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Bom dia!
Hoje a Nestlé está de olho na xícara da nova geração, o Plano Safra mantém a mão dos bancos no crédito rural enquanto a dívida do campo procura quem paga a conta, e a 3tentos avança pra quatro estados novos e entra no etanol de milho. No meio do caldo, a batata disparou 57% em maio, a manga cravou a maior cotação do ano e café e açúcar subiram na bolsa de Nova York. E, não custa nada lembrar, a partir de hoje, a gasolina leva 32% de etanol, e o Brasil joga hoje às 19:00 (horário de Brasília).
Pra você começar o dia um passo à frente.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
POR DENTRO DO MERCADO
A nova aposta da Nestlé no Brasil

Fonte: Nestlé/Divulgação
Quem acha que café é só aquele combustível amargo das seis da manhã não tá ligado no gosto da nova geração. E é bem nessa virada de chave que a Nestlé foi botar as fichas: a dona da Nescafé espera vender mais café no Brasil em 2026. Faz sentido, depois de um 2025 em que o preço subiu feito foguete, a empresa diz que agora a coisa "estabilizou" e o pessoal voltou pra fila do cafezinho.
Pra Valeria Pardal, que comanda a área de café da Nestlé por aqui, dá pra separar a freguesia em dois balcões. Num, o jovem que enxerga o café como prazer e identidade, não como combustível, e é ele quem puxa as bebidas geladas e prontas, hoje 10% dos negócios da empresa no Brasil, com meta de chegar a 20% das vendas do segmento até 2030. No outro, o cliente raiz, que quer saber de origem, região e blend, e que segura a onda premium. Pra agradar os dois lados, a companhia separou R$ 1 bilhão até 2026, e ainda emendou mais R$ 500 milhões até 2028.
E olha, os números que eles projetam são de quem chegou confiante: varejo crescendo de 13% a 15% ao ano pelos próximos quatro anos, o dobro de máquinas de café fora de casa (hoje são 22 mil), e a exportação de solúvel subindo 27% em 2026, pra mais de 20,2 mil toneladas. Lá fora a banda já toca essa música, o café da empresa cresceu 9,3% só no primeiro trimestre, com o preço médio 5,7% mais salgado.
Agora, antes da gente brindar com um café gelado, repara na letra miúda. Esse otimismo todo vem da própria fabricante, numa reportagem que até avisa que o jornalista viajou a convite da Nestlé. E "estabilização" não quer dizer que ficou barato, viu? Quem pagou caro em 2025 segue pagando, agora com um rótulo mais chique e a Dua Lipa na embalagem. No fim das contas, a maior compradora de café verde do planeta não tá vendendo só cafezinho, tá vendendo o jeito da próxima geração tomar. E cobrando a mais por isso.
ASSUNTO DE GABINETE
Plano Safra e a dívida do campo

Fonte: giphy.com
Quando um dos maiores advogados de crédito rural do país diz que uma lei pra renegociar dívida virou "inevitável", é sinal de que o cinto do produtor já está na última casa. É a leitura de Renato Buranello, que nem pinta a renegociação como cura, mas como remédio que a crise vai exigir, com fatura, segundo ele, pro próprio governo.
No outro balcão da mesma história, o governo deve manter no Plano Safra 2026/27 as mesmas exigências que já valiam, com os bancos obrigados a direcionar 31,5% dos depósitos à vista, 70% da poupança rural e 60% das LCAs pro crédito do agro. Parece ótimo pro produtor, mais dinheiro carimbado com o nome dele, mas a conta de 2025/26 entrega o nó: dos R$ 594,4 bilhões previstos, só R$ 455,2 bilhões saíram de fato.
Ou seja, obrigar o banco a reservar mais não é a mesma coisa que o crédito chegar na fazenda, e a sobra ainda costuma encarecer o dinheiro que fica livre lá fora. Enquanto isso, o socorro às dívidas avança, o Senado aprovou o projeto em 10 de junho, em votação simbólica, mas ele voltou pra Câmara e ainda não virou lei. A linha promete juros de 3,5% a 7,5% ao ano, até dez anos pra pagar e teto de R$ 10 milhões por produtor, bancada com recursos do Fundo Social do Pré-Sal.
E aqui mora o nó: a equipe econômica não fechou acordo e torceu o nariz pro custo fiscal, tanto que a Exame apelidou a medida de "pauta-bomba", lembrando que o alívio também alcança os grandes. Pro produtor endividado, fica o gosto agridoce, o socorro avança no papel, mas ainda depende da Câmara e tem sempre alguém pra pagar a conta lá na frente. No fim, muda o nome da linha, não o tamanho do aperto.
NAS CABEÇAS DO AGRO
3tentos chama a atenção com plano ousado

Fonte: Agfeed
Tem empresa que inaugura uma loja e já manda comunicado pra imprensa, e tem a 3tentos, que abriu oito de uma vez, como se fosse a coisa mais normal do mundo. A gaúcha estreou em Goiás, Pará, Tocantins e Minas Gerais e, com a leva, passou a operar 81 lojas, de olho nas 100 até 2030.
As novas unidades pousaram em praça quente do agro, de Rio Verde e Jataí (GO) a Redenção (PA) e Uberaba (MG), e fizeram a empresa cravar cerca de 80% do plano de expansão. Pra uma companhia que fechou 2025 com 73 lojas e só jogava em casa, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, quatro novos estados em uma tacada só é bem ousado.
E as novas lojas é só a entrada. No plano de R$ 2 bilhões até 2030, o prato principal é a começar no etanol de milho, com uma usina em Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, orçada em cerca de R$ 1,16 bilhão e tocada pra cuspir 1,2 milhão de litros por dia, fora o DDG, o insumo que sobra, que ainda vira ração. A unidade deve ficar pronta já em 2026.
Acontece que crescer rápido tem seus desafios. Entrar no etanol de milho é investir capital intensivo bem na hora em que a própria 3tentos fala em desalavancar. Além disso, fincar bandeira no Pará e no Tocantins é também um desafio de conquistar a confiança de quem não cresceu vendo a marca. De toda forma, ela faz parecer fácil fincar a bandeira em novos territórios, mas manter o mastro em pé é o que de fato consolidará o sucesso do plano.
MENTES QUE GERMINAM
O Brasil lidera as agtechs, mas falta o principal

