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Bom dia!

Hoje tem berne-do-novo-mundo aparecendo pela segunda vez no Texas em menos de uma semana, SRB questionando onde o processo emperrou antes da barreira europeia à carne brasileira e estudo mostrando que 52% das agtechs brasileiras nunca receberam aporte e 76% não têm patente registrada. No meio disso, a Bahia Farm Show abre hoje em Luís Eduardo Magalhães com 500 expositores, frango brasileiro começa a bater asa de novo nas exportações e Polato capta R$ 137 milhões com CPR dolarizada inédita.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

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MERCADO
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Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

RADAR SANITÁRIO

Berne aparece pela segunda vez no Texas e acende alerta na pecuária dos EUA

Foto: Kaylee Greenlee/Reuters

A pecuária dos EUA voltou a encarar uma praga que parecia aposentada desde os tempos da TV de tubo. A mosca-varejeira-do-novo-mundo, também chamada de bicheira-parafuso, berne-do-novo-mundo e bicheira-do-novo-mundo, foi detectada em bezerros no Texas, em uma área próxima à cidade de La Pryor. Esse foi o primeiro registro do bicho no estado desde 1966. Na semana passada, essa notícia já tinha acendido o alerta do USDA e dos pecuaristas gringos, mas agora teve um segundo caso registrado, a cerca de 9 km dali, e tá geral perdendo noites de sono de preocupação.

O que tá causando essa comoção toda é que essa mosca faz muito estrago. Ela deposita ovos em feridas de animais de sangue quente e as larvas passam a se alimentar do tecido vivo, causando lesões, sofrimento e prejuízo. No primeiro caso, o bezerro tinha uma ferida aberta na região do umbigo, que foi onde as larvas se instalaram.

O USDA diz que consegue controlar esse foco e já colocou equipes em campo no condado de Zavala, perto da fronteira com o México, pra caçar a mosca. A operação inclui armadilhas, postos de checagem em estradas, bloqueio no transporte de animais e até a liberação de insetos estéreis pra tentar cortar o ciclo de reprodução da praga. Também foi escalado um entomologista de plantão pra agilizar os diagnósticos.

Ainda assim, os pecuaristas texanos tão cobrando uma resposta mais pesada. Alguns produtores criticaram a preparação do USDA e defenderam até declaração de estado de desastre, que serviria pra liberar uma verba extra do governo federal pra ajudar no combate à mosca.

O receio não é pequeno. O Texas é o maior estado pecuarista dos EUA, e estimativas apontam que uma infestação mais ampla poderia gerar perdas de até US$ 1,8 bilhão. Num país com o menor rebanho bovino em 75 anos, qualquer pedra no caminho pode jogar o preço das carnes pras alturas.

QUAL A BOA?

Bahia Farm Show cresce 35% e leva 500 expositores ao oeste baiano

Foto: Bahia Farm Show

A Bahia Farm Show 2026 abre as porteiras nesta segunda-feira (8) em Luís Eduardo Magalhães (BA), com mais espaço, mais vitrine e aquele clima de feira agro em que o produtor diz que vai só dar uma olhada e sai fazendo conta de financiamento de máquina, pivô e inovação no guardanapo. Considerada a maior feira agropecuária do Norte e do Nordeste, a 20ª edição segue até sábado (13) e espera receber mais de 160 mil visitantes.

Esse ano, o evento vem ainda mais parrudo. São mais de 500 expositores em uma área 35% maior que a de 2025, agora com 38 hectares. A organização ampliou o parque porque, nos últimos anos, faltava espaço pra tanta empresa querendo mostrar solução ao produtor. O cenário econômico pode até deixar o agricultor mais cauteloso, com o pé mais leve no acelerador, mas a aposta é que os investimentos no oeste baiano não vão ficar parados no acostamento.

A novidade da edição fica no curral. Na quinta-feira (11), a feira recebe o primeiro Leilão Bahia Farm Show, com cerca de mil bovinos pra engorda e abate, além de genética de reprodutores. A expectativa é movimentar cerca de R$ 3 milhões só nessa batida de martelo. A feira é realizada pela Aiba, com apoio da Abapa, Fundação Bahia e Assomiba, e os ingressos custam R$ 35.

