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Hoje tem credores da Raízen propondo ficar com 90% da empresa em troca de alívio na dívida, Brasil abrindo investigação de dumping contra proteína de soja vinda da China e Embrapa desenvolvendo uma IA que promete responder perguntas do produtor sem inventar resposta. No meio disso, o boi caro está apertando tanto a margem dos frigoríficos que algumas plantas já pararam, a Conab revisou a safra de grãos pra cima e a Justiça de SP travou a venda de áreas de pesquisa agrícola do estado.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Ibovespa passa dos 199 mil e bate recorde de novo. O Ibovespa renovou recorde nesta terça-feira (14) e ultrapassou os 199 mil pontos pela 1ª vez. O humor mais tranquilo do mercado e a expectativa de uma nova rodada de negociação entre EUA e Irã foram as principais alavancas.
SAFRA DE CIFRAS
Credores querem 90% da Raízen e a conta já tá batendo na porta da governança

Foto: Divulgação
A crise da Raízen tá parecendo série de streaming, toda hora tem alguma coisa nova, um plot twist, um novo personagem, um novo vilão ou uma mudança no enredo. Segundo informações da Bloomberg, os credores e os detentores de títulos da companhia fizeram uma contraproposta pra converter 45% da dívida em troca de 90% de participação na empresa. Na prática, a Raízen ganharia um certo alívio na fatura, mas os atuais acionistas veriam o controle escorrer pelas mãos num belo e dolorido banho de diluição.
A proposta entra no pacote da reestruturação extrajudicial iniciada em março, depois de a companhia acumular algo perto de R$ 65 bilhões em dívidas. A empresa vem apanhando de juros altos, investimentos que ainda não deram o retorno prometido e problemas operacionais nas divisões de açúcar e etanol. A ideia era resolver tudo fora da Justiça, costurando um acordo direto com os credores e evitando uma recuperação judicial formal. O problema é que, pelo visto, os credores não tão dispostos a oferecer boia sem pedir a chave do barco como garantia.
Pra piorar o que já tava ruim, bancos como Itaú e Bradesco já ameaçam cortar crédito para outras empresas da Cosan, uma das controladoras da Raízen, caso não apareça uma solução logo. Além da fatia gigante no capital, os credores também querem mais influência na gestão, o que escancara o tamanho da desconfiança do mercado com a capacidade da empresa de sair dessa do jeito que tá. O prazo final pro acordo é 6 de junho, e até lá a Raízen vai ter que provar que ainda consegue negociar sem jogar a toalha.
ASSUNTO DE GABINETE
Justiça breca governo de SP e segura venda de áreas de pesquisa

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A Justiça de São Paulo decidiu manter travada a audiência pública que abriria caminho pra venda de 35 áreas públicas de pesquisa agrícola no estado. O Tribunal de Justiça negou o recurso do governo paulista e confirmou o entendimento de primeira instância, numa sinalização de que esse tipo de patrimônio científico não pode ser tratado como um terreno qualquer que se coloca nos anunciados com pressa e um aviso no Diário Oficial. Quando o assunto envolve décadas de pesquisa, experimento e conhecimento acumulado, a régua sobe e a burocracia também.
Os desembargadores entenderam que a venda dessas áreas depende de autorização prévia e específica da Assembleia Legislativa, e que a tal autorização genérica prevista numa lei de 2016 não resolve a parada. Também pesou contra o governo a forma como a audiência foi convocada, sem disponibilizar do jeito certo os estudos técnicos e sem garantir uma participação qualificada de quem tem interesse direto no tema.
A treta tá rolando desde o ano passado e mexe com um ponto sensível, o peso dessas áreas no desenvolvimento agrícola do estado. A Associação dos Pesquisadores Científicos sustenta que ali não tem só terra, tem história, experimentação, conhecimento acumulado e base pra inovação no campo. Do lado do governo, a Secretaria de Agricultura informou que recorreu e segue acompanhando os desdobramentos.
O AGRO EM NÚMEROS
Grãos sobem, café anima e o sorgo entra forte no jogo em dia de muitas revisões

