APRESENTADO POR

Bom dia!

Hoje tem desmatamento caindo 20% em 2025 mas expansão agropecuária respondendo por 99% de tudo que foi derrubado, dívida rural travando de novo no Senado depois que parlamentares recusaram a proposta do governo e Koppert pesquisando o primeiro bio-herbicida do mundo à base de fungo. No meio disso, a Raízen coloca arquivos da reestruturação na mesa dos credores, o babaçu vira proteína vegetal e mira hambúrguer e a Câmara aprova o Profert com R$ 10 bilhões em créditos fiscais.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 175.744,38 9,07%
IFIX 3.853,81 1,98%
CSAN3 R$4,01 -24,62%
JALL3 R$2,66 -3,97%
BTRA11 R$61,38 0,23%
RURA11 R$8,86 3,26%
ETF OURO R$23,44 -5,37%
Bitcoin US$74.478,00 -15,70%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Dívida rural volta a travar e Senado recusa texto do governo

Foto: Reprodução/CNN

Quando parecia que a renegociação das dívidas rurais tinha encontrado uma porteira aberta em Brasília, veio mais uma tranca no caminho. A CAE adiou de novo a análise do PL 5122/23 na quarta-feira (27), depois que os senadores e deputados recusaram a proposta que chegou do governo em formato de Medida Provisória. O acordo, que parecia costurado na terça-feira (26), descosturou rapidinho.

A bronca dos parlamentares é que o texto da Fazenda ficou pequeno perto do tamanho do BO no campo. Tereza Cristina (PP-MS) se reuniu com os congressistas que tão envolvidos na negociação e ficou definido que a proposta do governo não vai entrar no relatório de Renan Calheiros (MDB-AL). Agora, a ideia é votar o texto original no Senado e deixar a Câmara tentar ampliar o alcance depois.

A proposta original da galera do governo criava uma linha de crédito só pra renegociar dívidas de custeio, comercialização, industrialização e investimento que foram contratadas até 31/12/2025. Entrariam nessa ajudinha os produtores do Pronaf, do Pronamp e todos os outros produtores que tiveram perdas em pelo menos 2 safras entre 2019 e 2025. Os limites seriam de R$ 400 mil pro Pronaf, R$ 2 milhões pro Pronamp e R$ 4 milhões pros demais, com juros de 6% a 12% ao ano, 10 anos pra pagar e 2 anos de carência.

O problema é que, pros parlamentares, essa conta não faz nem cócegas no rombo real. Nas negociações, os congressistas falaram em R$ 170 bilhões só pra começar a resolver a situação dos produtores mais afetados por clima ruim, preços baixos e crédito apertado. O texto do governo também exigia o pagamento de uma entrada mínima de 5% a 10% do saldo devedor e comprovação de perdas climáticas ou queda de renda, filtros que, na visão do Senado, deixariam muita gente endividada de fora.

PAUTA VERDE

Desmate cai 20% em 2025, mas expansão agropecuária ainda responde por 99% das áreas desmatadas

Foto: iStockphoto

A motosserra tirou um pouco o pé do acelerador em 2025, mas ainda não dá pra comemorar muito. Pela primeira vez desde 2019, o Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares desmatados em 1 ano. Segundo o MapBiomas, foram 984,8 mil hectares de vegetação nativa perdidos, uma queda de 20,6% em relação a 2024. É melhora, sim. Só que ainda dá pra melhorar muito mais.

Todos os biomas tiveram redução na área desmatada, com o Pantanal se destacando e puxando a fila. A área desmatada por lá caiu 48,4%, pra 12,3 mil hectares. Já o Cerrado continua liderando a parte negativa do ranking, com 540,6 mil hectares derrubados em 2025, o equivalente a 54,9% de todo o desmatamento do país. A Amazônia também reduziu as perdas, com queda de 23,5%, mas ainda viu 289,5 mil hectares irem embora.

Mesmo com a queda geral, o ritmo segue assustador. O Brasil perdeu, em média, 2,7 mil hectares por dia, ou 112 hectares por hora. Na comparação do MapBiomas, é como se 17 parques do Ibirapuera fossem apagados do mapa todo santo dia. Nos últimos 7 anos, a conta acumulada passou de 10,9 milhões de hectares, área maior que Pernambuco. A região do Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, segue no centro da pressão, junto com Mato Grosso entre os estados com maior área desmatada.

Segundo o relatório, a expansão agropecuária foi responsável por 99% da área desmatada em 2025. As formações savânicas foram as mais afetadas pelo terceiro ano seguido, com 51,4% do total derrubado, enquanto as formações florestais ficaram com 46,3%. O garimpo apareceu concentrado na Amazônia, enquanto desmatamentos ligados à energia renovável ficaram quase todos na Caatinga.

Nas áreas protegidas, também teve melhora, mas o sinal de alerta ainda tá aceso. As Unidades de Conservação perderam 46,3 mil hectares em 2025, queda de 21,4%, enquanto as Terras Indígenas tiveram perda de 12,6 mil hectares, recuo de 22%. Ainda assim, 30% das TIs registraram pelo menos 1 evento de desmatamento no ano. A APA do Rio Preto, na Bahia, foi a unidade de conservação com maior área desmatada, com 7,7 mil hectares.

SAFRA DE CIFRAS

Raízen bota arquivos da reestruturação na mesa dos credores sem garantia

Gif: zdfmagazinroyale on Giphy

A Raízen abriu mais uma pasta da sua reestruturação financeira e colocou na mesa dos credores sem garantia os materiais do plano de recuperação extrajudicial. O aviso saiu em um fato relevante enviado pra Comissão de Valores Mobiliários na terça-feira (27).

