APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje tem agro brasileiro chegando à órbita da Lua via missão da Nasa, carne bovina batendo recorde histórico de exportação em março e setor agropecuário liderando o ranking de recuperações judiciais em 2025. No meio disso, a FPA entra em campo contra o novo filtro de crédito rural, a IA começa a ver defeito em semente que o olho humano deixa passar e sete caprinos foram encontrados dentro de um Corsa na Paraíba.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 188.258,90 16,84%
BEEF3 R$4,07 -29,34%
SMTO3 R$18,90 25,00%
SUZB3 R$46,43 -10,49%
KLBN11 R$18,46 -1,60%
Bitcoin US$69.908,74 -20,87%
Ethereum US$2144,84 -28,21%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

MENTES QUE GERMINAM

Do campo pra Lua, o agro brasileiro entra na rota da Nasa de olho em plantio no espaço

Gif: The Martian on Giphy

Quando o assunto é espaço, muita gente pensa em foguete, astronauta e aquela estética de filme futurista. Mas nessa história tem também batata-doce, grão-de-bico e dedo brasileiro no meio. A missão Artemis II, que marca a volta de humanos à órbita da Lua depois de 54 anos, conecta o Brasil e a Nasa por um caminho bem menos óbvio e muito mais agro. A ponte passa pela Space Farming Brazil, iniciativa da Embrapa com apoio da Agência Espacial Brasileira, que leva pro jogo a experiência de quem já aprendeu a produzir em condições difíceis aqui na Terra e agora quer ajudar a fazer isso fora dela também.

Se o plano é manter missões longas na Lua e, lá na frente, até em Marte, alguém vai ter que descobrir como produzir comida em ambiente fechado, com baixa gravidade, alta radiação e zero chance de pedir um delivery ou correr no mercado da esquina. É aí que entra o Brasil, com know-how de quem aprendeu a produzir em condições nada amigáveis e a transformar limitação em manejo.

Na primeira fase, a Embrapa escolheu 2 culturas-modelo pra esse desafio, a batata-doce e o grão-de-bico, justamente por combinarem valor nutricional, crescimento relativamente rápido e um manejo mais tranquilo. Em abril de 2025, algumas sementes e mudas dessas culturas já foram pro espaço numa missão da New Shepard que teve até Katy Perry a bordo.

Agora o projeto avança pra uma fase ainda mais futurista, com o cultivo desses alimentos em ambientes fechados que podem ser instalados na Lua ou usados em viagens espaciais. No fundo, o agro tá fazendo o que sempre fez, tentar resolver problema real com tecnologia, pesquisa e insistência produtiva. A diferença é que, dessa vez, o desafio não é só fazer lavoura render no Cerrado, no semiárido ou em solo complicado. É descobrir como montar uma espécie de horta lunar sem deixar produtividade e nutrição flutuarem pro espaço.

QUAL A BOA?

BioSummit quer tese de doutorado apresentada em 3 minutos e sem enrolação

Gif: theoffice on Giphy

Tem muita pesquisa boa no agro que, se depender da forma como é contada, morre antes de chegar ao público. O BioSummit resolveu mexer nesse vespeiro e, em parceria com a Sociedade Entomológica do Brasil, o evento vai ter uma edição especial do “Minha Tese em 3 Minutos”, desafio que coloca doutorandos e doutores pra explicar suas pesquisas de forma clara, rápida e sem aquele dialeto acadêmico que dá sono até em quem tava interessado. As inscrições vão até 10 de abril, então o relógio já tá correndo mais que aluno tentando resumir 4 anos de tese sem entrar em parafuso.

O BioSummit acontece nos dias 6 e 7 de maio, em Campinas, e chega à 3ª edição tentando se firmar como um dos principais pontos de encontro do pessoal de bioinsumos e agricultura regenerativa. A expectativa é reunir mais de 1 mil participantes entre produtores, pesquisadores, empresas, investidores, governo e aquela turma que gosta do assunto e quer ver mais de perto. Segundo os dados do setor, o biocontrole já alcançou 43,5% da produção agrícola brasileira na safra 2024/25, então não dá mais pra tratar esse mercado como conversa de nicho em estande bonito.

Na programação, o evento vai misturar conteúdo técnico, negócios e temas que já tão no centro da lavoura, como saúde do solo, bionematicidas, bioherbicidas, parasitoides de ovos, bioinsumos veterinários e aplicações em culturas como soja, milho, café, citros e cana. No meio disso tudo, o “Minha Tese em 3 Minutos” entra como lembrete de que não basta descobrir coisa boa, tem que saber contar direito também. Uma tese que ninguém entende corre o risco de cair no esquecimento antes mesmo de ficar famosa.

