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Hoje tem Senado aprovando o projeto de renegociação de dívidas rurais mas a Fazenda já pegou a calculadora e fala em vetar, China anunciando que quer produzir mais grãos em casa e investimento agrícola caindo 28% com produtor segurando projeto grande e esperando o juro baixar. No meio disso, gestão ruim pode custar 17 sacas por hectare antes do plantio, Plano Safra promete crescer mas não chega aos R$ 670 bilhões pedidos e Ibovespa cai com Trump ameaçando atacar o Irã.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Ibovespa cai com tensão entre EUA e Irã
O Ibovespa fechou em queda de 0,7% nesta quarta-feira (10), aos 168.619 pontos, pressionado pela tensão geopolítica depois de Donald Trump ameaçar atacar o Irã “com muita força”. O petróleo Brent subiu 1,8%, a US$ 93,10, enquanto ações sensíveis a juros e tecnologia puxaram a bolsa pra baixo.
ASSUNTO DE GABINETE
Senado aprova socorro rural e Fazenda vai passar pente-fino pra ver se veta ou não

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o PL 5.122/2023, o projeto que cria um programa de renegociação de dívidas rurais pra dar um fôlego pro produtor que tá com os boletos atrasados. A proposta passou de forma simbólica, sem acordo com a Fazenda, e agora volta pra Câmara dos Deputados, onde deve ganhar outro round de negociação. Ou seja, o projeto até saiu do Senado, mas ainda vai passar pela catraca da Câmara e pelo pente-fino da equipe econômica.
O texto cria uma linha especial de renegociação com recursos do Fundo Social do Pré-Sal, dos fundos constitucionais do Norte e Nordeste e de fontes do Sistema Nacional de Crédito Rural. As condições previstas incluem juros de 3,5% ao ano para pequenos produtores, 5,5% para médios e 7,5% para grandes, além de limites de até R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões para cooperativas e associações. O prazo pode chegar a 10 anos, com 3 de carência, e até 15 anos em casos especiais.
A bancada ruralista defendeu seu peixe e disse que o programa não é uma pauta-bomba e muito menos um agrado em ano eleitoral, mas uma resposta pra um setor que levou pancada de todos os lados ao mesmo tempo. Tereza Cristina (PP-MS) disse que a agricultura vive uma tempestade mais que perfeita, com commodities em baixa, juros altos, insumos caros, dólar mudando de humor e clima fazendo estrago, especialmente no Rio Grande do Sul. A senadora resumiu o drama com uma conta que explica bem a dor: muita gente plantou com dólar a R$ 6 e tá colhendo com dólar a R$ 5. Ou seja, pagou caro em insumo e vai vender barato na exportação.
Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, comemorou a aprovação e falou em uma “vitória extremamente importante” pra renegociar as dívidas, citando R$ 170 bilhões pra resolver o pepino dos produtores. Já Tereza Cristina reforçou que a ideia não é salvar gente irresponsável, que podia pagar mas escolheu renegociar com condições melhores, mas, sim, jogar uma boia pros produtores que tão afundando em problemas reais, sem garantia pra continuar produzindo e pressionados por um modelo de crédito que, segundo ela, tá esgotando.
Do outro lado, a Fazenda olhou o projeto e já pegou o pente-fino, a lupa e a calculadora. Dario Durigan disse que o impacto pode chegar a R$ 140 bilhões ao longo dos anos e que esse boleto não cabe nas contas públicas. O governo até tentou negociar um texto mais focado em produtores que comprovassem que tiveram perdas, mas não rolou acordo.
Agora, a equipe econômica fala em rever trechos na Câmara, vetar partes do projeto ou até levar a discussão pro STF se entender que a proposta fere a Lei de Responsabilidade Fiscal. Antes, técnicos falavam em impacto de até R$ 817 bilhões. A cifra emagreceu bastante, mas ainda não ficou exatamente light pra um Tesouro que já tá cortando verba em tudo, inclusive do Seguro Rural.
DE OLHO NO PORTO
China fala em produzir mais e soja brasileira fica ameaçada

Foto: Getty Images
Como se o agro brasileiro já não tivesse boletos suficientes na mesa, apareceu mais um susto pra dividir espaço com juros altos, margem apertada, fertilizante caro, barreiras comerciais e clima maluco. A China quer depender menos de comida importada e aumentar a produção nacional. No 15º Plano Quinquenal, que vale de 2026 a 2030, Pequim colocou a segurança alimentar no centro da estratégia e sinalizou que vai aumentar a produção própria de grãos, proteína animal e culturas pra ração, incluindo soja. E quando nosso maior cliente começa a falar em fazer mais em casa, o setor já fica todo em alerta.
