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Hoje tem Raízen abrindo o plano de reestruturação com conversão de 45% da dívida em ações e papel despencando 19% na bolsa, Bayer levando mais um processo nos EUA acusada de monopolizar o mercado de sementes de milho transgênico e leite em pó da Argentina e do Uruguai na mira do antidumping. No meio disso, bancos alertam que a renegociação da dívida rural pode encarecer o crédito, SP aperta o cerco contra o greening nos pomares e a tilápia ganha 90 dias antes de entrar na lista de invasoras.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Vittia tem preço-alvo cortado, mas BBA ainda tem pé no otimismo
O Itaú BBA cortou o preço-alvo da Vittia de R$ 7 pra R$ 5 após um balanço de 2025 abaixo do esperado, mas manteve visão positiva pra ação. O banco vê curto prazo mais travado, com produtor segurando compra de insumos tecnológicos, mas ainda gosta da tese de biológicos no longo prazo.
SAFRA DE CIFRAS
Raízen abre plano, dívida vira ação e papel afunda na Bolsa

Foto: Tomas Cuesta/Bloomberg
A Raízen abriu a pasta com os planos da recuperação extrajudicial e mostrou ao mercado um pedaço maior do que tá sendo negociado com os credores. O desenho principal continua com aquele combo que todo mundo tá falando faz tempo: tem injeção de capital, conversão de 45% da dívida em ações e alongamento do restante. A novidade que fez o mercado engasgar no café foi a possível separação dos negócios de Energia e Combustíveis, prevista inicialmente pra dezembro de 2027.
Na parte do dinheiro novo, a Shell aparece com um aporte de R$ 3,5 bilhões, calculado a R$ 0,25 por ação. Já os R$ 500 milhões da Aguassanta, veículo de Rubens Ometto, entram como um aporte potencial junto com a Shell. Nos bastidores, a conversa é que, supostamente, Ometto tá condicionando a entrada da grana à permanência na presidência do conselho. Só que, no desenho que deve ficar, quem segura a caneta são os credores. Pelo plano, o novo conselho teria 4 nomes indicados por eles, incluindo o chairman, enquanto os acionistas ficariam com 3 cadeiras, sendo uma reservada pra Shell.
O tamanho do BO segue grande. A Raízen quer renegociar R$ 65,4 bilhões em dívidas, incluindo bonds, EPPs, CRAs, debêntures, crédito rural, empréstimos e derivativos. Desse total, 45% virariam ações, com preço de conversão de R$ 0,25 por papel. Como a ação tinha fechado a R$ 0,42 antes da divulgação, o mercado fez a conta, olhou de novo, pensou melhor e derrubou os papéis nesta quinta-feira (28). Na mínima do dia, a queda no preço das ações da Raízen passou de 21%, mas fechou com desvalorização de 19%, a R$ 0,34.
Os outros 55% da dívida seriam empurrados pra frente em novos títulos, em reais, dólares ou euros, dependendo do tipo de dívida de cada credor. Cerca de 17% virariam títulos da Raízen Energia, pagando CDI+1,25% aos investidores locais, com vencimentos em 2033 e 2035. O restante iria pra títulos da Raízen Combustíveis, com remuneração de CDI+2,75% e vencimentos em 2032 e 2034. Também entraram na mesa uma opção com deságio de 80% e pagamento só em 2047, além de pagamento à vista pra dívidas pequenas, até R$ 9.750 ou 75% do valor devido, o que for menor.
A separação entre Raízen Energia, que ficaria com etanol, açúcar, bioenergia e distribuição na Argentina, e Raízen Combustíveis, dona da distribuição de combustíveis, é a parte mais estratégica do pacote. A ideia é dar foco pra cada negócio, facilitar captações futuras, abrir caminho pra um possível follow-on e até buscar um sócio pra divisão de combustíveis. A companhia tá correndo pra conseguir o aval da maioria dos credores e apresentar o plano até 09/06, quando termina o prazo de 90 dias de congelamento das dívidas.
