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Bom dia!

Hoje tem o governo decidindo na quarta colocar mais etanol na gasolina, de 30% para 32%, a Votorantim botando R$ 300 milhões pra entrar no mercado de adubo foliar e a China chegando ao armazém com o carrinho mais vazio, cortando as compras de milho e trigo em maio. No meio disso, a Embrapa e o Sebrae transformando vaca leiteira mineira em fonte de dado, o feijão disparando quase 90% no bolso do produtor e a seleção argentina embarcando meia tonelada de carne pra Copa nos EUA.

Pra você começar o dia um passo à frente.

Por Luciana Stival

FOCUS 2026 % sem. 2027 % sem.
Câmbio (R$/US$) 5,20 0,00% 5,27 0,29%
IPCA (%) 5,33 0,61% 4,15 1,01%
PIB (%) 1,98 1,22% 1,70 0,00%
Selic(% a.a.) 14,00 1,82% 12,00 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

ASSUNTO DE GABINETE

Brasília vai aumentar a dose de cana no seu tanque

Fonte: Canal Rural

Cada litro de gasolina vendido no Brasil já é meio fóssil, meio lavoura, e a parte do campo nessa conta está prestes a crescer.

O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin sinalizou que o CNPE, o conselho que define a política de energia do país, deve bater o martelo nesta quarta (24) para elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. Na prática, a regra é simples: de cada 100 litros que saem da bomba, 32 passam a ser de álcool e só 68 de gasolina fóssil. Parece um ajuste fino de dois pontinhos, mas é a torneira que decide quanto etanol de cana e de milho o país inteiro é obrigado a consumir.

O detalhe é que esses dois pontos valem ouro pra quem planta. Mais mistura obrigatória significa mais demanda garantida para a cana e para o milho, as duas matérias-primas do etanol brasileiro. E o calendário ajuda: a colheita da segunda safra vem empurrando o preço do milho pra baixo no mercado interno, com as médias mensais entre as menores do ano. Uma porta de saída nova pra esse grão que está sobrando cai como uma luva.

Pra quem só dirige, a conta também muda, e pode ser pra melhor. O anidro costuma sair mais barato que a gasolina fóssil que ele substitui, então trocar mais um pedaço de um pelo outro tende a aliviar o preço final na bomba. Não é mágica nem garantia, porque o valor do litro ainda depende de imposto, dólar e margem de posto, mas a direção do empurrão é essa: mais álcool na mistura, menos peso do fóssil no bolso.

A decisão sai na quarta, e o que hoje é conversa de gabinete em Brasília amanhã vira demanda nova batendo na porteira da cana e do milho, enquanto o motorista torce pra que o tanque mais verde também pese menos no bolso. Dois pontos percentuais que mexem com o país.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Cimento que virou adubo

Fonte: giphy.com

Tem empresa de construção trocando o canteiro de obra pela beira da lavoura, e o cheque que ela botou na mesa não é de brincadeira.

A Viter, braço de agronegócio da Votorantim Cimentos, está entrando no mercado de fertilizantes foliares com um aporte de R$ 300 milhões. Foliar, traduzindo do agronomês, é o adubo que a planta absorve pela folha em vez de pela raiz, tipo um energético aplicado direto onde a cultura mais precisa, na hora certa do ciclo. Não substitui a adubação do solo, complementa, ajustando o que falta no momento decisivo da safra.

O detalhe é que não é todo dia que um gigante de outro setor abre uma frente nova em insumos agrícolas. Quando uma marca acostumada a vender saco de cimento decide apostar R$ 300 milhões em nutrição de planta, é sinal de que ela enxergou margem boa e demanda firme no campo. E o terreno é convidativo: boa parte do adubo que o Brasil usa ainda vem de fora, então sobra espaço pra quem quiser fabricar e vender aqui dentro.

Aí entra a parte que interessa a quem está na ponta. Cada novo nome de peso que chega ao balcão dos foliares mexe com o jogo inteiro: mais oferta tende a apertar o preço e a forçar inovação, em vez de deixar a prateleira na mão de meia dúzia de fornecedores. O risco é o de sempre, que a promessa de investimento demore a virar produto melhor de fato no campo, mas a chegada de um concorrente grande costuma pesar mais a favor do que contra.

Pro produtor, a leitura é direta, e vale acompanhar quanto desses R$ 300 milhões chega de verdade ao talhão, em foliar mais barato e mais eficiente. Quando até a indústria do cimento resolve disputar a lavoura, é porque o campo virou o lugar onde o dinheiro grande quer estar.

SAFRA DE CIFRAS

O salto do feijão parou no meio do caminho

Fonte: MyFarm

Tem prato que conta a verdade do bolso brasileiro melhor que qualquer índice, e neste ano o caldeirão ferveu bem antes de chegar na sua cozinha.

Segundo o Cepea, nos primeiros cinco meses de 2026 o feijão-carioca pago ao produtor subiu entre 85% e 90%, na média das regiões acompanhadas. O preto ficou pra trás, com alta de 51,7% no mesmo período. O empurrão vem da área plantada menor e do clima que castigou a primeira e a segunda safras, enxugando a oferta bem na hora em que a procura por grão de boa qualidade segue firme.

