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Hoje tem Klabin que vendeu 12% mais volume e mesmo assim fechou o trimestre com quase R$ 500 milhões no vermelho, Raízen que marcou assembleia com R$ 4 bilhões na mesa e não conseguiu quórum pra votar nada e confinamento bovino que bateu lucro médio de R$ 869 por cabeça em 2025 com o boi produzindo mais carne com menos comida. No meio disso, a CNA lança simulador pra traduzir o acordo Mercosul-UE em tarifas reais, irrigação eleva PIB em até 256% nos municípios rurais e o GPTW revela as melhores empresas do agro pra trabalhar.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
NAS CABEÇAS DO AGRO
Minha empresa é melhor que a sua? GPTW revela melhores empresas pra trabalhar no agro

Gif: Giphy
Se antes o sonho da galera era trabalhar em banco, startup ou Big Tech com puff colorido e kombucha liberada, o agro resolveu entrar no jogo e mostrar que também sabe fazer funcionário feliz. A GPTW divulgou, nessa semana, os rankings que apontam as melhores pequenas, médias e grandes empresas pra trabalhar no agronegócio brasileiro, e o setor mostrou que hoje não vive só de boi, soja e milho. Tá vivendo de cultura organizacional, plano de carreira e café gourmet na copa também.
Entre as gigantes, empresas do agro industrial, cooperativas e multinacionais apareceram puxando a fila com programas de desenvolvimento, incentivo à qualificação e ambientes mais modernos. Quem levou o troféu foi a Cresol, seguida por Sicoob Credicitrus, Special Dog, Usina Alta Mogiana e Timac Agro do Brasil. O discurso mudou bastante daquele velho “manda quem pode, obedece quem tem crachá”. Agora o RH descobriu que funcionário motivado produz mais do que talhão bem adubadinho. E aparentemente descobriram também que burnout não é exatamente um benefício corporativo.
Nas médias empresas, o destaque ficou pro clima mais próximo entre equipes e lideranças, algo meio firma familiar, mas sem o nepotismo. O topo ficou com o CTC, seguido por Grupo UbyAgro, JCB do Brasil, SLC Máquinas e Harald. Muitas apostaram em flexibilidade, treinamento interno e benefícios voltados pra qualidade de vida. O mercado percebeu que não adianta investir milhões em máquina autônoma e esquecer que o ser humano ainda vem sem piloto automático.
Já entre as pequenas empresas, apareceu muito negócio jovem, tecnológico e com cara de startup agro raiz. Empresas menores vêm conseguindo atrair talentos oferecendo crescimento acelerado, autonomia e aquele famoso argumento do “aqui você não é só mais um”. A Sementes Bonamigo chegou na frente, com Grupo Cultivar, Olhos Verdes, Semex Brasil e Nutriceler vindo logo atrás. Em alguns casos, o funcionário entra pra mexer com planilha e seis meses depois já tá participando de decisão estratégica, gravando vídeo no Instagram e escolhendo estagiário novo.
No fundo, o ranking mostra que o agro brasileiro tá passando por uma transformação silenciosa. O setor que antes brigava só por produtividade agora também briga por talento. E pra conquistar essa geração mais nova, conectada e cronicamente online, não basta pagar bem ou ter nome no mercado. Tem que ter ambiente bom, oportunidade de crescimento e um mínimo de sanidade mental entre uma reunião e outra.
E isso ajuda a explicar por que o agro virou um dos setores mais completos pra carreira hoje. Tem espaço pra agrônomo, jornalista, analista de dados, programador, designer, marketeiro, piloto de drone e tudo que você puder imaginar. O campo tá tão tecnológico que em algumas operações já tem mais tela, dashboard e inteligência artificial do que muito escritório da Faria Lima.
POR DENTRO DO MERCADO
Irrigação engorda PIB em até 256% e vira seguro contra sustos do céu

