espera mais elegante pra um problema maior.
SAFRA DE CIFRAS
Coamo quer R$ 500 milhões pra pôr mais milho no tanque

Gif: Giphy
A Coamo resolveu passar o chapéu no mercado, mas não por aperto. A maior cooperativa agroindustrial do Brasil anunciou uma emissão de R$ 500 milhões em notas comerciais pra ajudar a financiar a nova usina de etanol de milho que tá construindo em Campo Mourão (PR). A planta deve ficar pronta até fevereiro de 2027 e faz parte de um investimento total estimado em R$ 1,9 bilhão. No fundo, é mais um sinal de que o milho já não quer mais viver só de ração, exportação e silo.
A operação entra no pacote do Eco Invest Brasil, aquele programa do governo que tenta empurrar dinheiro pra projetos com cara mais verde usando uma mistura de recursos públicos e capital privado. No caso da Coamo, o argumento fecha bem a conta. A futura planta vai processar 1,7 mil toneladas de milho por dia, algo perto de 20% de tudo que a cooperativa recebe dos cooperados, e produzir etanol hidratado e anidro em uma escala de responsa.
E a verdade é que esse movimento encaixa direitinho numa fase em que a Coamo tá bem inquieta. Além dessa, a empresa já fez outras emissões, comprou armazéns no Paraná, avançou sobre os ativos da Belagrícola e ainda assinou um acordo com a Yara pra estudar uso conjunto de terminal portuário em Itapoá (SC). A cooperativa tá jogando em várias frentes ao mesmo tempo, armazenagem, logística, sementes, porto e agora etanol.
PRA DENTRO DA PORTEIRA
Produtor recusa oferta milionária por fazenda e responde que ali ainda é terra, não servidor

Gif: Giphy
No meio da corrida pra transformar qualquer pedaço de chão em galpão tecnológico, data center ou servidor, um produtor da Pensilvânia, nos EUA, resolveu fazer algo hoje quase subversivo, dizer não. Mervin Raudabaugh, de 86 anos, recusou uma oferta de mais de US$ 15 milhões pra vender seus 105 hectares de fazenda pra investidores que queriam instalar um data center na área. E não foi porque faltou cifra na mesa, foi porque, pra ele, a terra valia mais do que o cheque.
No lugar da venda milionária, o produtor optou por receber cerca de US$ 1,9 milhão pela cessão dos direitos de desenvolvimento da propriedade. Na prática, isso trava novos empreendimentos não agrícolas no local e garante que a área continue sendo usada pro campo, seja com a família ou com outro produtor no futuro. Financeiramente, a decisão rende bem menos, claro, mas nem todo mundo tá disposto a espremer a terra até sair o último centavo, ainda mais quando ela carrega mais história do que metragem.
E história ali não falta. Foi nessa propriedade que Raudabaugh cresceu, trabalhou com o rebanho da família, construiu a vida e criou os filhos. A escolha também conversa com um programa local de preservação de terras agrícolas financiado por impostos municipais pra impedir que áreas férteis sejam engolidas pelo avanço urbano. E faz sentido. Nos últimos anos, a região tá vendo armazéns, rodovias, bairros e centros comerciais disputando espaço com terras produtivas. No meio dessa pressa toda pra armazenar dado, Mervin escolheu armazenar outra coisa, a história da própria família e o direito de a terra continuar fazendo aquilo que sempre fez.
COLHENDO CAPITAL
Frísia reage, compra esmagadora e quer entrar numa fase bem mais parruda

Gif: Giphy
A Frísia passou por 2025 sem muito espaço pra euforia, mas também sem deixar a peteca cair. Mesmo com grãos e leite valendo menos, a cooperativa fechou o ano com faturamento de R$ 5,9 bilhões, alta de quase 2% sobre 2024. O resultado veio de um pacote que ajudou a segurar o rojão, mais leite produzido, mais grão recebido e produtor vendendo mais cedo porque, com caixa apertado, guardar safra tá parecendo cada vez menos estratégia e cada vez mais luxo.
Mas o salto que a cooperativa quer mesmo começa agora. Pra 2026, a Frísia projeta crescer quase 18% e encostar nos R$ 7 bilhões de faturamento, muito puxada pela compra da esmagadora de soja da Louis Dreyfus Company (LDC) em Ponta Grossa (PR). A planta tem capacidade pra processar 3,4 mil toneladas por dia e, quando estiver operando a todo vapor em 2027, deve colocar quase R$ 3 bilhões a mais no bolso da Frísia.
A lógica por trás disso é bem clara. A cooperativa já industrializa milho em ração, trigo em moinho e direciona toda a cevada pra maltaria, mas a soja ainda tava ficando de fora dessa festa do valor agregado. Agora a ideia é usar a nova estrutura pra vender farelo ao mercado externo, óleo pra indústria de biodiesel e, quem sabe mais pra frente, até estudar uma entrada mais direta nesse mercado de biocombustíveis.
No fundo, a Frísia tá fazendo o movimento de quem cansou de ser fornecedora de matéria-prima e resolveu sentar mais perto da margem. E a cooperativa não tá apostando fichinha nessa nova fase. Além da esmagadora, 2026 vai ter mais de R$ 180 milhões em investimentos, com melhorias em sementes, lácteos e expansão da estrutura no Tocantins.
PAUTA VERDE
Be8 bate ponto na Alemanha pra mostrar novo biocombustível pro mundo