No balcão do consumidor, o repasse vem mais devagar, mas vem. No IPCA do IBGE, o feijão-carioca subiu 6,44% só em maio e já acumula 41,09% no ano; o preto avançou 2,07% no mês e 13,69% em 2026. Ou seja, quem compra também já está pagando bem mais caro, só que numa fração do tombo que o produtor embolsou lá na origem.

A diferença entre os dois mundos mora na cadeia. O preço novo da lavoura leva tempo pra chegar à etiqueta do supermercado, porque atacado e varejo seguram a mão na compra junto às processadoras e vão repassando aos poucos. Entre a saca no armazém e o pacote na gôndola tem indústria, transporte e estoque, e cada elo absorve um tanto antes de empurrar o resto pra frente.

Pra quem tem feijão pra vender, a leitura é animadora e tem prazo de validade: o preço bom está na mão agora. Pra quem leva o pacote pra casa, o aviso é que a conta ainda pode subir, já que o repasse não terminou de chegar. No fim, o feijão de cada dia conta a história do agro melhor que muita planilha.

CAMPO ATUALIZADO

A pecuária leiteira de Minas vai virar dado preciso

Fonte: giphy.com

Tem produtor trocando o caderno de anotação pela tela do celular, e o que era achismo na porteira começou a virar gráfico.

A Embrapa Gado de Leite e o Sebrae Minas firmaram um acordo pra cruzar inteligência de dados na pecuária leiteira mineira, com análise de informações e painéis digitais voltados ao produtor. A porta de entrada é o Educampo, programa do Sebrae que já acompanha mais de 800 fazendas no estado, com dezenas de consultores em campo. Ou seja, tem muito histórico de produção guardado e pronto pra alimentar os painéis desde o primeiro dia.

Além disso, juntar a régua técnica da Embrapa com a base de campo do Sebrae transforma planilha solta em decisão prática. O produtor passa a enxergar onde escorre dinheiro, da ração ao manejo, e ainda pode comparar a própria fazenda com as vizinhas que estão no mesmo programa. Num setor de margem apertada como o leite, onde poucos centavos por litro decidem se o mês fecha no azul, saber exatamente onde ajustar vale tanto quanto produzir mais.

O pulo do gato está em quem larga na frente. Fazenda que já anota custo, produção e manejo tem material pronto pra virar diagnóstico fino, enquanto quem ainda toca tudo de cabeça vai demorar mais pra colher o benefício. E quanto mais gente nos painéis, melhor a comparação fica pra todo mundo, porque o vizinho que produz mais barato deixa de ser mistério e vira meta possível.

Dado bom é o que vira aumento de margem, não relatório bonito esquecido na gaveta, e quem troca o achismo pelo número decide com mais firmeza na próxima entressafra. Em Minas, a próxima ordenha já vem com gráfico junto.

POR DENTRO DO MERCADO

A China foi às compras de grão com o passo mais curto

Fonte: Forbes

Quando o maior comprador de comida do planeta pisa no freio no corredor do supermercado, o agro do mundo inteiro escuta o barulho.

Os dados da alfândega chinesa mostram um tombo nas importações de maio: o milho despencou 69% e o trigo recuou 48,2% na comparação mensal, com queda também em soja, açúcar e carne suína. Quando o maior comprador de grãos do mundo segura as compras desse jeito, todo exportador sente o solavanco no preço, e o produtor brasileiro de milho, que disputa esse mesmo balcão lá fora, é dos primeiros a olhar pro lado preocupado.

O que pouca gente reparou é que nem tudo foi corte. As importações chinesas de carne bovina, fertilizantes e algodão subiram no mesmo balanço. Ou seja, a China apertou no grão e abriu a mão na proteína e no insumo, dois movimentos opostos no mesmo mês. Pra um país que vende muita carne pra lá e compra muito adubo de fora, a direção dessas duas setas importa tanto quanto a manchete da queda dos cereais.

Vale entender o que está por trás do freio. Estoque cheio, safra própria, câmbio e disputa comercial costumam ser os ingredientes que fazem o gigante comprar menos cereal de uma hora pra outra. O Brasil não controla nenhuma dessas alavancas, mas sente todas elas no preço de exportação, então ler o humor da freguesa a tempo é o que separa quem trava um bom contrato de quem corre atrás depois que o navio já zarpou.

Fica o termômetro do mês, com a maior cliente comprando menos grão e mais carne. Vento a favor pra pecuária, sinal amarelo aceso pro milho, e quem lê esse humor cedo negocia melhor que quem corre atrás depois. A China dá as cartas, e convém olhar bem pra mão dela antes de apostar.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje tem um jogo para quem gosta de desenvolver o raciocínio. No Contexto existe uma palavra secreta e, a cada chute, um robô diz o quão perto você chegou: do 1 (acertou em cheio) até os milhares lá no fim do talhão. Não vale sinônimo decorado, é contexto puro, então um "trator" pode te encostar em "colheita" sem você nem perceber. Manda os primeiros palpites no escuro, vai sentindo esquentar e me conta em quantas tentativas fisgou a palavra do dia.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: 15 quilos (1 arroba = 15 kg, a unidade usada pra precificar o boi gordo).

Pergunta de hoje: qual é o único bioma que existe exclusivamente no Brasil?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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