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Bom sábado!
Vamos recaptulando o que mexeu com o agro essa semana em 5 min?
Os principais temas foram: a novela da Lavoro, encolhendo pra 13 lojas enquanto a cooperativa ocupava o balcão, o cabo de guerra da dívida rural, que acabou sem acordo e com MP no forno, e o tarifaço virando feitiço contra o feiticeiro, cada um mastigado pra você.
E no mercado, a semana foi de soja no melhor preço do ano, boi sentindo o passo novo da China, café devolvendo a alta e dólar pregado no lugar.
Tudo o que rolou de segunda a sexta, pra você chegar no fim de semana com a resenha pronta.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Semana de freguês difícil e novela em Brasília. No meio da poeira, a soja deu as caras.
Lavoura: teve festa e teve ressaca. A soja bateu nos R$ 140 no porto, melhor cotação do ano. O café despencou mais de 9% num só pregão em Nova York.
Boi: quem manda mora em Pequim. A China mudou o pedido, a arroba sentiu, e a Europa cravou 3 de setembro pra fechar a porta pra nossa carne. Freguês espirra, o curral gripa.
Brasília: a novela da dívida empacou. Governo e ruralistas levantaram da mesa sem acordo. O agro pediu ao Tesouro um fiador de R$ 8 bilhões pro custeio.
No placar: soja lá em cima, café e boi devolvendo, dólar pregado nos R$ 5,20, e a bolsa de bom humor.
Fontes: Cepea, Banco Central (Focus), B3 e Brapi, a partir das edições da semana. Panorama informativo, não recomendação de investimento.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Lavoro encolheu, e adivinha quem ocupou o vão

Fonte: AGFeed
Tem gigante que engole tudo até a conta chegar. A da Lavoro, maior distribuidora de insumos da América Latina, veio numa petição no tribunal do Paraná.
Sobram 13 lojas, todas paranaenses, e o time cai de 615 pra 350 pessoas, 43% a menos.
O plano encerra as 14 lojas de São Paulo em 60 dias e prepara o pedido de recuperação judicial, o guarda-chuva pra renegociar dívida sem quebrar.
A UPL, multinacional indiana de defensivos com R$ 372 milhões a receber, diz na Justiça que o rearranjo do grupo esvaziou a garantia de quem emprestou.
Enquanto isso, as cooperativas dobraram a fatia no PIB do agro, de 8,1% pra 15,4%, e saltaram pra 25% do crédito rural, era 13% há dez anos.
No agro, balcão não fecha, troca de dono.
COLHENDO CAPITAL
A dívida ficou sem acordo e o crédito pediu fiador

Fonte: Agrolink
Em Brasília, a caneta ficou mais perto do papel que do aperto de mão. Governo e ruralistas empacaram na renegociação da dívida do campo, e a Fazenda prepara uma Medida Provisória que nasce valendo na assinatura.
O nó é o juro. O campo pede 3,5%, 5,5% e 7,5% ao ano; o governo rebate com 6%, 9% e 12%.
Nem a conta bate. A Fazenda enxerga R$ 140 bilhões no texto do Senado, a bancada jura que fica perto de R$ 65 bilhões.
Na quinta, Abrapa, Aprosoja e CNA pediram ao Tesouro R$ 8 bilhões num fundo garantidor, o fiador que faz o banco soltar até R$ 80 bilhões de custeio pra próxima safra.
No cabo de guerra, quem sofre é a corda. E a corda, aqui, é a sua dívida.
COMO TÁ LÁ FORA?
O feitiço do tarifaço já virou contra o feiticeiro

Fonte: Globo Rural
Colete à prova de bala é antigo, a moda é à prova de calote. O Senado aprovou a MP do Plano Brasil Soberano, R$ 15 bilhões de garantia pro exportador atingido pelo tarifaço.
Esse dinheiro não cai na conta de ninguém, vira aval pro banco, e o governo só paga se houver calote.
O pedido pelo fim do tarifaço veio da casa do cobrador, o próprio setor de máquinas dos EUA reclamou nas audiências. No agro daqui, o baque pode chegar a US$ 4,2 bilhões.
O etanol seguiu fora da mesa, o governo negou baixar o imposto do produto americano na negociação. E o açúcar daqui, lembrou o ministro Márcio Elias Rosa, paga quase 100% de sobretaxa por lá.
Taxa que apanha do próprio dono nasce com prazo de validade.
DE OLHO NO PORTO
A semana em que o cliente virou fiscal do churrasco

Fonte: AGFeed
Quem vende proteína pro mundo fechou a semana anotando exigência. A partir de 3 de setembro, a União Europeia só recebe a nossa carne com prova de que o animal não tomou antibióticos proibidos por lá, e o setor de proteínas foi ao governo atrás de uma saída.
A resposta veio torta. O Mapa devolveu a bola, montar o controle que separa o gado da Europa é tarefa das próprias empresas, enquanto os vizinhos do Mercosul seguem vendendo pra lá.
Na outra ponta do balcão, a China mudou o padrão de compras e o mercado do boi gordo perdeu força por aqui. Freguês gigante espirra, a arroba resfria.
O plano B da semana veio com carimbo. O Imaflora fechou com a China Quality Mark pra fazer o Beef on Track, o selo da carne sem desmatamento, valer no mercado chinês, com estreia comercial na gôndola prevista pro início de 2027.
No fim, a arroba até nasce no pasto, mas a regra do jogo mora na casa do freguês.
ASSUNTO DE GABINETE
Três datas caem e R$ 6 bi escorregam pra 2032