O AGRO EM NÚMEROS

Agro exporta mais, carne bate recorde, boi em dólar sobe e maquinário perde tração

Gif: Giphy

As exportações do agro brasileiro somaram US$ 8,3 bilhões em março, segundo o MDIC, alta de 1,1% na comparação anual. No mês, o setor respondeu por 26,6% de tudo que o Brasil vendeu pro exterior, com a soja mais uma vez sentada no trono e puxando US$ 5,8 bilhões sozinha.

Na carne bovina, março também veio com recorde na bagagem. O Brasil embarcou 233,951 mil toneladas de carne bovina in natura nos 22 dias úteis do mês, o maior volume já registrado pra um mês de março, segundo dados da Secex compilados pelo Cepea. Isso significa alta de 8,6% sobre março de 2025 e de 40,7% sobre março de 2024, com preço médio de US$ 5.814,80 por tonelada. Como resultado, a proteína bovina brasileira segue saindo bem pro mundo e trazendo de volta US$ 1,36 bilhão pro caixa.

O boi gordo, aliás, resolveu falar em dólar de novo com mais confiança. A arroba brasileira voltou ao patamar de US$ 70,08 no mercado internacional, algo que não aparecia desde março de 2022. Em 1 ano, a valorização foi de 29,63%, mas o Brasil ainda segue competitivo frente a outros exportadores, com preço abaixo de Paraguai, Uruguai e Argentina. O boi encareceu, mas ainda não ficou metido a ponto de perder espaço lá fora.

no mercado de máquinas, o clima foi bem menos animado. As vendas de colheitadeiras despencaram 49,5% em fevereiro na comparação anual e somaram só 142 unidades, segundo a Fenabrave. No acumulado do bimestre, a queda foi de 42,4%. Juros altos, custo de produção apertado, guerra mexendo com insumos e mais produtor optando por locação deixaram a compra de máquina nova com cara de compromisso que todo mundo tá tentando adiar.

ASSUNTO DE GABINETE

FPA entra em campo pra destravar crédito e tenta frear a farra do falso positivo

Foto: FPA

A FPA resolveu comprar a briga de vez contra as novas restrições no crédito rural e agora tenta desmontar o que tá chamando de exagero regulatório disfarçado de controle ambiental. O alvo são as resoluções do CMN que obrigam bancos a consultar o Prodes antes de liberar financiamento.

O problema, segundo a bancada, não tá no Prodes em si, mas no jeito como a regra começou a ser aplicada. A ideia era dificultar a vida de quem desmata ilegalmente. Mas a FPA diz que, na prática, o sistema tá pegando também área regular, pomar comercial, limpeza de pasto e até troca de cultura, como se toda supressão de vegetação fosse automaticamente um pecado ambiental.

A reação vem em dois trilhos ao mesmo tempo. De um lado, a bancada quer tocar projetos no Congresso e até derrubar as resoluções por decreto legislativo. Do outro, tenta apertar o governo pra ajustar a norma sem desmontar o combate ao desmatamento ilegal. O argumento central é que o Prodes é importante, mas não pode virar atalho pra bloquear crédito sem aviso prévio nem direito de defesa.

No mesmo pacote, a FPA ainda puxou outras dores antigas do agro pra mesa, como endividamento rural e Seguro Rural. A bancada quer fazer andar o projeto de crédito emergencial pra produtores afetados por clima ruim e também acelerar a proposta que atualiza o seguro com um fundo de catástrofe.

E como reunião da FPA raramente sai com uma pauta só, ainda sobrou espaço pro biodiesel entrar na roda. A Frente quer pedir à ANP mais liberdade pro uso de B100 e voltou a defender o aumento das misturas de biocombustíveis no diesel e na gasolina.

CAMPO ATUALIZADO

IA entra no beneficiamento de sementes e começa a ver defeito que o olho deixa passar

Gif: Simpsons on Giphy

No agro, semente ruim é aquele tipo de problema que parece pequeno até virar estande falho, dor de cabeça e conta amarga lá na frente. Por isso a inteligência artificial tá começando a ganhar espaço justamente em um dos pontos mais importantes pro setor, qualidade. Várias empresas já tão usando sistemas ópticos com IA pra identificar defeitos que passam batido no olho humano, como manchas, deformações e sementes esverdeadas. É basicamente a tecnologia fazendo o papel do fiscal, só que sem piscar, sem cansar e sem pedir pausa pro café.

A Sementes Butiá, no Rio Grande do Sul, investiu numa máquina importada da Alemanha que lê a morfologia das sementes e separa o que não tá dentro do padrão. Segundo a empresa, é a única desse tipo em operação no estado. O processo produtivo continua praticamente o mesmo, mas a IA entra como aquele revisor obsessivo que percebe o que passaria batido no olho humano quando o volume é grande demais. O que não serve pra semente vai pra óleo ou ração. O que sobra chega ao agricultor com mais segurança, mais padronização e menos chance de surpresa desagradável depois que a semente já tá enterrada.

