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Bom dia!

Hoje tem Raízen abrindo o plano de reestruturação com conversão de 45% da dívida em ações e papel despencando 19% na bolsa, Bayer levando mais um processo nos EUA acusada de monopolizar o mercado de sementes de milho transgênico e leite em pó da Argentina e do Uruguai na mira do antidumping. No meio disso, bancos alertam que a renegociação da dívida rural pode encarecer o crédito, SP aperta o cerco contra o greening nos pomares e a tilápia ganha 90 dias antes de entrar na lista de invasoras.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 175.063,40 8,65%
IFIX 3.861,52 2,19%
RAIZ4 R$0,34 -58,02%
TTEN3 R$15,57 -5,64%
KNCA11 R$93,60 -3,01%
SNAG11 R$10,42 -6,13%
ETF OURO R$23,52 -5,05%
Bitcoin US$73.720,65 -16,55%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

SAFRA DE CIFRAS

Raízen abre plano, dívida vira ação e papel afunda na Bolsa

Foto: Tomas Cuesta/Bloomberg

A Raízen abriu a pasta com os planos da recuperação extrajudicial e mostrou ao mercado um pedaço maior do que tá sendo negociado com os credores. O desenho principal continua com aquele combo que todo mundo tá falando faz tempo: tem injeção de capital, conversão de 45% da dívida em ações e alongamento do restante. A novidade que fez o mercado engasgar no café foi a possível separação dos negócios de Energia e Combustíveis, prevista inicialmente pra dezembro de 2027.

Na parte do dinheiro novo, a Shell aparece com um aporte de R$ 3,5 bilhões, calculado a R$ 0,25 por ação. Já os R$ 500 milhões da Aguassanta, veículo de Rubens Ometto, entram como um aporte potencial junto com a Shell. Nos bastidores, a conversa é que, supostamente, Ometto tá condicionando a entrada da grana à permanência na presidência do conselho. Só que, no desenho que deve ficar, quem segura a caneta são os credores. Pelo plano, o novo conselho teria 4 nomes indicados por eles, incluindo o chairman, enquanto os acionistas ficariam com 3 cadeiras, sendo uma reservada pra Shell.

O tamanho do BO segue grande. A Raízen quer renegociar R$ 65,4 bilhões em dívidas, incluindo bonds, EPPs, CRAs, debêntures, crédito rural, empréstimos e derivativos. Desse total, 45% virariam ações, com preço de conversão de R$ 0,25 por papel. Como a ação tinha fechado a R$ 0,42 antes da divulgação, o mercado fez a conta, olhou de novo, pensou melhor e derrubou os papéis nesta quinta-feira (28). Na mínima do dia, a queda no preço das ações da Raízen passou de 21%, mas fechou com desvalorização de 19%, a R$ 0,34.

Os outros 55% da dívida seriam empurrados pra frente em novos títulos, em reais, dólares ou euros, dependendo do tipo de dívida de cada credor. Cerca de 17% virariam títulos da Raízen Energia, pagando CDI+1,25% aos investidores locais, com vencimentos em 2033 e 2035. O restante iria pra títulos da Raízen Combustíveis, com remuneração de CDI+2,75% e vencimentos em 2032 e 2034. Também entraram na mesa uma opção com deságio de 80% e pagamento só em 2047, além de pagamento à vista pra dívidas pequenas, até R$ 9.750 ou 75% do valor devido, o que for menor.

A separação entre Raízen Energia, que ficaria com etanol, açúcar, bioenergia e distribuição na Argentina, e Raízen Combustíveis, dona da distribuição de combustíveis, é a parte mais estratégica do pacote. A ideia é dar foco pra cada negócio, facilitar captações futuras, abrir caminho pra um possível follow-on e até buscar um sócio pra divisão de combustíveis. A companhia tá correndo pra conseguir o aval da maioria dos credores e apresentar o plano até 09/06, quando termina o prazo de 90 dias de congelamento das dívidas.

