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Bom dia!
Hoje tem desmatamento caindo 20% em 2025 mas expansão agropecuária respondendo por 99% de tudo que foi derrubado, dívida rural travando de novo no Senado depois que parlamentares recusaram a proposta do governo e Koppert pesquisando o primeiro bio-herbicida do mundo à base de fungo. No meio disso, a Raízen coloca arquivos da reestruturação na mesa dos credores, o babaçu vira proteína vegetal e mira hambúrguer e a Câmara aprova o Profert com R$ 10 bilhões em créditos fiscais.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Suno quer dobrar fundo de terras com fazendas em MT
A Suno lançou uma oferta de R$ 120 milhões pra dobrar o tamanho do SNFZ11, seu fundo de terras. A grana vai ajudar na compra de 3 fazendas em Mato Grosso, com 2,2 mil hectares agricultáveis.
CRAs de BRF, Minerva e Marfrig ficam mais salgados
Os CRAs ligados a MBRF, Minerva, BRF e Marfrig passaram a pagar mais pra atrair investidores. Segundo o Itaú BBA, desde março, o prêmio exigido pelo mercado subiu cerca de 1,2 ponto percentual, ficando acima da média histórica do setor. Na prática, o investidor tá pedindo mais retorno porque vê mais risco no pacote: boi mais caro no Brasil e nos EUA, margens apertadas, cota chinesa no radar e possível restrição europeia por antimicrobianos.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
Dívida rural volta a travar e Senado recusa texto do governo

Foto: Reprodução/CNN
Quando parecia que a renegociação das dívidas rurais tinha encontrado uma porteira aberta em Brasília, veio mais uma tranca no caminho. A CAE adiou de novo a análise do PL 5122/23 na quarta-feira (27), depois que os senadores e deputados recusaram a proposta que chegou do governo em formato de Medida Provisória. O acordo, que parecia costurado na terça-feira (26), descosturou rapidinho.
A bronca dos parlamentares é que o texto da Fazenda ficou pequeno perto do tamanho do BO no campo. Tereza Cristina (PP-MS) se reuniu com os congressistas que tão envolvidos na negociação e ficou definido que a proposta do governo não vai entrar no relatório de Renan Calheiros (MDB-AL). Agora, a ideia é votar o texto original no Senado e deixar a Câmara tentar ampliar o alcance depois.
A proposta original da galera do governo criava uma linha de crédito só pra renegociar dívidas de custeio, comercialização, industrialização e investimento que foram contratadas até 31/12/2025. Entrariam nessa ajudinha os produtores do Pronaf, do Pronamp e todos os outros produtores que tiveram perdas em pelo menos 2 safras entre 2019 e 2025. Os limites seriam de R$ 400 mil pro Pronaf, R$ 2 milhões pro Pronamp e R$ 4 milhões pros demais, com juros de 6% a 12% ao ano, 10 anos pra pagar e 2 anos de carência.
O problema é que, pros parlamentares, essa conta não faz nem cócegas no rombo real. Nas negociações, os congressistas falaram em R$ 170 bilhões só pra começar a resolver a situação dos produtores mais afetados por clima ruim, preços baixos e crédito apertado. O texto do governo também exigia o pagamento de uma entrada mínima de 5% a 10% do saldo devedor e comprovação de perdas climáticas ou queda de renda, filtros que, na visão do Senado, deixariam muita gente endividada de fora.
PAUTA VERDE
Desmate cai 20% em 2025, mas expansão agropecuária ainda responde por 99% das áreas desmatadas

Foto: iStockphoto
A motosserra tirou um pouco o pé do acelerador em 2025, mas ainda não dá pra comemorar muito. Pela primeira vez desde 2019, o Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares desmatados em 1 ano. Segundo o MapBiomas, foram 984,8 mil hectares de vegetação nativa perdidos, uma queda de 20,6% em relação a 2024. É melhora, sim. Só que ainda dá pra melhorar muito mais.