RADAR SANITÁRIO
SP muda regras do greening e aperta cerco nos pomares cítricos

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A citricultura paulista ganhou uma nova cartilha contra o greening, a doença que transforma pomar em dor de cabeça com cheiro azedo. Pra apertar o cerco, o governo de São Paulo publicou na quinta-feira (28) a Resolução SAA nº 32/2026, com novas medidas de prevenção e controle do HLB, alinhadas às regras do Ministério da Agricultura. A ideia é atualizar o combate ao problema sem tratar todo pomar como se tivesse o mesmo tamanho de crise sanitária, com mais monitoramento, classificação dos municípios e medidas diferentes conforme o tamanho do problema.
A principal mudança é a divisão dos municípios paulistas em áreas de baixa ou alta incidência da doença. Locais com até 10% de pomares contaminados entram como baixa incidência. Acima disso, viram alta incidência.
Na prática, o estado quer incentivar os municípios onde a citricultura pesa mais na economia a apertarem o controle junto com os produtores, principalmente na hora de identificar e eliminar as plantas doentes. É tipo um placar sanitário pra fazer as regiões importantes da citricultura correrem atrás do prejuízo antes que o greening vire sócio majoritário da laranja.
O psilídeo, inseto vetor da doença e pequeno/grande vilão dessa novela, também ganhou vigilância reforçada. A partir da nova resolução, os produtores vão ter que fazer monitoramento a cada 15 dias em pomares de qualquer idade, pra tentar quebrar o ciclo do inseto antes que ele complete a fase ovo-adulto e saia fazendo tour pelas laranjeiras. Parece um trampo chato, mas evita um problemão com asas lá na frente.
A regra também mexe na erradicação de plantas doentes. Em municípios de alta incidência, as árvores adultas infectadas não precisam mais ser eliminadas obrigatoriamente, desde que role um manejo bem feito e correto. A machadada segue obrigatória pras plantas novas, de até 3 anos. Já nas áreas de baixa incidência, a serra continua ligada pra todas as idades. No transporte pra outros estados, todas as frutas que saírem de São Paulo terão que passar por processamento e escovação pra evitar folhas e ramos na viagem. A única folga ficou pra tangerina Ponkan.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Bayer leva novo processo por monopólio de sementes de milho nos EUA

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay
A Bayer mal terminou de explicar um processo e já apareceu outro batendo na porta do jurídico. Depois de toda a treta do Roundup e dos processos coletivos que tão rolando por lá, a empresa agora virou alvo de uma ação federal nos EUA onde tá sendo acusada de usar práticas anticompetitivas pra dominar o mercado norte-americano de sementes de milho transgênico resistentes ao próprio Roundup. Quem puxou a briga foi a Latham Quality, uma empresa familiar de sementes de Iowa.
Segundo o processo, a Bayer teria dominado todo esse mercado e embolsado centenas de milhões, talvez até bilhões de dólares, de forma indevida. A Latham também falou que a gigante alemã aumentou os custos pros agricultores e pras companhias independentes quando concentrou todo o acesso à tecnologia ligada ao herbicida e fez um gatekeeping.
O caso chega num momento tenso em que os produtores dos EUA já tão fazendo conta com lápis mordido. Sementes, combustível e fertilizantes seguem caros, enquanto as margens tão no caminho do 4º ano seguido de aperto. Pra completar, o governo Trump vem dizendo que quer olhar com mais lupa pras possíveis práticas anticompetitivas nas cadeias de alimentos.
Na semana passada, o Departamento de Justiça dos EUA informou que a Bayer retirou as cláusulas que foram consideradas potencialmente anticompetitivas de um programa de fidelidade voltado pra empresas independentes que licenciam sua tecnologia. A nova ação civil, que ficou pública na terça-feira (26), propõe uma ação coletiva e pede indenização triplicada pelos danos que a Latham e empresas semelhantes dizem ter sofrido.
A Bayer nega todas as acusações, diz que não têm base um trem desse, e ainda falou que vai responder tudo no tribunal. A companhia, que comprou a Monsanto em 2018, também defende que os mercados de sementes e insumos agrícolas são competitivos, justos e diversificados. Só que o timing não ajuda muito. Além dessa nova briga, a empresa ainda enfrenta milhares de processos ligados ao Roundup e às alegações de câncer. Imagina o tanto de hora extra que o jurídico deles não tá tendo que fazer. Cê tá doido.
