APRESENTADO POR

Bom dia!

Hoje tem o Brasil moendo soja como nunca, a safrinha de milho chegando cheia mas com a margem do produtor no aperto, e uma provocação afiada sobre por que o dinheiro do clima não chega na porteira. “Coff Coff” (desculpa tossir, tem fumaça aqui na redação hoje, siga lendo a newsletter de hoje, que entenderá). No meio disso, a JBS abocanhando o churrasco do brasileiro e a Copersucar lucrando alto no açúcar.

Pra você começar o dia adiantado, com a gente.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$171.990,66 0,87% 6.74%
IFIX R$3.795,40 0.38% 0.44%
SLCE3 R$13,30 -0.52% -17.13%
JBSS3 R$62,17 -2.14% -21.48%
BEEF3 R$3,52 -1.40% -38.89%
SMTO3 R$14,71 -0.07% -2.71%
RZAG11 R$8,66 1.05% -8.36%
KNCA11 R$90,20 -0.19% -6.53%
Ethereum US$1,580.00 -2.75% -47.11%
Bitcoin US$60,043.99 -1.73% -32.04%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

SAFRA DE CIFRAS

O Brasil virou uma esmagadora de recordes

Fonte: npagro.com.br

Tem dinheiro brotando da soja em ritmo recorde. A Abiove elevou para 63 milhões de toneladas o tanto de soja que o Brasil deve processar em 2026, 7,3% a mais que no ano passado, e isso é só a primeira linha da conta, porque tudo vira farelo pra encher cocho de ração (48,6 mi t) e óleo pra abastecer biodiesel (12,7 mi t).

No mercado externo, a soma engorda. O complexo soja, grão, farelo e óleo juntos, deve render US$ 59,9 bilhões em exportação neste ano, o maior valor desde 2023, com 114,1 milhões de toneladas de grão embarcadas. O motor da festa é o tanque, porque a mistura obrigatória de biodiesel subiu desde o ano passado e o óleo de soja é a matéria-prima da vez.

E não para por aí. Só o farelo deve render US$ 8,9 bilhões lá fora, e o óleo, mesmo em volume miúdo, viu o faturamento previsto saltar quase 79% no ano, embalado pela fome do biodiesel. A conta nem é promessa pra frente, porque o esmagamento já vinha 10% maior só no primeiro quadrimestre.

Só que recorde de fábrica não enche o bolso de quem planta. Tanta soja moída e estocada é oferta sobrando, e oferta sobrando costuma andar de mãos dadas com preço de cabeça baixa. Boa parte do salto em dólar veio da valorização lá fora, não de a saca passar a valer mais na porteira.

No fim das contas, fica o paradoxo da safra gigante, a indústria de farelo e biodiesel ronronando enquanto o preço no campo aperta. Quem ganha primeiro é a cadeia de proteína e energia. Quem planta torce pra sobrar preço.

SEMPRE ATUALIZADO

Agro Espresso é flagrada apagando fogo na empresa

Fonte: giphy.com

Vizinhos relataram fumaça na sede do Agro Espresso nesta semana. Era só uma vela, fincada num bolo, comemorando o primeiro ano da newsletter, que em doze meses virou uma comunidade de mais de 55 mil pessoas. Declarado o conflito de interesses que assumimos com orgulho, seguimos com a cobertura.

A ideia era teimosa, falar de agro com a nova geração sem o conteúdo engessado de sempre, e juntou no mesmo lugar executivas, estudantes, jovens profissionais, sucessores rurais e fundadores de AgTech. Questionada sobre o número, a redação minimizou. "Não é o crescimento, não são os números, é a conexão", declararam, em coro, sócios-fundadores e equipe. Do outro lado da tela, a versão bate. "Nunca imaginei que ia gostar de ler uma newsletter sobre agro, mas essa me pegou de surpresa", contou o leitor João Pedro Maciel.

Procurada, a empresa reforçou que nunca quis ser só sobre notícia, "é sobre as pessoas por trás de uma indústria da qual o mundo inteiro depende", disse, em nota que por acaso é o próprio manifesto da marca. Sobre a vela, enfim apagada, ficou o pedido, continuar impactando positivamente a vida dessas pessoas e seguir construindo uma história onde o leitor é o protagonista. A todos que leram, compartilharam e apoiaram, fica o obrigado pelo primeiro ano. E isto aqui foi só a primeira porteira.