ATUALIZAÇÃO RURAL

Agtechs amadurecem, mas investimento ainda não decola

Gif: chbaluch on Giphy

As agtechs brasileiras tão crescendo, ficando mais maduras e deixando de ser aquela startup de garagem que promete revolucionar o campo com pitch bem ensaiado e ppt bonitinho. Um estudo da Abstartups em parceria com a USP mapeou 170 startups do agro e mostrou um ecossistema mais estruturado, apoiado por redes de inovação, hubs e universidades. Entre as analisadas, 79% têm 2 ou mais parceiros estratégicos, com hubs de inovação presentes em 52,9% dos casos e instituições acadêmicas em 50%.

O levantamento também mostra que uma boa parte já passou pelo famoso vale da morte, aquele período em que a startup descobre que só ideia boa não paga conta, tem que ter tração no negócio. Cerca de 32,9% das agtechs têm mais de 5 anos de atividade, e 51,4% precisaram rever a estratégia original pra ajustar o negócio ao que o mercado realmente queria.

Hoje, a maioria ainda tá no meio do caminho. A fase de validação reúne 32,9% das startups, seguida por tração, com 26,4%, e operação, com 25%. Só 10% chegaram à escala. Na hora de vender, o modelo SaaS lidera, com 39,2% das empresas, seguido pela venda direta, com 24,7%. O foco também segue bem corporativo, com 50,6% atuando no B2B. É menos app milagroso pra produtor e mais ferramenta tentando resolver dor real de cadeia produtiva, gestão, dados e aquele caos organizado que todo mundo chama de rotina.

O mapa, porém, ainda tem CEP preferido. O Sudeste concentra 52,9% das agtechs analisadas, com São Paulo sozinho reunindo 38,8%. Rio Grande do Sul e Minas Gerais aparecem depois, com 12,4% cada, enquanto o Sul soma 25,9%. As estruturas também seguem mais modestas: 59,9% das empresas têm de 1 a 5 colaboradores. No modelo de trabalho, 63% operam em formato híbrido e 24,7% em home office. É time pequeno, reunião online e provavelmente algum estagiário acumulando várias funções.

O gargalo maior continua sendo a bufunfa. Segundo a Abstartups, 52,4% das agtechs nunca receberam aporte financeiro. Entre as que captaram, o fomento público lidera com 25,5%, seguido por investidores-anjo, com 23,6%. Mais da metade dos recursos, 54,8%, vem do próprio estado onde a startup tá instalada, sinal de que o dinheiro ainda circula perto de casa. Outro ponto de atenção é a propriedade intelectual, já que 76,4% não têm patentes registradas, o que preocupa porque pode minar a competitividade dessas empresas no longo prazo e abrir brecha pra concorrência passar o trator.

NAS CABEÇAS DO AGRO

SRB cobra raio x da barreira europeia às carnes do Brasil

Foto: Fazenda Lagoa Dourada

A Sociedade Rural Brasileira quer entender onde a porteira emperrou na decisão que pode tirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal pra União Europeia a partir de setembro. Em nota divulgada no domingo (7), a entidade pediu uma análise mais profunda sobre os motivos que impediram o país de cumprir todas as exigências europeias sobre uso de antimicrobianos na produção animal. A ideia, segundo a SRB, não é sair distribuindo crachá de culpado, mas descobrir onde o processo desandou.

A cobrança vem de uma regra europeia aprovada em 2019 e complementada em 2023, com prazo de adequação que já tava marcado pra setembro de 2026 desde então. Ou seja, não foi surpresa. O bloco quer que os países exportadores comprovem equivalência regulatória no controle dos antimicrobianos, enquanto a SRB diz que o Brasil tem estrutura técnica pra atender a essas regras, com um Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal reconhecido e mecanismos de autocontrole do setor privado que já avançaram em eficiência e transparência.

Na pecuária bovina, a entidade lembra que o país já usa o SISBOV há anos pra rastreabilidade animal. Por isso, a pergunta que fica é menos se o Brasil tinha ferramenta na caixa e mais por que ninguém apertou todos os parafusos antes do prazo.

DE OLHO NO PORTO

Frango brasileiro ensaia recuperação com exportação em alta

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Depois de um começo de ano meio depenado nos preços, o frango brasileiro começou a bater asa de novo. Segundo uma avaliação da ABPA compilada pelo J.P. Morgan, o pior do ciclo doméstico pode ter ficado pra trás, com o setor ajustando a oferta interna e acelerando os embarques em fevereiro e março. O Brasil carrega nas costas 37% das exportações mundiais de frango e deve mandar 5,5 milhões de toneladas pro exterior em 2026, alta de 3,3%.

