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Bom dia!

Hoje tem produtor paranaense que perdeu 100% da lavoura de feijão depois de 62 dias com só 12mm de chuva, Agrishow fechando com queda de 22% nos negócios mesmo com público cheio em Ribeirão Preto e Mercosul que mal fechou com a Europa e já tá de olho no Canadá. No meio disso, uma startup francesa quer combater praga pelo cheiro, o Senangus chega prometendo juntar carne premium com rusticidade tropical e uma startup argentina refloreста áreas degradadas com drone e sementes tunadas.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

QUAL A BOA?

Agrishow encolhe 22% e fecha em R$ 11,4 bilhões em intenções

Foto: Reprodução/Instagram/CNN Agro

Tem ano que a feira vira shopping a céu aberto, com produtor empolgado e comprando a rodo, mas tem ano em que vira só um passeio pra dar uma olhadinha nas novidades de perto. A Agrishow 2026 ficou no meio do caminho e fechou com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, uma queda de 22% na comparação com o ano passado. O número ainda é bilionário, mas já mostra que o bolso do produtor tá mais seletivo, principalmente pra máquinas, irrigação e armazenagem.

E olha que gente não faltou. Foram 197 mil visitantes em 5 dias, quase o mesmo público de 2025, o que surpreende levando em conta o aumento dos preços de ingressos, estacionamento e da alimentação lá dentro da feira, sem falar da hospedagem em Ribeirão Preto (SP) que tá parecendo a COP 30 do ano passado.

O freio de mão puxado tem aquela velha explicação de sempre. Juros altos, crédito mais caro e commodities sem aquele brilho todo tão deixando o produtor mais cauteloso. Não à toa, as vendas de máquinas agrícolas já caíram quase 20% no primeiro trimestre. Mesmo assim, os organizadores seguem otimistas pros próximos anos, com expectativa de crescimento e de uma maior estabilização do cenário mundial e local.

DE OLHO NO PORTO

Mercosul mal fechou com a Europa e já tá de olho no Canadá

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Gif: Giphy

O Mercosul parece ter entrado naquela fase de quem atualizou o perfil no LinkedIn e tá expandindo o networking e recebendo uma proposta atrás da outra. Depois de fazer o acordo com a União Europeia andar, o bloco avançou nas negociações de livre comércio com o Canadá. A 9ª rodada rolou entre 27 e 30 de abril, em Brasília, e deixou 3 capítulos perto da conclusão. Ainda não tem papel assinado, mas já tem diplomata sorrindo.

Na mesa, entrou de tudo um pouco: comércio de bens, serviços, regras de origem, propriedade intelectual, barreiras sanitárias, compras governamentais, comércio sustentável e relações de trabalho. A próxima rodada ficou marcada pra maio, quando os negociadores vão tentar destravar o que ainda falta. O acordo ainda não saiu do forno, mas o Mercosul já mostra que quer diversificar os destinos e parar de depender sempre dos mesmos clientes. Depois da Europa, agora é o Canadá no radar.

COLHENDO CAPITAL

Produtor perde a safra toda pra seca no Paraná

Foto: Airton Jula/Arquivo pessoal

No Paraná, o clima resolveu entrar em campo sem fair play. Em Prudentópolis, o produtor Airton Felipe Jula perdeu 100% da lavoura de feijão depois de 62 dias com só 12 mm de chuva. A expectativa era colher 25 sacas por hectare em 24 hectares, mas a água chegou tarde demais.

O estrago foi tão grande que ele nem vai colher, porque o pouco que sobrou não paga nem o custo da operação. E a fase não tá fácil. No ano passado, a lavoura já tinha apanhado da mosca branca. Agora, levou rasteira da seca. O resultado é o mesmo: conta no vermelho e aquela sensação de trabalhar meses pra ver a lavoura evaporar.