DE OLHO NO PORTO
Leite em pó vizinho pode levar sobretaxa, mas ainda não

Foto: Globo Rural
O leite em pó da Argentina e do Uruguai entrou na mira do governo brasileiro, mas ainda não tomou a sobretaxa no pedágio. O Gecex, um braço da Camex, aprovou na quinta-feira (28) medidas antidumping contra o produto importado dos 2 vizinhos, depois que a investigação apontou vendas em condições consideradas desleais. O leite tava chegando barato demais e azedando a conta do produtor brasileiro.
Só que a aplicação das medidas não vai ser de uma hora pra outra. A área econômica do governo pediu mais tempo pra avaliar se a tal sobretaxa pode bater no preço dos alimentos e respingar no bolso do consumidor. O tema chegou ao presidente Lula, porque leite é agro, é política, é inflação e, em ano eleitoral, qualquer centavo na prateleira vira personagem principal.
Segundo fontes ouvidas pela Globo Rural, todos os ministérios que participam do Gecex apoiaram a proteção à cadeia leiteira nacional, principalmente pros pequenos pecuaristas. A investigação começou no fim de 2024, a pedido da CNA, e o parecer final reconheceu dumping nas importações dos 2 países. Nos cálculos do MDIC, as margens chegaram a passar de 60% em alguns casos.
Agora, a aplicação das medidas depende de uma nova avaliação do Gecex, ainda sem data marcada. De um lado, o produtor brasileiro pede proteção contra uma concorrência desleal. Do outro, a equipe econômica tenta evitar que a defesa do leite nacional vire mais pressão no carrinho do supermercado. A vaca foi pro centro da política comercial, e essa ordenha ainda vai render.
COLHENDO CAPITAL
Bancos já veem renegociação da dívida rural como trava no crédito do agro

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A renegociação das dívidas rurais mal passou pela CAE do Senado e já fez o sistema financeiro levantar da cadeira. Pros bancos, o texto aprovado ficou amplo demais, caro demais e com cara de que pode bagunçar a concessão do crédito rural nos próximos anos.
O principal incômodo é que o projeto não coloca um teto claro pro tamanho da renegociação. Na versão mais magrinha, do governo, entrariam cerca de R$ 120 bilhões em operações. Já parlamentares e entidades do agro falam em algo perto de R$ 200 bilhões no texto de Renan Calheiros (MDB-AL). A Fazenda foi além no susto e calculou que, dependendo da interpretação, a proposta poderia alcançar até R$ 1,4 trilhão em operações, com custo superior a R$ 800 bilhões em 13 anos.
Na visão dos bancos, o texto mexe no combinado do jogo, principalmente na execução de garantias e na recuperação de crédito. E se emprestar ficar mais arriscado, o banco vai cobrar mais caro, emprestar menos ou fechar de vez a carteira.
A Febraban pediu uma revisão da proposta e disse que os ajustes estruturais são necessários pra evitar que a medida vire um bumerangue. A entidade reconhece que tem produtor precisando de fôlego, mas alerta que uma renegociação mal calibrada pode acabar encarecendo e dificultando o acesso ao crédito justamente pra quem deveria ser ajudado. É um remédio que, se errar a dose, derruba o paciente junto com a febre.
Do lado do agro, Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, descartou uma reação mais dura dos bancos e disse não acreditar em boicote, já que as carteiras do setor são muito importantes pras instituições financeiras. Mesmo assim, nos corredores do Senado, já circula a possibilidade de bancos acionarem a Justiça se o texto avançar sem mudanças.
PLANTÃO RURAL
Café do Circuito das Águas ganha selo de origem em SP
Os cafés do Circuito das Águas Paulista ganharam Indicação Geográfica do Inpi, virando a 15ª IG de São Paulo e a 7ª ligada ao café no estado. A região inclui 9 municípios da Serra da Mantiqueira, com altitude, solo e clima ajudando na produção de cafés especiais.
EUA investigam disparada dos fertilizantes com guerra no Irã
A Comissão Federal de Comércio dos EUA abriu investigação sobre a alta dos fertilizantes após a disparada causada pela guerra no Irã. O Oriente Médio é peça importante no comércio global de adubos, e o Estreito de Ormuz travado virou dor de cabeça pra produtor americano.