RADAR SANITÁRIO

SP muda regras do greening e aperta cerco nos pomares cítricos

Gif: AnnoyingOrangeGifs on Giphy

A citricultura paulista ganhou uma nova cartilha contra o greening, a doença que transforma pomar em dor de cabeça com cheiro azedo. Pra apertar o cerco, o governo de São Paulo publicou na quinta-feira (28) a Resolução SAA nº 32/2026, com novas medidas de prevenção e controle do HLB, alinhadas às regras do Ministério da Agricultura. A ideia é atualizar o combate ao problema sem tratar todo pomar como se tivesse o mesmo tamanho de crise sanitária, com mais monitoramento, classificação dos municípios e medidas diferentes conforme o tamanho do problema.

A principal mudança é a divisão dos municípios paulistas em áreas de baixa ou alta incidência da doença. Locais com até 10% de pomares contaminados entram como baixa incidência. Acima disso, viram alta incidência.

Na prática, o estado quer incentivar os municípios onde a citricultura pesa mais na economia a apertarem o controle junto com os produtores, principalmente na hora de identificar e eliminar as plantas doentes. É tipo um placar sanitário pra fazer as regiões importantes da citricultura correrem atrás do prejuízo antes que o greening vire sócio majoritário da laranja.

O psilídeo, inseto vetor da doença e pequeno/grande vilão dessa novela, também ganhou vigilância reforçada. A partir da nova resolução, os produtores vão ter que fazer monitoramento a cada 15 dias em pomares de qualquer idade, pra tentar quebrar o ciclo do inseto antes que ele complete a fase ovo-adulto e saia fazendo tour pelas laranjeiras. Parece um trampo chato, mas evita um problemão com asas lá na frente.

A regra também mexe na erradicação de plantas doentes. Em municípios de alta incidência, as árvores adultas infectadas não precisam mais ser eliminadas obrigatoriamente, desde que role um manejo bem feito e correto. A machadada segue obrigatória pras plantas novas, de até 3 anos. Já nas áreas de baixa incidência, a serra continua ligada pra todas as idades. No transporte pra outros estados, todas as frutas que saírem de São Paulo terão que passar por processamento e escovação pra evitar folhas e ramos na viagem. A única folga ficou pra tangerina Ponkan.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Bayer leva novo processo por monopólio de sementes de milho nos EUA

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

A Bayer mal terminou de explicar um processo e já apareceu outro batendo na porta do jurídico. Depois de toda a treta do Roundup e dos processos coletivos que tão rolando por lá, a empresa agora virou alvo de uma ação federal nos EUA onde tá sendo acusada de usar práticas anticompetitivas pra dominar o mercado norte-americano de sementes de milho transgênico resistentes ao próprio Roundup. Quem puxou a briga foi a Latham Quality, uma empresa familiar de sementes de Iowa.

Segundo o processo, a Bayer teria dominado todo esse mercado e embolsado centenas de milhões, talvez até bilhões de dólares, de forma indevida. A Latham também falou que a gigante alemã aumentou os custos pros agricultores e pras companhias independentes quando concentrou todo o acesso à tecnologia ligada ao herbicida e fez um gatekeeping.

O caso chega num momento tenso em que os produtores dos EUA já tão fazendo conta com lápis mordido. Sementes, combustível e fertilizantes seguem caros, enquanto as margens tão no caminho do 4º ano seguido de aperto. Pra completar, o governo Trump vem dizendo que quer olhar com mais lupa pras possíveis práticas anticompetitivas nas cadeias de alimentos.

Na semana passada, o Departamento de Justiça dos EUA informou que a Bayer retirou as cláusulas que foram consideradas potencialmente anticompetitivas de um programa de fidelidade voltado pra empresas independentes que licenciam sua tecnologia. A nova ação civil, que ficou pública na terça-feira (26), propõe uma ação coletiva e pede indenização triplicada pelos danos que a Latham e empresas semelhantes dizem ter sofrido.

