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Bom dia!

O Brasil acordou com aquele gostinho de manhã pós-vitória, e o agro entrou em campo com time completo. Na escalação de hoje, a China voltando a comprar soja dos EUA e pressionando o prêmio do produtor brasileiro, o agro avisando que o fim da escala 6x1 encarece a produção e a SLC cortando gastos diante do super El Niño. No banco, ainda tem o boi gordo no topo da arroba com a cota chinesa perto do teto e o primeiro gengibre registrado do país.

Pra você começar o dia um passo à frente.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$170.506,66 -0.44% 5.82%
IFIX R$3.781,09 -0.31% 0.06%
CSAN3 R$3,7 -1,33% -30.45%
AGRO3 R$17,96 -0,22% -9,93%
SLCE3 R$13,37 -0,67% -16,70%
JBSS32 R$63,49 1,10% -19,76%
SLCE3 R$8,55 -0,67% -16,70%
Ethereum US$1,624.73 -2,41% -45,62%
Bitcoin US$61,099.00 -2,31% 30,84%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

SAFRA DE CIFRAS

Quando Chicago sobe, quem chora é o porto brasileiro

Fonte: Globo Rural

A China voltou a fazer compras de soja da nova safra americana, e quem planta no Brasil já pode ir pegando a calculadora. Segundo o USDA, foram 132 mil toneladas confirmadas para os chineses, mais 384 mil para "destinos não revelados" que os analistas juram ser também a China. E não é soja qualquer, é a da safra 2026/27, aquela que ainda nem saiu do pé.

A jogada não caiu do céu. Vem da cúpula entre Xi e Trump, em maio, quando a China se comprometeu a importar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas americanos entre 2026 e 2028. Traduzindo do diplomatês para o bolso, mais navio saindo dos Estados Unidos significa Chicago em alta, e Chicago em alta espreme o prêmio que o porto brasileiro consegue cobrar. Até junho, os americanos já tinham mandado cerca de 12 milhões de toneladas para a China, e a safra nova pode chegar a 25 milhões, "como espera Trump", segundo Ale Delara, da Delara Agronegócios.

Aí entra a parte que merece um pé atrás. Para Ronaldo Fernandes, da Royal Rural, a China anda repetindo que "a soja brasileira está cara" como tática para empurrar o preço do grão para baixo aqui dentro, só que a conta diz o contrário, US$ 530 a tonelada no Brasil contra US$ 545 nos EUA. Ou seja, é menos termômetro de mercado e mais blefe na mesa de negociação. E, no curtíssimo prazo, o susto nem encosta, junho deve exportar 15 milhões de toneladas, sendo 10,7 milhões para a China, e julho já tem 4 milhões programadas.

O repuxo, se vier, é de médio prazo, quando o ciclo se fecha, mais demanda americana, Chicago animado, prêmio brasileiro murchando e o preço lá na ponta sentindo o tranco. Pro produtor, fica o aviso, o que se decide hoje na mesa entre Pequim e Washington é o preço da saca de amanhã.

NOS TRILHOS DO AGRO

O Centro-Oeste ensaia um atalho pelo vizinho

Fonte: giphy.com

Quem produz no meio do Brasil conhece bem a maldição geográfica do agro, o porto fica sempre longe demais e o frete come um naco do lucro antes mesmo de o navio zarpar. Foi de olho nisso que o ministro da Agricultura, André de Paula, assinou em 23 de junho a portaria que institui o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, com o texto publicado no Diário Oficial no dia 24.

A ideia é cruzar a fronteira e mandar grão e carne por corredores que atravessam a Bolívia até portos do Pacífico, uma rota alternativa às tradicionais e pensada para encurtar o caminho até a Ásia. Quem mais baba pelo projeto é o Mato Grosso, maior produtor da região e ainda por cima vizinho de cerca, com trechos como o MT-199 entrando na conta da promessa de frete mais barato.

