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Bom dia!
Sábado é dia de olhar a semana inteira de cima. Esta é uma edição especial que junta numa xícara só o que mais mexeu com o agro de 22 a 26 de junho: o etanol subiu pra 32% na gasolina, o Brasil bateu recorde de esmagamento de soja, a arroba flertou com o topo com a China quase de saída, o fim da escala 6x1 acendeu o alerta no campo e o super El Niño fez a SLC apertar o cinto. E, antes das matérias, a gente abre o balanço do mercado, o que subiu e o que caiu na semana, do boi ao cacau, da soja ao dólar.
Pra você colocar as notícias em dia.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
A semana fechou com o campo dividido: o que sai do grão perdeu valor, o que vem do pasto e das tropicais ganhou. Por trás de tudo, dois velhos conhecidos puxando as cordas, o dólar e os juros. Vamos por partes.
Grãos em queda (soja e milho). No mercado interno (Cepea), o milho caiu cerca de 3% no mês e já perde quase 10% no ano; a soja em Paranaguá recuou 0,7% no mês e uns 8% em 2026. Em Chicago, a bolsa que serve de referência mundial pro grão, soja e milho bateram as menores cotações em meses. O motivo é simples: o tempo ajudou a lavoura americana, o petróleo caiu e o dólar forte deixou o grão mais caro pro comprador de fora. Tem grão sobrando no mundo, e oferta grande empurra preço pra baixo. Alívio pra quem compra ração, aperto pra quem vende saca.
Boi firme, de olho na China. A arroba do boi gordo seguiu renovando recorde no mercado à vista. Só que no mercado futuro, onde se negocia o preço lá na frente, já se trabalha com queda, porque a cota de carne que a China compra do Brasil está quase no teto. Quando o maior comprador avisa que vai pisar no freio, o preço de amanhã sente.
Café e cacau em alta, açúcar de lado. Em Nova York, o cacau subiu forte (maior preço em cinco meses) e o café reagiu de uma mínima e voltou a subir, os dois com o mesmo fantasma no radar, o El Niño, que pode atrapalhar a próxima safra. O açúcar ficou de lado, sem grande novidade.
Dólar e juros, o pano de fundo. O dólar rondou os R$ 5,20, em alta no mundo todo, bom pra quem exporta (recebe em dólar) e ruim pra quem importa insumo, como adubo. E os juros seguem salgado: o Banco Central cortou a Selic pra 14,25% ao ano, mas ainda é caro, o que encarece o crédito pra tocar a safra.
No balanço da semana, valorizaram boi, cacau, café e dólar; perderam força soja e milho, com os juros altos apertando a margem de quase todo mundo.
Fontes: Cepea, CME/CBOT, ICE/Nova York (via Reuters), Banco Central e B3. Panorama informativo, não recomendação de investimento.
ASSUNTO DE GABINETE

Fonte: Câmara dos Deputados
A vez da cana: o tanque ficou mais verde
A semana começou com o CNPE batendo o martelo: a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina subiu de 30% para 32%, em vigor desde quarta (24). De cada 100 litros, 32 passam a ser de álcool. Tradução pra porteira: mais demanda garantida pra cana e milho, as duas matérias-primas do etanol, justo quando a safrinha empurra o preço do grão pra baixo. Pro motorista, o anidro costuma sair mais barato que o fóssil, então o tanque mais verde pode pesar menos no bolso, embora imposto, dólar e margem de posto ainda mandem no preço final.
A conta da semana de trabalho chegou ao campo
O debate sobre o fim da escala 6x1 acendeu a luz amarela num setor que roda na base da mão de obra e não dá pra pausar quando a fruta está madura. Pelos números que a Frente Parlamentar da Agropecuária levou à CCJ, o impacto bate em bilhões: de R$ 4 a 5 bilhões no etanol, cerca de R$ 9 bilhões na proteína de suínos e aves e R$ 2,5 bilhões nas cooperativas, com mais de 1,5 milhão de trabalhadores rurais precisando reajustar a jornada. O ponto específico do agro é o relógio da colheita: cultura fresca tem janela curta e, sem mecanismo de compensação, o risco é alimento estragando no pé e custo repassado lá na frente.
A conta do adubo importado tem muitos donos
Na reabertura de uma fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS), Lula alfinetou o agro, dizendo que boa parte do setor nunca se importou em ter indústria de adubo dentro de casa porque era mais barato importar. A provocação tem pé numa realidade incômoda: o Brasil produz comida pro mundo, mas compra de fora a maior parte do fertilizante. Só que a conta do outro lado também fecha, montar fábrica é caro, demorado e refém do gás natural. No fim, a alfinetada esconde um consenso raro, o Brasil ficaria melhor fazendo mais adubo em casa, o nó é quem paga a fatura.
SAFRA DE CIFRAS

Fonte: giphy.com
Recorde de fábrica, preço de cabeça baixa
Foi a maior estrela da semana. A Abiove elevou para 63 milhões de toneladas a soja que o Brasil deve esmagar em 2026 (+7,3%), e o complexo soja deve render US$ 59,9 bilhões em exportação, o maior valor desde 2023, embalado pela fome do biodiesel. Só que recorde de fábrica não enche o bolso de quem planta: oferta sobrando segura o preço na porteira. E tem o fator China, que voltou a comprar soja dos EUA da nova safra, pressionando o prêmio que o porto brasileiro consegue cobrar. Paradoxo da safra gigante: a indústria de farelo e energia ronrona enquanto o preço no campo aperta.
E ESSE TEMPO, HEIN?