ASSUNTO DE GABINETE

O churrasco do brasileiro ganhou dono

Fonte: infomoney.com.br

Tem carne moída rendendo muito mais que sanduíche. A JBS, dona de Friboi e Seara, já abocanha 45,6% do mercado de hambúrguer no Brasil, segundo a Nielsen, somando as duas marcas. Em uma categoria espremida entre dezenas de concorrentes, virar quase metade do balcão não é pouca coisa.

A jogada foi seguir o brasileiro até a churrasqueira. A Friboi lançou em 2023 a linha Maturatta, hambúrguer de 180 gramas feito de picanha, costela e fraldinha, e o mercado de hambúrguer bovino cresceu mais de 27% em volume em 2025. Ajudou o fato de o país estar fazendo mais churrasco, com as ocasiões subindo 15% no ano.

A Seara entrou pelo lado gourmet, com blend de Angus, o primeiro hambúrguer trufado do país e até um modelo pensado pra air fryer. E o bolo é grande, o hambúrguer está em cerca de 70% dos lares brasileiros, num mercado que cresce 5% ao ano em volume e 7% em valor, com a Kantar contando 174 mil unidades vendidas por semana.

Pro setor, o recado é mais largo que o lanche, a carne bovina brasileira está aprendendo a sair da commodity e virar marca de valor agregado. O hambúrguer virou vitrine. Falta ver quem segura a liderança quando a brasa esfriar.

POR DENTRO DO MERCADO

O paiol enche, o bolso não

Fonte: giphy.com

Tem safra farta saindo do campo, e mesmo assim o produtor de milho não está rindo à toa. A Agroconsult, depois de rodar o Rally da Safra, projeta a safrinha 25/26 em 115,8 milhões de toneladas, queda de 7,6% ante o ciclo passado, mas ainda é grão que dá e sobra pra ração, etanol de milho e exportação.

A área quase não mexeu, 18,2 milhões de hectares, quem encolheu foi a produtividade, de 114,9 pra 105,9 sacas por hectare. Mato Grosso segura o tranco e deve colher 58 milhões de toneladas sozinho, enquanto Goiás levou a pior, com o clima derrubando o rendimento em quase 35%. Pra completar, a lagarta-do-cartucho apareceu com fome e pode abocanhar 700 mil toneladas.

Acontece que safra cheia não é o mesmo que conta no azul. No Paraná, um dos maiores produtores, a margem está até 40% menor que no ano passado, espremida por custo alto, preço baixo, juro nas alturas e crédito curto. Colher muito virou meio consolo quando cada saca rende menos.

E o número ainda é movediço. A própria Agroconsult admite estar quase 8 milhões de toneladas acima da estimativa da Conab, então depende de em quem você acredita. Além disso, o frio jogou geada no Sul nesta semana, e o milho do Paraná, com quase 60% das lavouras em frutificação, é justamente o mais vulnerável nessa fase.

Pra quem planta milho, fica o retrato de 2026, paiol cheio e calculadora apertada. Grão não vai faltar, vai sobrar é dúvida sobre quanto disso vira lucro.

PAUTA VERDE

O dinheiro do clima não acha o caminho da roça

Fonte: theagribiz.com

Numa coluna afiada, Eduardo Bastos, do Instituto Equilíbrio, vira a mesa do debate climático com uma provocação, o problema não é falta de dinheiro. Segundo ele, o mundo promete cerca de US$ 1,3 trilhão pra causa do clima, mas gasta US$ 2,5 trilhões em armamento e US$ 7 trilhões por ano subsidiando combustível fóssil.

O Brasil, escreve ele, está sentado no ativo certo, produtividade, biomas, matriz de energia limpa e um puta potencial de sequestrar carbono. E ferramenta não falta, green bonds, fundos ESG e o Eco Invest, que ele diz ter mobilizado mais de R$ 127 bilhões em 2025, sendo quase R$ 40 bilhões pro agro pelas frentes Caminho Verde e Biocombustíveis, sem contar as linhas verdes do próprio Plano Safra.

