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Bom dia!

Hoje tem pesquisadora da Embrapa entrando na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, diesel que pode custar R$ 612 milhões ao agro gaúcho só nesta safra e China suspendendo habilitação de unidade de frigorífico brasileiro por resíduo de medicamento veterinário. No meio disso, a CNA foi ao STF pedir a suspensão da trava no crédito rural por desmatamento, a Lavoro tenta apagar boato que correu mais rápido que qualquer nota oficial e o agro fecha o 1º trimestre com recorde de exportações.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

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MERCADO
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SMTO3 R$17,38 14,95%
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Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

Mariangela Hungria entra na Time e bota a ciência do agro no topo

Foto: Antônio Neto/Embrapa

No meio de tanta notícia sobre guerra, tarifa, boi caro e mercado de mau humor, o agro brasileiro ganhou uma manchete daquelas que enchem todo mundo de orgulho. A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, entrou na lista Time100 de 2026, que reúne as 100 pessoas mais influentes do mundo, na categoria Pioneiros. É um reconhecimento que coloca o nome dela no mapa global e, de quebra, joga luz em algo que o Brasil faz muito bem, mas nem sempre recebe aplauso à altura, ciência aplicada de verdade, daquelas que saem do laboratório e viram resultado no campo.

E ela não tá ali por acaso e nem por ter currículo bonito. O trabalho dela ajudou a transformar a microbiologia do solo e a fixação biológica de nitrogênio em ferramenta concreta de produtividade, economia e sustentabilidade. Em outras palavras, ela ajudou a provar que dava pra produzir mais, gastar menos e depender menos de fertilizante sintético. Num setor acostumado a ouvir que produtividade e sustentabilidade vivem em briga, ela passou anos mostrando que as 2 podem, sim, sentar na mesma mesa.

Os números ajudam a explicar o tamanho da façanha. Hoje, 85% da soja brasileira é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes nitrogenados sintéticos, e as inovações ligadas ao trabalho da pesquisadora ajudaram os agricultores a economizar algo perto de US$ 25 bilhões por ano. E o melhor é que não se trata só de cortar custo. Tem também menos resíduo químico, mais saúde pro solo e uma produção que conversa melhor com essa pressão global por sustentabilidade, rastreabilidade e alimento mais limpo.

Quem é Mariangela Hungria?

Mariangela tem uma bagagem das grandes nos laboratórios e campos brasileiros, ela tá na Embrapa desde o começo dos anos 1980 e, de lá pra cá, já lançou mais de 30 tecnologias, acumula mais de 500 publicações científicas e já orientou mais de 200 estudantes. Em 2025, ela levou o World Food Prize, que as pessoas chamam de Nobel da Agricultura, e agora emenda a Time100. O que chama atenção é que, enquanto muita inovação gosta de chegar com marra de revolução, a dela foi se espalhando do jeito mais eficiente possível, entrando na rotina do produtor pouco a pouco, ganhando escala e mudando o jogo sem precisar fazer muito barulho.

A presença de Mariangela Hungria nessa lista tem um simbolismo pra lá de bonito pro agro e pra ciência brasileira. Não é só sobre uma brasileira numa lista famosa. É sobre o mundo olhar pra pesquisa feita aqui e reconhecer que parte importante do futuro da comida, do solo e da produtividade pode estar saindo não de um laboratório qualquer, mas de uma cientista da Embrapa que passou décadas fazendo bactéria trabalhar mais do que muito insumo caro.

SAFRA DE CIFRAS

Agro gaúcho pode perder R$ 612 milhões com alta do diesel

Foto: Ale/Reprodução

O diesel resolveu pesar ainda mais no bolso do agro gaúcho e virou um dos grandes vilões da temporada. Segundo um estudo da Farsul, a disparada do combustível no Rio Grande do Sul deve gerar um custo extra direto de R$ 612,2 milhões nas operações mecânicas das principais lavouras do estado.

entre o fim de fevereiro e o começo de abril, o preço médio do diesel S10 subiu 21,1% e bateu R$ 7,23 por litro, embalado pela tensão no Oriente Médio e pela escalada do petróleo.

