APRESENTADO POR

Bom dia!

Hoje tem Corteva anunciando que vai se dividir em duas empresas, separando sementes de defensivos, etanol de milho brasileiro sendo o primeiro biocombustível aprovado pra uso em navios e Desenrola Rural reabrindo com prazo até dezembro e meta de chegar a 800 mil agricultores familiares. No meio disso, pesquisadores testam drone contra carrapato bovino no RS, solo ganha exame de luz pra revelar camadas compactadas e o BioSummit abre amanhã em Campinas com painel inédito sobre biológicos veterinários.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,25 0,00% 5,30 -0,93%
IPCA (%) 4,89 0,59% 4,00 0,00%
PIB (%) 1,85 0,00% 1,75 -2,61%
Selic(% a.a.) 13,00 0,00% 11,00 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

COLHENDO CAPITAL

Desenrola Rural volta pra limpar o CPF de quem bota comida na mesa

Foto: Geirlys Silva / SAF

Dívida no agro é igual tiririca no meio da plantação, quando você acha que arrancou tudo, brota outra do nada pra encher o saco. Pra ajudar a resolver esse BO que tá ferrando a vida do produtor rural, o governo anunciou uma nova fase do Desenrola Rural, com prazo reaberto até 20 de dezembro de 2026 e promessa de ampliar a renegociação para mais agricultores familiares. A ideia é limpar o CPF de quem produz comida e devolver acesso ao crédito.

Segundo o Ministério da Fazenda, o programa já beneficiou cerca de 507 mil produtores. Agora, a meta é passar de 800 mil agricultores familiares atendidos, dentro de um universo estimado em 1,3 milhão de pessoas.

A Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares) vê a medida como continuidade do Desenrola Rural que já tava em andamento, mas avalia que ainda tem muita família que poderia aderir e não entrou. A entidade estima que tem cerca de 800 mil famílias rurais em condições de participar, das quais pelo menos 500 mil poderiam entrar agora. Se a conta fechar, o programa pode chegar a 1 milhão de agricultores familiares no total.

O detalhe é que o governo ainda não abriu o pacote completo das novas condições de crédito. E aí fica aquele clima de anúncio com trailer bonito, mas sem data de estreia do filme inteiro. Pra quem tá com dívida antiga travando acesso ao financiamento, desconto, prazo e taxa fazem toda a diferença entre voltar a produzir com fôlego ou só trocar um boleto pelo outro.

Mesmo elogiando a medida, a Contag cobra que o programa olhe também pra agricultores com dívidas fora das linhas subsidiadas, como casos que não entram no Pronaf ou nos Fundos Constitucionais de Financiamento. Porque, no fim das contas, limpar o nome é importante, mas o produtor também precisa de crédito que caiba na realidade da lavoura. Senão desenrola de um lado e enrola de novo do outro.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Plano Safra pode passar de R$ 600 bilhões, mas juros ainda embaçam o crédito

Foto: Mapa

Se dinheiro anunciado resolvesse tudo, o agro já tava tranquilo. O próximo Plano Safra, que deve sair no começo de junho, tá sendo desenhado pra vir na casa dos R$ 600 bilhões, podendo encostar nos R$ 625 bilhões pedidos pela CNA. Na teoria, é um upgrade em relação aos R$ 516 bilhões do ciclo anterior. Na prática, o produtor quer saber se esse dinheiro vai cair na conta ou ficar só bonito na coletiva.

E aí entra o elefante na sala, que atende pelo nome de juros. Hoje, não adianta liberar crédito se a conta não fecha lá na ponta. O próprio ministro André de Paula reconheceu que o desafio é equalizar essas taxas, porque do jeito que tá, tem produtor olhando o financiamento e preferindo nem se arriscar.

Enquanto isso, o clima na visita do ministro na Sociedade Rural Brasileira, onde ele falou do Plano Safra, não foi exatamente de comemoração. O papo girou mais em torno de aperto do que de expansão, passando por crédito travado, seguro rural capenga e um nível de endividamento que já começa a incomodar e tá fazendo muita gente pisar no freio antes de querer investir. A palavra da vez no setor virou renegociação, com ideias como alongamento de dívida e até securitização entrando na mesa.

