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Bom dia!
Hoje tem Corteva anunciando que vai se dividir em duas empresas, separando sementes de defensivos, etanol de milho brasileiro sendo o primeiro biocombustível aprovado pra uso em navios e Desenrola Rural reabrindo com prazo até dezembro e meta de chegar a 800 mil agricultores familiares. No meio disso, pesquisadores testam drone contra carrapato bovino no RS, solo ganha exame de luz pra revelar camadas compactadas e o BioSummit abre amanhã em Campinas com painel inédito sobre biológicos veterinários.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
COLHENDO CAPITAL
Desenrola Rural volta pra limpar o CPF de quem bota comida na mesa

Foto: Geirlys Silva / SAF
Dívida no agro é igual tiririca no meio da plantação, quando você acha que arrancou tudo, brota outra do nada pra encher o saco. Pra ajudar a resolver esse BO que tá ferrando a vida do produtor rural, o governo anunciou uma nova fase do Desenrola Rural, com prazo reaberto até 20 de dezembro de 2026 e promessa de ampliar a renegociação para mais agricultores familiares. A ideia é limpar o CPF de quem produz comida e devolver acesso ao crédito.
Segundo o Ministério da Fazenda, o programa já beneficiou cerca de 507 mil produtores. Agora, a meta é passar de 800 mil agricultores familiares atendidos, dentro de um universo estimado em 1,3 milhão de pessoas.
A Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares) vê a medida como continuidade do Desenrola Rural que já tava em andamento, mas avalia que ainda tem muita família que poderia aderir e não entrou. A entidade estima que tem cerca de 800 mil famílias rurais em condições de participar, das quais pelo menos 500 mil poderiam entrar agora. Se a conta fechar, o programa pode chegar a 1 milhão de agricultores familiares no total.
O detalhe é que o governo ainda não abriu o pacote completo das novas condições de crédito. E aí fica aquele clima de anúncio com trailer bonito, mas sem data de estreia do filme inteiro. Pra quem tá com dívida antiga travando acesso ao financiamento, desconto, prazo e taxa fazem toda a diferença entre voltar a produzir com fôlego ou só trocar um boleto pelo outro.
Mesmo elogiando a medida, a Contag cobra que o programa olhe também pra agricultores com dívidas fora das linhas subsidiadas, como casos que não entram no Pronaf ou nos Fundos Constitucionais de Financiamento. Porque, no fim das contas, limpar o nome é importante, mas o produtor também precisa de crédito que caiba na realidade da lavoura. Senão desenrola de um lado e enrola de novo do outro.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
Plano Safra pode passar de R$ 600 bilhões, mas juros ainda embaçam o crédito

Foto: Mapa
Se dinheiro anunciado resolvesse tudo, o agro já tava tranquilo. O próximo Plano Safra, que deve sair no começo de junho, tá sendo desenhado pra vir na casa dos R$ 600 bilhões, podendo encostar nos R$ 625 bilhões pedidos pela CNA. Na teoria, é um upgrade em relação aos R$ 516 bilhões do ciclo anterior. Na prática, o produtor quer saber se esse dinheiro vai cair na conta ou ficar só bonito na coletiva.
E aí entra o elefante na sala, que atende pelo nome de juros. Hoje, não adianta liberar crédito se a conta não fecha lá na ponta. O próprio ministro André de Paula reconheceu que o desafio é equalizar essas taxas, porque do jeito que tá, tem produtor olhando o financiamento e preferindo nem se arriscar.
Enquanto isso, o clima na visita do ministro na Sociedade Rural Brasileira, onde ele falou do Plano Safra, não foi exatamente de comemoração. O papo girou mais em torno de aperto do que de expansão, passando por crédito travado, seguro rural capenga e um nível de endividamento que já começa a incomodar e tá fazendo muita gente pisar no freio antes de querer investir. A palavra da vez no setor virou renegociação, com ideias como alongamento de dívida e até securitização entrando na mesa.
E como se não bastasse, ainda tem regra nova entrando no campo. Exigências ambientais mais rígidas pra liberar financiamento já tão deixando produtor com a sensação de que precisa passar no cartório antes de passar no banco. A intenção é boa, mas o timing tá dando dor de cabeça. O governo diz que tá ajustando isso internamente, tentando não travar ainda mais o acesso ao crédito.
POR DENTRO DO MERCADO
Corteva separa sementes de defensivos e batiza nova empresa de Vylor