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O agro brasileiro segue fazendo o que sabe de melhor, colocar número grande na mesa. A Conab elevou a projeção pra safra de grãos 2025/26 e agora fala em 356,3 milhões de toneladas, 2,9 milhões acima da conta do mês passado e 1,2% acima da colheita de 2024/25. A soja puxou a fila com força e deve chegar a 179,2 milhões de toneladas, novo recorde e alta de 4,5%. O milho também entrou no reajuste e foi estimado em 139,6 milhões de toneladas. Ainda assim, vem com leve recuo de 1,1% na comparação anual. No meio desse caminhão de grãos, arroz, feijão, algodão e trigo aparecem num ritmo bem menos animado, pra mostrar que safra recorde nunca distribui sorriso por igual.
O IBGE veio na onda e também revisou a safra pra cima, mas com uma conta diferente. A nova projeção é de 348,4 milhões de toneladas em 2026, alta de 1,2% sobre fevereiro e de 0,7% sobre 2025. A área a ser colhida também cresceu e deve bater 83,2 milhões de hectares. Soja, milho e arroz seguem mandando no pedaço e representam 92,9% da produção projetada.
E já que o dia foi generoso com revisão pra cima, o café também apareceu com moral. A Safras & Mercado elevou a projeção pra safra 2026/27 de 71 milhões pra 75,65 milhões de sacas, um avanço de 17% sobre a temporada passada e com cara de novo recorde. O arábica foi o craque da rodada, com estimativa de 49,95 milhões de sacas e alta de 29%, embalado por chuvas boas e temperaturas mais comportadas no começo do ano. O conilon ficou em 25,7 milhões, com leve queda de 1,2%, mas ainda acima do que tava todo mundo esperando.
Nas proteínas, a Conab também pintou um retrato de mesa farta. A produção brasileira de carnes deve alcançar 33,38 milhões de toneladas em 2026, puxada por frango e suíno, que juntos devem passar de 22 milhões de toneladas pela 1ª vez na série histórica. A carne suína deve crescer perto de 4% e chegar a 5,88 milhões de toneladas, enquanto o frango deve passar de 16 milhões. Já a carne bovina deve dar um passo pra trás, com produção estimada em 11,3 milhões de toneladas, queda de 5,3%, ainda assim a 2ª maior da série.
Pra fechar esse combo de revisão e crescimento, o sorgo resolveu pedir licença e entrar na conversa com mais volume. A Conab subiu em 8,8% a estimativa pra produção da cultura em 2025/26, que agora pode alcançar 7,48 milhões de toneladas, uma alta de 22,6% sobre a safra passada. A área plantada subiu 24% e foi recalculada em 2,02 milhões de hectares, enquanto a produtividade média foi ajustada pra 3,69 toneladas por hectare. Não é a cultura que costuma roubar os holofotes, mas tá cada vez mais claro que o sorgo cansou de ser figurante e quer aparecer mais no elenco principal do agro.
DE OLHO NO PORTO
Governo abre investigação de dumping sobre proteína de soja chinesa

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O governo brasileiro resolveu olhar com mais atenção pra proteína de soja que vem da China. O MDIC abriu uma investigação pra apurar se houve dumping nas exportações do produto pro Brasil, ou seja, se ele tava chegando aqui com preço abaixo do que é considerado normal no mercado. A decisão veio pela Secretaria de Comércio Exterior e já trouxe um recado sem muito rodeio: existem indícios de preço artificialmente baixo e de dano pra indústria brasileira.
A investigação vai olhar pro período entre julho de 2024 e junho de 2025 pra verificar a prática de dumping, enquanto a análise do dano na produção brasileira cobre um intervalo mais amplo, de julho de 2020 a junho de 2025. Como a apuração ainda tá no começo, o governo adotou o entendimento de que não prevalecem condições de economia de mercado nesse segmento na China. Por isso, o cálculo de referência foi feito com base nos preços dos Estados Unidos, que entraram na história como um país comparativo.
Agora, produtores, importadores e exportadores vão ter até 70 dias pra se manifestar, contestar o uso dos EUA como parâmetro ou sugerir outro país de comparação, desde que tragam argumento e prova junto no pacote. Entre os fatores que pesaram pra abertura da investigação, tem sinais de forte atuação estatal na cadeia chinesa, com subsídios, empresas estatais e mecanismos regulatórios mexendo no custo e na concorrência.
ATUALIZAÇÃO RURAL
Embrapa quer treinar uma IA pro campo e fazer a tecnologia falar menos besteira

Foto: Wenderson Araújo/CNA
A Embrapa entrou de vez na corrida da inteligência artificial, mas com uma ambição bem específica, criar uma IA generativa que consiga conversar com produtores rurais e responder as perguntas com mais precisão usando o acervo de décadas de pesquisa acumulada pela estatal. A ideia é fazer uma tecnologia que entregue orientação mais precisa e mais profunda do que as IAs generalistas que respondem tudo com muita convicção, inclusive quando não fazem a menor ideia do que tão falando.
Pra evitar que o robô já chegue querendo opinar sobre tudo e acabe espalhando asneira em escala, o projeto começou focado em poucas frentes, batata-doce, mandioca, sistemas agroflorestais e aquicultura. Quanto mais estreito o escopo no começo, maior a chance de acertar na resposta e menor a chance de a máquina começar a viajar. A Embrapa não vai construir a tecnologia do zero, mas adaptar modelos de código aberto, como Gemma e DeepSeek, usando materiais selecionados por especialistas da própria casa pra treinar a ferramenta com conteúdo sério e não só com a confiança de quem fala bonito.
O plano é concluir esse desenvolvimento em 4 anos e depois licenciar o código pra empresas levarem o serviço pros produtores. Até lá, os pesquisadores vão comparar o desempenho da IA da Embrapa com modelos genéricos, avaliando clareza, concisão e, principalmente, se a resposta presta ou se saiu inventando informação. A aposta da estatal é que o diferencial vai estar justamente aí, menos chute e mais resposta construída em cima de pesquisa, validação e gente que realmente entende do assunto.
COLHENDO CAPITAL
Boi caro apertou a margem dos frigoríficos, que responderam parando de trabalhar

