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Bom dia!

Hoje é Dia Mundial do Café, então se você ainda não tomou o seu, tá esperando o quê?

A edição de hoje tem Fiagro que cresceu 9.500% em 12 meses, Petrobras retomando obra de fábrica de ureia e agro acumulando R$ 98 bilhões em recuperações extrajudiciais só neste ano. No meio disso, a dona da Gomes da Costa compra fábrica do Patense numa jogada que tem cheiro de revanche, e a carne bovina voa nas exportações mesmo com a guerra complicando as rotas.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,37 -0,56% 5,40 -0,83%
IPCA (%) 4,71 8,00% 3,91 1,57%
PIB (%) 1,85 0,00% 1,80 0,00%
Selic(% a.a.) 12,50 0,00% 10,50 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

  • Ibovespa rompe os 198 mil pontos e segue empilhando recorde. A bolsa brasileira renovou máximas nesta segunda-feira (13) e superou pela primeira vez os 198 mil pontos, sustentada principalmente por Vale e Petrobras, embaladas pela alta do minério de ferro e do petróleo no exterior. O fracasso das negociações entre EUA e Irã até fez barulho, mas ficou em segundo plano diante do fluxo estrangeiro que continua dando fôlego pro mercado.

SAFRA DE CIFRAS

Fiagros disparam 9.500%, saem do nicho e viram atalho cada vez mais usado pro agro

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Os Fiagros cresceram tanto no último ano que já saíram daquela promessa bonita do mercado financeiro e viraram uma figurinha carimbada no financiamento do agro. Segundo a Anbima, o patrimônio desses fundos subiu cerca de 9.500% nos últimos 12 meses e chegou a R$ 29,3 bilhões em março. No mesmo mês de 2025, esse bolo era de R$ 303 milhões. Agora, já tá num tamanho que coloca o instrumento de vez na conversa séria sobre financiamento do agro, principalmente nesse momento de crédito rural tradicional mais caro, mais apertado e bem menos simpático.

E o movimento não ficou só no tamanho do patrimônio. O fluxo também segue positivo em 2026, com R$ 2,17 bilhões em janeiro, R$ 39 milhões em fevereiro e R$ 207,8 milhões em março, acumulando R$ 2,4 bilhões no ano. Teve uma esfriada depois de janeiro? Teve. Mas o dinheiro continuou entrando, o que mostra que o investidor não deu ghosting no agro. Num cenário tenso de juros altos, crédito rural mais travado e Plano Safra cada vez mais pressionado, os Fiagros tão ganhando espaço porque conseguem aproximar o campo do mercado de capitais sem depender tanto do velho roteiro de crédito subsidiado.

Criados em 2021, os Fiagros foram ganhando forma e evoluindo com ajustes regulatórios que deram mais clareza e mais segurança jurídica, o que ajudou a atrair gestores e investidores novos. Hoje, eles dão ao agro a oportunidade de se financiar por meio de crédito, imóveis rurais e participação em empresas do setor, abrindo o leque de opções tanto pra quem precisa de recurso quanto pra quem quer investir nessa cadeia. Os Fiagros ainda são uma fatia pequena da indústria de fundos, mas já não dá mais pra tratar como coadjuvante.

COLHENDO CAPITAL

Petrobras ressuscita fábrica no MS e tenta tirar a ureia do sufoco

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A Petrobras decidiu tirar a UFN-III da gaveta e aprovou a retomada das obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS), num investimento que tá estimado pra bater US$ 1 bilhão. A unidade tava parada desde 2015, mas voltou pro radar da estatal dentro da estratégia de reforçar a atuação num segmento que o Brasil insiste em tratar como essencial só depois que o preço dispara.

A expectativa é retomar as obras ainda no 1º semestre e iniciar a operação comercial em 2029. Até lá, a construção deve gerar cerca de 8 mil empregos, o que já ajuda a movimentar o entorno antes mesmo de sair o primeiro grão de ureia.