Desde 2000, as exportações brasileiras pra China cresceram mais de 20% ao ano e hoje movimentam perto de US$ 50 bilhões por ano. O Brasil responde por cerca de 60% de toda a soja e 40% de toda a carne bovina que os chineses compram de fora. Por isso, um relatório da consultoria Systemiq fez o setor ficar preocupado ao projetar que a China pode reduzir em 25% as importações de soja até 2030, o que dá mais ou menos 23,5 milhões de toneladas.
Mas especialistas acham que esse freio chinês talvez não seja um cavalo de pau. Marcos Jank, do Insper Agro Global, lembra que o plano chinês fala em aumentar a produção de grãos em 25 milhões de toneladas, chegando a 725 milhões de toneladas, apostando em tecnologia e sementes transgênicas. Mas a China tem gargalos que não deixam esse crescimento ser exponencial, tipo a terra arável limitada, poucas fontes de água e uma estrutura agrícola com cerca de 180 milhões de pequenos produtores, o que não é exatamente um ambiente plug and play pra virar potência autossuficiente da noite pro dia.
Hsia Hua Sheng, do Bank of China Brasil e da FGV, também vê essa projeção de queda de 25% como um exagero, quase um surto. Segundo ele, a segurança alimentar tá no discurso chinês faz mais de 20 anos, não virou trend agora. A China deve produzir mais, sim, mas também vai continuar importando alimentos. Na leitura dele, se houver alguma redução nas compras, ela tende a ser bem mais gradual, sem virar as costas pro Brasil de uma hora pra outra.
SAFRA DE CIFRAS
Juros altos travam investimento e CPR ganha espaço no agro como plano B

Gif: Giphy
O crédito rural da agricultura empresarial até veio parrudo na safra 2025/26, mas o produtor olhou pro juro, olhou pra fatura e mudou de ideia. Entre julho de 2025 e maio de 2026, foram contratados R$ 433 bilhões em crédito rural, queda de 5% na comparação com o ciclo anterior. Só que o número que realmente tá fazendo barulho é o dos investimentos: tombo de 28,1%. Dinheiro até tinha na prateleira, mas com Selic nas alturas, banco mais seletivo e margem apertada, muita gente preferiu deixar o sonho da máquina nova em espera.
Segundo o boletim do Mapa, a queda não veio por falta de recurso, mas por falta de coragem financeira mesmo. Juros altos, inadimplência subindo, custo de produção ainda salgado e risco climático rondando a lavoura fizeram o produtor pisar no freio antes de assinar contrato. Entre os programas de investimento, o estrago foi geral. Proirriga caiu 56,2%, Prodecoop recuou 54,5% e Moderfrota, a linha dos tratores, colheitadeiras e implementos, tombou 53,5%.
A baixa utilização dos programas reforça esse clima de “deixa pra depois”. Até maio, ainda tava sobrando 52% do saldo nos programas de investimento, sinal de que a verba ficou ali, sentada no banco, esperando alguém chamar pra dançar. Só que o produtor não quis muito baile: o número total de contratos da agricultura empresarial caiu 23,6% na comparação anual. Ou seja, menos gente assinando financiamento, menos projeto saindo do papel e mais produtor tentando fazer a safra andar com o que já tem na fazenda.
Enquanto o investimento flopou, a CPR brilhou. As Cédulas de Produto Rural somaram R$ 185,2 bilhões em contratações, alta de 8%, e já representam 42,8% de todo o crédito rural empresarial. Juntando custeio e CPRs, o financiamento da produção chegou a R$ 322,7 bilhões, ainda teve queda, mas foi bem menor, de 2,1%. O produtor tá segurando projeto grande, mas não pode parar a safra, e os mecanismos privados de custeio tão deixando pra trás as linhas tradicionais de crédito.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Gestão ruim pode comer 17 sacas por hectare no milho antes mesmo do plantio

Gif: Giphy
Em toda safra tem prejuízo que nem espera a semente cair no chão pra aparecer. Um levantamento do Aegro Insights, com dados de 521 fazendas em MT, MS, GO, PR e MG, mostrou que os erros e as falhas na compra de insumos podem encarecer a produção em R$ 884,12 por hectare na safrinha de milho 2025/26. O pacote tecnológico completo teve uma variação de R$ 1.483,68 a R$ 2.367,80 por hectare. Dependendo da negociação, do fornecedor e de quando a compra é feita, a conta sobe 60% antes da plantadeira sair do barracão.
