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Bom dia!
Hoje tem frigorífico de 70 anos pedindo recuperação judicial depois de um temporal destruir mais de 2 mil m² da planta e paralisar os abates por 72 dias, diesel que já causou rombo de R$ 7,2 bilhões no agro desde o início do conflito no Oriente Médio e Amsterdã virando a primeira cidade do mundo a proibir anúncios de carne em espaços públicos. No meio disso, a Jacto lança o primeiro pulverizador autônomo do mercado brasileiro, uma pesquisa mostra que só 34% dos produtores entendem o mercado de carbono e um aditivo alimentar reduziu em 50% o metano no arroto do boi.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
CAMPO ATUALIZADO
Jacto coloca pulverizador sem motorista pra rodar

Foto: Divulgação
Enquanto muita fazenda ainda tá tentando fazer o sinal de internet chegar no escritório, a Jacto resolveu mandar um pulverizador totalmente autônomo pro meio do pomar. Apresentado na Agrishow, o Arbus 4000 JAV é o primeiro pulverizador autônomo do mercado brasileiro, um trambolho high-tech que anda sozinho no meio do pomar, desvia de obstáculos, trabalha 24 horas seguidas e ainda aceita ser comandado à distância.
O projeto começou lá em 2010, junto com a Citrosuco, e agora finalmente saiu da garagem da inovação pra lavoura. A máquina custa a partir de R$ 1,7 milhão, exige internet boa na fazenda inteira e precisa de operadores prontos pra assumir o controle se der algum BO. Nos testes, a Jacto descobriu que o esquema mais eficiente é uma pessoa monitorando quatro máquinas ao mesmo tempo.
O JAV foi pensado primeiro pro setor de citros, onde falta mão de obra e sobra aplicação pra fazer. Segundo a empresa, o pulverizador consegue operar mais de 1 mil hectares por mês quando a fazenda tá bem ajustada. Ele escaneia a planta por meio de um sensor laser, identifica os frutos e as folhas, calcula a quantidade exata de defensivo que tem que ser aplicada e aplica, tudo isso num piscar de olhos.
E como ele trabalha sozinho, não tem pausa pra café, marmita ou discussão sobre quem esqueceu alguma coisa no barracão. O próximo passo agora é levar a tecnologia pra outras culturas, porque os robôs agrícolas tão começando a ganhar estágio em diferentes áreas do campo.
COMO TÁ LÁ FORA?
Amsterdã tira a carne do outdoor e coloca o clima no cardápio

Foto: La Derecha Diário/gerada por IA
Desde quinta-feira (01), Amsterdã proibiu anúncios de carne em espaços públicos, tipo outdoors, pontos de bonde e estações de metrô, e virou a primeira cidade do mundo a levar essa ideia até o fim e aplicar esse tipo de restrição de forma ampla. Junto com a carne, também saíram de cena os anúncios ligados a combustíveis fósseis, numa mistura de dieta e política climática.
Na prática, hambúrguer, nuggets e companhia deram lugar a exposições de museu e concertos. A ideia é alinhar o visual urbano com as metas ambientais, já que Amsterdã quer zerar as emissões até 2050 e cortar pela metade o consumo de carne nas próximas décadas.
Mesmo representando só cerca de 0,1% do mercado publicitário de lá, a medida tem mais peso simbólico do que financeiro. A carne entrou no mesmo pacote de produtos que hoje carregam o rótulo de alto impacto climático, ao lado de carros a gasolina, cruzeiros e voos. Ou seja, não é sobre volume de anúncio, é sobre narrativa.
Do outro lado, a indústria não engoliu fácil. Representantes do setor dizem que a decisão tenta moldar o comportamento do consumidor e lembram que a carne segue sendo importante na alimentação. E não é pouca coisa, o consumo médio por lá gira em torno de 74 kg por pessoa por ano. Enquanto isso, outras cidades europeias começam a flertar com medidas parecidas, mostrando que essa discussão ainda vai dar muita carne pra debate.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Crédito de carbono ainda tá mais confuso pro produtor que manual de drone chinês