E como se não bastasse, ainda tem regra nova entrando no campo. Exigências ambientais mais rígidas pra liberar financiamento já tão deixando produtor com a sensação de que precisa passar no cartório antes de passar no banco. A intenção é boa, mas o timing tá dando dor de cabeça. O governo diz que tá ajustando isso internamente, tentando não travar ainda mais o acesso ao crédito.

POR DENTRO DO MERCADO

Corteva separa sementes de defensivos e batiza nova empresa de Vylor

Foto: Divulgação

Tem empresa que faz reorganização interna trocando mesa de lugar. A Corteva foi um pouco além e resolveu dividir a casa em duas. A companhia anunciou que sua divisão de sementes e genética vai virar uma nova empresa chamada Vylor, enquanto a “nova Corteva” fica só com os defensivos. A oficialização desse divórcio deve rolar até o fim do ano.

A Vylor não nasce pequena e nem pedindo espaço na mesa. O negócio de sementes chega com mais de 4 mil patentes de germoplasma, outras 2 mil em biotecnologia e um portfólio que vai de trigo híbrido a milho casca grossa contra doença. Em 2025, esse braço faturou US$ 9,8 bilhões, enquanto os defensivos ficaram na casa dos US$ 7 bilhões. Ou seja, não é exatamente uma startup saindo da garagem.

A lógica por trás da jogada é que separar sementes de químicos ajuda a destravar valor e evita que um problema puxe o outro pra lama, vide o histórico da Bayer com a novela do glifosato. Agora, cada empresa cuida do seu BO, com menos risco cruzado e mais clareza pro investidor entender onde está colocando o dinheiro. De um lado, sementes e genética, com menos exposição a possíveis riscos legais ligados aos químicos. Do outro, defensivos, em um mercado mais competitivo, pressionado e cheio de complexidade regulatória.

E tem simbolismo nisso tudo. A Corteva nasceu de uma grande junção entre Dow, DuPont e Pioneer. Agora ela faz o caminho inverso e divide o que um dia foi juntado pra se adaptar a um mercado mais complexo e pressionado. A Vylor ficará sob comando de Chuck Magro, atual CEO global da Corteva, enquanto a New Corteva será liderada por Luther Kissam. Cada um com seu campo, seu balanço e seus próprios BOs.

QUAL A BOA?

BioSummit leva controle biológico do campo pro curral

Foto: Divulgação

Os bioinsumos cansaram de ficar só no talhão e resolveram pular a cerca. O BioSummit 2026, que rola nos dias 06 e 07 de maio em Campinas (SP), vai ter um painel inédito sobre controle biológico pra uso veterinário e produção animal. O tema ainda tá engatinhando no Brasil, mas lá fora já anda de carrão: o mercado global de biológicos veterinários bateu US$ 16 bilhões em 2025 e pode passar de US$ 22 bilhões anuais até 2031.

A conversa vai passar por avicultura, sanidade animal, nutrição funcional, controle de carrapatos e outros parasitas, além de fermentação de alimentos pra nutrição animal. Ou seja, as bactérias, fungos e companhia querem ajudar não só a planta, mas também o frango, o boi e quem mais estiver na fila da produção.

No geral, o evento reforça que o movimento dos bioinsumos tá longe de ser moda passageira e já virou tendência estrutural. O BioSummit ainda traz debates sobre agricultura regenerativa, saúde do solo, controle de pragas, além de espaço pra negócios e inovação. O agro tá cada vez mais biológico e quem ficar só no químico pode acabar ficando pra trás no curral da inovação.

PAUTA VERDE

Etanol de milho ganha passaporte pra navegar

Gif: Giphy

Enquanto muita gente ainda discute qual é o combustível do futuro, o etanol de milho brasileiro já tá com passagem comprada pra rodar o mundo de navio. O biocombustível feito a partir do milho da safrinha avançou na Organização Marítima Internacional e virou o primeiro a ter sua pegada de carbono definida e aprovada pelo órgão pro uso no transporte marítimo. De quebra ainda saiu na frente de concorrentes como os EUA nessa corrida.