A Bayer nega todas as acusações, diz que não têm base um trem desse, e ainda falou que vai responder tudo no tribunal. A companhia, que comprou a Monsanto em 2018, também defende que os mercados de sementes e insumos agrícolas são competitivos, justos e diversificados. Só que o timing não ajuda muito. Além dessa nova briga, a empresa ainda enfrenta milhares de processos ligados ao Roundup e às alegações de câncer. Imagina o tanto de hora extra que o jurídico deles não tá tendo que fazer. Cê tá doido.

DE OLHO NO PORTO

Leite em pó vizinho pode levar sobretaxa, mas ainda não

Foto: Globo Rural

O leite em pó da Argentina e do Uruguai entrou na mira do governo brasileiro, mas ainda não tomou a sobretaxa no pedágio. O Gecex, um braço da Camex, aprovou na quinta-feira (28) medidas antidumping contra o produto importado dos 2 vizinhos, depois que a investigação apontou vendas em condições consideradas desleais. O leite tava chegando barato demais e azedando a conta do produtor brasileiro.

Só que a aplicação das medidas não vai ser de uma hora pra outra. A área econômica do governo pediu mais tempo pra avaliar se a tal sobretaxa pode bater no preço dos alimentos e respingar no bolso do consumidor. O tema chegou ao presidente Lula, porque leite é agro, é política, é inflação e, em ano eleitoral, qualquer centavo na prateleira vira personagem principal.

Segundo fontes ouvidas pela Globo Rural, todos os ministérios que participam do Gecex apoiaram a proteção à cadeia leiteira nacional, principalmente pros pequenos pecuaristas. A investigação começou no fim de 2024, a pedido da CNA, e o parecer final reconheceu dumping nas importações dos 2 países. Nos cálculos do MDIC, as margens chegaram a passar de 60% em alguns casos.

Agora, a aplicação das medidas depende de uma nova avaliação do Gecex, ainda sem data marcada. De um lado, o produtor brasileiro pede proteção contra uma concorrência desleal. Do outro, a equipe econômica tenta evitar que a defesa do leite nacional vire mais pressão no carrinho do supermercado. A vaca foi pro centro da política comercial, e essa ordenha ainda vai render.

COLHENDO CAPITAL

Bancos já veem renegociação da dívida rural como trava no crédito do agro

Gif: Giphy

A renegociação das dívidas rurais mal passou pela CAE do Senado e já fez o sistema financeiro levantar da cadeira. Pros bancos, o texto aprovado ficou amplo demais, caro demais e com cara de que pode bagunçar a concessão do crédito rural nos próximos anos.

O principal incômodo é que o projeto não coloca um teto claro pro tamanho da renegociação. Na versão mais magrinha, do governo, entrariam cerca de R$ 120 bilhões em operações. Já parlamentares e entidades do agro falam em algo perto de R$ 200 bilhões no texto de Renan Calheiros (MDB-AL). A Fazenda foi além no susto e calculou que, dependendo da interpretação, a proposta poderia alcançar até R$ 1,4 trilhão em operações, com custo superior a R$ 800 bilhões em 13 anos.

Na visão dos bancos, o texto mexe no combinado do jogo, principalmente na execução de garantias e na recuperação de crédito. E se emprestar ficar mais arriscado, o banco vai cobrar mais caro, emprestar menos ou fechar de vez a carteira.

A Febraban pediu uma revisão da proposta e disse que os ajustes estruturais são necessários pra evitar que a medida vire um bumerangue. A entidade reconhece que tem produtor precisando de fôlego, mas alerta que uma renegociação mal calibrada pode acabar encarecendo e dificultando o acesso ao crédito justamente pra quem deveria ser ajudado. É um remédio que, se errar a dose, derruba o paciente junto com a febre.

Do lado do agro, Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, descartou uma reação mais dura dos bancos e disse não acreditar em boicote, já que as carteiras do setor são muito importantes pras instituições financeiras. Mesmo assim, nos corredores do Senado, já circula a possibilidade de bancos acionarem a Justiça se o texto avançar sem mudanças.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Camellia sinensis

Pergunta de hoje: Qual fruta americana encantou Cristóvão Colombo e virou símbolo do Havaí, mesmo sendo originária da América do Sul?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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