Foto: Editora Globo
A disparada do boi gordo tá brilhando os olhos dos produtores, mas tá deixando os frigoríficos numa situação em que tão pagando pra vender. Segundo a Athenagro, a margem das vendas no mercado interno ficou em -7,5% em março, bem longe da média histórica positiva de 6,5%. Desde janeiro, o boi subiu 15% em São Paulo e bateu R$ 366,20 por arroba, enquanto em Mato Grosso já ronda os R$ 370.
A reação da indústria já apareceu no chão de fábrica. A JBS colocou em férias coletivas os funcionários das unidades de Água Boa (MT) e Pedra Preta (MT), enquanto a MBRF deu um pause em um turno em Várzea Grande (MT). Por trás desse aperto tá a correria pra preencher a cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Como tudo o que passa desse limite leva uma tarifa de 55%, a disputa por boi ficou ainda mais nervosa e o preço decolou. O setor estima que essa cota pode acabar entre a segunda quinzena de maio e o fim de junho. Depois disso, exportar pra China tende a virar conta ruim, e aí a engrenagem começa a mudar de barulho.
O problema é o que vem depois. Sem a China comprando no mesmo ritmo, parte desse volume vai ter que procurar destino em outros mercados, que até compram, mas não no mesmo volume e nem no mesmo preço. E é justamente aí que mora o risco maior, principalmente pros confinamentos, que devem aumentar a oferta entre julho e novembro, bem quando o principal comprador pode estar fora de campo. A avaliação no setor é que o boi ainda deve seguir firme até o fim da cota, mas depois disso o mercado pode dar uma barrigada daquelas.
PLANTÃO RURAL
Empresas aceleram monitoramento de origem. A pressão da lei antidesmatamento da UE já tá mexendo com o comportamento das grandes empresas de commodities. Em 2025, mais de um quarto das 500 maiores do setor passaram a informar mecanismos de monitoramento das cadeias, embora a parcela das que realmente rastreiam origem ainda siga abaixo da metade.
Caramuru quer turbinar originação de soja no MT. A Caramuru projeta aumentar em cerca de 50% o volume de soja não transgênica originada em Sorriso (MT), saindo de 230 mil pra 340 mil toneladas na safra 2025/26. Em Goiás, a meta é crescer 10% e chegar a 2,1 milhões de toneladas.
Brasil abre novos mercados em Angola, El Salvador e Vietnã. O Mapa anunciou a abertura de novos mercados pra proteínas e genética animal. O Vietnã passa a importar pés e miúdos suínos, El Salvador liberou frango termoprocessado e Angola abriu espaço pra oócitos ovinos e caprinos.
Justiça da Bahia proíbe abate de jumentos. A Justiça Federal da Bahia proibiu o abate de jumentos no estado e determinou a retirada imediata dos animais de frigoríficos, fazendas e transportes ligados à exploração. A decisão cita maus tratos, falhas sanitárias e risco de extinção da espécie, e foi comemorada por organizações de proteção animal como um marco contra uma cadeia que vinha ganhando força desde 2018.
MBRF e HPDC destravam joint venture halal de US$ 2,07 bi. A MBRF concluiu as aprovações antitruste pra criação da Sadia Halal, joint venture com a saudita HPDC voltada ao mercado global de alimentos halal. O negócio nasce avaliado em US$ 2,07 bilhões, com aporte inicial de US$ 24,3 milhões.
Syngenta quer monitorar 100 milhões de hectares até 2030. A Syngenta trouxe ao Brasil uma nova camada da plataforma Cropwise de olho numa meta ambiciosa, chegar a 100 milhões de hectares monitorados no mundo até 2030.
Banana do Vale do Ribeira ganha selo e sobe de patamar. As bananas nanica e prata do Vale do Ribeira conquistaram o selo de indicação geográfica do INPI e agora passam a carregar oficialmente o nome da região como selo de origem.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Pequi
Pergunta de hoje: Qual cereal, considerado “alimento sagrado” pelos incas, ganhou espaço nas mesas gourmet do mundo inteiro?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