O nó, na visão dele, mora entre o instrumento e o produtor. Certificar um projeto de carbono pode custar US$ 1 milhão, conta que não fecha numa lavoura média de 200 hectares. Burocracia e regras desenhadas pra outra realidade deixam justamente o pequeno e o médio de fora do mercado que deveria recompensá-los.

A receita que ele defende não é mais dinheiro, é articulação, clareza nas regras, taxonomia verde e um mercado de carbono que funcione de verdade. É opinião, claro, e dá pra discordar do tamanho de cada número. Mas o incômodo central é difícil de rebater, de que adianta o mundo ter o cofre cheio se a chave não chega na porteira.

ASSUNTO DE GABINETE

A conta do importado tem muitos donos

Fonte: globorural.com.br

Tem farpa voando entre o Planalto e o agro, e o estopim foi o saco de adubo. Na reabertura de uma fábrica de fertilizantes em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, Lula alfinetou nesta quinta que boa parte do agronegócio nunca se importou em ter indústria de adubo dentro de casa, porque sempre foi mais barato importar.

A provocação tem um pé numa realidade incômoda. O Brasil produz comida pro mundo, mas compra de fora a maior parte do fertilizante que joga na lavoura, e cada conflito lá longe, do Leste Europeu ao Oriente Médio, chega aqui em forma de adubo mais caro. Quando o frete e o câmbio apertam, quem planta sente no custo e quem vai ao mercado sente no preço da prateleira.

Daí o aceno da obra retomada em Três Lagoas, a ideia de fincar produção nacional pra depender menos do navio. No papel, é o tipo de soberania que todo mundo aplaude, menos adubo importado, menos sobressalto a cada guerra.

Só que a conta do outro lado também fecha. Importar saiu barato por décadas justamente porque montar e tocar fábrica de fertilizante é caro, demorado e refém do gás natural, e mais de um projeto estatal do tipo já enferrujou pela metade antes de cuspir o primeiro grão. Cobrar do produtor que ele banque sozinho a indústria que o próprio Estado não ergueu é repartir uma conta que tem muitos donos.

No fim, a alfinetada esconde um consenso, o Brasil ficaria melhor fazendo mais adubo em casa. O nó é quem paga a fatura pra tirar isso do papel. Enquanto a fábrica não roda, o agro segue plantando safra recorde com insumo que desembarca no porto.

PLANTÃO RURAL

  • A cota da China tá no talo: a Austrália estourou a dela em 18/jun e já levou tarifa extra de 55%.

  • Açúcar que dá lucro: a Copersucar, maior trading de açúcar do mundo, fechou a safra 25/26 com lucro líquido de R$ 631 milhões, alta de 56,9%.

  • A Bayer respira: a Suprema Corte dos EUA livrou a Bayer, por 7 a 2, de dezenas de milhares de processos que ligavam o Roundup ao câncer.

  • O cacau não dá trégua: os contratos de setembro subiram 5,5% em Nova York, a US$ 5.247 a tonelada, com o El Niño no radar e a Costa do Marfim segurando as vendas do próximo ciclo.

  • Veneno mais em conta: a importação de defensivos químicos caiu 6,8% de janeiro a maio, a US$ 4,28 bilhões.

  • Casar boi com soja paga mais: um estudo de 25 anos no Rio Grande do Sul mostrou que integrar lavoura e pecuária rende mais que as duas atividades separadas.

SE DIVERTE AÍ

Edição de aniversário pede um jogo desafiador: separar o que combina. No Connections você recebe 16 palavras embaralhadas e precisa montar quatro grupos de quatro, achando o fio que liga cada turma, igual quando bate o olho no talhão e já sabe o que é praga, o que é planta e o que é mato. A tolerância é de só quatro erros, então comece pelo grupo que tiver mais certeza, que nem quem colhe primeiro o que já está no ponto.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: quarto (rúmen, retículo, omaso e abomaso), e é o rúmen, o maior deles, que faz a fermentação que transforma capim em proteína.

Pergunta de hoje: quantos quilos tem uma saca de café no Brasil?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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