O detalhe é que portaria, por enquanto, é papel, não asfalto. O documento cria diretrizes, o que no Brasil costuma ser só o primeiro capítulo de uma novela longa, e a economia de frete prometida só aparece de verdade quando a estrada existir dos dois lados da fronteira, inclusive no lado boliviano, que não obedece a decreto brasileiro. Diretriz assinada anima o mapa, mas não move caminhão sozinha.

Para o produtor do Centro-Oeste, o desenho é tentador, sair pelo Pacífico significaria menos quilômetro rodado e mais margem no bolso. Por ora, o que existe é a assinatura no Diário Oficial. Falta o asfalto combinar com o mapa.

POR DENTRO DO MERCADO

No topo da arroba, a China já pega o chapéu

Fonte: Globo Rural

Pecuarista e frigorífico vivem num cabo de guerra que nunca tira folga, e depois de meses vendo a arroba escalar rumo a recordes, os dois agora encaram um terceiro jogador disposto a largar a corda. Quando a arroba está lá no alto, o pecuarista sorri e o dono do frigorífico faz cara de quem viu a conta da padaria, e dessa vez quem dita o humor do mercado está bem longe do pasto.

O combustível dessa alta atende por um nome só, China. O problema é que a cota chinesa de importação está perto de bater no teto, o Brasil já teria preenchido cerca de 80% da cota de 1,1 milhão de toneladas, e a Austrália chegou aos 100%. Quando o maior comprador do balcão avisa que está quase de saída, todo mundo recalcula a próxima rodada.

E a virada já dá as caras. Com a cota minguando, parte dos frigoríficos sinaliza reduzir a produção voltada ao mercado chinês e passa a testar recuos graduais na arroba, mesmo sem boiada sobrando no campo. A margem, aliás, segue comprimida mesmo com a carne saindo cara, e em 18 de junho o preço já recuou em 3 das 17 regiões acompanhadas pela Agrifatto, entre elas Goiás, Minas e Maranhão. O Itaú BBA, nada animado, prevê volatilidade assim que a cota fechar de vez.

A indecisão aparece direitinho na B3. O contrato de julho foi o destaque de alta no dia 22, subindo 1,4%, e o desconto do futuro em relação ao boi no curral encolheu para R$ 5,8 por arroba, contra quase R$ 20 só uma semana antes. Nem o mercado futuro sabe se aposta na festa ou na ressaca.

Para quem tem boi pronto na porteira, o recado é de relógio, não de calendário, a janela de preço alto existe, mas tem CPF chinês e prazo de validade colado. O topo já apareceu. Falta saber quando a China devolve o chapéu.

ASSUNTO DE GABINETE

A conta da semana de trabalho chegou ao campo

Fonte: Revista Cultivar

No campo, a colheita não espera votação, e por isso o debate sobre o fim da escala 6x1 acendeu a luz amarela no agro, um setor que roda na base da mão de obra e não dá pra colocar em pausa quando a fruta está madura. Para Patrícia Arantes, diretora executiva da Sociedade Rural Brasileira, a discussão está correndo rápido demais para um setor cheio de particularidade.

O argumento da casa é o do bolso. Pelos números que a Frente Parlamentar da Agropecuária levou à CCJ da Câmara, o impacto bate em bilhões, de R$ 4 a 5 bilhões no etanol, cerca de R$ 9 bilhões na proteína de suínos e aves e R$ 2,5 bilhões nas cooperativas, com mais de 1,5 milhão de trabalhadores rurais precisando reajustar a jornada. Soma-se o veto integral ao PL dos safristas, que para a SRB deixa o cenário ainda mais nebuloso, já que as propostas em jogo, a PEC 221 e o PL do governo, sequer encostam na Lei 5.889 de 1973, que rege o trabalho da safra. A PEC 12, do senador Rogério Marinho, seria a única tentando adaptar a regra ao rural.

Vale o pé atrás de sempre. Quem está com o microfone aqui é a associação dos empregadores do campo, parte interessada na conta, e do outro lado da mesa o fim do 6x1 é defendido como um jeito de aliviar uma jornada que cansa o trabalhador. O ponto específico do agro, esse difícil de ignorar, é o relógio da colheita, cultura fresca tem janela curta e não espera arranjo, e sem mecanismo de compensação o risco é alimento estragando no pé, custo repassado ao consumidor e exportação atrasada. Pequeno e médio produtor, com menos fôlego, sentem primeiro.