Os números do estado confirmam que ele não é um caso isolado. A 1ª safra de feijão do Paraná foi revisada pra 189 mil toneladas, queda de 44% contra 2025. Na 2ª safra, a estimativa caiu pra 377 mil toneladas, 30% abaixo do ano passado. As chuvas recentes até ajudaram algumas áreas mais atrasadas, mas pra mais de 25% das lavouras vieram bem atrasadas.

E o milho também entrou no drama. Jula estima quebra de 70%, com colheita entre 25 e 30 sacas por hectare. Já Agnaldo da Silva Leite, do noroeste do estado, fala em uma perda de 40% em 250 hectares, depois de 2 veranicos e mais de 20 dias sem chuva no ciclo. Segundo ele, andar pela fazenda dá até pavor, pra onde olha tem lavoura irregular, espiga mal formada e prejuízo no bolso.

Sem seguro nas 2 culturas, a esperança agora tá na soja que vem depois. Jula já disse que tá acendendo vela pra todos os santos, e dá pra entender. No agro, dá pra escolher semente, adubo, manejo e janela de plantio. Mas quando o céu resolve fazer greve, a lavoura vira refém do boletim do tempo e o produtor vira especialista em fé aplicada.

SAFRA DE CIFRAS

Agriodor quer combater praga no perfume e fazer o agro ganhar pelo cheirinho

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Gif: Giphy

Tem startup que vende software, tem startup que vende dado… e tem startup que resolveu vender cheiro. A francesa Agriodor levantou € 15 milhões, algo perto de R$ 88 milhões, pra transformar perfume em arma contra praga e colocou o Brasil no radar como prioridade fora da Europa. Literalmente tentando ganhar o agro pelo nariz.

A ideia é simples na teoria e bem nerd na prática. Em vez de sair matando inseto, a empresa usa aromas naturais pra atrair, repelir ou atrapalhar o ciclo de insetos-praga, como pulgões, mosca-das-frutas, mosca-branca e tripes. A praga acha que tá indo pro almoço e acaba caindo numa pegadinha botânica. Controle biológico versão eau de lavoura.

A tecnologia já roda na Europa, onde a Agriodor trabalha com a Syngenta no controle de pulgões na beterraba. Agora, o plano é expandir o portfólio pras outras pragas. A promessa da startup é lançar produtos com custo até 10 vezes menor e desenvolvimento 2 vezes mais rápido que inseticidas convencionais. Nada mal pra quem começou com um pós-doc e uma ideia diferentona.

No Brasil, a estratégia vai ser começar com frutas, hortaliças e até flores, mercados mais rápidos pra testar aceitação e retorno. Grãos ficam pro segundo tempo, quando o time já estiver mais entrosado por aqui. A empresa já vem flertando com o país e até tem parceria de desenvolvimento com a Esalq/USP, além de conversas com possíveis parceiros comerciais. Porque aqui não dá pra chegar achando que é só trocar o rótulo e vender.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Senangus entra no pasto querendo unir churrasco premium e calorão brasileiro

Foto: Diogo Bianchi/Divulgação

No mundo ideal da pecuária, o boi entregaria carne macia, ganharia peso bem, aguentaria o calor, não surtaria no manejo e ainda seria tranquilinho no pasto, só que tudo isso parecia ser um combo saído direto do sonho de algum pecuarista. Mas é mais ou menos nessa pegada que nasceu o Senangus, um cruzamento entre Senepol e Angus que tá ganhando espaço no Brasil. A nova raça bovina promete juntar a carne premium do Angus com a rusticidade tropical do Senepol, o melhor dos dois mundos.

A mistura faz sentido. O Angus chega com marmoreio, maciez e aquele currículo de boi queridinho dos frigoríficos. Já o Senepol vem acostumado com calor, carrapato, parasitas e vida real no campo. O resultado é um animal pensado pra produzir carne de alto valor em regiões onde o Angus puro teria mais dificuldade que turista europeu no verão brasileiro.