A aposta da Petrobras é clara, produzir mais aqui pra depender menos de fora, especialmente num país que importa 90% dos fertilizantes que usa e tem dor de cabeça toda vez que o mundo resolve brincar de guerra. A ureia, principal produto da UFN-III, é o nitrogenado mais consumido no Brasil, com uma demanda anual que chega perto de 8 milhões de toneladas, espalhada por culturas como milho, cana, café, trigo e algodão, e até pecuária.

A fábrica vai ter capacidade pra produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, com uma parte dessa amônia ainda podendo ser comercializada. A planta entra na conta como uma tentativa de colocar mais produto nacional no jogo e menos ansiedade no mercado.

A localização em Três Lagoas também ajuda bastante já que a unidade fica perto de regiões consumidoras importantes do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o que já dá aquele alívio na logística e ajuda o produto a chegar com mais competitividade.

O AGRO EM NÚMEROS

Carne decola, arroz cresce em volume, café perde ritmo e fertilizante aperta

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O primeiro trimestre terminou com a carne bovina brasileira acelerando lá fora. As exportações somaram US$ 4,33 bilhões e 801,9 mil toneladas, altas de 34,3% em receita e 18,4% em volume na comparação anual. Só em março, o embarque chegou a 270,8 mil toneladas e US$ 1,48 bilhão, com a China ainda isolada na liderança, carregando nas costas 105,4 mil toneladas e US$ 603,1 milhões no mês.

Só que, do outro lado do mapa, a guerra no Oriente Médio resolveu atrapalhar o churrasco. Em março, as exportações brasileiras de carne bovina pra região caíram 20,5%, pra 18,2 mil toneladas e US$ 115,6 milhões. Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Catar, Iraque, Turquia e Arábia Saudita entraram no fogo cruzado, com o frete refrigerado indo de US$ 3 mil pra mais de US$ 7 mil. Isso sem falar das rotas mais longas pra fugir das áreas de conflito.

No arroz, o Brasil cresceu com gosto no volume, mas o caixa não acompanhou no mesmo ritmo. Entre janeiro e março, o país exportou 685 mil toneladas, alta de 144% sobre o mesmo período de 2025. A receita também subiu, mas só 55%, e fechou em US$ 159,7 milhões. O descompasso tem nome e sobrenome. A volta da Índia ao mercado internacional, em meio a uma safra recorde, derrubou os preços mundo afora e deixou o cereal mais barato.

Já no café, o ritmo foi outro e bem menos animado. As exportações de café verde recuaram 10,4% em março, pra 2,66 milhões de sacas, no pior desempenho pro mês em pelo menos 5 anos. No trimestre, os embarques totais somaram 8,465 milhões de sacas, baixa de 21,2%, e a receita ficou em US$ 3,371 bilhões, recuo de 13,6%.

No meio desse aperto, o fertilizante também não ajuda. O Rabobank estima que a demanda brasileira deve cair pra 47,2 milhões de toneladas em 2026, 2 milhões abaixo de 2025, com produtor endividado, juros altos, crédito curto e ureia pressionada por um mercado internacional cada vez mais nervoso.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Agro já empilha R$ 98 bilhões em recuperação extrajudicial em 2026

Foto: Reprodução/CNN

O ano mal passou do primeiro trimestre e o agro já soma mais de R$ 98 bilhões em dívidas dentro de planos de recuperação extrajudicial, segundo dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial. O número ajuda a mostrar que a conta apertou de vez e que muita empresa do setor tá preferindo tentar um acordo mais cirúrgico antes de entrar de cabeça numa recuperação judicial tradicional. Desde 2022, o total já passa de R$ 146 bilhões, com 36 casos registrados no período. Não é exatamente o tipo de ranking que alguém quer liderar, mas ele ajuda a mostrar que o aperto financeiro no campo deixou de ser exceção e virou assunto recorrente.

Só em 2026, já são 6 casos de recuperação extrajudicial no agro e 11 requerentes ligados ao setor. Do outro lado da mesa, até março, apareciam 163 credores com créditos envolvidos nessas renegociações. O que tá atraindo as empresas é justamente o formato mais enxuto, menos barulhento e mais negociado. Em vez de mergulhar direto numa recuperação judicial, que costuma deixar arranhões mais feios no crédito e na reputação, tem muita companhia tentando primeiro esse caminho mais amigável, em que o acordo é costurado antes e chega ao juiz já mais mastigado.