Todos os biomas tiveram redução na área desmatada, com o Pantanal se destacando e puxando a fila. A área desmatada por lá caiu 48,4%, pra 12,3 mil hectares. Já o Cerrado continua liderando a parte negativa do ranking, com 540,6 mil hectares derrubados em 2025, o equivalente a 54,9% de todo o desmatamento do país. A Amazônia também reduziu as perdas, com queda de 23,5%, mas ainda viu 289,5 mil hectares irem embora.
Mesmo com a queda geral, o ritmo segue assustador. O Brasil perdeu, em média, 2,7 mil hectares por dia, ou 112 hectares por hora. Na comparação do MapBiomas, é como se 17 parques do Ibirapuera fossem apagados do mapa todo santo dia. Nos últimos 7 anos, a conta acumulada passou de 10,9 milhões de hectares, área maior que Pernambuco. A região do Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, segue no centro da pressão, junto com Mato Grosso entre os estados com maior área desmatada.
Segundo o relatório, a expansão agropecuária foi responsável por 99% da área desmatada em 2025. As formações savânicas foram as mais afetadas pelo terceiro ano seguido, com 51,4% do total derrubado, enquanto as formações florestais ficaram com 46,3%. O garimpo apareceu concentrado na Amazônia, enquanto desmatamentos ligados à energia renovável ficaram quase todos na Caatinga.
Nas áreas protegidas, também teve melhora, mas o sinal de alerta ainda tá aceso. As Unidades de Conservação perderam 46,3 mil hectares em 2025, queda de 21,4%, enquanto as Terras Indígenas tiveram perda de 12,6 mil hectares, recuo de 22%. Ainda assim, 30% das TIs registraram pelo menos 1 evento de desmatamento no ano. A APA do Rio Preto, na Bahia, foi a unidade de conservação com maior área desmatada, com 7,7 mil hectares.
SAFRA DE CIFRAS
Raízen bota arquivos da reestruturação na mesa dos credores sem garantia

Gif: zdfmagazinroyale on Giphy
A Raízen abriu mais uma pasta da sua reestruturação financeira e colocou na mesa dos credores sem garantia os materiais do plano de recuperação extrajudicial. O aviso saiu em um fato relevante enviado pra Comissão de Valores Mobiliários na terça-feira (27).
Os documentos têm informações sobre os negócios, o desempenho operacional e financeiro da companhia, além das estimativas e projeções feitas só pra negociação com os credores. Mas a Raízen já deixou um alerta bem grande no rodapé. Nada disso vale como projeção oficial ou guidance pro mercado. É material pra conversar com credor, não bola de cristal pra investidor.
A empresa também deixou avisado que os termos principais da proposta ainda tão em negociação. Até agora, não tem documento definitivo, decisão final sobre os termos econômicos nem martelo batido sobre como as medidas vão sair do PowerPoint e entrar na vida real. A mesa tá posta, mas o cardápio ainda pode mudar antes da conta chegar.
Segundo a Raízen, a divulgação faz parte do processo legal de reestruturação e busca garantir transparência e acesso igual às informações compartilhadas com os credores financeiros. A companhia ainda reforçou que vai manter os acionistas e investidores informados sobre qualquer novo desdobramento, porque nessa novela financeira, qualquer capítulo extra pode mexer com o humor do mercado, e é bom todo mundo ficar preparado antes do baque.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Koppert mira bio-herbicida inédito contra plantas daninhas

Foto: Divulgação / Koppert Brasil
Quando a planta daninha resolve fazer tour pela lavoura, quem costuma entrar em campo é a química pesada. Mas a Koppert Brasil começou a pesquisar um caminho ainda inédito no mercado mundial, um herbicida biológico à base de um fungo, que não foi revelado por questões de patente e pesquisa, pra combater alvos como buva, capim-amargoso e outras invasoras que adoram transformar manejo em teste de paciência do produtor.
O tamanho da oportunidade ajuda a explicar o esforço. O mercado brasileiro de defensivos passou de R$ 102 bilhões em 2025, e os herbicidas ficaram com a maior fatia, cerca de R$ 47 bilhões. Já os biológicos chegaram a R$ 6,2 bilhões, com área tratada de 194 milhões de hectares. Só que, até aqui, bioinsumo e herbicida quase não sentavam na mesma mesa. No controle de plantas daninhas, o jogo ainda é praticamente todo dos químicos.