Foto: Verde Agritech
Quando a chuva resolve trabalhar em home office, a irrigação aparece como aquele funcionário que segura a operação. Um estudo da Abimaq com a ESALQ/USP mostrou que regiões com agricultura irrigada têm indicadores econômicos e sociais melhores, com PIB per capita até 256% maior do que em outros municípios rurais. Em Mato Grosso, esse valor passa de R$ 182 mil.
A pesquisa analisou 7 polos regionais em 4 estados e encontrou ganhos relevantes onde a água chega na hora certa. Na Bahia, os ganhos médios são 68,6% superiores. Em Minas Gerais, 42,85%. No Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, as diferenças também aparecem, mesmo em menor escala. Ou seja, irrigação não é só cano, pivô e conta de energia. É produtividade com menos drama meteorológico.
O estudo também aponta menor dependência de programas de transferência de renda nos polos irrigados. Em Mato Grosso, por exemplo, o percentual de beneficiários é cerca de 50% menor que nos demais municípios rurais. A lógica é simples: quando o produtor consegue plantar com mais previsibilidade, a economia local gira mais. A água entra na lavoura e o dinheiro circula na cidade.
Hoje, o Brasil tem cerca de 8,2 milhões de hectares equipados pra irrigação, mas poderia multiplicar esse número mais de 5 vezes, chegando a 55,85 milhões de hectares. A cada 1,6 mil hectares irrigados incorporados, o valor adicionado bruto da agropecuária pode subir R$ 8,27 milhões no curto prazo e chegar a R$ 14 milhões depois. O desafio é destravar energia, mão de obra, conectividade e gestão da água. Porque pivô até faz milagre, mas ainda não liga sozinho no escuro.
DE OLHO NO PORTO
CNA lança simulador pra traduzir o acordo Mercosul-UE

Foto: Camex
Que o acordo Mercosul-UE finalmente saiu do modo “um dia vai” e começou a valer de forma provisória em 1º de maio você já sabe, mas como esse acordo vai atingir o dia a dia do produtor? Pra ajudar o agro a entender o que muda na prática, a CNA lançou o BI Simulador do Acordo, uma ferramenta que mostra como as tarifas europeias sobre produtos do Mercosul vão cair ao longo do tempo.
Na plataforma, o produtor pode buscar pelo nome do produto ou pelo código tarifário e ver o cronograma de desgravação, as quotas e as regras aplicadas a cada item. Dá pra saber se o produto vai pagar menos imposto, quando isso acontece e se tem alguma pegadinha no caminho. É quase um Waze das tarifas, só que sem a voz mandando recalcular a rota.
A CNA também colocou no ar uma área de perguntas e respostas sobre o acordo. A entidade lembra, porém, que o simulador serve como orientação e não substitui conversa com parceiro comercial nem consulta aduaneira antes de exportar. Ou seja, a ferramenta ajuda a abrir a porteira, mas ainda não carimba passaporte de carga sozinha.
COLHENDO CAPITAL
CRA da Raízen fica sem quórum e empurra decisão pra semana que vem

Foto: Divulgação/Raízen
A novela da Raízen ganhou mais um episódio, daqueles em que todo mundo marca reunião, abre a chamada e descobre que não tem gente suficiente pra votar nada. As assembleias dos detentores de CRAs marcadas pra quarta-feira (06) não atingiram quórum mínimo, então uma posição sobre as negociações da dívida da companhia deve ficar pra próxima semana.
O tamanho do abacaxi ajuda a explicar a tensão. A Raízen, em recuperação extrajudicial, tem R$ 65 bilhões em dívida com credores externos e R$ 7,3 bilhões só em CRAs, que tiveram vencimento antecipado por causa do pedido de reestruturação. Na quarta-feira (06), estavam na mesa investidores de 3 emissões, com R$ 4 bilhões a receber. Como não deu quórum, a 2ª chamada ficou pra 14 de maio.
Na quinta-feira (07), outras 2 assembleias estavam marcadas, envolvendo mais R$ 3,3 bilhões em créditos, mas a expectativa de fontes próximas era de que o filme se repitisse. Enquanto isso, o relógio corre. A Raízen tem até 9 de junho pra apresentar um plano atualizado de recuperação, com detalhes da reestruturação e adesão de mais de 50% dos créditos sujeitos. Basicamente, precisa juntar muita gente numa sala financeira antes que o cronômetro apite.
A proposta mais recente da empresa prevê converter 45% da dívida em ações e levantar até R$ 5 bilhões em capital novo, além dos aportes prometidos pelos acionistas, com R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto. A Cosan, hoje com BTG como maior acionista, ainda não se comprometeu com aporte.
O AGRO EM NÚMEROS
Confinamento engorda lucro e deixa pecuarista sorrindo