Gif: Giphy
O crédito de carbono virou o queridinho dos eventos corporativos, dos painéis com figurões do setor e das apresentações cheias de palavras como “descarbonização” e “net zero”. Mas no campo a história ainda tá longe de hypar. Uma pesquisa da ABMRA mostrou que só 34% dos produtores rurais dizem entender o que é esse mercado. E o mais curioso é que apenas 24% participam de alguma iniciativa ligada ao tema. Ou seja, o carbono tá famoso no LinkedIn, mas ainda não virou rotina na fazenda.
O detalhe é que muita gente já faz práticas sustentáveis sem perceber que talvez tivesse um cheque escondido no meio da lavoura. Entre os produtores envolvidos com crédito de carbono, 66% citaram preservação de áreas naturais, 42% usam técnicas agrícolas sustentáveis e 34% trabalham com reflorestamento. Tá cheio de produtor fazendo esse trampo sem saber que o mercado internacional tá olhando isso igual olheiro europeu vendo moleque da base.
A pesquisa também mostrou que 86% dos produtores acreditam que as mudanças climáticas vão impactar a produção agrícola. Mesmo assim, só 31% consideram muito difíceis as barreiras pra adoção de práticas sustentáveis. O problema maior continua sendo entender como tudo isso funciona na prática e, principalmente, onde entra o dinheiro nessa conta.
Segundo a ABMRA, existe uma baita oportunidade de comunicação aí no meio. Porque em muitos casos o produtor já tá fazendo manejo melhor, preservando área e reduzindo impacto ambiental, mas ninguém explicou direito que isso poderia virar ativo. O sujeito tá cuidando do solo, preservando área e melhorando manejo enquanto o carbono passa do lado dando tchauzinho e ele nem percebe.
PAUTA VERDE
Boi entra em dieta low carbon

Gif: Giphy
O boi voltou pro centro da agenda climática, mas dessa vez sem virar vilão de documentário europeu com trilha dramática. Um estudo da Minerva Foods com a australiana Rumin8 e a ESALQ/USP mostrou que um aditivo alimentar conseguiu reduzir em 50,4% as emissões de metano em bovinos Nelore confinados. O famoso arroto do boi pode finalmente sair do papel de principal vilão
O experimento durou 120 dias e simulou condições de confinamento comercial no Brasil. Os animais receberam uma dieta típica de terminação, com 12% de volumoso e 88% de concentrado, tendo milho moído como principal ingrediente. Quem recebeu o aditivo, além de emitir menos metano, ainda jogou um aumento de 5% na eficiência de conversão alimentar. Ou seja, o boi aproveitou melhor a ração e desperdiçou menos.
O estudo ainda mostrou uma queda pesada na intensidade de emissão por kg ganho, caindo de 77,2 g/kg para 39,6 g/kg. No total, o teste reduziu o equivalente a 29,8 toneladas de CO₂ em gases de efeito estufa. E como hoje em dia até o boi precisa prestar conta pro ESG, os resultados ainda tão passando por auditorias independentes de certificadoras de carbono agrícola.
A pesquisa coloca o aditivo entre as estratégias mais promissoras pra reduzir a pegada ambiental da carne bovina sem jogar na fogueira o desempenho produtivo. Pra pecuária brasileira, que precisa produzir, exportar e ainda responder às cobranças climáticas, é uma tecnologia que pode aliviar o bolso e a pegada de carbono junto.
DEU BO
Citrosuco é condenada por colocar aprendiz em área de risco