Foto: Divulgação
A Be8 carimbou o passaporte, foi pra Alemanha e apresentou pro mercado europeu o BeVant, novo biocombustível da empresa, com um objetivo: mostrar que dá pra descarbonizar o transporte pesado sem precisar ficar preso em palestra bonita e meta distante. A vitrine escolhida foi a Hannover Messe 2026, uma das maiores feiras industriais do mundo, onde a empresa brasileira chegou pra mostrar que tem solução pronta pra rodar agora, e não só promessa pra daqui a 20 anos.
O principal argumento veio dos testes feitos com um Mercedes Benz Actros na própria Alemanha. Segundo a empresa, o BeVant alcançou redução de aproximadamente 99% de CO2 equivalente em comparação com o diesel fóssil, o que só comprova essa tese de que o biocombustível já pode entrar na conta da descarbonização do transporte pesado. E a Be8 ainda bateu numa tecla importante pra esse mercado, o produto seria mais barato que o HVO, também conhecido como diesel verde, entregando resultado parecido por um custo bem menor. E isso importa porque a conversa não é só sobre sustentabilidade, é também sobre fazer a conta fechar sem transformar a transição energética num artigo de luxo.
A aposta da empresa pega carona num cenário em que a pressão por descarbonização tá aumentando. O mundo fala bastante em eletrificação, mas o transporte pesado continua exigindo soluções que funcionem agora, em escala e sem depender de uma revolução completa da frota. É aí que a Be8 tenta se encaixar, vendendo o BeVant como uma alternativa prática, imediata, tecnicamente validada e que nem precisa de adaptação nas máquinas, é só abastecer e ir embora.
PLANTÃO RURAL
Roraima mira rota nova. Uma nova rota entre Roraima e a Guiana promete baratear o escoamento de soja e milho pelo Norte. A ideia é usar a BR-401 até Lethem e, de lá, seguir por uma rodovia pavimentada até o porto de Georgetown, abrindo caminho pro Canal do Panamá e pros mercados globais.
China compra bem menos soja dos EUA. As importações chinesas de soja dos Estados Unidos despencaram 70% no primeiro trimestre, enquanto o Brasil foi ganhando mais espaço nesse tabuleiro. Até março, os embarques brasileiros pro mercado chinês chegaram a 7,9 milhões de toneladas.
Soja tá quase no fim e milho safrinha ainda pede chuva. A colheita da soja 2025/26 chegou a 92% da área no Brasil, entrando já na reta final. Enquanto isso, a safrinha de milho vai se desenvolvendo bem e sustenta expectativa de safra cheia, mas a AgRural avisou que o campo ainda vai precisar de algumas boas rodadas de chuva até o fim de maio.
Minas resolveu apertar a conta da tilápia importada. Depois de voltar a importar tilápia pela primeira vez em décadas, Minas Gerais suspendeu o benefício fiscal do peixe estrangeiro e recolocou 18% de ICMS na jogada. A expectativa é que o produto importado fique entre 20% e 25% mais caro que o nacional.
Texas longhorn chega com chifre de cinema. Na ExpoLondrina, os bovinos da raça Texas longhorn viraram atração de foto por causa dos chifres que passam de 2 metros. Mas os criadores juram que o foco não é só o visual de velho oeste, e sim mostrar que a raça também entrega cruzamentos promissores, bom rendimento de carcaça e carne com marmoreio respeitável.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Caju
Pergunta de hoje: Qual tempero, usado desde o Império Romano, já foi tão valioso que servia como forma de pagamento?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