Gif: vusalazizov on Giphy
O boi confinado saiu de 2025 embalado. Segundo levantamento da Cargill com 217 confinamentos, o lucro médio por animal chegou a R$ 869, alta de 28,85% sobre 2024. A conta ficou mais bonita porque os custos deram uma segurada, milho e soja aliviaram um pouco, e a arroba veio mais firme, embalada por exportações recordes e consumo interno aquecido.
Na prática, o pecuarista conseguiu fazer aquela combinação rara no agro, dieta mais barata e venda melhor. O estudo analisou mais de 2,7 milhões de cabeças, cerca de 27% do gado confinado no país, então não é só papo. E o otimismo segue vivo: 70,2% dos produtores ouvidos acreditam que 2026 será ainda melhor, enquanto 21,5% esperam estabilidade.
O levantamento também mostra que o confinamento brasileiro tá ficando mais eficiente. Desde 2016, houve redução de 9,4 Kg de matéria seca por arroba produzida e aumento gradual no ganho médio diário. Tem genética, sanidade, processamento de grãos, manejo e tecnologia trabalhando junto. Em resumo, o boi tá produzindo mais carne com menos comida, quase um milagre nutricional com brinco de identificação.
Outra tendência é o animal entrar mais leve no confinamento e ficar mais tempo no cocho. Em 2025, a média foi de 12,54 arrobas na entrada e 112 dias de cocho, mas a expectativa é que esse período cresça nos próximos anos. Como o rebanho não deve seguir aumentando pra sempre, o caminho é tirar mais carne do mesmo boi. O cocho virou escritório de produtividade, e o Nelore tá batendo ponto.
SAFRA DE CIFRAS
Klabin vende mais, mas fecha trimestre quase R$ 500 mi no vermelho

Foto: Klabin/Divulgação
A Klabin vendeu mais papel e celulose no 1º trimestre, mas o balanço saiu com gosto de nota fiscal amassada. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 497 milhões entre janeiro e março, depois de ter lucrado R$ 446 milhões no mesmo período de 2025. Ou seja, teve mais produto saindo, mas o lucro não acompanhou o caminhão.
A receita líquida subiu 2%, pra R$ 4,94 bilhões, e o volume vendido chegou a 1 milhão de toneladas, alta de 12%. O problema é que o Ebitda ajustado caiu 10%, pra R$ 1,67 bilhão, pressionado pela parada de manutenção na unidade de Monte Alegre e pela valorização do real frente ao dólar. Como 51% do volume foi pro mercado externo, câmbio forte demais virou aquele amigo que aparece pra ajudar e derruba o copo na mesa.
Mesmo no prejuízo, os volumes avançaram nos principais segmentos. Celulose cresceu 16%, papéis subiram 15% e embalagens tiveram alta de 3%. A empresa também reduziu o endividamento líquido em 21%, fechando o trimestre em R$ 24 bilhões. No fim, a Klabin mostrou operação rodando, dívida menor e vendas maiores, mas o lucro ficou preso entre manutenção, câmbio e um trimestre com cara de papel molhado.
PAUTA VERDE
Crédito rural cansa e cria sistema que junta 13 bases de dados em uma só