Foto: Marcos Fantin/Globo Rural
A Justiça do Trabalho condenou a Citrosuco por manter menores de 18 anos em atividades perigosas, insalubres ou em horário noturno, depois de uma ação do Ministério Público do Trabalho. O caso envolve um jovem aprendiz que teria sido exposto a riscos de explosão e incêndio no almoxarifado. O coitado chegou pra aprender um trampo novo e saiu profissional no teste de sobrevivência industrial.
Segundo o MPT, o adolescente manuseava líquidos inflamáveis, como álcool etílico e isopropílico, em um local fechado e com armazenamento acima dos limites de segurança. Um laudo técnico ainda apontou que ele circulava por áreas de risco e lidava com embalagens vazando, furadas ou rasgadas, ficando exposto ao contato com produtos e à inalação de vapores nocivos.
A empresa foi condenada a pagar R$ 100 mil ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos e pode levar multa diária de R$ 5 mil se descumprir a decisão. A Citrosuco disse que segurança é um valor inegociável, que não concorda com as conclusões do processo e que vai recorrer pelas vias legais. Como cabe recurso, a novela ainda pode, e deve, ter próximos capítulos.
SAFRA DE CIFRAS
Diesel sobe, e o agro paga a conta no trator

Gif: Giphy
O diesel resolveu acompanhar o petróleo no sobe e desce de preços e já deixou um rombo de R$ 7,2 bilhões no agro brasileiro, segundo levantamento da Farsul. Desde o começo do conflito no Oriente Médio, o litro saltou 23%, de R$ 6,13 pra R$ 7,55. O principal problema pro agro é que no campo praticamente tudo bebe diesel. Trator bebe diesel, colheitadeira bebe diesel, caminhão bebe diesel e, do jeito que tá, daqui a pouco o produtor vai precisar parcelar o tanque em 12x sem juros.
A conta virou uma plantação de prejuízo. Segundo o estudo, cada alta de R$ 0,25 no litro adiciona R$ 1,3 bilhão nos custos do setor. A cana foi quem mais sentiu o tranco, com impacto de R$ 3,39 bilhões, seguida pela soja com R$ 2,06 bilhões. O diesel ficou tão caro que abastecer máquina agrícola tá começando a dar a mesma sensação de abrir aplicativo de banco depois de perder a noção no fim de semana.
Arroz, milho, trigo, algodão e praticamente qualquer cultura que tenha motor ligado também entraram no modo sobrevivência. E como desgraça logística pouca é bobagem, o diesel ainda ajudou a empurrar a inflação dos alimentos e o IPCA. O combustível sobe lá na refinaria e, quando percebe, já tá cobrando pedágio até na ida ao mercado.
Agora o Congresso discute um projeto pra aliviar o impacto via benefícios fiscais, tentando impedir que a bomba continue parecendo um boss final do agro brasileiro. Enquanto isso, o produtor segue olhando pro céu preocupado com a chuva e olhando pro posto preocupado com o preço.
COLHENDO CAPITAL
Santa Lúcia pede RJ depois de temporal virar o frigorífico do avesso