A pesquisa junta a matriz da Koppert na Holanda, as universidades federais de Viçosa e Uberlândia, a Universidade de Wageningen e o SPARCBio, centro da empresa em Piracicaba (SP). Tem também uma rede de 74 pesquisadores internos no pacote. Mas nada de achar que isso chega na prateleira amanhã. A própria Koppert levou 23 anos pra desenvolver o fungicida Macan e 8 anos pra fechar um trichoderma de tratamento industrial de sementes. É um processo trabalhoso, lento e que tem que ser feito com muito cuidado e sem pressa.
A ideia também não é substituir o glifosato, o herbicida mais vendido no mundo. Um bio-herbicida que mate tudo, como faz o glifosato, pode acabar levando a soja toda junto, e aí o produtor ganha um problema maior do que tinha antes. A aposta da Koppert tá em produtos mais específicos, com alvos bem definidos, capazes de abrir uma nova frente no controle biológico de daninhas, especialmente em culturas como soja, milho e algodão.
Enquanto tenta destravar essa lacuna bilionária, a Koppert Brasil também busca um novo sócio-investidor pra acelerar a expansão. A operação brasileira fatura cerca de R$ 890 milhões com micro e macrobiológicos e contratou o Itaú BBA pra buscar um aporte estimado em 100 milhões de euros, algo perto de R$ 600 milhões. O plano inclui até 3 novas plantas na região de Piracicaba (SP), com fábricas de fungos, bactérias, nematoides e entomopatogênicos.
MENTES QUE GERMINAM
Babaçu vira proteína vegetal e mira hambúrguer do futuro

Foto: Divulgação
O babaçu, que já era velho conhecido das quebradeiras de coco, agora quer sentar à mesa da indústria plant based com crachá de proteína alternativa. A Bioinfood, startup de biotecnologia, transformou a farinha do mesocarpo, aquela parte que geralmente sobra no caminho do óleo, em um ingrediente proteico com potencial pra hambúrgueres vegetais e outros alimentos.
O projeto, feito em parceria com o ITAL, multiplicou o teor proteico da farinha em mais de 4 vezes, saindo de 1,5% pra cerca de 7%. A pesquisa recebeu R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, dentro do Programa Biomas InovAmazônia do GFI Brasil. Ou seja, o resíduo que antes passava batido e às vezes ia pro descarte agora ganhou vaga de ingrediente funcional.
A cadeia do babaçu tem um peso social gigante, principalmente no Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, onde mais de 62 mil pessoas vivem da atividade, em grande parte mulheres quebradeiras de coco. O potencial técnico chega a 1,5 milhão de toneladas por ano, mas a produção atual passa pouco de 4% disso, justamente porque a coleta é pesada, manual e pouco eficiente.
A mágica, que aqui atende pelo nome de ciência, combina seleção de leveduras, hidrólise enzimática e fermentação em biorreatores automatizados. As leveduras transformam os açúcares da farinha em biomassa proteica, sem precisar abrir novas áreas ou plantar mais. A tecnologia já foi validada em laboratório e rendeu até um protótipo de hambúrguer vegetal.
Agora, a Bioinfood busca parceiros pra escalar o piloto e tornar o ingrediente rastreável. E tem justificativa pro apetite. O mercado das proteínas alternativas pode chegar a US$ 88,8 bilhões até 2034 no mundo, enquanto no Brasil o setor movimentou R$ 1,13 bilhão em 2024. E a mesma lógica pode ser aplicada a farelos de trigo, milho e arroz, além de cascas de castanha-do-Pará, macaúba e cupuaçu.
PLANTÃO RURAL
Seguro rural avança e volta pro Senado
A Câmara aprovou mudanças no projeto do seguro rural em menos de 15 minutos, quase um pit stop legislativo. O texto reformula regras, prevê subvenção obrigatória ao prêmio, permite usar apólices como garantia no crédito e cria caminho pro Fundo Catástrofe sair do papel. Como houve alteração, a proposta volta ao Senado.