Foto: Divulgação
Tem empresa que faz reorganização interna trocando mesa de lugar. A Corteva foi um pouco além e resolveu dividir a casa em duas. A companhia anunciou que sua divisão de sementes e genética vai virar uma nova empresa chamada Vylor, enquanto a “nova Corteva” fica só com os defensivos. A oficialização desse divórcio deve rolar até o fim do ano.
A Vylor não nasce pequena e nem pedindo espaço na mesa. O negócio de sementes chega com mais de 4 mil patentes de germoplasma, outras 2 mil em biotecnologia e um portfólio que vai de trigo híbrido a milho casca grossa contra doença. Em 2025, esse braço faturou US$ 9,8 bilhões, enquanto os defensivos ficaram na casa dos US$ 7 bilhões. Ou seja, não é exatamente uma startup saindo da garagem.
A lógica por trás da jogada é que separar sementes de químicos ajuda a destravar valor e evita que um problema puxe o outro pra lama, vide o histórico da Bayer com a novela do glifosato. Agora, cada empresa cuida do seu BO, com menos risco cruzado e mais clareza pro investidor entender onde está colocando o dinheiro. De um lado, sementes e genética, com menos exposição a possíveis riscos legais ligados aos químicos. Do outro, defensivos, em um mercado mais competitivo, pressionado e cheio de complexidade regulatória.
E tem simbolismo nisso tudo. A Corteva nasceu de uma grande junção entre Dow, DuPont e Pioneer. Agora ela faz o caminho inverso e divide o que um dia foi juntado pra se adaptar a um mercado mais complexo e pressionado. A Vylor ficará sob comando de Chuck Magro, atual CEO global da Corteva, enquanto a New Corteva será liderada por Luther Kissam. Cada um com seu campo, seu balanço e seus próprios BOs.
QUAL A BOA?
BioSummit leva controle biológico do campo pro curral

Foto: Divulgação
Os bioinsumos cansaram de ficar só no talhão e resolveram pular a cerca. O BioSummit 2026, que rola nos dias 06 e 07 de maio em Campinas (SP), vai ter um painel inédito sobre controle biológico pra uso veterinário e produção animal. O tema ainda tá engatinhando no Brasil, mas lá fora já anda de carrão: o mercado global de biológicos veterinários bateu US$ 16 bilhões em 2025 e pode passar de US$ 22 bilhões anuais até 2031.
A conversa vai passar por avicultura, sanidade animal, nutrição funcional, controle de carrapatos e outros parasitas, além de fermentação de alimentos pra nutrição animal. Ou seja, as bactérias, fungos e companhia querem ajudar não só a planta, mas também o frango, o boi e quem mais estiver na fila da produção.
No geral, o evento reforça que o movimento dos bioinsumos tá longe de ser moda passageira e já virou tendência estrutural. O BioSummit ainda traz debates sobre agricultura regenerativa, saúde do solo, controle de pragas, além de espaço pra negócios e inovação. O agro tá cada vez mais biológico e quem ficar só no químico pode acabar ficando pra trás no curral da inovação.
PAUTA VERDE
Etanol de milho ganha passaporte pra navegar

Gif: Giphy
Enquanto muita gente ainda discute qual é o combustível do futuro, o etanol de milho brasileiro já tá com passagem comprada pra rodar o mundo de navio. O biocombustível feito a partir do milho da safrinha avançou na Organização Marítima Internacional e virou o primeiro a ter sua pegada de carbono definida e aprovada pelo órgão pro uso no transporte marítimo. De quebra ainda saiu na frente de concorrentes como os EUA nessa corrida.
A conta ajuda a explicar o tamanho do feito. O etanol de milho da safrinha ficou com 20,8 g de CO₂ equivalente por megajoule, bem abaixo dos 93,3 g do bunker fuel, o combustível fóssil usado no transporte marítimo. É quase igual trocar um V8 dos anos 60 por um carro elétrico, ou pelo menos híbrido. E isso chega na hora certa, já que o setor marítimo responde por até 3% das emissões globais e tá sendo pressionado a limpar a própria fumaça.
Pro Brasil, a janela é boa. As regras globais de descarbonização da navegação ainda tão sendo fechadas, mas quem chega com biocombustível aprovado larga na frente. E como o milho da safrinha nasce depois da soja, na mesma área, o país tem uma carta forte pra vender eficiência junto com baixo carbono. Agora o agro quer provar que o milho não serve só pra ração, cuscuz e pamonha: também pode ajudar navio a cruzar oceano com menos culpa climática.
MENTES QUE GERMINAM
Solo ganha exame de luz pra revelar o que tá escondido

Foto: Reprodução/Canal Rural
Tem solo que parece quietinho na superfície, mas por baixo tá mais travado que crédito rural com juro alto. Pra entender melhor esse tipo de enrosco, a Universidade Federal do Ceará e a Embrapa Meio Ambiente desenvolveram um método que usa luz, umidade e secagem pra analisar solos coesos, aqueles que criam uma camada dura e compactada logo abaixo da superfície. A tecnologia já foi patenteada pelo INPI e promete um diagnóstico mais rápido, mais barato e com menos química no laboratório.
A técnica usa espectroscopia de reflectância, que lê como a luz bate no solo e volta com informações sobre a composição da terra. É quase um raio-x da terra. Com isso, os pesquisadores conseguem identificar melhor componentes como argilas e substâncias amorfas, ligados à formação dessas camadas endurecidas.
E esse tal solo coeso não tá pra brincadeira. Ele forma camadas endurecidas abaixo da superfície, dificulta o crescimento das raízes, atrapalha a entrada de água e ainda limita a circulação de oxigênio. A planta tenta descer a raiz e o solo responde com um “hoje não”. Esse tipo de solo aparece com força nos Tabuleiros Costeiros, faixa que vai do Amapá ao Rio de Janeiro.
Por enquanto, o método ainda tá onde nasceu, no ambiente científico, mas pode ganhar campo e estufa com o tempo. A tecnologia também pode ajudar no desenvolvimento de soluções como condicionadores de solo, biochars e hidrogéis, usados pra reduzir resistência e melhorar o desempenho produtivo. Se vingar, a análise de solo pode ficar mais rápida, mais limpa e menos cara.
CAMPO ATUALIZADO
Drone entra na guerra contra o carrapato bovino