No quadro internacional, o recado é de competitividade. Os Estados Unidos resolvem na negociação direta entre patrão e empregado, a Austrália tem modelo parecido para safristas e a Argentina trabalha 44 horas com a opção de esticar mantendo direitos, ou seja, concorrente com regra mais flexível tende a chegar mais barato na prateleira lá fora. No fim, a discussão é menos sobre planilha e mais sobre quem segura a janela da safra quando o calendário não negocia.

E ESSE TEMPO, HEIN?

A maior lavoura do país aperta o cinto

Fonte: Globo Rural

Quando o céu ameaça aprontar, fazendeiro grande não fica esperando pra ver, e a SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos do Brasil, já decidiu apertar o cinto antes mesmo de a primeira nuvem sumir. Diante das previsões de um super El Niño, o CEO Aurélio Pavinato anunciou mais cautela no custeio da safra 2026/27, com a régua passando fazenda por fazenda.

Na prática, gastar menos quer dizer mexer no pacote de fertilizante, reduzindo a dose onde o risco de seca é maior, porque adubar pesado uma lavoura que pode não ver chuva é jogar dinheiro no pó. A empresa resume a postura como "cautelosos, mas não apavorados", e escolheu a palavra com cuidado, o El Niño costuma secar o centro, o norte e o nordeste do país, justamente onde estão concentradas as fazendas dela.

Só que cautela de gigante tem rede de proteção que o vizinho pequeno não tem. A SLC se diz mais preparada que em 2016, quando levou um baque na Bahia, agora com mais irrigação, solos mais maduros e produção espalhada por MT e Maranhão. É uma blindagem que custa caro e poucos têm, e mesmo assim ninguém cravou o tamanho do estrago, nas palavras da própria empresa, o certo é que vai chover menos, a dúvida é se vai ser pouco demais.

No pano de fundo, a NOAA aponta alta probabilidade de o El Niño se formar e atravessar a safra 26/27, e o Itaú BBA já acendeu o alerta de risco. O detalhe cruel é que o fenômeno divide o Brasil no meio, chove demais no Sul e de menos no N/NE, então não existe um plano único que sirva pra todo mundo. Empresa grande aperta o cinto por precaução. Quem não tem cinto reforçado vai precisar de mais que fé na previsão do tempo.

PLANTÃO RURAL

  • Safra cheia, silo curto: a colheita recorde reabre a velha dor do Brasil, grão é o que não falta, lugar pra guardar e estrada pra escoar é que andam apertados.

  • Agronorte quer dobrar: a compra de uma fábrica da ADM amplia escala e geografia, e a meta declarada é dobrar de tamanho em três anos.

  • Embrapa vira espelho: em entrevista, a leitura é direta, a estatal brasileira de pesquisa virou o modelo que o resto do mundo anda tentando copiar.

  • Laranja escolhe a dedo: pra safra 2026/27, a indústria avisa que vai pinçar fruta a dedo, quem quiser vender suco precisa caprichar na qualidade.

  • Café anima Nova York: o grão abre o dia em leve alta na bolsa, logo depois de uma forte valorização.

  • Gengibre tira RG: produtor capixaba registra a primeira cultivar de gengibre do país, a raiz finalmente ganhou documento.

SE DIVERTE AÍ

No Nerdle tem uma equação escondida de oito casas e você tem seis chutes pra montar a continha certa, número, sinal e o igual no lugar. A cada palpite, verde é casa certa e roxo é número certo no lugar errado, então é ir ajustando igual quem fecha a planilha da safra no fim do mês. Pra quem já faz a conta da saca de cabeça, é sopa.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: o Brasil. Que sozinho coloca cerca de um terço de todo o café do mundo na xícara e lidera o ranking de produção há mais de 150 anos.

Pergunta de hoje: quantos compartimentos tem o estômago do boi?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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