Segundo Mathias Bergamin, da Aegro, essa diferença equivale a 16,9 sacas de milho por hectare, se for considerada a saca a R$ 52,40. É quase 16% da produtividade esperada indo embora e sem ser por culpa do clima ou de praga, é culpa da compra mesmo.
Quem fez o dever de casa gastou 22% a menos que a média geral de custeio. Enquanto quem pegou os preços mais salgados, na hora errada, ficou até 25% acima da média.
O custo operacional da safra até tá um pouquinho menor que no ciclo anterior, com uma queda projetada entre 0,2% e 0,3%. Só que ainda tem muita despesa pra entrar na conta, como diesel, mão de obra e operação, e o número final pode acabar ficando no 0 a 0 ou até ser maior do que a safra passada. Ou seja, comemorar agora é soltar rojão antes do VAR confirmar o gol.
Entre os insumos, o MAP foi o que mais oscilou. O fertilizante fosfatado teve uma variação de preço de mais de 188%, tudo por causa da sazonalidade das compras e da alta no mercado internacional, que já passa de 35% em 2 anos. Nos defensivos, o inseticida Hero também puxou o carrinho da montanha-russa, com variação de 91,7%. Depois vieram Kraton, com 72,4%, e Engeo Pleno S, com 71,5%. Segundo Bergamin, 2 produtores vizinhos, no mesmo município do Mato Grosso, comprando o mesmo Hero, pra mesma safrinha, podem chegar a pagar R$ 105 ou R$ 202 pelo mesmo litro.
A boa notícia é que o rombo também mostra onde tá a oportunidade. O estudo também mostrou que 5 produtos concentram cerca de 80% do investimento em insumos na safrinha, incluindo Soberan, Fox Xpro e Engeo Pleno S. Uma pechincha mais bem feita só nesses 3 itens pode economizar R$ 440 por hectare. A recomendação é cotar com mais revendas, cooperativas e fornecedores diretos pra garantir o melhor negócio e não tomar prejuízo por preguiça.
COLHENDO CAPITAL
Plano Safra promete crescer, mas os R$ 670 bilhões que foram pedidos ficam no sonho

Foto: Fundação Solidaridad
O Plano Safra 2026/27 vai crescer, mas não deve chegar nem perto do número dos sonhos do agro. Em reunião com a FPA, o Ministério da Agricultura já deixou claro que dificilmente vai alcançar os R$ 670 bilhões que foram pedidos por CNA, OCB e IPA. A promessa é ficar acima dos R$ 594 bilhões da temporada 2025/26, mas ainda sem um valor fechado. Ou seja, o bolo vai aumentar, só não vai virar aquele banquete que a bancada queria colocar na mesa.
Segundo Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, o Mapa recebeu dos bancos a devolutiva sobre a demanda de equalização e ainda tá fazendo conta pra entender esses números. A equalização é aquele dinheiro que o governo coloca pra reduzir os juros na ponta, tipo um cupom de desconto do crédito rural.
Outro banho de água fria veio nas exigibilidades bancárias, aquelas regras que obrigam os bancos a aplicar uma parte dos recursos em crédito rural. A FPA queria mexer nesse motor pra fazer o dinheiro andar mais, mas ouviu que a ideia é manter algo parecido com a safra passada. O problema é que, sem mexer muito nesse motor, fica mais difícil turbinar a grana disponível. Enquanto isso, o Plano Safra tá marcado pra sair em 1º de julho, mas ainda depende de Tesouro, Banco Central, bancos, depósitos à vista, poupança rural e LCAs.
A bancada também tentou separar o Plano Safra da renegociação das dívidas rurais, porque em Brasília os dois assuntos tão grudando igual chiclete. Pra Lupion, uma coisa é financiar a próxima safra; outra é resolver o produtor que já tá endividado e sem garantia pra pegar crédito novo. E o recado que fica é que não adianta nada anunciar Plano Safra bonito, com número gordo e foto sorrindo, se o produtor chega no banco e toma uma portada na cara.
PLANTÃO RURAL
Aquicultura ganha plano nacional em Uberlândia
O Ministério da Pesca lançou, durante a Aquishow Brasil 2026, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura. A ideia é organizar, modernizar e dar mais competitividade ao setor. Mas a tilápia do Vietnã roubou parte da cena, com produtores cobrando proteção contra importações mais baratas.