Foto: Fernando Dias / Ascom Seapi
O carrapato bovino que se cuide, porque agora o inimigo pode vir pelo céu. Pesquisadores no Rio Grande do Sul tão testando um produto biológico aplicado por drones direto nas pastagens, mirando o parasita onde ele passa boa parte da vida. Em vez de encher o boi de químico, a ideia é atacar o esconderijo do vilão.
O produto usa micro-organismos do solo, como fungos e bactérias, selecionados pra atingir o carrapato sem causar danos aos animais, às pessoas ou ao ambiente. A aplicação por drone permite cobrir áreas maiores com mais eficiência, enquanto os pesquisadores avaliam custo-benefício e persistência dos agentes biológicos no solo.
A aposta faz sentido principalmente no Rio Grande do Sul, um dos maiores focos de carrapato bovino das Américas. O uso intenso de carrapaticidas químicos já vem gerando resistência, naquela lógica triste em que quanto mais se usa, menos funciona. Se os testes confirmarem bons resultados, o pecuarista pode ganhar uma ferramenta mais sustentável pra proteger o rebanho, reduzir resíduos e botar o carrapato pra correr.
PLANTÃO RURAL
Embrapa cria selo baixo carbono pra milho e sorgo
A Embrapa lançou um selo de baixo carbono pra milho e sorgo, com métricas científicas pra medir emissões por tonelada produzida. A ideia é provar sustentabilidade com dado, não só com discurso bonito. Em agosto, abre edital pra parcerias.Seguro rural agora vai passar pelo filtro ESG
Desde domingo (3), novas operações de seguro rural precisam de análise ESG. Produtores em áreas embargadas, desmatadas, de preservação, indígenas, quilombolas ou ligados a trabalho análogo à escravidão ficam fora do jogo.Leite em pó importado pode perder disfarce de leite líquido
A CCJ da Câmara aprovou projeto que proíbe vender leite líquido feito com leite em pó importado reconstituído, salvo em caso de desabastecimento. Quem descumprir pode levar multa de até R$ 1 milhão.BrasilAgro vende pedaço de fazenda no Paraguai
A BrasilAgro vendeu 921 hectares da Fazenda Morotí, no Paraguai, por US$ 1,5 milhão. A operação saiu por cerca de US$ 3.062 por hectare útil e reforça a estratégia da empresa de vender terras após valorização. Compra, desenvolve, vende.Adama lucra US$ 82 milhões e cresce 289%
A Adama registrou lucro líquido de US$ 82 milhões no 1º trimestre, alta de 289% sobre 2025. A receita subiu 3,7%, mas os preços seguem pressionados. Na América Latina, as vendas caíram 2%.Soja pode bater recorde de 181,6 milhões de toneladas
A StoneX elevou a previsão da safra brasileira de soja pra 181,62 milhões de toneladas, novo recorde e alta de 7,6% no ano. No milho, a produção total deve ficar perto de 137 milhões de toneladas, abaixo da temporada passada.Ureia dá trégua, mas segue cara
A ureia caiu pela 2ª semana seguida no Brasil e ficou abaixo de US$ 770 por tonelada, segundo a StoneX. Mesmo assim, ainda tá bem acima dos US$ 475 de antes da guerra no Oriente Médio.Fertilizante aperta o bolso do produtor americano
Nos EUA, 70% dos agricultores dizem não ter recursos pra comprar todos os fertilizantes necessários, segundo a American Farm Bureau Federation. Diesel, gasolina e nitrogenados subiram com a guerra no Irã.Marfrig e BRF concluem criação de gigante halal
Marfrig e BRF concluíram a criação da Sadia Halal, joint venture com operação na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. A empresa já nasce com valuation de US$ 2,07 bilhões e plano de IPO em Riade.Foie gras fica perto de proibição no Brasil
A CCJ da Câmara aprovou projeto que proíbe produção e venda de foie gras no Brasil. O prato francês é feito com fígado de patos ou gansos submetidos à alimentação forçada. Se virar lei, o país será o 1º da América Latina com proibição federal ampla.ExpoZebu bate recorde de R$ 254,5 milhões
A 91ª ExpoZebu movimentou R$ 254,5 milhões em 41 leilões oficiais, sem contar os shoppings da feira. O destaque foi o Mega Leilão EAO Fêmeas, com animal vendido por R$ 1,89 milhão. Na genética zebuína, o martelo não bate, ele relincha com cifrão.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Mandioca
Pergunta de hoje: Qual grão do Oriente Médio deu origem ao primeiro pão fermentado da história, há mais de 6 mil anos?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