A conta ajuda a explicar o tamanho do feito. O etanol de milho da safrinha ficou com 20,8 g de CO₂ equivalente por megajoule, bem abaixo dos 93,3 g do bunker fuel, o combustível fóssil usado no transporte marítimo. É quase igual trocar um V8 dos anos 60 por um carro elétrico, ou pelo menos híbrido. E isso chega na hora certa, já que o setor marítimo responde por até 3% das emissões globais e tá sendo pressionado a limpar a própria fumaça.

Pro Brasil, a janela é boa. As regras globais de descarbonização da navegação ainda tão sendo fechadas, mas quem chega com biocombustível aprovado larga na frente. E como o milho da safrinha nasce depois da soja, na mesma área, o país tem uma carta forte pra vender eficiência junto com baixo carbono. Agora o agro quer provar que o milho não serve só pra ração, cuscuz e pamonha: também pode ajudar navio a cruzar oceano com menos culpa climática.

MENTES QUE GERMINAM

Solo ganha exame de luz pra revelar o que tá escondido

Foto: Reprodução/Canal Rural

Tem solo que parece quietinho na superfície, mas por baixo tá mais travado que crédito rural com juro alto. Pra entender melhor esse tipo de enrosco, a Universidade Federal do Ceará e a Embrapa Meio Ambiente desenvolveram um método que usa luz, umidade e secagem pra analisar solos coesos, aqueles que criam uma camada dura e compactada logo abaixo da superfície. A tecnologia já foi patenteada pelo INPI e promete um diagnóstico mais rápido, mais barato e com menos química no laboratório.

A técnica usa espectroscopia de reflectância, que lê como a luz bate no solo e volta com informações sobre a composição da terra. É quase um raio-x da terra. Com isso, os pesquisadores conseguem identificar melhor componentes como argilas e substâncias amorfas, ligados à formação dessas camadas endurecidas.

E esse tal solo coeso não tá pra brincadeira. Ele forma camadas endurecidas abaixo da superfície, dificulta o crescimento das raízes, atrapalha a entrada de água e ainda limita a circulação de oxigênio. A planta tenta descer a raiz e o solo responde com um “hoje não”. Esse tipo de solo aparece com força nos Tabuleiros Costeiros, faixa que vai do Amapá ao Rio de Janeiro.

Por enquanto, o método ainda tá onde nasceu, no ambiente científico, mas pode ganhar campo e estufa com o tempo. A tecnologia também pode ajudar no desenvolvimento de soluções como condicionadores de solo, biochars e hidrogéis, usados pra reduzir resistência e melhorar o desempenho produtivo. Se vingar, a análise de solo pode ficar mais rápida, mais limpa e menos cara.

CAMPO ATUALIZADO

Drone entra na guerra contra o carrapato bovino

Foto: Fernando Dias / Ascom Seapi

O carrapato bovino que se cuide, porque agora o inimigo pode vir pelo céu. Pesquisadores no Rio Grande do Sul tão testando um produto biológico aplicado por drones direto nas pastagens, mirando o parasita onde ele passa boa parte da vida. Em vez de encher o boi de químico, a ideia é atacar o esconderijo do vilão.

O produto usa micro-organismos do solo, como fungos e bactérias, selecionados pra atingir o carrapato sem causar danos aos animais, às pessoas ou ao ambiente. A aplicação por drone permite cobrir áreas maiores com mais eficiência, enquanto os pesquisadores avaliam custo-benefício e persistência dos agentes biológicos no solo.

A aposta faz sentido principalmente no Rio Grande do Sul, um dos maiores focos de carrapato bovino das Américas. O uso intenso de carrapaticidas químicos já vem gerando resistência, naquela lógica triste em que quanto mais se usa, menos funciona. Se os testes confirmarem bons resultados, o pecuarista pode ganhar uma ferramenta mais sustentável pra proteger o rebanho, reduzir resíduos e botar o carrapato pra correr.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Mandioca

Pergunta de hoje: Qual grão do Oriente Médio deu origem ao primeiro pão fermentado da história, há mais de 6 mil anos?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

Keep Reading