E não é só conversa bonita de catálogo. Em testes no Brasil, animais com genética Senepol bateram ganho de peso de 1,55 kg por dia, bem acima da meta padrão de 1 kg. Soma isso com docilidade no manejo e menor estresse e você tem um pacote que começa a fazer sentido na conta final. Não à toa, já tem produtor apostando pesado, inclusive com transferência de embriões pra acelerar o jogo.

No campo brasileiro, onde o Nelore reina, o Senangus entra como peça estratégica no cruzamento industrial. A ideia é usar o vigor híbrido pra gerar animais mais produtivos, resistentes e com carne de melhor qualidade sem depender só de confinamento.

PAUTA VERDE

Startup argentina quer reflorestar com drone, semente tunada e olho no Brasil

Foto: Divulgação/Re-Forest Latam/Contxto

A Re-Forest Latam olhou pra restauração de florestas nativas e pensou que plantar árvore no braço, uma por uma, talvez não fosse exatamente o melhor plano pra encarar uma crise ambiental em escala continental. A startup de Tucumán, na Argentina, nasceu em 2023 e combina drones, biotecnologia e análise por satélite pra restaurar áreas degradadas com mais velocidade e custo menor. É reflorestamento com cara de laboratório, GPS e um pezinho no agro 5.0.

O xodó da empresa são as iSeeds, umas cápsulas biodegradáveis feitas sob medida pra cada espécie e região. Dentro delas vai semente nativa, microrganismo, bactéria, fungo, fibra orgânica, nutriente e até extrato botânico com função inseticida. É quase uma marmitinha fit feita pra árvore nascer com vantagem competitiva. Segundo a empresa, a efetividade pode ser até 25 vezes maior que a regeneração natural assistida, com validação em operações no Brasil.

A entrega fica por conta dos drones, que espalham milhares de sementes por dia em áreas onde colocar equipe humana seria quase um episódio de Largados e Pelados. Antes disso, a startup usa satélites, sensores multiespectrais e mapeamento geográfico pra entender o solo, o relevo e a cobertura vegetal. Ou seja, não é sair jogando semente igual arroz em casamento. A ideia é plantar com precisão, acompanhar de perto e provar no campo que a floresta realmente tá voltando.

Com operação na Argentina, no Brasil e na Bolívia, a Re-Forest já captou mais de US$ 1 milhão e mira um mercado global de US$ 1,2 bilhão até 2030. O alvo são empresas com passivo ambiental, donos de terra e governos atrás de meta climática. A promessa é restaurar por 1/5 do custo médio na América Latina. Se funcionar, a floresta ganha reforço, o carbono entra na planilha e o drone troca a fama de brinquedo caro por serviço de jardineiro high tech.

HORA DO CAFÉ

La Tortura de não saber que Shakira já colocou um pézinho no agro

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Gif: Giphy

Se você acha que a Shakira só vive de hit global, coreografia que ninguém consegue imitar direito e música de Copa do Mundo, saiba que ela já flertou com o agro também. Em 2019, a colombiana entrou como investidora na High Brew Coffee, uma marca de café gelado em lata nos Estados Unidos. Basicamente um “espresso to go” enlatado e com selo popstar.

Mas não foi só marketing com glitter e cafeína. A cantora também quis conectar o negócio com a origem, apoiando produtores da Colômbia, país que joga pesado no café. Pra se ter noção, são cerca de 13,8 milhões de sacas por safra, algo perto de 8% da produção mundial, ficando atrás só do Brasil e do Vietnã.

Na época, a conexão ficou ainda mais forte porque a marca utilizava grãos vindos da Cooperativa de Los Andes, na Colômbia. E mais, parte do lucro das vendas era destinada às famílias produtoras. No fim, é aquele combo que o agro gosta: storytelling, origem, impacto social e um toque de celebridade pra dar aquela turbinada no marketing. Só que, nesse caso, com trilha sonora internacional e um leve aroma de hit dos anos 2000.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Jaca

Pergunta de hoje: Qual raiz brasileira foi levada pelos portugueses para a África e hoje alimenta milhões de pessoas por lá?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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