POR DENTRO DO MERCADO

Dona da Gomes da Costa compra fábrica do Patense e volta ao jogo da ração

Gif: clientliaison on Giphy

A GDC Alimentos, dona da marca Gomes da Costa, desembolsou R$ 135 milhões pra comprar uma fábrica de farinha de peixe em Itajaí (SC) que pertencia ao Grupo Patense, que tá em recuperação judicial. A operação foi aprovada pelo Cade e também recebeu sinal verde da Justiça dentro da RJ da empresa mineira. Na prática, a GDC levou a chamada UPI Kenya, um pedaço isolado do grupo em crise, sem herdar junto toda a dor de cabeça do pacote completo.

O movimento tem cara de expansão, mas também tem um tempero bem claro de revanche corporativa. Em 2023, a própria GDC tinha vendido ao Patense a BFP Bioprodutos de Pescado por US$ 15,6 milhões, com pagamento parcelado em 60 vezes. Só que o grupo mineiro começou a dar calote no início de 2024 e a dona da Gomes da Costa foi parar na lista dos maiores credores quirografários, com R$ 60,9 milhões pra receber. Agora, ao comprar a antiga UPI Kenya, a empresa mata 2 coelhos em uma cajadada só: volta ao setor de alimentação animal e tenta recuperar parte do dinheiro sem precisar ficar esperando boa vontade na fila da recuperação.

A transação também joga mais luz sobre o tamanho do tropeço do Patense. Quando entrou em recuperação judicial, o grupo tava com uma dívida de R$ 1,3 bilhão e já vinha de uma sequência de aquisições feitas entre 2019 e 2021 que custaram mais do que renderam. A própria empresa admitiu à Justiça que várias dessas compras exigiram investimentos acima do esperado e não entregaram o desempenho prometido. Junta isso com queda nos preços de gorduras e proteínas, despesas fixas subindo, alavancagem pesada e Selic judiando do caixa, e o resultado foi esse.

MENTES QUE GERMINAM

Embrapa chama o agro pra falar de futuro

Foto: Freepik

No agro, tem dia em que a conversa gira em torno de boi, grão, frete e chuva. Tem outros em que alguém precisa parar um pouco e perguntar pra onde tudo isso tá indo. É nessa pegada que a Embrapa realiza, no dia 23 de abril, em Planaltina (DF), o Seminário Embrapa de Socioeconomia: O futuro da agricultura brasileira. O encontro entra na programação da Feira Brasil na Mesa e nas comemorações dos 53 anos da empresa, juntando pesquisadores, produtores, gestores públicos e representantes de diferentes áreas pra discutir os desafios e as oportunidades de um agro que tá cada vez mais espremido entre tecnologia, geopolítica, sustentabilidade e pressão por resultado.

A programação foi montada pra encarar de frente os temas que já tão batendo na porta do setor. No primeiro painel, a conversa gira em torno de tecnologia, mercados internacionais e o futuro da agricultura brasileira, com espaço pra discutir nova ordem mundial, barreiras ambientais, tensões comerciais e as brechas que o Brasil ainda pode aproveitar no mercado global de alimentos. Depois, entra o bloco da inovação, com inteligência artificial, biotecnologia, agricultura digital, robótica e sensores, aquele combo que muita gente ainda vende como futuro distante, mas que já tá se metendo no dia a dia sem pedir licença.

No fim do dia, o seminário vira a chave pra falar de inclusão socioprodutiva nos territórios rurais, com debate sobre agricultura familiar, desenvolvimento territorial, segurança alimentar, ações coletivas e sustentabilidade. A proposta da Embrapa é montar uma discussão pra ir além dos assuntos que tão na mídia todo dia e pensar em competitividade, inclusão, inovação e equilíbrio ambiental, tudo junto, sem fingir que uma coisa anda sozinha sem a outra.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Maca peruana

Pergunta de hoje: Qual oleaginosa do Cerrado é conhecida como “ouro do Brasil” e já foi usada para fabricar sabão e lubrificantes?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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