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O crédito rural pode ganhar um “Serasa do agro”, só que com mais CAR, menos score misterioso e muito mais dado público na jogada. A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou um projeto que cria uma plataforma unificada pra juntar 13 bases usadas na análise de risco do produtor. A ideia é facilitar financiamento, seguro rural e operações com CPR, sem transformar cada pedido de crédito numa gincana de documento.
O projeto cria o Sistema Nacional de Gestão de Risco e Crédito Rural, um nome gigantesco pra resumir algo simples: colocar CAR, seguro rural, Garantia Safra, Incra, Funai e outros bancos de dados conversando entre si. Hoje, esses dados ficam espalhados igual nota fiscal depois de fechamento de safra, cada um num canto.
Segundo os defensores da proposta, a plataforma deve facilitar financiamentos, seguros e operações com CPR, além de acelerar análises de risco. Em tese, o produtor teria menos burocracia, bancos teriam uma visão mais ampla do perfil rural e o crédito poderia fluir com menos trava. O sistema também promete seguir a LGPD e permitir que o produtor escolha se quer ou não compartilhar os dados.
O relator Alceu Moreira (MDB-RS) disse que o projeto tenta resolver a fragmentação das informações no agro. O texto ainda precisa passar por outras comissões e pelo Senado, mas já entrou naquela fase em que Brasília começa a sonhar com um agro mais digital e menos refém de pasta sanfonada.
PLANTÃO RURAL
Minerva vende mais carne, mas boi caro derruba o lucro
A Minerva teve receita líquida de R$ 13,4 bilhões no 1º trimestre, alta de 19,8%, mas o lucro caiu 52,8%, pra R$ 87,3 milhões. A operação exportadora foi bem, com China e EUA puxando demanda, mas a arroba mais cara entrou na conta igual cortando o caixa.Soja transgênica deixa Argentina de saia justa na Europa
A Argentina tenta evitar uma dor de cabeça maior depois que a Holanda rejeitou cargas de farelo de soja com presença da variedade HB4, resistente à seca, mas ainda não aprovada pela União Europeia. O país agora corre pra isolar essa soja e mandar pra China.Algodão sobe pelo 5º mês e pega carona no petróleo
O algodão em pluma subiu pelo 5º mês seguido no Brasil e chegou ao maior valor nominal desde julho de 2025, segundo o Cepea. Exportações fortes reduziram estoques internos, enquanto o petróleo valorizado ajudou no empurrão.Nelore ganha quase 100 Kg de carcaça em 10 anos
O Nelore deixou de ser só o rústico da turma e entrou no shape premium. Segundo a ACNB, lotes campeões saltaram de média de 260 Kg pra 365 Kg de carcaça em pouco mais de 10 anos.BNDES coloca R$ 40 milhões na rota dos bioinsumos
O BNDES anunciou novo ciclo do programa Bioinsumos, com R$ 40 milhões não reembolsáveis pra cooperativas e associações da agricultura familiar produzirem insumos biológicos pra uso próprio. A ideia é reduzir dependência de produtos convencionais e dar mais autonomia ao pequeno produtor.Desenrola Rural estica prazo e promete desconto pesado
O Desenrola Rural teve prazo ampliado até 20 de dezembro de 2026 e mira agricultores familiares, assentados, pescadores artesanais e comunidades tradicionais com dívidas vencidas há mais de 1 ano. Os descontos podem chegar a 90% e o parcelamento a 120 meses.Chuva derruba café colombiano e atrasa a colheita
As exportações de café da Colômbia caíram 15% em abril, pra 682 mil sacas, enquanto a produção recuou pra 697 mil sacas. No acumulado do ano, a produção já cai 28%. A culpa ficou pras chuvas, que atrapalharam a maturação e a colheita.Brasil come mais frango e avicultura segue voando alto
O consumo de carne de frango no Brasil chegou a 46,7 Kg por habitante em 2025, segundo a ABPA. A produção alcançou 15,289 milhões de toneladas e as exportações somaram 5,324 milhões de toneladas, com receita perto de US$ 9,8 bilhões.Coopercitrus mira R$ 9 bilhões e quer café na China
A Coopercitrus quer faturar R$ 9 bilhões em 2026, depois de fechar o último ano em R$ 8,4 bilhões. A cooperativa aposta na diversificação dos mais de 42 mil cooperados, no avanço do café na China e em tecnologia no campo.Bayer e bp apostam em camelina pra abastecer o futuro
Bayer e bp anunciaram aliança pra ampliar o cultivo de camelina na América do Norte, mirando diesel renovável e combustível sustentável de aviação. A oleaginosa pode entrar em rotação, áreas ociosas ou pousio, com menor uso de insumos.ABPA rebate suspeita sobre frango brasileiro na Grécia
A ABPA contestou informações sobre suposta contaminação por Salmonella em frango brasileiro exportado à Grécia. A entidade apontou inconsistências no volume citado, ausência de registro no sistema oficial europeu RASFF e reforçou a confiança no controle sanitário brasileiro.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Milho roxo
Pergunta de hoje: Qual especiaria asiática já foi mais cara que o ouro e motivou expedições marítimas nos séculos XV e XVI?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