BMG Foods flerta com recuperação judicial
A BMG Foods, do grupo paraguaio Concepción, entrou em processo de reestruturação financeira e pode acabar em recuperação judicial, inclusive no Brasil. O grupo atrasou juros de uma linha com o Bank of America e contratou a Pantalica Partners pra negociar dívidas.
Câmara quer explicação sobre bloqueio no seguro rural
O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) pediu a convocação dos ministros da Agricultura, Fazenda e Planejamento pra explicar o bloqueio de quase metade do orçamento do seguro rural. O requerimento deve ser analisado na próxima semana pela Comissão de Agricultura.
Grupo 2 de Julho entra em recuperação judicial
O Grupo 2 de Julho, também conhecido como Grupo Borges, teve recuperação judicial aprovada pra negociar R$ 137 milhões em dívidas. A empresa produz café e batatas em Mucugê (BA) e culpa geadas, secas, custos altos e juros pela crise.
México transforma crise da bicheira-do-novo-mundo em oportunidade
Com os EUA fechando a fronteira para gado vivo mexicano por causa da bicheira-do-novo-mundo, confinamentos texanos ficaram esvaziados e produtores do México começaram a engordar, abater e exportar carne processada. As vendas mexicanas aos EUA saltaram 23% nos primeiros 4 meses de 2026.
Venda antecipada de milho em MT anda devagar
A comercialização antecipada do milho 2026/27 em Mato Grosso chegou a 4,77% da produção estimada, bem abaixo da média histórica de 9,1% pra essa época. A cautela vem do risco de El Niño mais intenso, que pode atrasar a soja e apertar a janela do milho.
CNA defende ajuste nas regras do safrista
A CNA participou de audiência na Câmara pra discutir projetos que mudam as regras de contratação do trabalhador agrícola safrista. A entidade defende mais segurança jurídica, menos burocracia e contratos mais aderentes aos ciclos do campo. A tese é modernizar sem cortar direito.
Unica diz que E32 reduz importação de gasolina
A Unica defendeu o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, dizendo que a medida pode evitar a importação de 450 milhões de litros de gasolina por ano. A proposta deve ir ao CNPE em até 15 dias.
Leilão de Pepro vende 22,7 mil toneladas de arroz
A Conab comercializou 22,7 mil toneladas de arroz gaúcho em leilão de Pepro, com cerca de R$ 3,3 milhões em prêmios. A Federarroz avaliou o resultado como positivo e disse que os produtores tão mais familiarizados com o mecanismo. Com preço abaixo do mínimo, o leilão vira aquele empurrão oficial pra tirar o arroz do aperto.
Comércio Brasil-EUA cai 14,3% no ano
O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos caiu 14,3% nos 5 primeiros meses de 2026, somando US$ 29,5 bilhões. As exportações brasileiras recuaram 16%, com queda em petróleo bruto, café não torrado, aço e celulose. Produtos já sobretaxados caíram 22,6%.
RS recebe treinamento da FAO contra carrapatos resistentes
O Rio Grande do Sul sedia um treinamento internacional da FAO sobre diagnóstico de resistência a carrapaticidas, com técnicos de 7 países em Eldorado do Sul. O objetivo é criar uma rede de laboratórios e padronizar métodos de análise.
Neoenergia investirá R$ 3,2 bilhões no oeste baiano
A Neoenergia Coelba anunciou R$ 3,2 bilhões em investimentos no extremo oeste da Bahia até 2030 pra reforçar a rede elétrica e atender o crescimento do agro, especialmente da irrigação. A empresa promete ampliar em 93% a capacidade instalada da região. No oeste baiano, o pivô quer girar, mas antes precisa ter energia na tomada.
SE DIVERTE AÍ
A Copa do Mundo começa hoje, e pra entrar no clima, o jogo de hoje é diferente. No Who Are Ya? você tem que acertar quem é o jogador misterioso em 8 tentativas. A cada erro, você recebe dicas, tipo o grupo em que a seleção dele está na copa, a idade, a posição, o país, entre outras. Será que você manja de futebol o suficiente pra acertar? Testa aí e conta pra gente.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Aipim, mandioca ou macaxeira
Pergunta de hoje: Qual fruta mediterrânea inspirou o nome de uma cor e é cultivada há mais de 2 mil anos?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