De janeiro a abril, os embarques cresceram 4,3% em volume e 6,1% em receita, mesmo com queda nas vendas pros Emirados Árabes Unidos. O Japão, a África do Sul, a União Europeia e as Filipinas ajudaram a segurar o rojão, enquanto a produção brasileira deve chegar a até 15,6 milhões de toneladas no ano, avanço de 2%. Do lado dos custos, milho e farelo de soja, que representam mais de 70% da produção, tão sem pressão forte de oferta. O câmbio, porém, não tá exatamente ajudando muito: o real mais forte tira parte do ganho das exportações.

Na suinocultura, o J.P. Morgan vê um roteiro ainda mais animado. A produção pode chegar a 5,7 milhões de toneladas em 2026, com exportações de 1,55 milhão de toneladas, alta de 2,6%. De janeiro a abril, os embarques já subiram 14,2% em volume e 14,1% em receita, puxados por Filipinas e Japão. O grande tempero da vez é o reconhecimento da China ao Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, que pode redirecionar 40 mil toneladas pra mercados mais rentáveis e adicionar US$ 150 milhões às exportações.

SAFRA DE CIFRAS

Polato capta R$ 137 milhões com CPR dolarizada inédita

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A Polato Sementes colocou a lavoura pra conversar com o mercado financeiro e voltou com R$ 137 milhões no bolso. A empresa concluiu a primeira oferta pública brasileira de CPR Financeira com variação cambial, um título que acompanha o dólar, mas é pago em reais.

O movimento veio logo depois de a companhia investir R$ 100 milhões em uma nova indústria de beneficiamento de sementes em Pedra Preta (MT), no sul do estado. A nova unidade entrou em operação com a meta de dobrar a capacidade produtiva da Polato pra 1 milhão de sacas por ano. Fundada em 1981, a empresa trabalha com sementes de soja, algodão e sorgo e cresceu junto com o Mato Grosso, que saiu de promessa agrícola pra virar protagonista no mapa do agro.

A CPR já é uma velha conhecida do financiamento privado do agro, com mais de R$ 450 bilhões em estoque registrado na B3. A diferença, nesse caso, é que a operação da Polato acompanha a variação do dólar ao longo do contrato, aproximando o financiamento da lógica das commodities agrícolas, que vivem com um olho no clima e outro na moeda gringa. É um tipo de operação que tenta falar a mesma língua do campo e do câmbio, dois personagens que adoram surpreender.

PLANTÃO RURAL

  • FAO vê antimicrobianos subindo 30% até 2040

    A FAO projeta alta de quase 30% no uso de antimicrobianos em animais até 2040, puxada pela demanda global por proteína e pela intensificação produtiva. O problema é que a resistência antimicrobiana pode custar US$ 318 bilhões à pecuária mundial. Pra reduzir a dependência, seriam necessários US$ 28,4 bilhões em biossegurança, vacinas, diagnóstico e alternativas não antibióticas.

  • Modelo matemático quer prever o futuro da fazenda

    Uma pesquisadora da UFRGS desenvolve há 10 anos um modelo bioeconômico pra simular clima, solo, pastagens, lavouras, desempenho animal e custos dentro da propriedade rural. A ideia é testar cenários antes da decisão no campo pra evitar perdas financeiras e de produtividade.

  • Inmet alerta pra tempestades e El Niño esquenta o radar

    O Inmet emitiu alerta amarelo pra tempestades nesta segunda-feira (8) em áreas do Sul, Norte e Nordeste, com chuva de até 50 mm em 24 horas, granizo e ventos de 40 a 60 Km/h. Enquanto isso, meteorologistas monitoram a confirmação do El Niño, que pode trazer seca pro Norte e Nordeste e chuva mais intensa pro Sul.

  • Governo fecha arrasto de praia pra pesca da tainha

    O Ministério da Pesca proibiu a pesca da tainha por arrasto de praia a partir de domingo (7), depois que a cota coletiva autorizada pra 2026 chegou a 90%. As embarcações ainda em atividade têm até 24 horas pra fazer o último desembarque. Depois disso, a pesca pode seguir pra outras espécies, dentro das regras.

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Cardamomo

Pergunta de hoje: Qual fruta tropical foi batizada em homenagem a uma ave e é símbolo da Colômbia?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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