Fonte: giphy.com
Se contar as startups de tecnologia agrícola da América Latina e do Caribe, quase oito em cada dez ficam de um lado só do mapa, o Brasil. É o que mostra a primeira edição do Radar Agtech regional, extensão do levantamento que a Embrapa já fazia por aqui, das empresas mapeadas, 2.075, ou 78%, são brasileiras.
Pra ter ideia do tamanho do domínio, o segundo colocado, a Argentina, aparece com 158 agtechs, seguida de México (110), Chile (91), Colômbia (79) e Uruguai (74). Ou seja, o Brasil sozinho tem mais que todos os vizinhos somados, e olha que o estudo varreu 23 países e passou de 2.600 empresas.
Aí entra a parte que o gráfico bonito esconde. Ter a maior ninhada de startups não é a mesma coisa que ter o maior cofre. A América Latina inteira fica com só cerca de 5% do investimento global em agrifoodtech, captou menos de US$ 500 milhões em 2025, e o Brasil, mesmo na ponta, levou US$ 227,5 milhões, 14% a menos que no ano anterior. Muita semente no chão, pouca água no regador.
No fim, o Brasil é craque em fazer nascer agtech, o difícil é fazer vingar. Solução brotando perto de casa é boa notícia pro produtor, do sensor ao bioinsumo, desde que a startup atravesse o deserto de capital antes de chegar na porteira. Celeiro de ideias o país tem. Falta o crédito pra colheita.
PAUTA VERDE
O clima saiu da COP e foi pro contrato

Fonte: Um só Planeta
Tem discussão ambiental que já nasce com cheiro de planilha, e foi essa a senha que as reuniões de Bonn deram em 2026. Na leitura do advogado ambiental Leonardo Munhoz, na coluna AgroTimes do Money Times, a agenda do clima está trocando o palanque das grandes negociações pela mesa dos acordos bilaterais, dos mercados e dos contratos, o que ele chama de migração da negociação multilateral pra implementação econômica.
Não é abandono do Acordo de Paris, é mudança de protagonismo. Em Bonn, os temas de sempre: financiamento, adaptação, mitigação e agricultura, emperraram outra vez, com o velho racha entre países ricos e em desenvolvimento. E quando quase 200 países não fecham a conta, sobra espaço pra solução mais rápida no varejo, acordo entre blocos, reconhecimento regulatório e integração dos mercados de carbono, o tal Artigo 6.2.
Pro agro brasileiro, a régua nova tem dois lados. De um, instrumentos como EUDR, CBAM e a exigência de rastreabilidade viram a senha de acesso ao mercado lá fora, clima deixou de ser papo ambiental e virou condição de venda. De outro, Munhoz aposta numa vantagem nossa, a mata nativa que o Código Florestal mantém em pé dentro das fazendas, que poderia virar dinheiro via pagamento por serviços ambientais e carbono. O porém é dele mesmo, ninguém respondeu ainda quem paga a conta dessa conservação.
Vale lembrar que é a visão de um advogado ambiental, fã de contrato e mercado, não a sentença final de Bonn. Mas o recado serve pro produtor de hoje, a próxima cobrança climática talvez não chegue de uma COP distante, e sim do comprador europeu, do banco e do contrato que você assina. Menos plenário, mais planilha.
PLANTÃO RURAL
ADM vira a noite: passou a fechar soja fora do horário tradicional pra encher navio, agro também tem plantão da madrugada.
Boi gordo escorrega: com mercado devagar, a arroba recua em São Paulo.
Tereos brinda com menos: comemora a safra 2025/26 mesmo com lucro 62% menor, R$ 137 milhões, copo meio cheio de caldo de cana.
Granja Faria paga adiantado: recebeu aval para quitar antes da hora debêntures de R$ 200 milhões, quem deve e pode, dorme melhor.
Soja com selo verde: o Brasil passou de 2 milhões de hectares certificados RTRS (+28%), com Mato Grosso na ponta.
Manga no topo: com oferta curta, a fruta crava a maior cotação do ano (tommy +15% na semana), doce pra quem vende.
Batata dá o pulo: os preços das hortaliças subiram em maio e ela disparou 57%, segundo a Conab.
SE DIVERTE AÍ
A dica de hoje é um jogo que vive de exportação. No Tradle aparece o mapa de tudo que um país manda pra fora e você tem seis chutes pra adivinhar quem é. Quando a tela encher de soja, café e carne, já pode cravar: esse é o Brasil. A cada erro vem a distância e uma setinha apontando o caminho, então é só ir esquentando.
E guarda fôlego pro início da noite: às 19h (horário de Brasília) tem Brasil x Escócia em Miami, fechando a fase de grupos da Copa. Bora pegar a positividade da Nestlé e a garra da 3tentos, e vamo pra cima!
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a Caatinga.
Pergunta de hoje: qual país é o maior produtor de café do mundo?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!