Foto: REUTERS/Paulo Whitaker
O Frigorífico Santa Lúcia, empresa com mais de 70 anos em Araguari (MG), pediu recuperação judicial depois da tempestade de 30 de dezembro de 2025 destruir mais de 2 mil m² da planta industrial e paralisar os abates por 72 dias. Não foi uma chuvinha qualquer não, foi um senhor temporal que ferrou com a estrutura toda da empresa.
A pancada atingiu setores como abate, graxaria, miúdos, vestiários e sala de máquinas. Mesmo com a operação travada, a empresa diz que manteve salários e benefícios em dia, com folha mensal perto de R$ 1 milhão, enquanto remanejava equipes pra reconstrução. Mais de 350 colaboradores seguem empregados. Ou seja, o boi parou de passar na linha, mas o compromisso com a cidade continuou em pé.
Antes do temporal, o Santa Lúcia vinha embalado, com crescimento médio de 34,5% ao ano nos 5 anos anteriores. A empresa também investiu R$ 18,26 milhões em modernização entre 2023 e 2026, lançou a marca premium Santa Grill e conseguiu habilitação pra exportar pra 12 mercados. A empresa tava no roteiro de expansão, até que o clima chegou chutando a porta.
Agora, a recuperação judicial entra como tentativa de reorganizar dívidas sem fechar as portas. A empresa reforça que não é falência e que segue operando, atendendo clientes e segurando empregos. O Santa Lúcia tomou um tombo grande, mas não quer virar carne moída no mercado: quer se recompor, ajeitar a casa e voltar pra linha de abate com menos drama e mais caixa.
PLANTÃO RURAL
Nova Piratininga vai plantar carbono em fazenda gigante
A NaturAll Carbon fechou parceria com a Fazenda Nova Piratininga pra gerar créditos de carbono em 12,3 mil hectares entre Goiás e Tocantins. O projeto usa práticas regenerativas como plantio direto, rotação de culturas e ILP, com potencial de gerar 30 mil créditos.Biocombustíveis podem turbinar o PIB até 2030
Um estudo da FGV aponta que os biocombustíveis podem adicionar R$ 403,2 bilhões ao PIB brasileiro até 2030, considerando 64 bilhões de litros entre etanol e biodiesel. A conta fala em R$ 62 de retorno pra cada R$ 1 investido.Corteva lucra US$ 723 milhões no 1º trimestre
A Corteva registrou lucro líquido de US$ 723 milhões no 1º trimestre, alta de 10,2%. A receita chegou a US$ 4,9 bilhões, puxada por sementes, que cresceram 12%. Depois de anunciar a Vylor, sua futura empresa de sementes, a companhia mostrou que a divisão ainda nem nasceu e já vem com boletim azul.Carne brasileira quer mais espaço nos EUA
Exportadores pediram que Lula inclua na conversa com Donald Trump a ampliação da cota de carne bovina brasileira pros EUA. Hoje, o Brasil divide uma cota de 50 mil toneladas com outros países e paga tarifa de 26,4% fora dela.Cota chinesa pode bagunçar o fluxo da carne
O Brasil tá perto de bater o limite anual de exportação de carne bovina pra China, que pode ser atingido em junho. Depois disso, volumes extras encaram tarifa de 55%. Com a porteira chinesa mais estreita, frigoríficos já olham outros destinos.Agro bate recorde com 28,4 milhões de empregados
O agronegócio chegou a 28,4 milhões de pessoas ocupadas em 2025, alta de 2,2% e novo recorde, segundo CNA e Cepea. O crescimento veio puxado por serviços, agroindústria e insumos.Cooperativas de SC faturam R$ 105,7 bilhões
As cooperativas catarinenses faturaram R$ 105,7 bilhões em 2025, alta de 15,8%. O agro liderou o placar, com R$ 63 bilhões e 68 mil empregos diretos. O estado chegou a 5,08 milhões de cooperados, o equivalente a 61% da população.Soja chega a 94,7% da área colhida
A colheita da soja 2025/26 atingiu 94,7% da área, segundo a Conab, mas ainda tá atrasada frente ao ano passado e à média dos últimos 5 anos. No milho verão, a colheita chegou a 66,7%, também em ritmo mais lento.ADM lucra US$ 298 milhões no trimestre
A ADM registrou lucro líquido de US$ 298 milhões no 1º trimestre, levemente acima de 2025. A receita subiu pra US$ 20,49 bilhões, com força em nutrição e biocombustíveis, mas teve queda em serviços agro e oleaginosas.AGCO lucra 5 vezes mais, mas Brasil freia
A AGCO, dona de Fendt, Massey Ferguson e Valtra, lucrou US$ 55 milhões no 1º trimestre, mais de 5 vezes o resultado do ano passado. No Brasil, as vendas de tratores caíram 10%, com produtor buscando máquinas menores e segurando compra de grandalhões.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Trigo
Pergunta de hoje: Qual alimento andino era considerada sagrada pelos incas e usada em cerimônias religiosas antes de ser levada à Europa?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