Fonte: AGFeed
Cana, milho e soja passaram a semana na sala de espera do governo.
O CNPE, o conselho que manda na energia do país, ia subir na quarta a mistura de etanol na gasolina de 30% pra 32%, o E32. A reunião caiu de novo, a terceira queda desde maio, e ficou pra terça (14), já a quarta data marcada.
O empaque, dizem os bastidores, nem foi culpa do etanol, veio do gás da União e da dívida de Angra 3, que dividem a mesma pauta. E o detalhe é que o E32 pouparia uns 450 milhões de litros de gasolina importada por ano.
No diesel, a conta já chegou. Com o B16, a mistura maior de biodiesel prometida pra março, ainda no papel, o Grupo Potencial esticou de 2030 pra 2032 o plano de R$ 6 bilhões em biodiesel, esmagamento de soja e etanol de milho.
No posto, o combustível é renovável. Em Brasília, a paciência não é.
E ESSE TEMPO, HEIN?
O inverno de dois figurinos agora tem vilão contratado

Fonte: Globo Rural
Teve produtor acendendo fogueira e produtor ligando ventilador na mesma semana. Foram 27 dias de mínima abaixo de zero no Rio Grande do Sul entre maio e junho, e 37°C no Tocantins no mesmo boletim.
No meio desse vaivém, o El Niño 2026/27 começou oficialmente, já em versão forte. Risco de perdas existe, mas os especialistas descartam colapso.
No cálculo do Itaú BBA, um El Niño forte pode tirar 5 milhões de toneladas de soja de Mato Grosso da balança global, e a chuva fora de hora ameaça a cana no pico da moagem do segundo semestre.
No café, deixou de ser previsão. A Cooxupé, maior cooperativa do grão no mundo, colheu só 31% da safra, o ritmo mais lento desde 2018, culpa da chuva acima da média.
Previsão não é sentença, é cenário. Mas seguro e planejamento se contratam antes da chuva, nunca debaixo dela.
PLANTÃO RURAL DA SEMANA
Terras da Radar: a Cosan dividiu as terras da Radar entre SLC e Bom Futuro e concluiu o negócio de R$ 1,85 bilhão, com a SLC levando 8,9 mil hectares no Mato Grosso por R$ 669 milhões.
JBS: a companhia abandonou a meta de zerar as emissões líquidas até 2040, engavetou US$ 100 milhões em pesquisas e agora mira só as emissões da operação própria, menos de 4% do total.
Suco de laranja: a falta de sede lá fora fez a receita de exportação despencar 30,4%, de US$ 3,42 bilhões para US$ 2,38 bilhões, e a demanda deve seguir fraca.
Foie gras: o projeto que proíbe a alimentação forçada de aves, a técnica por trás do patê francês, chegou à sanção presidencial depois de seis anos de tramitação no Congresso.
Imposto do carbono da UE: comissão do Parlamento Europeu aprovou esticar o CBAM, o pedágio climático da fronteira europeia, para cerca de 180 produtos, e o fertilizante importado por lá já paga a conta desde janeiro.
Safra 2026/27: a temporada nova já nasce mais cara, com análise do Itaú BBA prevendo piora das margens da agricultura, a importação de fertilizantes em queda e o Profert na fila de votação do Senado.
Soja perto dos R$ 140: a saca brasileira se aproximou de R$ 140 no miolo da semana, a melhor cotação do ano, com o empurrão de Chicago e do mercado no porto.
Ruiz Coffees: a segunda maior do café no país renegocia dívida e negocia repassar terras a um fundo de credores pra manter a operação de pé, mais um capítulo do aperto de caixa no campo.
SE DIVERTE AÍ
Sábado pede café sem pressa e um desafio à altura. O Problemas de Lógica, do Racha Cuca, é o clássico brasileiro da dedução: só com as dicas, você descobre quem mora na casa azul, quem plantou milho e quem levou o trator. É o mesmo músculo de cruzar informação até a conta fechar que a lida exige todo dia e aqui, errar não queima saca. Tem até o Teste de Einstein pra quem se acha. De graça, em português, no navegador do celular: escolhe um problema e resolve antes da segunda xícara.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição anterior: Mato Grosso. O gigante do Centro-Oeste colhe sozinho mais de um quarto da soja do Brasil e deixa Paraná e Rio Grande do Sul olhando pelo retrovisor da colheitadeira.
Pergunta de hoje: qual país é o maior exportador de açúcar do mundo?
A resposta você confere na próxima edição!