Essa onda não tá ficando só nas empresas maiores. A startup Singular SeedS, criada na Unicamp, também desenvolveu um equipamento com machine learning pra analisar sementes de soja, milho, café e outros grãos. A lógica é parecida, câmeras captam as imagens, o sistema interpreta e transforma isso em apoio de decisão num universo em que muita análise ainda é manual, lenta e dependente de olho treinado.

E a história não para no beneficiamento. A Syngenta, por exemplo, também usa IA em pesquisa, melhoramento genético, bioinformática, fenotipagem digital e automação de processos. A promessa é acelerar testes, organizar melhor o caos dos dados do campo e até cortar desperdícios na cadeia.

SAFRA DE CIFRAS

Agro puxa fila da recuperação judicial e o caixa no campo segue pedindo arrego

Gif: theoffice on Giphy

Se alguém ainda tinha dúvida de que 2025 foi um ano indigesto pro campo, a Serasa resolveu trazer o dado com CPF, RG e CNPJ. O agro foi o setor com mais empresas envolvidas em pedidos de recuperação judicial no ano, com mais de 30% do total, somando 743 CNPJs. O número foi suficiente pra passar o setor de serviços, que liderava em 2024 e agora ficou logo atrás, com 739 empresas. Comércio e indústria vêm na sequência, mas o troféu nada comemorável da vez ficou mesmo com o campo.

E não foi por falta de motivo. O agro apanhou de um combo que pareceu montado a dedo pra prejudicar todo mundo. Teve clima bagunçando safra, geada, seca, chuva demais, praga, doença, fertilizante e defensivo dolarizados, preço de commodity oscilando e crédito cada vez mais hostil. Como no agro o ciclo financeiro já é naturalmente mais longo, entre safra, entressafra e espera pra receber, qualquer tropeço vira uma bola de neve com chapéu. O resultado foi uma cadeia inteira olhando pro caixa com a mesma cara de quando você abre o app do banco no fim do mês.

Segundo a leitura da própria Serasa e de especialistas do setor jurídico, todas as tretas e problemas formaram um ambiente de liquidez sufocada. Ficou mais caro produzir, mais difícil vender bem e bem menos confortável pagar as contas no prazo. A recuperação judicial, que antes parecia um recurso extremo, de último caso, foi virando ferramenta de sobrevivência pra muita empresa que ainda quer manter a operação de pé e evitar que a crise passe o trator de vez.

PLANTÃO RURAL

  • JBS vê boi mais fraco no 2º semestre. A JBS entrou no modo cautela e avisou que a arroba pode perder força no 2º semestre. A conta mistura dois ingredientes pesados, a cota chinesa perto de lotar e a entrada maior de animais de confinamento.

  • Brasil abre 17 mercados na Etiópia. O agro brasileiro ganhou 17 novas portas na Etiópia, incluindo espaço pra carnes bovina, suína e de aves. O movimento reforça a estratégia de diversificação na África, continente que vem ganhando cada vez mais atenção em Brasília.

  • Sete caprinos roubados em um Corsa. Na Paraíba, a PRF recuperou 7 caprinos furtados que estavam sendo transportados dentro de um Corsa. A ação terminou com um preso, dois detidos e os animais de volta.

  • CCGL antecipa bônus e distribui R$ 30 milhões. A CCGL adiantou pro dia 6 de abril o pagamento de mais de R$ 30 milhões em bonificação a produtores de leite associados que forneceram de forma ininterrupta ao longo de 2025. Hoje, a cooperativa reúne 2,6 mil associados e processou 565 milhões de litros no ano passado.

  • Academia do Agro abre inscrições pra nova turma. A Fundação Dom Cabral abriu inscrições pra nova edição da Academia do Agro, curso voltado a lideranças da cadeia agropecuária. O programa mistura conteúdo acadêmico, prática em campo e leitura de cenário, com etapas presenciais em agosto e setembro.

  • Clima tenso entre os milhos. O atraso na colheita da soja empurrou o plantio do milho safrinha em Goiás e fez a semeadura terminar só em 15 de março, quase 1 mês depois do ideal. O risco agora é de problema na germinação e quebra de produtividade, justo quando o cereal ganha ainda mais valor no estado com proteína animal, etanol de milho e DDG no radar.

  • Unesp abre vitrine e tenta dar match com o agro. A Unesp lançou um portfólio digital pra aproximar empresas do agro de pesquisas em biodiversidade, nanotecnologia, micro-organismos e soluções sustentáveis. A ideia é mostrar não só patente pronta, mas também a cabeça por trás da inovação.

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Chicória do Pará

Pergunta de hoje: Qual cultura de leguminosa ajudou a compor dietas equilibradas desde os primeiros agricultores no Oriente Médio?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

Keep Reading