O arroz aparece como o saco de pancada dessa crise. O aumento do diesel significa um custo extra de R$ 185,72 por hectare, ou quase 3 sacos por hectare indo embora só pra manter a operação rodando. E como o arroz já tá naquele ponto em que mal paga o custo operacional, perder 3 sacos por hectare é quase pedir pra margem assinar um atestado de óbito. A soja sente menos, com impacto de R$ 48,74 ou 0,41 saco por hectare, mas como ocupa uma área muito maior, acaba puxando o maior prejuízo agregado do estado, com R$ 331,2 milhões.

Pra piorar, o diesel não sobe igual pra todo mundo. Em Porto Alegre, o litro médio tá em R$ 7,05, enquanto em Bagé já encosta em R$ 7,95, uma diferença de R$ 0,90 que muda bastante o tamanho da dor conforme o CEP da fazenda. E a Farsul ainda faz um alerta daqueles que estragam qualquer resto de otimismo. Se o diesel parar em R$ 8, o impacto no agro gaúcho sobe pra R$ 986,3 milhões. Se for a R$ 9, o rombo vai a R$ 1,47 bilhão. É um prejuízo exponencial.

O AGRO EM NÚMEROS

Agro exporta em ritmo recorde e vendas de máquinas emperram aqui dentro

Gif: windsunskyent on Giphy

O agro brasileiro segue fazendo caixa com força no mercado externo. Em março, as exportações somaram US$ 15,4 bilhões, uma leve escorregada de 0,7% na comparação com o mesmo mês de 2025, mas ainda com fôlego pra garantir um superávit de responsa, US$ 13,5 bilhões.

No acumulado do 1º trimestre, o setor cravou recorde de US$ 38 bilhões em vendas, alta de 0,9%, com saldo positivo de US$ 33 bilhões. A soja continua dona da festa, com US$ 12,1 bilhões embarcados no trimestre, enquanto as proteínas animais também seguiram fortes, com US$ 8,12 bilhões. O detalhe é que o volume exportado subiu 3,8%, mas o preço médio caiu 2,8%, ou seja, o agro tá vendendo mais, só que também tá precisando suar um pouco mais pra fechar a mesma conta.

E enquanto o navio vai cheio, a concessionária de máquina tá vendo o produtor passar cada vez mais longe. A Anfavea prevê que a venda de máquinas agrícolas vai cair 6,2% em 2026, pra 46,7 mil unidades, marcando o 5º ano seguido de retração. Juros altos, crédito travado e margem apertada tão fazendo muita colheitadeira nova virar só desejo de catálogo.

DE OLHO NO PORTO

China trava exportação de unidade da Frigosul em Várzea Grande (MT)

Foto: Divulgação

A China viu coisa que não gostou na carne brasileira e suspendeu a habilitação de uma unidade operada pelo grupo Frigosul, em Várzea Grande (MT), depois de encontrar resíduos de acetato de medroxiprogesterona, um hormônio usado no controle reprodutivo dos animais, em um lote exportado de carne bovina congelada. A substância é usada como medicamento veterinário, mas, pela lei chinesa, não pode ser usada em animais que vão virar comida.

A planta afetada tá sob operação da Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados, que é do grupo Frigosul, e teve as novas declarações de importação suspensas temporariamente a partir de 13 de abril. A Abiec disse que tá de olho no caso junto com o Ministério da Agricultura e reforçou que a medida tem caráter preventivo, pra dar mais rastreabilidade de matéria-prima e ajudar na adoção das providências necessárias. O resto da boiada segue andando, mas essa unidade vai ficar um tempo no banco olhando o jogo e tentando explicar o lance no VAR sanitário.