Tereos registra prejuízo recorde com açúcar em queda livre
A Tereos fechou 2025/26 com prejuízo recorde de US$ 686 milhões, revertendo lucro do ano anterior. A cooperativa francesa culpou a queda dos preços do açúcar, menor moagem no Brasil, câmbio e baixa contábil de ativos.
Suzano avança em joint venture com Kimberly-Clark
A Suzano conseguiu todas as aprovações concorrenciais pra comprar 51% de uma nova sociedade na Holanda com a Kimberly-Clark. A operação envolve produtos tissue, como papel higiênico, guardanapos, toalhas e lenços, em várias regiões do mundo. A Kimberly-Clark fica com 49%, e a conclusão segue prevista pro 3º trimestre de 2026.
Tilápia escapa de decisão e ganha mais 90 dias de debate
A Conabio adiou a decisão sobre classificar a tilápia como espécie exótica invasora e criou um grupo de trabalho com 90 dias pra discutir critérios técnicos. O setor respirou, já que a tilápia representa 70% do peixe de cultivo no Brasil e mais de 85% das exportações da piscicultura.
Agro perde 8,4 mil vagas em abril, mas saldo do ano segue positivo
O agro perdeu 8.378 empregos formais em abril, segundo o Caged, a maior queda entre os setores no mês. A desmobilização veio principalmente da soja, maçã e laranja, com efeito sazonal apontado pelo governo. No acumulado de janeiro a abril, porém, o setor ainda tem saldo positivo de 6.760 vagas.
Saúde no Campo atende 55 mil pessoas e mira 500 mil
O programa Saúde no Campo, do Senar, completou 1 ano com 55 mil produtores e trabalhadores atendidos em 25 estados e 827 municípios. Foram mais de 96 mil visitas, com foco em prevenção, saúde mental, pressão, glicemia, saneamento e qualidade de vida. A meta da CNA/Senar agora é chegar aos 500 mil produtores da assistência técnica.
Indústria de máquinas encolhe e Abimaq vê 2026 pior
A indústria de máquinas e equipamentos teve queda de 14,9% na receita líquida de abril, pra R$ 21,3 bilhões, e a Abimaq passou a projetar retração de 2,3% em 2026. Juros altos, investimento travado e agro mais cauteloso pesaram no resultado. As exportações cresceram 42,7%, mas o mercado interno segue com freio de mão puxado.
Suíno em SC perde preço e produtor sente prejuízo no chiqueiro
A suinocultura catarinense enfrenta queda de 17,2% no preço base do suíno, com prejuízos que podem chegar a R$ 150 por animal, segundo a ACCS. O excesso de oferta, custos altos e dólar mais fraco apertaram a margem, mesmo com exportações recordes.
Planeta pode bater novos recordes de calor até 2030
Um relatório da ONU e do Met Office do Reino Unido aponta que a temperatura média global deve ficar perto de recordes nos próximos 5 anos. Há alta chance de ultrapassar temporariamente 1,5°C acima do nível pré-industrial entre 2026 e 2030. O Ártico deve aquecer mais rápido, e um El Niño forte pode jogar mais lenha nessa fogueira climática.
MBRF sobe em ranking global de bem-estar animal
A MBRF avançou no BBFAW, principal índice global de bem-estar animal, e entrou no grupo das 12 empresas mais bem avaliadas entre 149 companhias. Foi a 1ª avaliação após a fusão entre Marfrig e BRF, e a empresa foi a única frigorífica a subir de posição.
Vazio sanitário da soja começa em SP no dia 01/06
O vazio sanitário da soja começa em São Paulo no dia 01/06, com foco inicial na região 1 do estado. A medida impede semeadura ou manutenção de plantas vivas de soja no campo pra quebrar o ciclo da ferrugem asiática. Plantas voluntárias, as famosas tigueras, também precisam sumir do mapa.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Camellia sinensis
Pergunta de hoje: Qual fruta americana encantou Cristóvão Colombo e virou símbolo do Havaí, mesmo sendo originária da América do Sul?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