Os documentos têm informações sobre os negócios, o desempenho operacional e financeiro da companhia, além das estimativas e projeções feitas só pra negociação com os credores. Mas a Raízen já deixou um alerta bem grande no rodapé. Nada disso vale como projeção oficial ou guidance pro mercado. É material pra conversar com credor, não bola de cristal pra investidor.

A empresa também deixou avisado que os termos principais da proposta ainda tão em negociação. Até agora, não tem documento definitivo, decisão final sobre os termos econômicos nem martelo batido sobre como as medidas vão sair do PowerPoint e entrar na vida real. A mesa tá posta, mas o cardápio ainda pode mudar antes da conta chegar.

Segundo a Raízen, a divulgação faz parte do processo legal de reestruturação e busca garantir transparência e acesso igual às informações compartilhadas com os credores financeiros. A companhia ainda reforçou que vai manter os acionistas e investidores informados sobre qualquer novo desdobramento, porque nessa novela financeira, qualquer capítulo extra pode mexer com o humor do mercado, e é bom todo mundo ficar preparado antes do baque.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Koppert mira bio-herbicida inédito contra plantas daninhas

Foto: Divulgação / Koppert Brasil

Quando a planta daninha resolve fazer tour pela lavoura, quem costuma entrar em campo é a química pesada. Mas a Koppert Brasil começou a pesquisar um caminho ainda inédito no mercado mundial, um herbicida biológico à base de um fungo, que não foi revelado por questões de patente e pesquisa, pra combater alvos como buva, capim-amargoso e outras invasoras que adoram transformar manejo em teste de paciência do produtor.

O tamanho da oportunidade ajuda a explicar o esforço. O mercado brasileiro de defensivos passou de R$ 102 bilhões em 2025, e os herbicidas ficaram com a maior fatia, cerca de R$ 47 bilhões. Já os biológicos chegaram a R$ 6,2 bilhões, com área tratada de 194 milhões de hectares. Só que, até aqui, bioinsumo e herbicida quase não sentavam na mesma mesa. No controle de plantas daninhas, o jogo ainda é praticamente todo dos químicos.

A pesquisa junta a matriz da Koppert na Holanda, as universidades federais de Viçosa e Uberlândia, a Universidade de Wageningen e o SPARCBio, centro da empresa em Piracicaba (SP). Tem também uma rede de 74 pesquisadores internos no pacote. Mas nada de achar que isso chega na prateleira amanhã. A própria Koppert levou 23 anos pra desenvolver o fungicida Macan e 8 anos pra fechar um trichoderma de tratamento industrial de sementes. É um processo trabalhoso, lento e que tem que ser feito com muito cuidado e sem pressa.

A ideia também não é substituir o glifosato, o herbicida mais vendido no mundo. Um bio-herbicida que mate tudo, como faz o glifosato, pode acabar levando a soja toda junto, e aí o produtor ganha um problema maior do que tinha antes. A aposta da Koppert tá em produtos mais específicos, com alvos bem definidos, capazes de abrir uma nova frente no controle biológico de daninhas, especialmente em culturas como soja, milho e algodão.

Enquanto tenta destravar essa lacuna bilionária, a Koppert Brasil também busca um novo sócio-investidor pra acelerar a expansão. A operação brasileira fatura cerca de R$ 890 milhões com micro e macrobiológicos e contratou o Itaú BBA pra buscar um aporte estimado em 100 milhões de euros, algo perto de R$ 600 milhões. O plano inclui até 3 novas plantas na região de Piracicaba (SP), com fábricas de fungos, bactérias, nematoides e entomopatogênicos.

MENTES QUE GERMINAM

Babaçu vira proteína vegetal e mira hambúrguer do futuro

Foto: Divulgação

O babaçu, que já era velho conhecido das quebradeiras de coco, agora quer sentar à mesa da indústria plant based com crachá de proteína alternativa. A Bioinfood, startup de biotecnologia, transformou a farinha do mesocarpo, aquela parte que geralmente sobra no caminho do óleo, em um ingrediente proteico com potencial pra hambúrgueres vegetais e outros alimentos.

O projeto, feito em parceria com o ITAL, multiplicou o teor proteico da farinha em mais de 4 vezes, saindo de 1,5% pra cerca de 7%. A pesquisa recebeu R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, dentro do Programa Biomas InovAmazônia do GFI Brasil. Ou seja, o resíduo que antes passava batido e às vezes ia pro descarte agora ganhou vaga de ingrediente funcional.

A cadeia do babaçu tem um peso social gigante, principalmente no Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, onde mais de 62 mil pessoas vivem da atividade, em grande parte mulheres quebradeiras de coco. O potencial técnico chega a 1,5 milhão de toneladas por ano, mas a produção atual passa pouco de 4% disso, justamente porque a coleta é pesada, manual e pouco eficiente.

A mágica, que aqui atende pelo nome de ciência, combina seleção de leveduras, hidrólise enzimática e fermentação em biorreatores automatizados. As leveduras transformam os açúcares da farinha em biomassa proteica, sem precisar abrir novas áreas ou plantar mais. A tecnologia já foi validada em laboratório e rendeu até um protótipo de hambúrguer vegetal.

Agora, a Bioinfood busca parceiros pra escalar o piloto e tornar o ingrediente rastreável. E tem justificativa pro apetite. O mercado das proteínas alternativas pode chegar a US$ 88,8 bilhões até 2034 no mundo, enquanto no Brasil o setor movimentou R$ 1,13 bilhão em 2024. E a mesma lógica pode ser aplicada a farelos de trigo, milho e arroz, além de cascas de castanha-do-Pará, macaúba e cupuaçu.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Feijão-fradinho

Pergunta de hoje: Qual planta asiática, cultivada há mais de 3 mil anos, deu origem ao chá mais famoso do mundo?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

Keep Reading