Mato Grosso recupera pasto e mostra serviço no ABC+
Mato Grosso já recuperou 3,82 milhões de hectares de pastagens, alcançando 75,3% da meta do Plano ABC+ no estado. A estratégia combina integração lavoura-pecuária, correção de solo e manejo mais eficiente pra produzir mais na mesma área.
Profert passa na Câmara com R$ 10 bilhões em benefício fiscal
A Câmara aprovou o Profert, programa que tenta turbinar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência externa do Brasil. O texto prevê até R$ 10 bilhões em créditos fiscais entre 2027 e 2031, fundo de estímulo, apoio do BNDES e cota mínima de fertilizante nacional.
CTC investe pesado e lucro trimestral sente o peso
O lucro do CTC caiu 5,1% no 4º trimestre da safra 2025/26, pra R$ 39,9 milhões, pressionado por investimentos e gastos com novas variedades e sementes sintéticas de cana. No acumulado da safra, porém, o lucro subiu 23,2%, pra R$ 216,5 milhões. A empresa gastou agora pra tentar colher tecnologia depois.
C.Vale compra 2 unidades de grãos em Mato Grosso
A C.Vale comprou 2 novas unidades de recebimento de grãos em Mato Grosso, uma em Nova Mutum e outra em São José do Rio Claro. Cada estrutura armazena 55 mil toneladas e deve operar já na safrinha de milho. Com isso, a cooperativa chega a 18 unidades no estado.
Pamplona põe R$ 64 milhões na genética suína
A Pamplona Alimentos vai investir R$ 64 milhões em 3 anos pra desenvolver genética suína própria. O projeto aprovado pela Finep mira novas linhagens maternas, eficiência alimentar, qualidade da carne e bem-estar animal.
Etanol acelera no Centro-Sul
As vendas de etanol no Centro-Sul somaram 2,74 bilhões de litros em abril, segundo a Unica. A produção acumulada na safra chegou a 3,29 bilhões de litros, alta de 71,84% na comparação anual.
Arco Norte ganha espaço no escoamento da safra
O Arco Norte respondeu por 39,5% das exportações brasileiras de soja e milho em 2025, segundo a Conab. No milho, a fatia chegou a 48%.
Biofertilizantes crescem, mas setor sente o aperto
O mercado de fertilizantes especiais, biofertilizantes e afins faturou R$ 25,4 bilhões em 2025, queda de 5,5%, segundo a Abisolo. Mesmo assim, biofertilizantes cresceram 76,7% e orgânicos avançaram 58,5%. Em 2026, a entidade projeta alta de até 11%.
Anec reduz previsão de embarque de soja em maio
A Anec cortou a projeção de exportação de soja do Brasil em maio pra 15,9 milhões de toneladas, 200 mil toneladas abaixo da estimativa anterior. Ainda assim, o volume fica perto do recorde de abril, de 16,2 milhões. O farelo também teve corte, pra 2,6 milhões de toneladas.
Máquinas agrícolas seguem em marcha lenta
A receita líquida com máquinas e implementos agrícolas caiu 22,2% em abril, pra R$ 4,21 bilhões, segundo a Abimaq. Juros altos, dólar mais baixo, inadimplência e margem apertada travaram o apetite do produtor. Tratores vendidos ao usuário final caíram 4,2%, e colheitadeiras despencaram 33,6%.
Argentina vende menos carne, mas cobra mais caro
As exportações argentinas de carne bovina caíram 26,5% em volume em abril frente a março, mas os preços internacionais deram aquela salvada no churrasco. A tonelada média chegou a US$ 6.968, alta de 37,7% em relação a abril de 2025. No quadrimestre, a receita subiu 44,5%, com a China puxando a fila.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Feijão-fradinho
Pergunta de hoje: Qual planta asiática, cultivada há mais de 3 mil anos, deu origem ao chá mais famoso do mundo?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