O problema é que esse tropeço acontece justamente com o cliente que mais pesa na balança da carne brasileira. Só em março, a China levou 105,4 mil toneladas, 38,9% do volume total exportado, com receita de US$ 603,1 milhões. No acumulado do ano, já são mais de 335 mil toneladas embarcadas, acima de 40% das exportações do país, num cenário em que a cota anual de 1,1 milhão de toneladas já tá sendo devorada em ritmo acelerado.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

CNA vai ao STF contra trava no crédito rural por desmatamento ilegal

Foto: Ascom/STF

Conseguir crédito no agro já não é exatamente um passeio no parque. Agora, além de juro alto, margem apertada e banco olhando torto, entrou mais um fiscal na história: o satélite. A CNA foi ao STF pedir a suspensão da norma do CMN que começou a exigir, no começo desse mês, o uso de dados do Prodes na análise de crédito rural. Na visão da entidade, o problema é que o sistema pode colocar no mesmo balaio desmatamento ilegal, área legalmente autorizada e até situações como renovação de pomar ou corte de eucalipto, travando financiamento antes mesmo de o produtor conseguir se explicar.

A bronca da CNA é que a regra virou uma espécie de punição de bate-pronto. Segundo a entidade, enquanto o banco avalia os documentos apresentados pelo produtor, o crédito fica congelado, e isso num momento em que muita gente já tá operando com a margem no osso, fertilizante caro, commodity sem muito brilho e pouca reserva pra segurar mais uma pancada.

A confederação argumenta que tirar o acesso ao financiamento nessas condições é praticamente condenar o produtor a não plantar ou a tocar a safra no improviso. E ainda dizem que a medida fere princípios como presunção de inocência, contraditório e ampla defesa, além de trazer mais insegurança jurídica num momento em que muita gente no campo já tá operando sem gordura pra absorver mais um susto.

Por trás da disputa, tem uma briga maior sobre quem vai carregar esse piano da fiscalização ambiental dentro do crédito rural. A norma atual jogou pros bancos a tarefa de usar sensoriamento remoto e monitoramento por satélite, mas muita gente no setor acha que faltou diálogo, filtro fino e conexão melhor com instrumentos como CAR e PRA. Do outro lado, as instituições financeiras defendem que rastrear risco ambiental já virou parte do jogo e não tem pra onde fugir, é só aceitar que as regras mudaram.

COLHENDO CAPITAL

Lavoro tenta apagar incêndio enquanto boatos viram gasolina

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A AGI ainda tá nos primeiros capítulos da arrumação da Lavoro e já teve que lidar com um velho conhecido de empresa em crise, o boato que corre mais rápido que qualquer comunicado oficial. Desde que assumiu a rede de revendas agrícolas montada pelo Pátria, a gestora especializada em ativos estressados vem tocando uma reestruturação que inclui demissões, revisão de portfólio e mudanças operacionais.

No meio dessa faxina, começaram a circular mensagens de WhatsApp dizendo que a Lavoro estaria fechando as portas. A empresa reagiu com nota oficial, negou o conteúdo e disse que vai atrás de medidas legais contra o que chamou de fake news pra desestabilizar a companhia.

O problema é que o ambiente já tava sensível o bastante pra qualquer barulhinho virar sirene. Um dos gatilhos foi a decisão de sair das vendas de insumos pra área florestal, um segmento que atendia clientes de peso da silvicultura, inclusive gente grande da celulose.

A mudança bateu forte no Sul e ainda veio acompanhada de uma comunicação confusa, o que abriu espaço pra interpretação torta. Teve quem entendesse que a Lavoro estava desmontando toda a operação B2B, mas, segundo fontes próximas à companhia, não é nada disso. A área segue de pé.

Esse episódio mostra que a AGI não vai ter só planilha e corte de custo pela frente. Vai precisar também de extintor pra apagar incêndio especulativo. Numa empresa desse tamanho, notícia mal explicada vira boato, boato vira pânico e pânico vira mais problema pra quem já tava ocupado tentando salvar margem, operação e credibilidade.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Quinoa

Pergunta de hoje: Qual leguminosa, domesticada na Ásia há mais de 5 mil anos, hoje é base para produzir proteína vegetal no mundo todo?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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