Fonte: Broto Notícias
A maior lavoura do país aperta o cinto
Diante das previsões de um super El Niño, a SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos do Brasil, anunciou mais cautela no custeio da safra 2026/27, mexendo no pacote de fertilizante onde o risco de seca é maior, porque adubar pesado uma lavoura que pode não ver chuva é jogar dinheiro no pó. A empresa se diz "cautelosa, mas não apavorada". E o frio já deu as caras: a geada da semana ameaçou o milho do Sul, com o Paraná, em plena frutificação, no ponto mais vulnerável.
NAS CABEÇAS DO AGRO

Fonte: giphy.com
A gaúcha saiu do Sul e plantou bandeira em quatro estados
De uma vez só, a 3tentos abriu oito lojas em Goiás, Pará, Tocantins e Minas Gerais, chegou a 81 filiais e já passou de 80% da meta de ter 100 lojas até 2030. Mas a loja é só a vitrine: no plano de R$ 2 bilhões até 2030, o prato principal é a entrada no etanol de milho, com uma usina de cerca de R$ 1,16 bilhão no Mato Grosso. Fincar bandeira é fácil, manter o mastro em pé no solo dos outros é a parte difícil.
CAMPO ATUALIZADO

Fonte: Portal do Agronegócio
Criar uma semente nova ficou bem mais rápido
Na Bayer, a inteligência artificial encurtou o desenvolvimento de uma variedade nova de oito ou dez anos para algo entre dois e cinco anos em alguns programas. O segredo não é o algoritmo sozinho, é o banco de dados que a empresa juntou em décadas, e a IA é a régua que põe ordem nessa montanha. O primeiro fruto da turma de defensivos é o Icafolin, mecanismo inédito contra planta daninha, com estreia no Brasil prevista pra 2028. A ressalva é do próprio executivo: a IA acelera tudo, menos a prosa com quem está de bota no barro.
PLANTÃO RURAL
A Bayer respira do glifosato: a Suprema Corte dos EUA livrou a Bayer, por 7 a 2, de dezenas de milhares de processos que ligavam o Roundup ao câncer, e a ação disparou até 20% em Frankfurt, a maior alta desde 2003.
Açúcar que dá lucro: a Copersucar, maior trading de açúcar do mundo, fechou a safra 25/26 com lucro líquido de R$ 631 milhões, alta de 56,9%, o terceiro melhor resultado da sua história.
Petrobras aposta no verde: a estatal aprovou US$ 1,2 bilhão numa planta de bioQAV (combustível verde de avião) e diesel renovável na refinaria de Cubatão.
A dívida rural ganha fôlego: o projeto de renegociação das dívidas do agro avançou no Congresso (juros de 3,5% a 7,5%, até dez anos pra pagar, teto de R$ 10 mi), mas voltou à Câmara e ainda não virou lei.
O cacau não dá trégua: os contratos subiram 5,5% em Nova York, a US$ 5.247 a tonelada, com o El Niño no radar e a Costa do Marfim segurando as vendas do próximo ciclo.
Safra cheia, silo curto: a colheita recorde reabriu a velha dor do Brasil, grão é o que não falta, lugar pra guardar e estrada pra escoar é que andam apertados.
Casar boi com soja paga mais: um estudo de 25 anos no Rio Grande do Sul mostrou que integrar lavoura e pecuária rende mais que as duas atividades separadas, com média de 47 sacas de soja por hectare.
Gengibre tira RG: um produtor capixaba registrou a primeira cultivar de gengibre do país, a raiz finalmente ganhou documento.
SE DIVERTE AÍ
Fim de semana de balanço pede um jogo que também é de fazer as contas baterem. No Mini Crossword do NYT, a palavra-cruzada pequena do dia, dá pra fechar a grade tomando o café, com pistas curtas que se cruzam que nem talhão vizinho dividindo cerca. É rápido o bastante pra encaixar entre uma xícara e outra, e teimoso o bastante pra te segurar na última casa.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: 60 quilos, é o padrão da saca de café beneficiado no Brasil, a mesma medida usada pra precificar a safra.
Pergunta de hoje: qual estado é o maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
